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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/08/2018

20 de Agosto de 2018

A Esperança da Ressurreição

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A Esperança da Ressurreição

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02/11/2014 00:00

A Esperança da Ressurreição 0

02/11/2014 00:00

A celebração de hoje nos coloca diante de duas realidades fundamentais da nossa fé: a comunhão dos santos e a esperança da ressurreição. A comunhão dos santos, que nós professamos no Credo, isto é, o intercâmbio de bens espirituais entre a Igreja padecente, a Igreja militante e a Igreja triunfante, é a base doutrinal da nossa oração pelos mortos. Assim como somos beneficiados pela oração dos santos da Igreja triunfante, também nós, Igreja militante, podemos beneficiar os nossos irmãos da Igreja padecente com as nossas orações. A segunda realidade para a qual a celebração de hoje nos leva a olhar é a necessidade da fé na ressurreição e na vida eterna. Uma das possíveis orações coleta desta missa é um pedido ao Pai para que “nossa fé no Cristo ressuscitado” torne mais viva a nossa “esperança na ressurreição” que também está reservada para nós em Cristo.

Na primeira leitura contemplamos um trecho do livro de Jó. Este personagem bíblico é o modelo por excelência do justo que sofre. Diante dos próprios sofrimentos Jó se sente angustiado e sem encontrar respostas. Na época de redação do livro, o pensamento religioso israelita girava ainda em torno da doutrina da retribuição. Pensava-se que o bem ou o mal deveriam ser retribuídos nesta vida. Não se tinha ainda consciência de uma vida após a morte lúcida. Jó representa um momento de hesitação com relação a este modo de pensar, uma vez que ele não encontra em si motivo de condenação. Para a celebração de hoje pode-se enfatizar os vv. 25-27a: “Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros.” Diante do mistério da morte, deve consolar-nos a certeza de que também nós, na nossa própria carne, veremos a Deus. O sofrimento e a morte não têm a última palavra sobre a nossa vida, pois o que aguarda é a vida plena e eterna que o Senhor tem reservada para nós.
Também o Salmo 26, salmo de resposta desta liturgia, é uma proclamação da fé na vida eterna. Não só o salmista manifesta o seu destemor diante das aflições desta vida ao dizer “O Senhor é minha luz e salvação, de quem eu terei medo?” (cf. v.1), como também proclama a sua certeza de estar um dia para sempre com Deus: “Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes.” (cf. v. 13). O Salmo é um convite à virtude da esperança, a qual nos sustenta, sobretudo, nos momentos em que a aparente falência da nossa vida parece tão palpável, como é o momento da morte de alguém a quem amamos: “Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!” (cf. v. 14).

Na segunda leitura Paulo vai renovar o convite à esperança que já nos feito no salmo. O apóstolo afirma que “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (cf. Rm 5,5). Claro que a esperança de que Paulo fala aqui não é simplesmente a nível intramundano. Paulo fala da esperança na vida eterna. E o que nos dá certeza de que podemos acreditar nisso é o sacrifício de Cristo. Ele ofereceu-se na cruz por nós, pecadores. Se ele se ofereceu na cruz por nós quando ainda estávamos presos ao pecado, quando mais agora que fomos justificados pelo poder do seu sangue, seremos “salvos da ira” (cf. Rm 5,9) pelo mesmo Cristo, Senhor nosso.
Como coração dessa liturgia da palavra temos hoje um trecho do capítulo 6 de João. Este capítulo nos traz o grande discurso de Jesus sobre “o Pão da Vida”. Nestes quatro versículos encontramos três ensinamentos de Jesus para nós:

v. 37: Jesus não afasta nenhum daqueles que vem até Ele. Essa atitude de Jesus causou sempre muita polêmica no ambiente judaico de então. Nosso Senhor comia com os pecadores, acolhia os deficientes, perdoava os adúlteros e toda sorte de pessoas vistas como excluídas da sociedade e da religião. Essa atitude aberta de Jesus com relação aos pecadores deve nos encher de coragem para d’Ele nos aproximarmos. Mesmo quando estamos nas piores condições da nossa vida, mergulhados no pecado, na incredulidade e em tantas outras situações obscuras, devemos carregar a certeza de que Ele não nos afasta, ao contrário, Ele nos acolhe sempre e sempre porque esta é a “vontade do Pai”.

v. 38: Este versículo está conectado ao anterior porque aqui Jesus manifesta a todos a que Ele veio: “eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. A vontade de Jesus e a vontade do Pai são um só coisa. As duas vontades estão perfeitamente unidas. A acolhida de Jesus para com os pecadores é uma epifania da vontade do próprio Pai de acolher em seus braços todos os seus filhos, particularmente os que estão feridos e marcados pelo pecado.

vv. 39-40: A vontade do Pai é dar a vida eterna. Jesus é nosso Salvador e não nossa condenação. Ele não quer perder ninguém (cf. v. 39). Ele quer que todos ressuscitem e brilhem no seu Reino de amor. Por isso devemos ter uma confiança absoluta no seu desejo de nos salvar. Devemos ter uma confiança absoluta na sua misericórdia. E, na memória que fazemos hoje dos fiéis defuntos, devemos rezar por eles na certeza de que, mesmo que aos nossos olhos tenham tido uma vida dissoluta, Deus tem seus meios. Ele que quer salvar a todos pode ter dado, em alguns segundos, a sua misericórdia a alguém que nos seus últimos suspiros quis receber a salvação. Como diz são Bento não devemos nunca “desesperar da misericórdia de Deus” (Regra 4,74).

Toda a liturgia da Palavra de hoje é um convite, portanto, à esperança cristã (2ª.Leitura). Esta não está fixada numa vida boa aqui, mas sim na vida eterna (1ª. Leitura). O fundamento dessa esperança é a vontade salvífica do Pai, manifestada em Jesus Cristo, que veio para que não se perca nenhum daqueles que o Pai lhe confiou (Evangelho).

 

Fiéis Defuntos – 02.11.2014

Jó 19,1.23-27a
Sl 26
Rm 5,5-11
Jo 6,37-40

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A Esperança da Ressurreição

02/11/2014 00:00

A celebração de hoje nos coloca diante de duas realidades fundamentais da nossa fé: a comunhão dos santos e a esperança da ressurreição. A comunhão dos santos, que nós professamos no Credo, isto é, o intercâmbio de bens espirituais entre a Igreja padecente, a Igreja militante e a Igreja triunfante, é a base doutrinal da nossa oração pelos mortos. Assim como somos beneficiados pela oração dos santos da Igreja triunfante, também nós, Igreja militante, podemos beneficiar os nossos irmãos da Igreja padecente com as nossas orações. A segunda realidade para a qual a celebração de hoje nos leva a olhar é a necessidade da fé na ressurreição e na vida eterna. Uma das possíveis orações coleta desta missa é um pedido ao Pai para que “nossa fé no Cristo ressuscitado” torne mais viva a nossa “esperança na ressurreição” que também está reservada para nós em Cristo.

Na primeira leitura contemplamos um trecho do livro de Jó. Este personagem bíblico é o modelo por excelência do justo que sofre. Diante dos próprios sofrimentos Jó se sente angustiado e sem encontrar respostas. Na época de redação do livro, o pensamento religioso israelita girava ainda em torno da doutrina da retribuição. Pensava-se que o bem ou o mal deveriam ser retribuídos nesta vida. Não se tinha ainda consciência de uma vida após a morte lúcida. Jó representa um momento de hesitação com relação a este modo de pensar, uma vez que ele não encontra em si motivo de condenação. Para a celebração de hoje pode-se enfatizar os vv. 25-27a: “Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros.” Diante do mistério da morte, deve consolar-nos a certeza de que também nós, na nossa própria carne, veremos a Deus. O sofrimento e a morte não têm a última palavra sobre a nossa vida, pois o que aguarda é a vida plena e eterna que o Senhor tem reservada para nós.
Também o Salmo 26, salmo de resposta desta liturgia, é uma proclamação da fé na vida eterna. Não só o salmista manifesta o seu destemor diante das aflições desta vida ao dizer “O Senhor é minha luz e salvação, de quem eu terei medo?” (cf. v.1), como também proclama a sua certeza de estar um dia para sempre com Deus: “Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes.” (cf. v. 13). O Salmo é um convite à virtude da esperança, a qual nos sustenta, sobretudo, nos momentos em que a aparente falência da nossa vida parece tão palpável, como é o momento da morte de alguém a quem amamos: “Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!” (cf. v. 14).

Na segunda leitura Paulo vai renovar o convite à esperança que já nos feito no salmo. O apóstolo afirma que “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (cf. Rm 5,5). Claro que a esperança de que Paulo fala aqui não é simplesmente a nível intramundano. Paulo fala da esperança na vida eterna. E o que nos dá certeza de que podemos acreditar nisso é o sacrifício de Cristo. Ele ofereceu-se na cruz por nós, pecadores. Se ele se ofereceu na cruz por nós quando ainda estávamos presos ao pecado, quando mais agora que fomos justificados pelo poder do seu sangue, seremos “salvos da ira” (cf. Rm 5,9) pelo mesmo Cristo, Senhor nosso.
Como coração dessa liturgia da palavra temos hoje um trecho do capítulo 6 de João. Este capítulo nos traz o grande discurso de Jesus sobre “o Pão da Vida”. Nestes quatro versículos encontramos três ensinamentos de Jesus para nós:

v. 37: Jesus não afasta nenhum daqueles que vem até Ele. Essa atitude de Jesus causou sempre muita polêmica no ambiente judaico de então. Nosso Senhor comia com os pecadores, acolhia os deficientes, perdoava os adúlteros e toda sorte de pessoas vistas como excluídas da sociedade e da religião. Essa atitude aberta de Jesus com relação aos pecadores deve nos encher de coragem para d’Ele nos aproximarmos. Mesmo quando estamos nas piores condições da nossa vida, mergulhados no pecado, na incredulidade e em tantas outras situações obscuras, devemos carregar a certeza de que Ele não nos afasta, ao contrário, Ele nos acolhe sempre e sempre porque esta é a “vontade do Pai”.

v. 38: Este versículo está conectado ao anterior porque aqui Jesus manifesta a todos a que Ele veio: “eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. A vontade de Jesus e a vontade do Pai são um só coisa. As duas vontades estão perfeitamente unidas. A acolhida de Jesus para com os pecadores é uma epifania da vontade do próprio Pai de acolher em seus braços todos os seus filhos, particularmente os que estão feridos e marcados pelo pecado.

vv. 39-40: A vontade do Pai é dar a vida eterna. Jesus é nosso Salvador e não nossa condenação. Ele não quer perder ninguém (cf. v. 39). Ele quer que todos ressuscitem e brilhem no seu Reino de amor. Por isso devemos ter uma confiança absoluta no seu desejo de nos salvar. Devemos ter uma confiança absoluta na sua misericórdia. E, na memória que fazemos hoje dos fiéis defuntos, devemos rezar por eles na certeza de que, mesmo que aos nossos olhos tenham tido uma vida dissoluta, Deus tem seus meios. Ele que quer salvar a todos pode ter dado, em alguns segundos, a sua misericórdia a alguém que nos seus últimos suspiros quis receber a salvação. Como diz são Bento não devemos nunca “desesperar da misericórdia de Deus” (Regra 4,74).

Toda a liturgia da Palavra de hoje é um convite, portanto, à esperança cristã (2ª.Leitura). Esta não está fixada numa vida boa aqui, mas sim na vida eterna (1ª. Leitura). O fundamento dessa esperança é a vontade salvífica do Pai, manifestada em Jesus Cristo, que veio para que não se perca nenhum daqueles que o Pai lhe confiou (Evangelho).

 

Fiéis Defuntos – 02.11.2014

Jó 19,1.23-27a
Sl 26
Rm 5,5-11
Jo 6,37-40

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida