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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

Santidade e Vida

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30/10/2014 09:27 - Atualizado em 30/10/2014 09:28

Santidade e Vida 0

30/10/2014 09:27 - Atualizado em 30/10/2014 09:28

“De santidade não se fala, se vive”, escrevia, há décadas, um pensador católico brasileiro, e talvez redigiu essa frase para que uma vida santa não fosse considerada só como um tema de exposição ou o conteúdo de um artigo ou livro.

O primeiro dia de novembro é a festa litúrgica anual de Todos os Santos, e nesse dia haveria que lembrar muitas vidas ocultas e santas, de homens e de mulheres, de jovens e adultos, de sacerdotes, religiosos e religiosas, de esposos e solteiros, de pessoas saudáveis ou enfermas, que serão recordadas nas missas celebradas pelos sacerdotes nos quatro cantos do mundo, confirmando assim que há muitos católicos não canonizados, mas que viveram santamente aqui na Terra.

Suas histórias particulares são tão diversas e tão ricas, tão antigas e tão recentes, que arriscar-se a escrever sobre cada uma delas seria uma tarefa interminável.

Como ninguém nasce santo, mas se aprende ao longo da vida a ser santo, a escolha certa para falar da vida de qualquer batizado é falar do Espírito Santo, o único santificador desse aprendiz da arte de viver e de conviver santamente.

A santidade é um atributo exclusivo de Deus. Identifica-se com a vida íntima da Santíssima Trindade, constituída pelas processões divinas, a geração do Filho, que procede eternamente do Pai, a expiração do Espírito Santo, procedente do amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai.

O nome processões deixa bem claro que a vida íntima de Deus é vida, é amor vivido e doado, é paz compartilhada e comunicada, é sabedoria iluminadora e criadora, é o que Deus misteriosamente, surpreendentemente, quer conceder ao homem e à mulher batizados.

Ao criar o homem e a mulher, Deus os fez com a mesma dignidade e a mesma missão terrena, e foi para tornar essas duas pessoas participantes da sua vida de amor, de paz, de sabedoria, da sua santidade de vida, que instituiu o sacramento do Batismo e o confiou à Igreja para conferir a quem pedisse.

Com a graça santificante recebida no Batismo, inúmeras pessoas foram introduzidas na intimidade da vida trinitária, sendo, então, participantes dessa natureza divina e chamadas a viverem como pessoas santas na Igreja, na família e na sociedade.

Essa nova vida, iniciada com um novo nascimento pela graça, constituiu a criança ou o adulto num estado de santidade de vida, para agirem e reagirem conforme a realidade intratinitária, santa por essência.

Viver santamente é viver docilmente, deixando o Espírito Santificador assemelhar cada batizado(a) ao Filho Eterno de Deus, a fim de torná-lo(a) uma pessoa íntima de Jesus Cristo, vivendo desse modo a relação filial profunda com Deus-Pai.

A vida santa é uma antecipação do Céu, mas não quer dizer uma alienação da Terra, pois as pessoas que são aprendizes da arte de ser santa, são pessoas metidas em Deus, e, com os seus pés bem fincados na Terra, fazem do mundo a “morada de Deus”.

No princípio da história da Igreja sabemos que existia um mundo com “inflação” de deuses, tão distintos uns dos outros, que um católico batizado sabia que havendo um só Deus, necessitava ter um novo estilo de vida, precisava ser o sal da Terra, ser o fermento no meio da massa, ser a luz do mundo, a fim de que, vivendo santamente entre as demais pessoas, fosse “o sacramento universal da presença de Deus no mundo” (“São Josemaria, É Cristo que passa”, n. 131).

 Desde então todos os santos e santas, celebrados liturgicamente no dia 1º de novembro, são homens e mulheres que questionam os seus semelhantes a respeito do sentido pleno de suas vidas. Duas perguntas devem ser colocadas, portanto, em destaque:

o que é viver entre pessoas e conviver com pessoas tão diferentes entre si, mas buscando a santidade?

o que é viver na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, no trabalho e no desemprego, na política e no magistério escolar, etc., sem deixar de viver na “morada de Deus?”

As respostas a tais perguntas incomodam a consciência humana de quem foge do sentido divino e humano da vida, e têm um ponto de partida e outro de chegada: inicia-se com saber viver e morrer felizes e satisfeitos, já que se aprende a ser cada vez mais participantes da vida íntima de Deus, e termina consciente de que cada momento vivido e sofrido será acompanhado da ação santificadora do Espírito Santo, para que a vida pessoal seja sempre santa e missionária.

Sabemos que no Brasil há dezenas de processos de beatificação e de canonização iniciados, ou prestes a serem iniciados, ou em andamento em algumas dioceses, ou alguns já presentes na Congregação da Causa dos Santos, em Roma, mas, com certeza, há milhões de brasileiros que vivem discretamente a santidade de Deus e, talvez por isso mesmo, o nosso país deve ser considerado um dos continentes de esperança para a Igreja Católica.

É emocionante para mim reviver um momento que passei ao lado de um sacerdote muito santo, São Josemaria, o fundador do Opus Dei. Há 40 anos ele visitou o Brasil, e reunindo-se com um público aproximado de 3 mil pessoas respondeu a um pai de família, engenheiro de profissão, que queria saber o porquê no Brasil, onde se costuma dizer que “Deus é brasileiro”, não havia ainda nenhum santo reconhecido pela Igreja.

Suas palavras foram cheias de carinho humano para todos os presentes naquela reunião e, sobretudo, palavras de fé e de esperança, especialmente para o momento atual do nosso país: “Não tenha dúvida de que este momento de loucura é momento de santidade. E que nesta grande cidade que leva o nome do apóstolo dos pagãos (visitava São Paulo e nessa cidade brasileira permaneceu durante 15 dias) há muitas almas maravilhosas, ocultas, e quem sabe se o Senhor não irá querer, com o passar dos anos e não muitos, colocá-los nos altares para serem exemplo de vida”.

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Santidade e Vida

30/10/2014 09:27 - Atualizado em 30/10/2014 09:28

“De santidade não se fala, se vive”, escrevia, há décadas, um pensador católico brasileiro, e talvez redigiu essa frase para que uma vida santa não fosse considerada só como um tema de exposição ou o conteúdo de um artigo ou livro.

O primeiro dia de novembro é a festa litúrgica anual de Todos os Santos, e nesse dia haveria que lembrar muitas vidas ocultas e santas, de homens e de mulheres, de jovens e adultos, de sacerdotes, religiosos e religiosas, de esposos e solteiros, de pessoas saudáveis ou enfermas, que serão recordadas nas missas celebradas pelos sacerdotes nos quatro cantos do mundo, confirmando assim que há muitos católicos não canonizados, mas que viveram santamente aqui na Terra.

Suas histórias particulares são tão diversas e tão ricas, tão antigas e tão recentes, que arriscar-se a escrever sobre cada uma delas seria uma tarefa interminável.

Como ninguém nasce santo, mas se aprende ao longo da vida a ser santo, a escolha certa para falar da vida de qualquer batizado é falar do Espírito Santo, o único santificador desse aprendiz da arte de viver e de conviver santamente.

A santidade é um atributo exclusivo de Deus. Identifica-se com a vida íntima da Santíssima Trindade, constituída pelas processões divinas, a geração do Filho, que procede eternamente do Pai, a expiração do Espírito Santo, procedente do amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai.

O nome processões deixa bem claro que a vida íntima de Deus é vida, é amor vivido e doado, é paz compartilhada e comunicada, é sabedoria iluminadora e criadora, é o que Deus misteriosamente, surpreendentemente, quer conceder ao homem e à mulher batizados.

Ao criar o homem e a mulher, Deus os fez com a mesma dignidade e a mesma missão terrena, e foi para tornar essas duas pessoas participantes da sua vida de amor, de paz, de sabedoria, da sua santidade de vida, que instituiu o sacramento do Batismo e o confiou à Igreja para conferir a quem pedisse.

Com a graça santificante recebida no Batismo, inúmeras pessoas foram introduzidas na intimidade da vida trinitária, sendo, então, participantes dessa natureza divina e chamadas a viverem como pessoas santas na Igreja, na família e na sociedade.

Essa nova vida, iniciada com um novo nascimento pela graça, constituiu a criança ou o adulto num estado de santidade de vida, para agirem e reagirem conforme a realidade intratinitária, santa por essência.

Viver santamente é viver docilmente, deixando o Espírito Santificador assemelhar cada batizado(a) ao Filho Eterno de Deus, a fim de torná-lo(a) uma pessoa íntima de Jesus Cristo, vivendo desse modo a relação filial profunda com Deus-Pai.

A vida santa é uma antecipação do Céu, mas não quer dizer uma alienação da Terra, pois as pessoas que são aprendizes da arte de ser santa, são pessoas metidas em Deus, e, com os seus pés bem fincados na Terra, fazem do mundo a “morada de Deus”.

No princípio da história da Igreja sabemos que existia um mundo com “inflação” de deuses, tão distintos uns dos outros, que um católico batizado sabia que havendo um só Deus, necessitava ter um novo estilo de vida, precisava ser o sal da Terra, ser o fermento no meio da massa, ser a luz do mundo, a fim de que, vivendo santamente entre as demais pessoas, fosse “o sacramento universal da presença de Deus no mundo” (“São Josemaria, É Cristo que passa”, n. 131).

 Desde então todos os santos e santas, celebrados liturgicamente no dia 1º de novembro, são homens e mulheres que questionam os seus semelhantes a respeito do sentido pleno de suas vidas. Duas perguntas devem ser colocadas, portanto, em destaque:

o que é viver entre pessoas e conviver com pessoas tão diferentes entre si, mas buscando a santidade?

o que é viver na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, no trabalho e no desemprego, na política e no magistério escolar, etc., sem deixar de viver na “morada de Deus?”

As respostas a tais perguntas incomodam a consciência humana de quem foge do sentido divino e humano da vida, e têm um ponto de partida e outro de chegada: inicia-se com saber viver e morrer felizes e satisfeitos, já que se aprende a ser cada vez mais participantes da vida íntima de Deus, e termina consciente de que cada momento vivido e sofrido será acompanhado da ação santificadora do Espírito Santo, para que a vida pessoal seja sempre santa e missionária.

Sabemos que no Brasil há dezenas de processos de beatificação e de canonização iniciados, ou prestes a serem iniciados, ou em andamento em algumas dioceses, ou alguns já presentes na Congregação da Causa dos Santos, em Roma, mas, com certeza, há milhões de brasileiros que vivem discretamente a santidade de Deus e, talvez por isso mesmo, o nosso país deve ser considerado um dos continentes de esperança para a Igreja Católica.

É emocionante para mim reviver um momento que passei ao lado de um sacerdote muito santo, São Josemaria, o fundador do Opus Dei. Há 40 anos ele visitou o Brasil, e reunindo-se com um público aproximado de 3 mil pessoas respondeu a um pai de família, engenheiro de profissão, que queria saber o porquê no Brasil, onde se costuma dizer que “Deus é brasileiro”, não havia ainda nenhum santo reconhecido pela Igreja.

Suas palavras foram cheias de carinho humano para todos os presentes naquela reunião e, sobretudo, palavras de fé e de esperança, especialmente para o momento atual do nosso país: “Não tenha dúvida de que este momento de loucura é momento de santidade. E que nesta grande cidade que leva o nome do apóstolo dos pagãos (visitava São Paulo e nessa cidade brasileira permaneceu durante 15 dias) há muitas almas maravilhosas, ocultas, e quem sabe se o Senhor não irá querer, com o passar dos anos e não muitos, colocá-los nos altares para serem exemplo de vida”.

Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Autor

Dom Antonio Augusto Dias Duarte

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro