Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2018

20 de Outubro de 2018

Homilia dominical: Maior mandamento

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20 de Outubro de 2018

Homilia dominical: Maior mandamento

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23/10/2014 00:10 - Atualizado em 23/10/2014 00:10

Homilia dominical: Maior mandamento 0

23/10/2014 00:10 - Atualizado em 23/10/2014 00:10

A oração coleta desta liturgia é uma súplica a Deus para que, com seu auxílio, possamos “amar o que Ele nos ordena”, a fim de “conseguirmos o que Ele nos promete”. Esta oração nos dá o tom do que hoje o Senhor nos quer falar. Estamos diante do binômio: ordem-promessa. Se não somente “cumprirmos”, mas “amarmos” o que Deus nos ordena, poderemos então ter a certeza de receber o que Ele nos promete. Neste sentido, a Nova Lei supera em muito a Antiga, pois não se trata apenas de “cumprir” os mandamentos, mas de aprender a “amá-los”, ou seja, a reconhecer neles não a manifestação de uma imperiosa vontade de um Deus distante, mas a manifestação de um amor paterno que nos deseja conduzir à vida e à felicidade.

A promessa de Deus nos bem sabemos qual é: a vida eterna. Agora, a ordem nos vem revelada pela Palavra que ouvimos. À medida em que nos abrimos à Palavra de Deus, vamos compreendendo de maneira mais profunda qual é o Seu desejo para cada ser humano.

A primeira leitura nos apresenta o “amor” na perspectiva do relacionamento com o próximo, que brota, é claro, de um amor em primeiro lugar para com Deus. Esse trecho de Ex 22 que ouvimos hoje faz parte do chamado “Código da Aliança”. A perícope começa com uma recordação do êxodo do Egito: não se deve oprimir o estrangeiro, porque os próprios israelitas foram também estrangeiros na terra do Egito.

O texto segue enumerando toda a sorte de pessoas que devem ser especialmente protegidas, em virtude da sua particular condição de desfavorecimento: os estrangeiros, as viúvas e os órfãos. Esses são enumerados primeiro. Deus ouvirá o clamor deles e castigará seus opressores. O castigo será a morte, a fim de as mulheres dos opressores se tornem viúvas e, seus filhos, órfãos. Assim, temendo o próprio destino e tendo diante dos olhos que tal estado de desfavorecimento pode chegar também às suas casas, os israelitas são chamados a, movidos também pelo amor, ainda que também pelo temor, porque a perfeição da Lei ainda não chegou, a cuidar dos desfavorecidos.

A segunda classe de desfavorecidos são aqueles que caíram em dívidas. Não se deve cobrar “juros” dos irmãos e, caso tenha sido necessário tomar o manto do próximo como penhor, este deverá ser devolvido antes da noite, para que o irmão não fique privado da única coisa que tem para se aquecer. Aqui não se enuncia uma punição, mas Deus adverte que Ele ouvirá o grito do necessitado, porque Ele é hanûn, “misericordioso”.

O texto começa com a recordação da libertação do Egito e termina com a proclamação da “misericórdia” de Deus. Deus, que por um amor misericordioso os tirou do Egito, ouvirá também o clamor dos infelizes e oprimidos, como ouviu outrora o clamor do seu povo. O povo deve ser imitador de Deus, ou seja, movido também por um amor misericordioso, deve fazer o bem ao próximo, ouvir suas necessidades e, assim, se tornarão os instrumentos através dos quais Deus agirá sobre a terra.

De maneira perfeita isso nos é indicado pelo Evangelho e a segunda leitura nos apresenta o elogio de Paulo aos Tessalonicenses, que ao receberem a Palavra, a colocam em prática, tornando-se imitadores de Cristo e do Apóstolo.

A segunda leitura fala justamente desse “abrir-se à Palavra”, que dizíamos no início da nossa reflexão. São Paulo utiliza a expressão decsamenoi ton logon. O verbo dekomai, que aparece aqui no particípio aoristo, significa “receber” ou também “receber algo de alguém”, ou ainda, “receber alguma coisa que é ofertada”. A Palavra foi ofertada aos Tessalonicenses e eles a receberam, tornando assim “imitadores” de Cristo e do próprio Apóstolo e “modelo (typós)” para todos os fiéis da Macedônia.

A Palavra recebida fez com que os fiéis tornassem-se “ícones”, “imagens vivas”, do próprio Cristo. Foi a mesma recepção da Palavra que fez com que os Tessalonicenses se convertessem (cf. v. 9), passando a ter no coração uma “esperança”, a da vinda do Cristo (cf. v. 10).

Em consonância com a oração coleta, que pede a Deus a graça de “amarmos os mandamentos”, a segunda leitura fala que os Tessalonicenses acolheram a Palavra com “a alegria do Espírito Santo”. Assim, os Tessalonicenses são elogiados pelo Apóstolo porque a vivência da Palavra entre eles não era mais um peso ou um jugo legislativo. Era a vivência, “com alegria”, da “lei do amor”.

Essa “lei do amor” é resumida por Jesus no Evangelho no duplo mandamento: o amor a Deus e ao próximo. Depois de uma discussão com os saduceus a respeito da ressurreição dos mortos, são os fariseus que vão abordar Jesus. Um deles vai fazer uma pergunta a Jesus. Mateus faz questão de destacar que não era uma pergunta inocente, mas uma pergunta com o intuito de pôr Jesus à prova. A pergunta diz respeito à Lei, a Torá. O fariseu em questão quer saber de Jesus qual é o maior mandamento da Lei. Se a Lei de Deus é perfeita, como escalonar os mandamentos, afirmando que um é maior que o outro? Eles não estão, na verdade, todos interligados?

Jesus mostra isso quando responde ao fariseu utilizando-se de dois versículos da própria Torá. O maior mandamento da Lei é Dt 6,5: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma” e de todo o teu entendimento. O Segundo é “semelhante” a esse, vai dizer Jesus: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, citando agora Lv 19,18. Jesus termina dizendo que toda a Torá, toda a Lei, e todos os Profetas, “dependem” desses dois mandamentos. O verbo traduzido aqui como “depender” é o verbo kremannymi. Este verbo significa “suspender”. Figurativamente aqui ele é traduzido como “depender”. Se fôssemos recorrer a uma imagem poderíamos pensar numa espécie de “gancho” que sustenta tudo o que está nele pendurado. O amor é esse “gancho” que está sustentando tudo. O duplo amor: aquele devido a Deus e aquele devido aos irmãos. Se isso for tirado, todos os outros mandamentos, e tudo o que foi dito pelos profetas, cai e se perde. O amor é, assim, descrito por Jesus como o elemento que unifica toda a Escritura: Lei e Profetas.

                Devemos pedir a Deus a graça de também, a exemplo dos Tessalonicenses, “recebermos com a alegria do Espírito Santo” a Palavra que nos é “ofertada” por Deus, particularmente no contexto da Liturgia da Palavra da Eucaristia Dominical. Este é o “lugar primordial” da Palavra e é abrindo-nos a ela que poderemos nos “cristificar”, ou seja, que poderemos, como também afirmou Paulo a respeito dos Tessalonicenses, tornamo-nos “imitadores de Cristo”.

 

30º Domingo do Tempo Comum

26.10.2014

Ex 22,20-26

Sl 17(18)

1Ts 1,5c-10

Mt 22,34-40

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23/10/2014 00:10 - Atualizado em 23/10/2014 00:10

A oração coleta desta liturgia é uma súplica a Deus para que, com seu auxílio, possamos “amar o que Ele nos ordena”, a fim de “conseguirmos o que Ele nos promete”. Esta oração nos dá o tom do que hoje o Senhor nos quer falar. Estamos diante do binômio: ordem-promessa. Se não somente “cumprirmos”, mas “amarmos” o que Deus nos ordena, poderemos então ter a certeza de receber o que Ele nos promete. Neste sentido, a Nova Lei supera em muito a Antiga, pois não se trata apenas de “cumprir” os mandamentos, mas de aprender a “amá-los”, ou seja, a reconhecer neles não a manifestação de uma imperiosa vontade de um Deus distante, mas a manifestação de um amor paterno que nos deseja conduzir à vida e à felicidade.

A promessa de Deus nos bem sabemos qual é: a vida eterna. Agora, a ordem nos vem revelada pela Palavra que ouvimos. À medida em que nos abrimos à Palavra de Deus, vamos compreendendo de maneira mais profunda qual é o Seu desejo para cada ser humano.

A primeira leitura nos apresenta o “amor” na perspectiva do relacionamento com o próximo, que brota, é claro, de um amor em primeiro lugar para com Deus. Esse trecho de Ex 22 que ouvimos hoje faz parte do chamado “Código da Aliança”. A perícope começa com uma recordação do êxodo do Egito: não se deve oprimir o estrangeiro, porque os próprios israelitas foram também estrangeiros na terra do Egito.

O texto segue enumerando toda a sorte de pessoas que devem ser especialmente protegidas, em virtude da sua particular condição de desfavorecimento: os estrangeiros, as viúvas e os órfãos. Esses são enumerados primeiro. Deus ouvirá o clamor deles e castigará seus opressores. O castigo será a morte, a fim de as mulheres dos opressores se tornem viúvas e, seus filhos, órfãos. Assim, temendo o próprio destino e tendo diante dos olhos que tal estado de desfavorecimento pode chegar também às suas casas, os israelitas são chamados a, movidos também pelo amor, ainda que também pelo temor, porque a perfeição da Lei ainda não chegou, a cuidar dos desfavorecidos.

A segunda classe de desfavorecidos são aqueles que caíram em dívidas. Não se deve cobrar “juros” dos irmãos e, caso tenha sido necessário tomar o manto do próximo como penhor, este deverá ser devolvido antes da noite, para que o irmão não fique privado da única coisa que tem para se aquecer. Aqui não se enuncia uma punição, mas Deus adverte que Ele ouvirá o grito do necessitado, porque Ele é hanûn, “misericordioso”.

O texto começa com a recordação da libertação do Egito e termina com a proclamação da “misericórdia” de Deus. Deus, que por um amor misericordioso os tirou do Egito, ouvirá também o clamor dos infelizes e oprimidos, como ouviu outrora o clamor do seu povo. O povo deve ser imitador de Deus, ou seja, movido também por um amor misericordioso, deve fazer o bem ao próximo, ouvir suas necessidades e, assim, se tornarão os instrumentos através dos quais Deus agirá sobre a terra.

De maneira perfeita isso nos é indicado pelo Evangelho e a segunda leitura nos apresenta o elogio de Paulo aos Tessalonicenses, que ao receberem a Palavra, a colocam em prática, tornando-se imitadores de Cristo e do Apóstolo.

A segunda leitura fala justamente desse “abrir-se à Palavra”, que dizíamos no início da nossa reflexão. São Paulo utiliza a expressão decsamenoi ton logon. O verbo dekomai, que aparece aqui no particípio aoristo, significa “receber” ou também “receber algo de alguém”, ou ainda, “receber alguma coisa que é ofertada”. A Palavra foi ofertada aos Tessalonicenses e eles a receberam, tornando assim “imitadores” de Cristo e do próprio Apóstolo e “modelo (typós)” para todos os fiéis da Macedônia.

A Palavra recebida fez com que os fiéis tornassem-se “ícones”, “imagens vivas”, do próprio Cristo. Foi a mesma recepção da Palavra que fez com que os Tessalonicenses se convertessem (cf. v. 9), passando a ter no coração uma “esperança”, a da vinda do Cristo (cf. v. 10).

Em consonância com a oração coleta, que pede a Deus a graça de “amarmos os mandamentos”, a segunda leitura fala que os Tessalonicenses acolheram a Palavra com “a alegria do Espírito Santo”. Assim, os Tessalonicenses são elogiados pelo Apóstolo porque a vivência da Palavra entre eles não era mais um peso ou um jugo legislativo. Era a vivência, “com alegria”, da “lei do amor”.

Essa “lei do amor” é resumida por Jesus no Evangelho no duplo mandamento: o amor a Deus e ao próximo. Depois de uma discussão com os saduceus a respeito da ressurreição dos mortos, são os fariseus que vão abordar Jesus. Um deles vai fazer uma pergunta a Jesus. Mateus faz questão de destacar que não era uma pergunta inocente, mas uma pergunta com o intuito de pôr Jesus à prova. A pergunta diz respeito à Lei, a Torá. O fariseu em questão quer saber de Jesus qual é o maior mandamento da Lei. Se a Lei de Deus é perfeita, como escalonar os mandamentos, afirmando que um é maior que o outro? Eles não estão, na verdade, todos interligados?

Jesus mostra isso quando responde ao fariseu utilizando-se de dois versículos da própria Torá. O maior mandamento da Lei é Dt 6,5: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma” e de todo o teu entendimento. O Segundo é “semelhante” a esse, vai dizer Jesus: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, citando agora Lv 19,18. Jesus termina dizendo que toda a Torá, toda a Lei, e todos os Profetas, “dependem” desses dois mandamentos. O verbo traduzido aqui como “depender” é o verbo kremannymi. Este verbo significa “suspender”. Figurativamente aqui ele é traduzido como “depender”. Se fôssemos recorrer a uma imagem poderíamos pensar numa espécie de “gancho” que sustenta tudo o que está nele pendurado. O amor é esse “gancho” que está sustentando tudo. O duplo amor: aquele devido a Deus e aquele devido aos irmãos. Se isso for tirado, todos os outros mandamentos, e tudo o que foi dito pelos profetas, cai e se perde. O amor é, assim, descrito por Jesus como o elemento que unifica toda a Escritura: Lei e Profetas.

                Devemos pedir a Deus a graça de também, a exemplo dos Tessalonicenses, “recebermos com a alegria do Espírito Santo” a Palavra que nos é “ofertada” por Deus, particularmente no contexto da Liturgia da Palavra da Eucaristia Dominical. Este é o “lugar primordial” da Palavra e é abrindo-nos a ela que poderemos nos “cristificar”, ou seja, que poderemos, como também afirmou Paulo a respeito dos Tessalonicenses, tornamo-nos “imitadores de Cristo”.

 

30º Domingo do Tempo Comum

26.10.2014

Ex 22,20-26

Sl 17(18)

1Ts 1,5c-10

Mt 22,34-40

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida