Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2018

20 de Outubro de 2018

Fazer a vontade de Deus

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Fazer a vontade de Deus

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21/12/2014 00:00

Fazer a vontade de Deus 0

21/12/2014 00:00

Fazer a vontade de Deus / Arqrio

Já estamos nos aproximando da grande solenidade do nascimento do Salvador. Já estamos como que às portas deste grande e glorioso, no qual comemoramos a visita do verdadeiro “astro”, do sol nascente que nos veio visitar: Cristo Jesus.

A primeira leitura deste domingo é composta por fragmentos de 2Sm 7. Este texto manifesta de maneira muito clara a ideologia monárquica surgida em Israel em torno da figura de Davi. O rei já está instalado em sua casa e ele se preocupa em construir uma casa para Deus. Davi quer dar a Deus um Templo. Nada mais justo. Afinal, uma das atribuições do rei tanto em Israel, quanto nos povos circunvizinhos, era cuidar para que o povo pudesse prestar dignamente o seu culto a Deus. A construção de um Templo era a primeira atitude de um rei nesse sentido.

Todavia, Davi não quer agir por si mesmo. O rei quer, antes, escutar a voz de Deus e, por isso, ele apresenta a questão ao profeta Natã. Natã é um profeta de corte. Tudo o que ele quer é agradar ao rei, para que este o mantenha ao seu lado. Por isso o profeta se precipita, e aceita como legítima a vontade do rei, antes mesmo de consultar a Deus. Mas Deus não se silencia e envia sua palavra ao profeta naquela mesma noite. Não será Davi que construirá uma “casa-Templo” para Deus, mas será Deus que construirá para Davi uma “casa-dinastia”.

Este texto manifesta não somente a escolha que Deus fez de Davi para ser o rei do seu povo, mas manifesta também a estabilidade desse reino. No v. 12 Deus afirma que suscitará um filho de Davi e confirmará sua realeza. No v. 14 Deus afirma a especial relação que a descendência de Davi terá para com Ele, porque Deus será para o rei “um pai” e o rei será para Deus “um filho”. A casa de Davi será “estável” para sempre. Deus “confirmará” a casa e o reino de Davi. O hebraico utiliza o verbo aman, de onde vem a palavra amém, para dizer que a casa de Davi será firme, estável, para sempre estabelecida por Deus.

O Salmo 88 canta essa eleição divina. Deus mesmo toma a palavra no v. 4 do salmo para dizer: “Eu firmei uma Aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor. Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, de geração em geração garantirei o teu reinado!” Reconhecendo a bondade de Deus para com seu povo, dando-lhes um rei segundo o seu coração, o salmista pode dizer: “Eu cantarei eternamente o vosso amor!”.

Todavia, poderíamos nos questionar dizendo: a monarquia de Davi terminou e onde está a promessa de Deus? Essa promessa de 2Sm 7 para nós cristãos é um “mistério”, que só em Cristo se torna revelado. São Paulo, neste trecho final da carta aos Romanos lido hoje nesta liturgia, dá graças ao Pai por quem o “mistério” de Cristo nos foi manifestado.

O verdadeiro “filho de Davi”, o verdadeiro rei, é aquele que haveria de nascer da Virgem Maria, como hoje ouvimos neste belíssimo evangelho da anunciação. O anjo do Senhor aparece à Virgem e a convida a entrar na alegria da chegada do Messias. O mesmo anjo lhe revela que o menino gerado no seu ventre é o verdadeiro herdeiro do trono de Davi e que todas as profecias messiânicas do Antigo Testamento têm n’Ele a sua plena realização (cf. v. 32).

Também uma idosa estéril, Isabel, foi visitada pelo Senhor. Que maravilhoso anúncio: uma Virgem e uma estéril dão à luz. A estéril dá à luz o precursor e a Virgem dá à luz o Salvador!

Poderíamos ficar hoje com o v. 38 desta perícope evangélica. Na sua simplicidade de Virgem, mas também na sua firmeza de mulher de fé, Maria responde ao anjo dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” Maria diz sim, sem reservas, a Deus. Ela assim procede porque confia absolutamente na bondade e no amor de Deus e sabe que jamais ficará só, pois Deus que a chamou também a acompanhará até o fim. Também nós somos chamados por Deus para um projeto de vida. Precisamos aprender, com Maria, a confiar no amor de Deus. Porque se confiarmos no seu amor com toda a força do nosso coração, poderemos também dizer generosamente nosso sim, confiando que Ele jamais nos deixará sozinhos em nossa missão.

Fiquemos hoje com as belíssimas palavras de São Luiz Maria de Montfort, que comenta de modo sublime a cena da anunciação: “A Virgem Maria é a pessoa afortunada à qual se dirigiu esta saudação divina para concluir a maior e mais importante aliança do mundo: a encarnação do Verbo Eterno, a paz entre Deus e os homens e a redenção do gênero humano. Graças à saudação angélica, Deus se fez homem, uma Virgem tornou-se Mãe de Deus, o pecado foi perdoado, a graça nos foi dada. Em resumo, a saudação angélica é o arco-íris, o sinal da clemência e da graça de Deus concedida ao mundo.” (São Luiz Maria Grignion de Montfort).

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Fazer a vontade de Deus / Arqrio

Fazer a vontade de Deus

21/12/2014 00:00

Já estamos nos aproximando da grande solenidade do nascimento do Salvador. Já estamos como que às portas deste grande e glorioso, no qual comemoramos a visita do verdadeiro “astro”, do sol nascente que nos veio visitar: Cristo Jesus.

A primeira leitura deste domingo é composta por fragmentos de 2Sm 7. Este texto manifesta de maneira muito clara a ideologia monárquica surgida em Israel em torno da figura de Davi. O rei já está instalado em sua casa e ele se preocupa em construir uma casa para Deus. Davi quer dar a Deus um Templo. Nada mais justo. Afinal, uma das atribuições do rei tanto em Israel, quanto nos povos circunvizinhos, era cuidar para que o povo pudesse prestar dignamente o seu culto a Deus. A construção de um Templo era a primeira atitude de um rei nesse sentido.

Todavia, Davi não quer agir por si mesmo. O rei quer, antes, escutar a voz de Deus e, por isso, ele apresenta a questão ao profeta Natã. Natã é um profeta de corte. Tudo o que ele quer é agradar ao rei, para que este o mantenha ao seu lado. Por isso o profeta se precipita, e aceita como legítima a vontade do rei, antes mesmo de consultar a Deus. Mas Deus não se silencia e envia sua palavra ao profeta naquela mesma noite. Não será Davi que construirá uma “casa-Templo” para Deus, mas será Deus que construirá para Davi uma “casa-dinastia”.

Este texto manifesta não somente a escolha que Deus fez de Davi para ser o rei do seu povo, mas manifesta também a estabilidade desse reino. No v. 12 Deus afirma que suscitará um filho de Davi e confirmará sua realeza. No v. 14 Deus afirma a especial relação que a descendência de Davi terá para com Ele, porque Deus será para o rei “um pai” e o rei será para Deus “um filho”. A casa de Davi será “estável” para sempre. Deus “confirmará” a casa e o reino de Davi. O hebraico utiliza o verbo aman, de onde vem a palavra amém, para dizer que a casa de Davi será firme, estável, para sempre estabelecida por Deus.

O Salmo 88 canta essa eleição divina. Deus mesmo toma a palavra no v. 4 do salmo para dizer: “Eu firmei uma Aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor. Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, de geração em geração garantirei o teu reinado!” Reconhecendo a bondade de Deus para com seu povo, dando-lhes um rei segundo o seu coração, o salmista pode dizer: “Eu cantarei eternamente o vosso amor!”.

Todavia, poderíamos nos questionar dizendo: a monarquia de Davi terminou e onde está a promessa de Deus? Essa promessa de 2Sm 7 para nós cristãos é um “mistério”, que só em Cristo se torna revelado. São Paulo, neste trecho final da carta aos Romanos lido hoje nesta liturgia, dá graças ao Pai por quem o “mistério” de Cristo nos foi manifestado.

O verdadeiro “filho de Davi”, o verdadeiro rei, é aquele que haveria de nascer da Virgem Maria, como hoje ouvimos neste belíssimo evangelho da anunciação. O anjo do Senhor aparece à Virgem e a convida a entrar na alegria da chegada do Messias. O mesmo anjo lhe revela que o menino gerado no seu ventre é o verdadeiro herdeiro do trono de Davi e que todas as profecias messiânicas do Antigo Testamento têm n’Ele a sua plena realização (cf. v. 32).

Também uma idosa estéril, Isabel, foi visitada pelo Senhor. Que maravilhoso anúncio: uma Virgem e uma estéril dão à luz. A estéril dá à luz o precursor e a Virgem dá à luz o Salvador!

Poderíamos ficar hoje com o v. 38 desta perícope evangélica. Na sua simplicidade de Virgem, mas também na sua firmeza de mulher de fé, Maria responde ao anjo dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” Maria diz sim, sem reservas, a Deus. Ela assim procede porque confia absolutamente na bondade e no amor de Deus e sabe que jamais ficará só, pois Deus que a chamou também a acompanhará até o fim. Também nós somos chamados por Deus para um projeto de vida. Precisamos aprender, com Maria, a confiar no amor de Deus. Porque se confiarmos no seu amor com toda a força do nosso coração, poderemos também dizer generosamente nosso sim, confiando que Ele jamais nos deixará sozinhos em nossa missão.

Fiquemos hoje com as belíssimas palavras de São Luiz Maria de Montfort, que comenta de modo sublime a cena da anunciação: “A Virgem Maria é a pessoa afortunada à qual se dirigiu esta saudação divina para concluir a maior e mais importante aliança do mundo: a encarnação do Verbo Eterno, a paz entre Deus e os homens e a redenção do gênero humano. Graças à saudação angélica, Deus se fez homem, uma Virgem tornou-se Mãe de Deus, o pecado foi perdoado, a graça nos foi dada. Em resumo, a saudação angélica é o arco-íris, o sinal da clemência e da graça de Deus concedida ao mundo.” (São Luiz Maria Grignion de Montfort).

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida