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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/07/2019

19 de Julho de 2019

Começa o Sínodo da Família

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Começa o Sínodo da Família

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03/10/2014 08:27 - Atualizado em 03/10/2014 08:31

Começa o Sínodo da Família 0

03/10/2014 08:27 - Atualizado em 03/10/2014 08:31

O Sínodo Extraordinário que começa é uma ótima ocasião de exercer a colegialidade na Igreja, assim como o desafio de caminhar juntos. Sínodo, syn (comum) odos (caminho), significa busca de uma caminhada comum para a Igreja inteira.

O Sínodo sobre a Família, que tem como tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”, tão desejado pelo Papa Francisco, se realizará em duas etapas:  2014 e 2015. A primeira etapa, neste ano, é a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos.

Toda a Igreja foi consultada sobre o assunto. Das 267 dioceses do Brasil, 120 responderam o questionário de preparação, o que representa uma boa participação. Em relação às dioceses do mundo, voltaram 80% dos questionários respondidos. São sinais que refletem a grande preocupação nacional e mundial com a problemática familiar. Houve uma grande divulgação por parte da imprensa sobre essa consulta, comum em todos os sínodos.

Entre as principais preocupações da Igreja está a preparação para o matrimônio – chamamos de setor Pré-Matrimonial –, pois uma boa, séria e remota preparação geram famílias com bases sólidas, duradouras e felizes. Outra preocupação são os divorciados recasados. É cada vez maior o número de casais em segunda ou mais uniões que precisam de um olhar de misericórdia e acolhimento da Igreja. Vale lembrar que a causa do divórcio está, sobretudo, no “improvisamento” dos casamentos, os quais tiveram pouca ou nenhuma preparação para o matrimônio. Além disso, tem a facilitação do Estado e da lei, com a promulgação do “divórcio rápido”.

O magistério da Igreja, através dos últimos pontífices, vem se dedicando, com muito afinco e solicitude, ao estudo e também possíveis soluções desse problema. É um problema delicadíssimo e sensível, que atinge milhares de famílias e que exige maior atenção e cuidados especiais. Primeiro, valores contraditórios: a maioria das famílias de hoje carrega um misto de valores, alguns verdadeiros e outros contraditórios.  É verdade que precisamos acolher os novos valores da cultura atual. Porém, não podemos desprezar ou sepultar a doutrina da Igreja e os valores herdados dos antepassados e que foram passados de pais para filhos.

Aparece também a ilusão da autonomia: a principal característica do homem e da mulher da alta modernidade é a busca de autonomia, de independência. Esta ideia de independência tende a refletir no relacionamento conjugal. Ora, o matrimônio e família criam profundos laços de pertença entre os cônjuges e com os filhos, ou seja, uma interdependência permanente. A ideia errada de autonomia dificulta o relacionamento conjugal e a convivência familiar.

Temos também a multiplicidade de interesses! As pessoas vivem, hoje, em função de múltiplos interesses: negócios, trabalho, estudo, viagens, lazer etc., e, por isso, correm o risco de colocar a família como mais um dos interesses. Ora, a família é uma vocação divina e não função, ou seja, ela deve unificar todos os interesses e as ações do ser humano. É o referencial e o bem mais importante da vida humana na Terra. É o capital social mais importante para a sociedade.

Constatamos também os relacionamentos parciais. As pessoas vivem, hoje, relacionamentos parciais ou superficiais em função de seus interesses circunstanciais e, com isso, correm o risco de levar estas parcialidades para dentro da família. Ora, a família deve abraçar a totalidade da criatura humana e não apenas alguns aspectos da sua vida.

Ainda temos a esterilidade. Respiramos, hoje, uma atmosfera “antivida”. A mentalidade contraceptiva é muito forte. Muitos casais pensam no casamento, mas não querem filhos, os quais são vistos como estorvos e não como dom e bênção de Deus. Porquanto, os filhos constituem a beleza, a alegria e a grande motivação do matrimônio.

Hoje também é muito claro o individualismo, o qual leva à indiferença e à falta de solidariedade com o próximo, empobrecendo o relacionamento conjugal e familiar.

E, por fim, também a provisoriedade. Sim, vivemos hoje, também, a cultura da “provisoriedade”. Tudo que adquirimos é descartável (descartabilidade) e com prazo de validade. Esta cultura tem influenciado muito a dissolução do vínculo, o qual, de acordo com o plano de Deus, tem caráter definitivo, irrevogável e sem prazo de validade!

Todos somos chamados e enviados a amar as famílias em nome de Cristo. E tudo que fizermos pela família é ainda pouco.

No último dia 9 de setembro o Papa Francisco nomeou cinco brasileiros para o Sínodo da Família. São eles: O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Raymundo Damasceno Assis, que será um dos três presidentes-delegados do Sínodo. Para o Conselho Ordinário, foi nomeado, entre outros, o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer.  O bispo maronita da Catedral Nossa Senhora do Líbano, em São Paulo, Dom Edgard Amine Madi, e eu, arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, estamos entre os membros de nomeação pontifícia. Entre os participantes leigos no Sínodo da Família representando o Brasil está o casal Arturo e Hermelinda Zamperline, responsáveis pelas “Equipes de Nossa Senhora” para a super-região do Brasil. Eles participarão como auditores.

Espero contar com suas orações para esta importante missão em favor de todas as famílias e do seu papel primordial de transmissores da fé católica.

Que Deus abençoe as nossas famílias!




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Começa o Sínodo da Família

03/10/2014 08:27 - Atualizado em 03/10/2014 08:31

O Sínodo Extraordinário que começa é uma ótima ocasião de exercer a colegialidade na Igreja, assim como o desafio de caminhar juntos. Sínodo, syn (comum) odos (caminho), significa busca de uma caminhada comum para a Igreja inteira.

O Sínodo sobre a Família, que tem como tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”, tão desejado pelo Papa Francisco, se realizará em duas etapas:  2014 e 2015. A primeira etapa, neste ano, é a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos.

Toda a Igreja foi consultada sobre o assunto. Das 267 dioceses do Brasil, 120 responderam o questionário de preparação, o que representa uma boa participação. Em relação às dioceses do mundo, voltaram 80% dos questionários respondidos. São sinais que refletem a grande preocupação nacional e mundial com a problemática familiar. Houve uma grande divulgação por parte da imprensa sobre essa consulta, comum em todos os sínodos.

Entre as principais preocupações da Igreja está a preparação para o matrimônio – chamamos de setor Pré-Matrimonial –, pois uma boa, séria e remota preparação geram famílias com bases sólidas, duradouras e felizes. Outra preocupação são os divorciados recasados. É cada vez maior o número de casais em segunda ou mais uniões que precisam de um olhar de misericórdia e acolhimento da Igreja. Vale lembrar que a causa do divórcio está, sobretudo, no “improvisamento” dos casamentos, os quais tiveram pouca ou nenhuma preparação para o matrimônio. Além disso, tem a facilitação do Estado e da lei, com a promulgação do “divórcio rápido”.

O magistério da Igreja, através dos últimos pontífices, vem se dedicando, com muito afinco e solicitude, ao estudo e também possíveis soluções desse problema. É um problema delicadíssimo e sensível, que atinge milhares de famílias e que exige maior atenção e cuidados especiais. Primeiro, valores contraditórios: a maioria das famílias de hoje carrega um misto de valores, alguns verdadeiros e outros contraditórios.  É verdade que precisamos acolher os novos valores da cultura atual. Porém, não podemos desprezar ou sepultar a doutrina da Igreja e os valores herdados dos antepassados e que foram passados de pais para filhos.

Aparece também a ilusão da autonomia: a principal característica do homem e da mulher da alta modernidade é a busca de autonomia, de independência. Esta ideia de independência tende a refletir no relacionamento conjugal. Ora, o matrimônio e família criam profundos laços de pertença entre os cônjuges e com os filhos, ou seja, uma interdependência permanente. A ideia errada de autonomia dificulta o relacionamento conjugal e a convivência familiar.

Temos também a multiplicidade de interesses! As pessoas vivem, hoje, em função de múltiplos interesses: negócios, trabalho, estudo, viagens, lazer etc., e, por isso, correm o risco de colocar a família como mais um dos interesses. Ora, a família é uma vocação divina e não função, ou seja, ela deve unificar todos os interesses e as ações do ser humano. É o referencial e o bem mais importante da vida humana na Terra. É o capital social mais importante para a sociedade.

Constatamos também os relacionamentos parciais. As pessoas vivem, hoje, relacionamentos parciais ou superficiais em função de seus interesses circunstanciais e, com isso, correm o risco de levar estas parcialidades para dentro da família. Ora, a família deve abraçar a totalidade da criatura humana e não apenas alguns aspectos da sua vida.

Ainda temos a esterilidade. Respiramos, hoje, uma atmosfera “antivida”. A mentalidade contraceptiva é muito forte. Muitos casais pensam no casamento, mas não querem filhos, os quais são vistos como estorvos e não como dom e bênção de Deus. Porquanto, os filhos constituem a beleza, a alegria e a grande motivação do matrimônio.

Hoje também é muito claro o individualismo, o qual leva à indiferença e à falta de solidariedade com o próximo, empobrecendo o relacionamento conjugal e familiar.

E, por fim, também a provisoriedade. Sim, vivemos hoje, também, a cultura da “provisoriedade”. Tudo que adquirimos é descartável (descartabilidade) e com prazo de validade. Esta cultura tem influenciado muito a dissolução do vínculo, o qual, de acordo com o plano de Deus, tem caráter definitivo, irrevogável e sem prazo de validade!

Todos somos chamados e enviados a amar as famílias em nome de Cristo. E tudo que fizermos pela família é ainda pouco.

No último dia 9 de setembro o Papa Francisco nomeou cinco brasileiros para o Sínodo da Família. São eles: O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Raymundo Damasceno Assis, que será um dos três presidentes-delegados do Sínodo. Para o Conselho Ordinário, foi nomeado, entre outros, o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer.  O bispo maronita da Catedral Nossa Senhora do Líbano, em São Paulo, Dom Edgard Amine Madi, e eu, arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, estamos entre os membros de nomeação pontifícia. Entre os participantes leigos no Sínodo da Família representando o Brasil está o casal Arturo e Hermelinda Zamperline, responsáveis pelas “Equipes de Nossa Senhora” para a super-região do Brasil. Eles participarão como auditores.

Espero contar com suas orações para esta importante missão em favor de todas as famílias e do seu papel primordial de transmissores da fé católica.

Que Deus abençoe as nossas famílias!