Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/11/2019

21 de Novembro de 2019

Pastoral nas grandes cidades

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

21 de Novembro de 2019

Pastoral nas grandes cidades

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

16/12/2014 00:00

Pastoral nas grandes cidades 0

16/12/2014 00:00

Os documentos e os fatos nos demonstram que estamos vivendo o fenômeno de uma “mudança de época”, envolvendo culturas, costumes, pessoas, ideologias, religiões etc. O Papa Francisco, que quando foi Arcebispo de Buenos Aires enfrentou esse desafio, tem colocado em suas reflexões esta problemática, e incentivado a Igreja a fazer o mesmo. Nesse contexto social e religioso, o desafio é evangelizar as cidades, as quais, com seus habitantes, vivem realidades dinâmicas: com relação ao deslocamento rápido das pessoas para o trabalho e lazer, e os espaços físicos diversificados com relação à moradia, trabalho, lazer, participação religiosa e local de habitação dos familiares. É fato que a urbanização cresce cada vez mais e a tendência é que tenhamos ainda mais concentração do povo nos conglomerados urbanos, esvaziando a zona rural. Esta, mesmo com menos pessoas ali residindo, tem, no entanto, a influência da grande cidade, que chega até eles com seus meios de comunicação, educação e transporte. 

Para aprofundar este assunto, o Cardeal Arcebispo de Barcelona, na Espanha, organizou um Congresso Internacional sobre a Pastoral nas Grandes Cidades. De 20 a 22 de maio desse ano, em Barcelona houve um fórum com especialistas do mundo inteiro para aprofundar o tema e colocar as questões para os pastores dos grandes centros responderem e discutirem. Desse fórum de especialistas resultou um documento síntese com situações, propostas e perguntas. A segunda fase deste trabalho foi com os Cardeais, Arcebispos e Bispos que se debruçaram sobre esses temas. Nesse sentido, participei de 24 a 26 de novembro, em Barcelona, na Espanha, do Encontro dos Bispos de 25 Circunscrições Eclesiásticas, que abrangem várias regiões metropolitanas, para trocarmos experiência e discutirmos a Pastoral Urbana. Com isso, com o documento síntese final, procuramos caminhos para enfrentar os desafios de evangelização nas grandes cidades. O evento teve o seu encerramento com uma Missa no Vaticano e um encontro com o Papa Francisco, na cidade eterna, no dia 27 próximo passado.

Encontros internacionais desse tipo já houve no passado e também nós o fizemos no Brasil em alguns encontros entre as regiões metropolitanas. Foram momentos muito ricos de partilha e enriquecimento.

Nesse ambiente urbano, os desafios para a evangelização são muitos! Sejam as habitações com os prédios, com muitos apartamentos, os aglomerados nas periferias, os condomínios, com suas leis e exigências, e as típicas favelas urbanas. Aliado a esse fato, hoje, o poder do sistema de comunicação. Com isso, a pessoa, nos tempos de modernidade e na realidade urbana, está sendo bombardeada por tantas informações que a deixam indiferente ou inerte diante dos valores inerentes ao próprio ser humano, como pessoa constitutiva dessa realidade social e religiosa. Isso nos faz constatar que se passa a viver no isolamento, apesar de se estar no meio de tanta gente e com tantos meios de comunicação, cultivando um relativismo religioso, ético e social; sem compromisso com Deus, com a religião, com sua fé e com a sociedade. O individualismo e relativismo estão continuando no horizonte dessa realidade. Este é um grande desafio para a religião e para a evangelização nos múltiplos ambientes das grandes cidades.

Na questão urbana, notamos ainda as grandes massas que se formam nessas megalópoles, nas quais as pessoas perdem sua identidade e os valores humanos, parte importante de sua cidadania social e religiosa. Por isso, no processo de evangelização, é preciso confiar na ação do Espírito Santo e aplicar maneiras de evangelizar diferenciadas, contando também com o apoio das ciências humanas. O humano assume então a mediação da ação de Deus na história. A presença profética nessa realidade faz-se oportuna para levantar a voz em relação às questões de valores e princípios do Reino de Deus. Uma dessas necessidades é levar a uma sociedade que viva a civilização do amor, construindo a paz e sendo portadora da esperança.

A vida na cidade é tentadora e cheia de nuances. Embora a mentalidade hodierna atinja a todos, a realidade urbana condiciona muitas situações que acabam assumindo certa determinação na vida das pessoas. Estamos muito próximo e, ao mesmo tempo, muito longe uns dos outros. Tanto nas residências, como nos ônibus, metrôs, trens, barcas, aviões. As novas mídias sociais são um exemplo claro de que podemos estar próximos fisicamente e longe com as preocupações e diálogos, longe da realidade que pisamos. Como chegar ao homem de hoje com o anúncio do Evangelho que salva e liberta? É a floresta de cimento que acolhe em suas ruas uma legítima aspiração de realização pessoal e dignidade de vida. Aí o relacionamento humano torna-se muitas vezes impessoal, distante, e assim se torna também o relacionamento com o sobrenatural.
A religiosidade do homem nas grandes cidades é um dos maiores desafios em nossos dias e deve ser fruto de uma renovada e continuada reflexão. Quem oferecerá ao homem pós-moderno citadino a satisfação integral que ele tanto almeja? Uma grande constatação desse Congresso de que participamos é que somos chamados a ver a presença de Deus nas grandes cidades: “Deus vive nessas grandes metrópoles”, Deus está em seu meio, Deus habita nestas cidades: é essa constatação que a evangelização de hoje é chamada a descobrir – tornar essa presença mais visível ao homem que habita a grande cidade.

Deus é grande demais para se submeter e limitar as minhas elaborações e a minha imaginação – é um Deus pessoal e não individual, um Deus que se fez homem, não um homem que faz deus… Viver nas grandes urbes não deve significar uma autonomia fria e distante de um Deus que se fez carne, quis ter um rosto e falou ao homem de todos os tempos e de todas as nações, do campo ou da cidade. Há muitos que O procuram e cabe a cada um de nós conduzi-los e favorecer aquele mesmo encontro que nos seduziu e conquistou. Ele está presente no centro e na periferia, onde dois ou mais estiverem reunidos em Seu Nome, naqueles cristãos lábios que O pronunciam e anunciam. É com alegria que o Evangelho deve ser anunciado, e o Papa Francisco deixou isso bem claro na sua última Exortação Apostólica. Afinal, um cristão triste é sempre um triste cristão.

A missão não ficou tão distante, pois se formos ver os primórdios da evangelização apostólica, eles começaram a anunciar o Cristo Ressuscitado justamente nas grandes cidades da época, e utilizando os caminhos abertos para percorrer as cidades. Hoje, a missão começa na sua casa, junto a seus vizinhos, em seu bairro, na sua cidade e dispõe de variados e eficazes meios, além do pessoal e da proximidade, que são insubstituíveis e de grande importância, complementados com a internet, redes sociais, celular, entre muitos outros. É este estado permanente de missão que as constatações pastorais dos documentos demonstram ser imprescindível hoje, e que precisamos chegar para encontrar nosso lugar nesse trabalho. A forma capilar de nossa presença com as redes de comunidade e os eventos que movimentam os diocesanos para manifestações religiosas se complementa no trabalho paroquial, que precisa de uma constante conversão pastoral para poder exercer bem a sua missão territorial e ambiental. Hoje precisamos trabalhar juntos – diversidade na unidade –, sabendo que necessitamos uns dos outros nessa missão evangelizadora. Desafios de acolhimento e aceitação e, ao mesmo tempo, de unidade e fraternidade. A missão permanente supõe também pessoas renovadas e que aprofundaram suas vidas na opção pelo Cristo. Nesse sentido, a iniciação Cristã é fundamental nestes tempos desafiadores. A Palavra acolhida, vivida, celebrada nos leva a acolher as pessoas com suas feridas e dificuldades, e propor a todos a “boa notícia” da salvação misericordiosa que Cristo nos conquistou com sua morte e ressurreição.

Este tempo do ciclo do Natal, em que os corações se tornam mais receptivos à mensagem da “alegria do evangelho”, deve ser uma oportunidade a mais para nos questionarmos sobre essa missão que temos em nossas cidades e buscarmos continuamente os caminhos de evangelização.
Eis o nosso desafio: encontrar Deus na grande cidade e anunciá-Lo aos nossos irmãos e irmãs!


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Pastoral nas grandes cidades

16/12/2014 00:00

Os documentos e os fatos nos demonstram que estamos vivendo o fenômeno de uma “mudança de época”, envolvendo culturas, costumes, pessoas, ideologias, religiões etc. O Papa Francisco, que quando foi Arcebispo de Buenos Aires enfrentou esse desafio, tem colocado em suas reflexões esta problemática, e incentivado a Igreja a fazer o mesmo. Nesse contexto social e religioso, o desafio é evangelizar as cidades, as quais, com seus habitantes, vivem realidades dinâmicas: com relação ao deslocamento rápido das pessoas para o trabalho e lazer, e os espaços físicos diversificados com relação à moradia, trabalho, lazer, participação religiosa e local de habitação dos familiares. É fato que a urbanização cresce cada vez mais e a tendência é que tenhamos ainda mais concentração do povo nos conglomerados urbanos, esvaziando a zona rural. Esta, mesmo com menos pessoas ali residindo, tem, no entanto, a influência da grande cidade, que chega até eles com seus meios de comunicação, educação e transporte. 

Para aprofundar este assunto, o Cardeal Arcebispo de Barcelona, na Espanha, organizou um Congresso Internacional sobre a Pastoral nas Grandes Cidades. De 20 a 22 de maio desse ano, em Barcelona houve um fórum com especialistas do mundo inteiro para aprofundar o tema e colocar as questões para os pastores dos grandes centros responderem e discutirem. Desse fórum de especialistas resultou um documento síntese com situações, propostas e perguntas. A segunda fase deste trabalho foi com os Cardeais, Arcebispos e Bispos que se debruçaram sobre esses temas. Nesse sentido, participei de 24 a 26 de novembro, em Barcelona, na Espanha, do Encontro dos Bispos de 25 Circunscrições Eclesiásticas, que abrangem várias regiões metropolitanas, para trocarmos experiência e discutirmos a Pastoral Urbana. Com isso, com o documento síntese final, procuramos caminhos para enfrentar os desafios de evangelização nas grandes cidades. O evento teve o seu encerramento com uma Missa no Vaticano e um encontro com o Papa Francisco, na cidade eterna, no dia 27 próximo passado.

Encontros internacionais desse tipo já houve no passado e também nós o fizemos no Brasil em alguns encontros entre as regiões metropolitanas. Foram momentos muito ricos de partilha e enriquecimento.

Nesse ambiente urbano, os desafios para a evangelização são muitos! Sejam as habitações com os prédios, com muitos apartamentos, os aglomerados nas periferias, os condomínios, com suas leis e exigências, e as típicas favelas urbanas. Aliado a esse fato, hoje, o poder do sistema de comunicação. Com isso, a pessoa, nos tempos de modernidade e na realidade urbana, está sendo bombardeada por tantas informações que a deixam indiferente ou inerte diante dos valores inerentes ao próprio ser humano, como pessoa constitutiva dessa realidade social e religiosa. Isso nos faz constatar que se passa a viver no isolamento, apesar de se estar no meio de tanta gente e com tantos meios de comunicação, cultivando um relativismo religioso, ético e social; sem compromisso com Deus, com a religião, com sua fé e com a sociedade. O individualismo e relativismo estão continuando no horizonte dessa realidade. Este é um grande desafio para a religião e para a evangelização nos múltiplos ambientes das grandes cidades.

Na questão urbana, notamos ainda as grandes massas que se formam nessas megalópoles, nas quais as pessoas perdem sua identidade e os valores humanos, parte importante de sua cidadania social e religiosa. Por isso, no processo de evangelização, é preciso confiar na ação do Espírito Santo e aplicar maneiras de evangelizar diferenciadas, contando também com o apoio das ciências humanas. O humano assume então a mediação da ação de Deus na história. A presença profética nessa realidade faz-se oportuna para levantar a voz em relação às questões de valores e princípios do Reino de Deus. Uma dessas necessidades é levar a uma sociedade que viva a civilização do amor, construindo a paz e sendo portadora da esperança.

A vida na cidade é tentadora e cheia de nuances. Embora a mentalidade hodierna atinja a todos, a realidade urbana condiciona muitas situações que acabam assumindo certa determinação na vida das pessoas. Estamos muito próximo e, ao mesmo tempo, muito longe uns dos outros. Tanto nas residências, como nos ônibus, metrôs, trens, barcas, aviões. As novas mídias sociais são um exemplo claro de que podemos estar próximos fisicamente e longe com as preocupações e diálogos, longe da realidade que pisamos. Como chegar ao homem de hoje com o anúncio do Evangelho que salva e liberta? É a floresta de cimento que acolhe em suas ruas uma legítima aspiração de realização pessoal e dignidade de vida. Aí o relacionamento humano torna-se muitas vezes impessoal, distante, e assim se torna também o relacionamento com o sobrenatural.
A religiosidade do homem nas grandes cidades é um dos maiores desafios em nossos dias e deve ser fruto de uma renovada e continuada reflexão. Quem oferecerá ao homem pós-moderno citadino a satisfação integral que ele tanto almeja? Uma grande constatação desse Congresso de que participamos é que somos chamados a ver a presença de Deus nas grandes cidades: “Deus vive nessas grandes metrópoles”, Deus está em seu meio, Deus habita nestas cidades: é essa constatação que a evangelização de hoje é chamada a descobrir – tornar essa presença mais visível ao homem que habita a grande cidade.

Deus é grande demais para se submeter e limitar as minhas elaborações e a minha imaginação – é um Deus pessoal e não individual, um Deus que se fez homem, não um homem que faz deus… Viver nas grandes urbes não deve significar uma autonomia fria e distante de um Deus que se fez carne, quis ter um rosto e falou ao homem de todos os tempos e de todas as nações, do campo ou da cidade. Há muitos que O procuram e cabe a cada um de nós conduzi-los e favorecer aquele mesmo encontro que nos seduziu e conquistou. Ele está presente no centro e na periferia, onde dois ou mais estiverem reunidos em Seu Nome, naqueles cristãos lábios que O pronunciam e anunciam. É com alegria que o Evangelho deve ser anunciado, e o Papa Francisco deixou isso bem claro na sua última Exortação Apostólica. Afinal, um cristão triste é sempre um triste cristão.

A missão não ficou tão distante, pois se formos ver os primórdios da evangelização apostólica, eles começaram a anunciar o Cristo Ressuscitado justamente nas grandes cidades da época, e utilizando os caminhos abertos para percorrer as cidades. Hoje, a missão começa na sua casa, junto a seus vizinhos, em seu bairro, na sua cidade e dispõe de variados e eficazes meios, além do pessoal e da proximidade, que são insubstituíveis e de grande importância, complementados com a internet, redes sociais, celular, entre muitos outros. É este estado permanente de missão que as constatações pastorais dos documentos demonstram ser imprescindível hoje, e que precisamos chegar para encontrar nosso lugar nesse trabalho. A forma capilar de nossa presença com as redes de comunidade e os eventos que movimentam os diocesanos para manifestações religiosas se complementa no trabalho paroquial, que precisa de uma constante conversão pastoral para poder exercer bem a sua missão territorial e ambiental. Hoje precisamos trabalhar juntos – diversidade na unidade –, sabendo que necessitamos uns dos outros nessa missão evangelizadora. Desafios de acolhimento e aceitação e, ao mesmo tempo, de unidade e fraternidade. A missão permanente supõe também pessoas renovadas e que aprofundaram suas vidas na opção pelo Cristo. Nesse sentido, a iniciação Cristã é fundamental nestes tempos desafiadores. A Palavra acolhida, vivida, celebrada nos leva a acolher as pessoas com suas feridas e dificuldades, e propor a todos a “boa notícia” da salvação misericordiosa que Cristo nos conquistou com sua morte e ressurreição.

Este tempo do ciclo do Natal, em que os corações se tornam mais receptivos à mensagem da “alegria do evangelho”, deve ser uma oportunidade a mais para nos questionarmos sobre essa missão que temos em nossas cidades e buscarmos continuamente os caminhos de evangelização.
Eis o nosso desafio: encontrar Deus na grande cidade e anunciá-Lo aos nossos irmãos e irmãs!