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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/01/2017

19 de Janeiro de 2017

Fobias: de quem e do quê?

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19 de Janeiro de 2017

Fobias: de quem e do quê?

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04/12/2014 20:18 - Atualizado em 04/12/2014 20:19

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04/12/2014 20:18 - Atualizado em 04/12/2014 20:19

Fobias: de quem e do quê? / Arqrio

Segundo a psicologia, uma fobia é um medo patológico, sobretudo pelo seu caráter obsessivo, de certos objetos, atos ou situações, chegando, inclusive, ao grau de impossibilidade de contenção.

A classificação de conceitos científicos em diversas áreas do saber humano como sendo fobias é muito estranha, para não dizer que é muito tendenciosa. Quem procura favorecer suas opiniões ou visões sobre questões sociais importantes para o nosso país acusando de fóbicos aqueles que querem também conhecer outros ângulos da verdade, deve ter medos patológicos obsessivos, e deveria procurar um tratamento.

Esse artigo pretende esclarecer e iluminar a inteligência dos leitores de outro artigo, que foi publicado no final de novembro na página 29 do jornal “O Globo”. E que inicia com uma primeira e importante informação.

A Academia Francesa das Ciências, órgão exclusivamente científico, publicou, em 26 de janeiro de 1959, uma descoberta importantíssima para a Medicina e, sobretudo, para as famílias. O professor Jérôme Lejeune, médico e pesquisador francês, descobriu em 1958 a causa do que era então chamado de ‘mongolismo’, ou seja, a presença de um cromossomo a mais no par 21 do cariótipo.

Em 1964, a primeira cátedra de genética fundamental foi criada para ele na Faculdade de Medicina de Paris, e como reconhecimento do seu valor e prestígio como cientista e pesquisador, o doutor Jérôme Lejeune foi eleito, em 1981, para a Academia das Ciências Morais e Políticas (França).

A Fundação Jérôme Lejeune foi criada e reconhecida de utilidade pública em 1996 para continuar todo trabalho de pesquisa do professor Lejeune em favor das crianças portadores da Síndrome de Down e de outras enfermidades genéticas ainda desconhecidas ou parcialmente estudadas.

Graças a essa Fundação Jérôme Lejeune, milhares de jovens receberam, gratuitamente, em quatro idiomas – português, espanhol, inglês e francês –, durante a Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro em julho de 2013, o manual “Chaves da Bioética”.

Esse manual escrito por cientistas, e não por religiosos, e tampouco por bispos e padres da Igreja Católica, considerado pelos jovens como muito útil para transmitir verdades bem fundamentadas em razões biológicas, médicas, psicológicas e sociológicas, foi, injustamente ou tendenciosamente, classificado como homofóbico, machista, discriminatório e vinculado a religiões por certas pessoas que trabalham na área de educação aqui no Rio de Janeiro.

O que é mais paradoxal e surpreendente nessa classificação é conhecer sua procedência. Um grupo de pesquisa da diversidade de uma universidade carioca foi quem denunciou junto ao Ministério Público Estadual esse material científico, que, por sua vez, determinou à Secretaria Estadual de Educação, que recolhesse cem exemplares desse manual, oferecidos, e não vendidos e nem impostos, num fórum organizado pela própria Secretaria para professores da rede pública. Foi muito estranha essa iniciativa e denúncia! Qual foi a real intenção desse grupo?

Será que numa universidade brasileira está se formando um grupo de “caça às bruxas”? Quem é que tem fobia pelas verdades científicas e qual é a motivação para a não aceitação de um material produzido num dos centros de pesquisa na França, país radicalmente favorável à liberdade, à igualdade e à democracia? Como entender esse patrulhamento ideológico, que não admite nenhuma outra verdade científica, a não ser as suas “próprias verdades” estabelecidas e difundidas por grupos interessados em educar a infância e a juventude com suas ideias massivamente difundidas hoje em dia?

Essas perguntas parecem não terem respostas razoáveis, porém convém continuar iluminando a mente dos brasileiros, especialmente dos jovens que frequentam escolas e universidades públicas.

O Brasil é um país “geneticamente” formado no respeito pela diversidade humana, é uma nação que sempre abriu seus braços a outras culturas e às diversas escolas científicas do mundo, e foi pensando nessa “genética brasileira”, num momento ímpar da história do nosso país, que a Igreja Católica, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da Arquidiocese do Rio de Janeiro, acolheu, com gratidão, a oferta desse Manual de Bioética, produzido pela Fundação Jérôme Lejeune.

Na JMJ realizada na Cidade Maravilhosa, presenciou-se um espetáculo inédito nas ruas da cidade e na Praia de Copacabana. Além do espetáculo artístico e das manifestações da religião católica, bem como das demais religiões, que tiveram suas presenças garantidas nesse evento pelo Cardeal Dom Orani João Tempesta, viu-se um espetáculo de respeito pela diversidade, de aceitação incondicional do outro, de civilidade, de urbanidade e de polidez.

Qualquer sociedade que for construída sobre esses cinco alicerces, além da qualidade de ensino e de uma política educacional pautada numa cidadania sem fobias e sem temores tendenciosos, certamente contribuirá muito para o desenvolvimento de qualquer nação do mundo, e o Brasil precisa muito desses fundamentos éticos.

Espera-se, porém, que grupos de pesquisa e secretarias governamentais saibam, pelo menos, promover diálogos abertos e sinceros, serenos e pacíficos, com outras posições científicas, sem apelarem imediatamente para a Justiça e sem classificarem como perniciosas e prejudiciais verdades científicas abalizadas por sérias pesquisas, e que estas também tenham seu espaço nas escolas, academias e na mídia.

A Igreja Particular do Rio de Janeiro deseja, com todas as suas forças espirituais e pastorais, contribuir para que nessa Cidade Maravilhosa, assim como no Brasil, exista uma sociedade mais unida, mais solidária, mais voltada para a construção de relações humanas pautadas pelo amor, inspiradas por Jesus Cristo, especialmente pelas suas palavras de vida eterna: “Não tenhais medo!”

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Fobias: de quem e do quê?

04/12/2014 20:18 - Atualizado em 04/12/2014 20:19

Segundo a psicologia, uma fobia é um medo patológico, sobretudo pelo seu caráter obsessivo, de certos objetos, atos ou situações, chegando, inclusive, ao grau de impossibilidade de contenção.

A classificação de conceitos científicos em diversas áreas do saber humano como sendo fobias é muito estranha, para não dizer que é muito tendenciosa. Quem procura favorecer suas opiniões ou visões sobre questões sociais importantes para o nosso país acusando de fóbicos aqueles que querem também conhecer outros ângulos da verdade, deve ter medos patológicos obsessivos, e deveria procurar um tratamento.

Esse artigo pretende esclarecer e iluminar a inteligência dos leitores de outro artigo, que foi publicado no final de novembro na página 29 do jornal “O Globo”. E que inicia com uma primeira e importante informação.

A Academia Francesa das Ciências, órgão exclusivamente científico, publicou, em 26 de janeiro de 1959, uma descoberta importantíssima para a Medicina e, sobretudo, para as famílias. O professor Jérôme Lejeune, médico e pesquisador francês, descobriu em 1958 a causa do que era então chamado de ‘mongolismo’, ou seja, a presença de um cromossomo a mais no par 21 do cariótipo.

Em 1964, a primeira cátedra de genética fundamental foi criada para ele na Faculdade de Medicina de Paris, e como reconhecimento do seu valor e prestígio como cientista e pesquisador, o doutor Jérôme Lejeune foi eleito, em 1981, para a Academia das Ciências Morais e Políticas (França).

A Fundação Jérôme Lejeune foi criada e reconhecida de utilidade pública em 1996 para continuar todo trabalho de pesquisa do professor Lejeune em favor das crianças portadores da Síndrome de Down e de outras enfermidades genéticas ainda desconhecidas ou parcialmente estudadas.

Graças a essa Fundação Jérôme Lejeune, milhares de jovens receberam, gratuitamente, em quatro idiomas – português, espanhol, inglês e francês –, durante a Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro em julho de 2013, o manual “Chaves da Bioética”.

Esse manual escrito por cientistas, e não por religiosos, e tampouco por bispos e padres da Igreja Católica, considerado pelos jovens como muito útil para transmitir verdades bem fundamentadas em razões biológicas, médicas, psicológicas e sociológicas, foi, injustamente ou tendenciosamente, classificado como homofóbico, machista, discriminatório e vinculado a religiões por certas pessoas que trabalham na área de educação aqui no Rio de Janeiro.

O que é mais paradoxal e surpreendente nessa classificação é conhecer sua procedência. Um grupo de pesquisa da diversidade de uma universidade carioca foi quem denunciou junto ao Ministério Público Estadual esse material científico, que, por sua vez, determinou à Secretaria Estadual de Educação, que recolhesse cem exemplares desse manual, oferecidos, e não vendidos e nem impostos, num fórum organizado pela própria Secretaria para professores da rede pública. Foi muito estranha essa iniciativa e denúncia! Qual foi a real intenção desse grupo?

Será que numa universidade brasileira está se formando um grupo de “caça às bruxas”? Quem é que tem fobia pelas verdades científicas e qual é a motivação para a não aceitação de um material produzido num dos centros de pesquisa na França, país radicalmente favorável à liberdade, à igualdade e à democracia? Como entender esse patrulhamento ideológico, que não admite nenhuma outra verdade científica, a não ser as suas “próprias verdades” estabelecidas e difundidas por grupos interessados em educar a infância e a juventude com suas ideias massivamente difundidas hoje em dia?

Essas perguntas parecem não terem respostas razoáveis, porém convém continuar iluminando a mente dos brasileiros, especialmente dos jovens que frequentam escolas e universidades públicas.

O Brasil é um país “geneticamente” formado no respeito pela diversidade humana, é uma nação que sempre abriu seus braços a outras culturas e às diversas escolas científicas do mundo, e foi pensando nessa “genética brasileira”, num momento ímpar da história do nosso país, que a Igreja Católica, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da Arquidiocese do Rio de Janeiro, acolheu, com gratidão, a oferta desse Manual de Bioética, produzido pela Fundação Jérôme Lejeune.

Na JMJ realizada na Cidade Maravilhosa, presenciou-se um espetáculo inédito nas ruas da cidade e na Praia de Copacabana. Além do espetáculo artístico e das manifestações da religião católica, bem como das demais religiões, que tiveram suas presenças garantidas nesse evento pelo Cardeal Dom Orani João Tempesta, viu-se um espetáculo de respeito pela diversidade, de aceitação incondicional do outro, de civilidade, de urbanidade e de polidez.

Qualquer sociedade que for construída sobre esses cinco alicerces, além da qualidade de ensino e de uma política educacional pautada numa cidadania sem fobias e sem temores tendenciosos, certamente contribuirá muito para o desenvolvimento de qualquer nação do mundo, e o Brasil precisa muito desses fundamentos éticos.

Espera-se, porém, que grupos de pesquisa e secretarias governamentais saibam, pelo menos, promover diálogos abertos e sinceros, serenos e pacíficos, com outras posições científicas, sem apelarem imediatamente para a Justiça e sem classificarem como perniciosas e prejudiciais verdades científicas abalizadas por sérias pesquisas, e que estas também tenham seu espaço nas escolas, academias e na mídia.

A Igreja Particular do Rio de Janeiro deseja, com todas as suas forças espirituais e pastorais, contribuir para que nessa Cidade Maravilhosa, assim como no Brasil, exista uma sociedade mais unida, mais solidária, mais voltada para a construção de relações humanas pautadas pelo amor, inspiradas por Jesus Cristo, especialmente pelas suas palavras de vida eterna: “Não tenhais medo!”

Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Autor

Dom Antonio Augusto Dias Duarte

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro