Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2018

16 de Outubro de 2018

Dia do Senhor

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16 de Outubro de 2018

Dia do Senhor

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16/11/2014 00:00

Dia do Senhor 0

16/11/2014 00:00

“Em cada domingo experimentamos o Senhor que vem, sim, pois Ele vem ao nosso encontro na liturgia que celebramos”

O domingo é o Dia do Senhor. Esta afirmação, aparentemente tão óbvia, precisa ser de novo proclamada aos ouvidos dos fiéis do nosso tempo. Se na Igreja dos Mártires a consciência da centralidade do domingo, como celebração da Páscoa semanal, estava acesa na mente de todos os fiéis, hoje já não podemos dizer o mesmo. Sobretudo a vida na cidade, tão cheia de distrações, se torna um risco à vida espiritual dos fiéis, que vivem o domingo, quando nele não precisam trabalhar, apenas como um mero “dia de folga”, onde, no máximo, se participa da Eucaristia, mas na cabeça de muitos, “somente para se cumprir o preceito”.

A segunda leitura fala-nos da vinda do Dia do Senhor. São Paulo fala que esse dia virá “como um ladrão”, ou seja, sem prévio aviso. Cada domingo é como que uma antecipação desse dia que virá. Em cada domingo experimentamos o Senhor que vem, sim, pois Ele vem ao nosso encontro na liturgia que celebramos. Inclusive a assembleia é instada a afirmar várias vezes: “Ele está no meio de nós”, a fim de que se torne mais viva a consciência de que não estamos sozinhos, mas estamos “com Ele”, que ressuscitado está presente no meio de nós, na força do seu Espírito.

Cada domingo constitui para nós como uma antecipação do “dia escatológico”. Todavia, para que este “dia definitivo”, do qual cada domingo é sacramento e profecia, não nos surpreenda desprevenidos, São Paulo nos adverte para que estejamos “vigilantes” e “sóbrios”. A melhor tradução seria “vigiemos” e “sejamos sóbrios”, porque São Paulo se utiliza aqui de dois verbos, que significam simultaneamente “estar acordado”, em “estado de vigília” e “ser sóbrio, abster-se de vinho, ser sábio, prudente”. Porque “não somos da noite”, não podemos “dormir” como os outros, ou seja, não podemos viver a nossa vida de qualquer maneira. “Somos do dia” e, por isso, devemos “estar acordados” e “sóbrios”, aguardando a vinda do Senhor e vivendo cada dia como se fosse o último, como se fosse já o dia de ir ao encontro do Senhor.

Precisamos estar conscientes de que o Senhor voltará. Quando fazemos essa afirmação devemos pensar em dois momentos. O primeiro deles é o dia do nosso juízo particular. Naquele dia, no dia da nossa morte, nós estaremos acolhendo pessoalmente “a vinda do Senhor”. Todavia, existirá também o juízo universal, quando Cristo voltar e julgar a humanidade, estabelecendo definitivamente o seu Reino no meio de nós.

É com o olhar voltado para esse duplo momento da “vinda do Senhor” que nós acolhemos esse Evangelho. Trata-se aqui de uma parábola cujos personagens são um homem, rico senhor que confia aos seus funcionários os seus bens, e três empregados, sendo que apenas dois, ao receber o dinheiro do seu patrão, o multiplicam, o terceiro, amedrontado, enterra o dinheiro, para devolvê-lo intacto, mas também não multiplicado, depois.

O texto fala de uma volta desse Senhor. Trata-se, sem dúvida, da volta do próprio Cristo. Nessa volta o Senhor chamará seus empregados, a fim de acertar contas com cada um deles. Os que multiplicaram o talento do Senhor são premiados e a eles é dita uma frase estereotipada que se repete nos vv. 21 e 23: “Vem participar da minha alegria!” Ao empregado que não multiplicou o dinheiro do seu patrão, este último diz, ao contrário, uma frase de condenação: “Servo mau e preguiçoso!” A ordem do patrão desfecha a condenação: “Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!”

Alguns autores veem na leitura da perícope dois momentos. Num primeiro momento, Jesus estaria falando para os fariseus, representados na figura do terceiro empregado. Estes, preocupados somente em cumprir a lei, não multiplicaram os talentos, no sentido de que não receberam o Cristo pela fé. Estes são lançados fora. Os dois primeiros seriam os que, para além de cumprir apenas o que prescreve a lei, multiplicaram os talentos, ou seja, aderiram ao Cristo pela fé.

O segundo momento na leitura da perícope seria o que já anunciamos antes. Tratar-se-ia de uma metáfora do final dos tempos. Por isso essa partida do Senhor para longe e seu posterior retorno, assim como Cristo subiu para junto do Pai, mas voltará no fim dos tempos. O acerto de contas seria o dia do juízo, onde Cristo premiaria e introduziria na sua “alegria”, ou seja, no “seu Reino”, os que multiplicaram os talentos, os que colocaram os dons recebidos a serviço do crescimento do Reino. Os que enterraram seus dons, ao contrário, e não multiplicaram o tesouro recebido do Cristo, seriam lançados fora, condenados.

A primeira leitura e o Evangelho sempre estão conectados na liturgia dominical. A primeira leitura de hoje nos apresenta um exemplo concreto de quem procura “multiplicar os seus talentos” à espera do Reino que há de vir. Trata-se de um texto do final do “Livro dos Provérbios”, o elogio da mulher “forte”. Esse adjetivo significa “forte, poderoso”. Essa mulher “forte”, que vale mais que as “joias” é um exemplo prático de alguém que vive na perspectiva de “multiplicar seus talentos”, ou seja, de comportar-se com sabedoria, vivendo as virtudes no estado de vida no qual foi chamada por Deus, no caso da leitura acima, no matrimônio.

Todos nós somos instados por Deus a multiplicar os talentos que Ele mesmo nos confiou. Que possamos não esconder as riquezas recebidas, mas colocá-las a serviço do Reino.

33º Domingo do Tempo Comum

Dia 16 de novembro 2014

1ª Leitura Pr 31,10-
13.19-20.
30-31
Salmo 127 (128)
2ª Leitura 1Ts 5,1-6
Evangelho Mt 25,14-30


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Dia do Senhor

16/11/2014 00:00

“Em cada domingo experimentamos o Senhor que vem, sim, pois Ele vem ao nosso encontro na liturgia que celebramos”

O domingo é o Dia do Senhor. Esta afirmação, aparentemente tão óbvia, precisa ser de novo proclamada aos ouvidos dos fiéis do nosso tempo. Se na Igreja dos Mártires a consciência da centralidade do domingo, como celebração da Páscoa semanal, estava acesa na mente de todos os fiéis, hoje já não podemos dizer o mesmo. Sobretudo a vida na cidade, tão cheia de distrações, se torna um risco à vida espiritual dos fiéis, que vivem o domingo, quando nele não precisam trabalhar, apenas como um mero “dia de folga”, onde, no máximo, se participa da Eucaristia, mas na cabeça de muitos, “somente para se cumprir o preceito”.

A segunda leitura fala-nos da vinda do Dia do Senhor. São Paulo fala que esse dia virá “como um ladrão”, ou seja, sem prévio aviso. Cada domingo é como que uma antecipação desse dia que virá. Em cada domingo experimentamos o Senhor que vem, sim, pois Ele vem ao nosso encontro na liturgia que celebramos. Inclusive a assembleia é instada a afirmar várias vezes: “Ele está no meio de nós”, a fim de que se torne mais viva a consciência de que não estamos sozinhos, mas estamos “com Ele”, que ressuscitado está presente no meio de nós, na força do seu Espírito.

Cada domingo constitui para nós como uma antecipação do “dia escatológico”. Todavia, para que este “dia definitivo”, do qual cada domingo é sacramento e profecia, não nos surpreenda desprevenidos, São Paulo nos adverte para que estejamos “vigilantes” e “sóbrios”. A melhor tradução seria “vigiemos” e “sejamos sóbrios”, porque São Paulo se utiliza aqui de dois verbos, que significam simultaneamente “estar acordado”, em “estado de vigília” e “ser sóbrio, abster-se de vinho, ser sábio, prudente”. Porque “não somos da noite”, não podemos “dormir” como os outros, ou seja, não podemos viver a nossa vida de qualquer maneira. “Somos do dia” e, por isso, devemos “estar acordados” e “sóbrios”, aguardando a vinda do Senhor e vivendo cada dia como se fosse o último, como se fosse já o dia de ir ao encontro do Senhor.

Precisamos estar conscientes de que o Senhor voltará. Quando fazemos essa afirmação devemos pensar em dois momentos. O primeiro deles é o dia do nosso juízo particular. Naquele dia, no dia da nossa morte, nós estaremos acolhendo pessoalmente “a vinda do Senhor”. Todavia, existirá também o juízo universal, quando Cristo voltar e julgar a humanidade, estabelecendo definitivamente o seu Reino no meio de nós.

É com o olhar voltado para esse duplo momento da “vinda do Senhor” que nós acolhemos esse Evangelho. Trata-se aqui de uma parábola cujos personagens são um homem, rico senhor que confia aos seus funcionários os seus bens, e três empregados, sendo que apenas dois, ao receber o dinheiro do seu patrão, o multiplicam, o terceiro, amedrontado, enterra o dinheiro, para devolvê-lo intacto, mas também não multiplicado, depois.

O texto fala de uma volta desse Senhor. Trata-se, sem dúvida, da volta do próprio Cristo. Nessa volta o Senhor chamará seus empregados, a fim de acertar contas com cada um deles. Os que multiplicaram o talento do Senhor são premiados e a eles é dita uma frase estereotipada que se repete nos vv. 21 e 23: “Vem participar da minha alegria!” Ao empregado que não multiplicou o dinheiro do seu patrão, este último diz, ao contrário, uma frase de condenação: “Servo mau e preguiçoso!” A ordem do patrão desfecha a condenação: “Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!”

Alguns autores veem na leitura da perícope dois momentos. Num primeiro momento, Jesus estaria falando para os fariseus, representados na figura do terceiro empregado. Estes, preocupados somente em cumprir a lei, não multiplicaram os talentos, no sentido de que não receberam o Cristo pela fé. Estes são lançados fora. Os dois primeiros seriam os que, para além de cumprir apenas o que prescreve a lei, multiplicaram os talentos, ou seja, aderiram ao Cristo pela fé.

O segundo momento na leitura da perícope seria o que já anunciamos antes. Tratar-se-ia de uma metáfora do final dos tempos. Por isso essa partida do Senhor para longe e seu posterior retorno, assim como Cristo subiu para junto do Pai, mas voltará no fim dos tempos. O acerto de contas seria o dia do juízo, onde Cristo premiaria e introduziria na sua “alegria”, ou seja, no “seu Reino”, os que multiplicaram os talentos, os que colocaram os dons recebidos a serviço do crescimento do Reino. Os que enterraram seus dons, ao contrário, e não multiplicaram o tesouro recebido do Cristo, seriam lançados fora, condenados.

A primeira leitura e o Evangelho sempre estão conectados na liturgia dominical. A primeira leitura de hoje nos apresenta um exemplo concreto de quem procura “multiplicar os seus talentos” à espera do Reino que há de vir. Trata-se de um texto do final do “Livro dos Provérbios”, o elogio da mulher “forte”. Esse adjetivo significa “forte, poderoso”. Essa mulher “forte”, que vale mais que as “joias” é um exemplo prático de alguém que vive na perspectiva de “multiplicar seus talentos”, ou seja, de comportar-se com sabedoria, vivendo as virtudes no estado de vida no qual foi chamada por Deus, no caso da leitura acima, no matrimônio.

Todos nós somos instados por Deus a multiplicar os talentos que Ele mesmo nos confiou. Que possamos não esconder as riquezas recebidas, mas colocá-las a serviço do Reino.

33º Domingo do Tempo Comum

Dia 16 de novembro 2014

1ª Leitura Pr 31,10-
13.19-20.
30-31
Salmo 127 (128)
2ª Leitura 1Ts 5,1-6
Evangelho Mt 25,14-30


Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida