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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2018

16 de Outubro de 2018

Cristo, o verdadeiro Templo

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16 de Outubro de 2018

Cristo, o verdadeiro Templo

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05/11/2014 10:51 - Atualizado em 05/11/2014 10:57

Cristo, o verdadeiro Templo 0

05/11/2014 10:51 - Atualizado em 05/11/2014 10:57

Quando a Igreja ganhou liberdade religiosa, no século IV da nossa era, muitos edifícios cristãos começaram a surgir. Como estes seguiam o mesmo estilo de construção dos edifícios reais (chamados basilicais, em virtude do termo grego basileus, que significa “rei”), ganharam o nome de Basílicas. Hoje comemoramos a dedicação da mais importante delas, a “mãe de todas as Igrejas”, a “Catedral de Roma”, a Basílica de São João de Latrão.

Essa Basílica, dedicada a São João Batista e São João Evangelista, é chamada de Basílica do Latrão, em virtude de ter sido construída anexa ao Palácio do Latrão, antiga propriedade da família imperial romana que passou a ser, no século IV, a residência oficial do Bispo de Roma, o Santo Padre, o Papa.

Enquanto a dedicação de uma igreja paroquial é celebrada somente pela sua comunidade e a de uma Catedral, é celebrada somente na sua Diocese, a Dedicação da Basílica do Latrão, a “Mãe de todas as Igrejas”, é celebrada no mundo inteiro. Quando esta festa cai em domingo, como acontece neste ano, ela então substitui a celebração do mesmo.

O Ritual da Dedicação das Igrejas diz no n. 1: “Pela sua morte e ressurreição, Cristo tornou-Se o verdadeiro e perfeito templo da Nova Aliança e congregou o povo que Deus tornou seu. Este povo santo, reunido na unidade que procede da unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é a Igreja, o templo de Deus edificado de pedras vivas, no qual o Pai é adorado em Espírito e em verdade. Com razão, pois, desde os tempos antigos, se chamou também «igreja» ao edifício onde a comunidade cristã se reúne para aí ouvir a palavra de Deus, orar em conjunto, receber os sacramentos, celebrar a Eucaristia.”

Cristo é o Templo perfeito e, pela Dedicação, o edifício, “Casa da Igreja”, se torna um “sacramento”, um “sinal visível” do Cristo.

É significativo o uso que a liturgia romana faz, no Introito da Missa da Dedicação da Igreja, de fragmentos de Gn 28,17.22, a passagem que nos conta o “sonho de Jacó”. Depois de ter tido, em sonho, a visão de anjos que subiam e desciam da terra ao céu por uma escada, Jacó entende que aquele lugar é “terrível (nôra’)” e só pode ser uma “casa de Deus (Bêt ‘Elohîm)” e um “portão dos céus”. O adjetivo “terrível” utilizado pelo autor sagrado é do mesmo campo semântico do verbo “glorificar”. Jacó “teme” porque vê a “glória de Deus” que o transcende. Esse temor não o afasta do divino, mas o faz honrá-lo numa atitude cultual, porque Gn 22,18 diz que, ao acordar, Jacó construir naquele lugar uma estela e derramou óleo sobre ela.  Ao utilizar este versículo como canto inicial no rito da Dedicação da Igreja a liturgia nos faz perceber que aquele edifício, uma vez consagrado, torna-se, pela unção recebida, um lugar de manifestação da glória do Eterno, sobretudo porque ali se celebrará o Mistério Pascal de Cristo.

Essa glória do templo nos vêm indicada na primeira leitura. Na sua visão, Ezequiel vê um rio de água que sai do lado direito do Templo. Essas águas são portadoras de vida, porque não somente as águas do mar, em contato com ela, se tornarão saudáveis, mas também as árvores, cujas raízes são banhadas por essas águas, produzem frutos que alimentam os homens e folhas que curam.

Essa imagem de Ezequiel é retomada em Ap 22, 1-2, particularmente a ideia do rio que banha o lugar onde as árvores estão plantadas. São João em Jo 19,34 fala do “sangue” e da “água” que saíram do lado aberto de Jesus na cruz. Se lemos essas três passagens em consonância com a afirmação do evangelho, mais precisamente Jo 2,21, vemos que a primeira leitura é uma imagem que aponta para o Cristo. Ele é o Templo verdadeiro e do seu lado aberto na cruz sairá um rio, que torna tudo saudável, que cura tudo, essa água viva, esse rio é o Rio da Vida, o Espírito Santo, derramado do alto da cruz sobre nós. Do Templo perfeito que é o próprio Cristo, nos vem o Espírito Santo que dá vida e vida em abundância.

O edifício cristão é, pois, uma imagem, um sacramento, como dizíamos no início, desse Templo único e verdadeiro que é o próprio Cristo.

Agora, ao percebermos que Cristo é o verdadeiro Templo do qual esse construído na terra é uma imagem, devemos perceber que também nós, pelo batismo, nos tornamos um santuário de Deus. É o que afirma São Paulo na segunda leitura, um trecho da 1 Coríntios. Nós somos o “santuário de Deus”. A mesma reverência que temos para com o Templo, porque este é o lugar onde habita Deus, devemos ter para com os nossos corpos, e para com os corpos dos nossos irmãos, porque somos o “santuário de Deus”. Dessa consciência é que deveria derivar toda a moral cristã, particularmente a “teologia do corpo”, tão querida por nosso saudoso Papa São João Paulo II.

Possa a festa de hoje não somente nos ajudar a compreender melhor o sentido do Templo cristão, como casa de Deus e porta do céu, mas possa ela também nos ajudar a nos redescobrirmos como “santuário”, “lavoura” e “construção” de Deus.

Dedicação da Basílica de São João de Latrão

09.11.2014

Ez 47,1-2.8-9.12

Sl 45 (46)

1Cor 3,9c-11.16-17

Jo 2,13-22

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Cristo, o verdadeiro Templo

05/11/2014 10:51 - Atualizado em 05/11/2014 10:57

Quando a Igreja ganhou liberdade religiosa, no século IV da nossa era, muitos edifícios cristãos começaram a surgir. Como estes seguiam o mesmo estilo de construção dos edifícios reais (chamados basilicais, em virtude do termo grego basileus, que significa “rei”), ganharam o nome de Basílicas. Hoje comemoramos a dedicação da mais importante delas, a “mãe de todas as Igrejas”, a “Catedral de Roma”, a Basílica de São João de Latrão.

Essa Basílica, dedicada a São João Batista e São João Evangelista, é chamada de Basílica do Latrão, em virtude de ter sido construída anexa ao Palácio do Latrão, antiga propriedade da família imperial romana que passou a ser, no século IV, a residência oficial do Bispo de Roma, o Santo Padre, o Papa.

Enquanto a dedicação de uma igreja paroquial é celebrada somente pela sua comunidade e a de uma Catedral, é celebrada somente na sua Diocese, a Dedicação da Basílica do Latrão, a “Mãe de todas as Igrejas”, é celebrada no mundo inteiro. Quando esta festa cai em domingo, como acontece neste ano, ela então substitui a celebração do mesmo.

O Ritual da Dedicação das Igrejas diz no n. 1: “Pela sua morte e ressurreição, Cristo tornou-Se o verdadeiro e perfeito templo da Nova Aliança e congregou o povo que Deus tornou seu. Este povo santo, reunido na unidade que procede da unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é a Igreja, o templo de Deus edificado de pedras vivas, no qual o Pai é adorado em Espírito e em verdade. Com razão, pois, desde os tempos antigos, se chamou também «igreja» ao edifício onde a comunidade cristã se reúne para aí ouvir a palavra de Deus, orar em conjunto, receber os sacramentos, celebrar a Eucaristia.”

Cristo é o Templo perfeito e, pela Dedicação, o edifício, “Casa da Igreja”, se torna um “sacramento”, um “sinal visível” do Cristo.

É significativo o uso que a liturgia romana faz, no Introito da Missa da Dedicação da Igreja, de fragmentos de Gn 28,17.22, a passagem que nos conta o “sonho de Jacó”. Depois de ter tido, em sonho, a visão de anjos que subiam e desciam da terra ao céu por uma escada, Jacó entende que aquele lugar é “terrível (nôra’)” e só pode ser uma “casa de Deus (Bêt ‘Elohîm)” e um “portão dos céus”. O adjetivo “terrível” utilizado pelo autor sagrado é do mesmo campo semântico do verbo “glorificar”. Jacó “teme” porque vê a “glória de Deus” que o transcende. Esse temor não o afasta do divino, mas o faz honrá-lo numa atitude cultual, porque Gn 22,18 diz que, ao acordar, Jacó construir naquele lugar uma estela e derramou óleo sobre ela.  Ao utilizar este versículo como canto inicial no rito da Dedicação da Igreja a liturgia nos faz perceber que aquele edifício, uma vez consagrado, torna-se, pela unção recebida, um lugar de manifestação da glória do Eterno, sobretudo porque ali se celebrará o Mistério Pascal de Cristo.

Essa glória do templo nos vêm indicada na primeira leitura. Na sua visão, Ezequiel vê um rio de água que sai do lado direito do Templo. Essas águas são portadoras de vida, porque não somente as águas do mar, em contato com ela, se tornarão saudáveis, mas também as árvores, cujas raízes são banhadas por essas águas, produzem frutos que alimentam os homens e folhas que curam.

Essa imagem de Ezequiel é retomada em Ap 22, 1-2, particularmente a ideia do rio que banha o lugar onde as árvores estão plantadas. São João em Jo 19,34 fala do “sangue” e da “água” que saíram do lado aberto de Jesus na cruz. Se lemos essas três passagens em consonância com a afirmação do evangelho, mais precisamente Jo 2,21, vemos que a primeira leitura é uma imagem que aponta para o Cristo. Ele é o Templo verdadeiro e do seu lado aberto na cruz sairá um rio, que torna tudo saudável, que cura tudo, essa água viva, esse rio é o Rio da Vida, o Espírito Santo, derramado do alto da cruz sobre nós. Do Templo perfeito que é o próprio Cristo, nos vem o Espírito Santo que dá vida e vida em abundância.

O edifício cristão é, pois, uma imagem, um sacramento, como dizíamos no início, desse Templo único e verdadeiro que é o próprio Cristo.

Agora, ao percebermos que Cristo é o verdadeiro Templo do qual esse construído na terra é uma imagem, devemos perceber que também nós, pelo batismo, nos tornamos um santuário de Deus. É o que afirma São Paulo na segunda leitura, um trecho da 1 Coríntios. Nós somos o “santuário de Deus”. A mesma reverência que temos para com o Templo, porque este é o lugar onde habita Deus, devemos ter para com os nossos corpos, e para com os corpos dos nossos irmãos, porque somos o “santuário de Deus”. Dessa consciência é que deveria derivar toda a moral cristã, particularmente a “teologia do corpo”, tão querida por nosso saudoso Papa São João Paulo II.

Possa a festa de hoje não somente nos ajudar a compreender melhor o sentido do Templo cristão, como casa de Deus e porta do céu, mas possa ela também nos ajudar a nos redescobrirmos como “santuário”, “lavoura” e “construção” de Deus.

Dedicação da Basílica de São João de Latrão

09.11.2014

Ez 47,1-2.8-9.12

Sl 45 (46)

1Cor 3,9c-11.16-17

Jo 2,13-22

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida