Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/08/2018

20 de Agosto de 2018

Fazendo a vontade do Pai

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20 de Agosto de 2018

Fazendo a vontade do Pai

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26/09/2014 11:21 - Atualizado em 26/09/2014 11:21

Fazendo a vontade do Pai 0

26/09/2014 11:21 - Atualizado em 26/09/2014 11:21

“Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais .”

A liturgia é sempre uma celebração do poder de Deus; do poder criador de Deus, que preparou para nós este dia no círculo semanal, dia reservado a fim de que nele façamos experiência da salvação. O Domingo é a manifestação do Deus Todo-Poderoso, que cria e liberta o homem, tanto em nível natural quanto sobrenatural, porque existe, sem dúvida uma criação material-natural e uma criação espiritual-sobrenatural; assim como existe uma libertação material-temporal e uma libertação espiritual-sobrenatural.

Chamo de criação natural o ato de poder de Deus que nos fez sua imagem e semelhança; chamo de criação sobrenatural a criação nova que se operou em nós quando fomos batizados.

Chamo de libertação temporal, tanto aquela que Israel experimentou quando saiu do Egito em direção à Terra da Promessa, quanto àquelas que experimentamos no decorrer da história dos homens. Chamo de libertação espiritual àquela que Nosso Senhor Jesus Cristo nos conquistou no alto de sua cruz, quando por seu sangue derramado abriu para nós as portas da eternidade. Mas o Deus todo-poderoso, Criador e Libertador, manifesta o seu poder, sobretudo, no “perdão” e na “misericórdia”.

É o que afirma a oração coleta de hoje. Deus, nosso Pai, é aquele que manifesta seu poder “sobretudo no perdão e na misericórdia”. Deus utiliza o seu poder de maneira diferente dos homens. Enquanto os homens exercem seu poder para dominar e vencer, Deus nosso Pai, exerce em nosso favor o seu poder nos perdoando e nos acolhendo sempre que nos voltamos para Ele com todo o nosso coração.

Isso é o que nos afirma a liturgia da Palavra de hoje. Já no domingo passado nós ouvimos na Igreja aquele trecho do evangelho de Mt 20,1-16a, onde Jesus nos apresenta o Pai misericordioso que paga aos empregados da última hora o mesmo que pagou aos empregados da primeira hora. O Cristo nos revela assim que o Pai é misericordioso e quer que todos aqueles que ouvem o seu chamado, seja na primeira ou na última hora, se salvem. Hoje ouvimos uma parábola semelhante. O contexto da parábola agora é um contexto familiar. Trata-se de dois filhos que são convidados pelo pai para ir trabalhar na sua vinha. O primeiro, rebelde, afirma que não quer ir trabalhar na vinha, mas depois, pensa melhor e vai. O segundo, aparentemente correto, com prontidão aceita o convite do pai, mas a sua aceitação não passa de palavra lançada ao vento, porque ele efetivamente não vai trabalhar na vinha. Jesus lança então aos fariseus a sua pergunta: Quem cumpriu a vontade do pai? Quem aceitou o convite e não foi trabalhar? Ou quem disse não, mas pensando melhor se colocou a trabalhar na vinha? Os fariseus não têm como negar a óbvia conclusão: foi, de fato, o primeiro filho o que fez a vontade do Pai.

Esse primeiro filho é um símbolo das prostitutas e cobradores de impostos. Sob a imagem das prostitutas e dos cobradores de impostos estão reunidas todas as classes de pecadores. Esses são os que formalmente, através da sua conduta, dizem não ao convite de Deus. Mas, depois esses podem se converter e, pensando melhor em seus corações, aderirem ao projeto do Pai, irem trabalhar na sua vinha. A prova disso foi que as prostitutas e os cobradores de impostos acolheram Jesus e sua Palavra, e reconheceram n’Ele o Messias prometido. O segundo filho, exteriormente perfeito, é imagem dos fariseus. Estes formalmente fazem a vontade do Pai, vivem segundo a Lei, realizam as práticas rituais.

Todavia, o seu coração não está realmente voltado para Deus, e a prova disso, que eles falam mas não fazem, é que eles não reconheceram e não acolheram Jesus como sendo o Messias, o Cristo de Deus para nós. A fé no Cristo, a adesão à sua pessoa e à sua Palavra é critério de discernimento. As prostitutas e os cobradores de impostos entram primeiro no Reino, precedem os fariseus, não porque suas práticas sejam corretas, mas sim porque crendo no Filho de Deus, se convertem, pensam melhor em seus corações e aderem ao projeto do Pai. Os fariseus são afastados não porque suas obras sejam más, mas porque não crêem no Cristo, e não crendo no Cristo dizem não ao projeto do Pai e não são inseridos na sua vinha. Nem mesmo vendo a conversão dos cobradores de impostos e das prostitutas eles mudam a sua conduta. Eis o julgamento de Deus sobre a atitude dos homens.

Deus é misericordioso, e acolhe a todos que aderem a sua Palavra, ainda que tenham sido outrora prostitutas e cobradores de impostos. Imagem disso nos é dada pelo profeta Ezequiel na primeira leitura. O Senhor fala pela boca do profeta: “Vós andais dizendo: ‘A conduta do Senhor não é correta. Ouvi, vós casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta? Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá.” Pela boca do profeta o Senhor nos mostra que sua conduta é sempre a da misericórdia e a do perdão, desde que o homem demonstre através de uma concreta atitude de arrependimento que quer essa misericórdia, que quer esse perdão. Se o ímpio se voltar para o Senhor, ele viverá, ou seja, ganhará a vida eterna, porque o Senhor sempre abraça na sua misericórdia a todo aquele que se converte sinceramente e diante d’Ele se reconhece pecador e necessitado de perdão.

Para recebermos o perdão e a misericórdia de Deus precisamos reconhecer diante d’Ele a nossa má conduta, precisamos reconhecer que somos necessitados do seu perdão. Só se reconhece pecador e necessitado da misericórdia do Senhor quem é humilde. É por isso que o humilde se salva, enquanto o soberbo se perde. O soberbo, não sabe se reconhecer pecador e, mesmo quando está fazendo o bem, se vangloria pelo bem que faz e este perde o valor. O humilde, ao contrário, se faz o bem sabe atribuí-lo a Deus e, se faz, o mal, sabe humilhar-se diante de Deus reconhecendo a sua necessidade de perdão.

Por isso, estejamos atentos ao que o Senhor nos fala hoje na segunda leitura. Este trecho da carta aos Filipenses é uma exortação à que a comunidade viva a unidade na humildade, cada um procurando o bem do outro para a edificação de todo o Corpo de Cristo. E, para exortar os Filipenses a viver a humildade, São Paulo lhes apresenta o sublime exemplo de Cristo, neste hino que é anterior a Paulo, provavelmente já conhecido pelas comunidades daquela região e que nos demonstra como os primeiros cristãos souberam captar bem o movimento de descida, de rebaixamento do Cristo e sua posterior glorificação. 

26º Domingo do Tempo Comum

28.09.2014

Ez 18,25-28

Sl 24 (25)

Fl 2,1-11

Mt 21,28-32


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Fazendo a vontade do Pai

26/09/2014 11:21 - Atualizado em 26/09/2014 11:21

“Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais .”

A liturgia é sempre uma celebração do poder de Deus; do poder criador de Deus, que preparou para nós este dia no círculo semanal, dia reservado a fim de que nele façamos experiência da salvação. O Domingo é a manifestação do Deus Todo-Poderoso, que cria e liberta o homem, tanto em nível natural quanto sobrenatural, porque existe, sem dúvida uma criação material-natural e uma criação espiritual-sobrenatural; assim como existe uma libertação material-temporal e uma libertação espiritual-sobrenatural.

Chamo de criação natural o ato de poder de Deus que nos fez sua imagem e semelhança; chamo de criação sobrenatural a criação nova que se operou em nós quando fomos batizados.

Chamo de libertação temporal, tanto aquela que Israel experimentou quando saiu do Egito em direção à Terra da Promessa, quanto àquelas que experimentamos no decorrer da história dos homens. Chamo de libertação espiritual àquela que Nosso Senhor Jesus Cristo nos conquistou no alto de sua cruz, quando por seu sangue derramado abriu para nós as portas da eternidade. Mas o Deus todo-poderoso, Criador e Libertador, manifesta o seu poder, sobretudo, no “perdão” e na “misericórdia”.

É o que afirma a oração coleta de hoje. Deus, nosso Pai, é aquele que manifesta seu poder “sobretudo no perdão e na misericórdia”. Deus utiliza o seu poder de maneira diferente dos homens. Enquanto os homens exercem seu poder para dominar e vencer, Deus nosso Pai, exerce em nosso favor o seu poder nos perdoando e nos acolhendo sempre que nos voltamos para Ele com todo o nosso coração.

Isso é o que nos afirma a liturgia da Palavra de hoje. Já no domingo passado nós ouvimos na Igreja aquele trecho do evangelho de Mt 20,1-16a, onde Jesus nos apresenta o Pai misericordioso que paga aos empregados da última hora o mesmo que pagou aos empregados da primeira hora. O Cristo nos revela assim que o Pai é misericordioso e quer que todos aqueles que ouvem o seu chamado, seja na primeira ou na última hora, se salvem. Hoje ouvimos uma parábola semelhante. O contexto da parábola agora é um contexto familiar. Trata-se de dois filhos que são convidados pelo pai para ir trabalhar na sua vinha. O primeiro, rebelde, afirma que não quer ir trabalhar na vinha, mas depois, pensa melhor e vai. O segundo, aparentemente correto, com prontidão aceita o convite do pai, mas a sua aceitação não passa de palavra lançada ao vento, porque ele efetivamente não vai trabalhar na vinha. Jesus lança então aos fariseus a sua pergunta: Quem cumpriu a vontade do pai? Quem aceitou o convite e não foi trabalhar? Ou quem disse não, mas pensando melhor se colocou a trabalhar na vinha? Os fariseus não têm como negar a óbvia conclusão: foi, de fato, o primeiro filho o que fez a vontade do Pai.

Esse primeiro filho é um símbolo das prostitutas e cobradores de impostos. Sob a imagem das prostitutas e dos cobradores de impostos estão reunidas todas as classes de pecadores. Esses são os que formalmente, através da sua conduta, dizem não ao convite de Deus. Mas, depois esses podem se converter e, pensando melhor em seus corações, aderirem ao projeto do Pai, irem trabalhar na sua vinha. A prova disso foi que as prostitutas e os cobradores de impostos acolheram Jesus e sua Palavra, e reconheceram n’Ele o Messias prometido. O segundo filho, exteriormente perfeito, é imagem dos fariseus. Estes formalmente fazem a vontade do Pai, vivem segundo a Lei, realizam as práticas rituais.

Todavia, o seu coração não está realmente voltado para Deus, e a prova disso, que eles falam mas não fazem, é que eles não reconheceram e não acolheram Jesus como sendo o Messias, o Cristo de Deus para nós. A fé no Cristo, a adesão à sua pessoa e à sua Palavra é critério de discernimento. As prostitutas e os cobradores de impostos entram primeiro no Reino, precedem os fariseus, não porque suas práticas sejam corretas, mas sim porque crendo no Filho de Deus, se convertem, pensam melhor em seus corações e aderem ao projeto do Pai. Os fariseus são afastados não porque suas obras sejam más, mas porque não crêem no Cristo, e não crendo no Cristo dizem não ao projeto do Pai e não são inseridos na sua vinha. Nem mesmo vendo a conversão dos cobradores de impostos e das prostitutas eles mudam a sua conduta. Eis o julgamento de Deus sobre a atitude dos homens.

Deus é misericordioso, e acolhe a todos que aderem a sua Palavra, ainda que tenham sido outrora prostitutas e cobradores de impostos. Imagem disso nos é dada pelo profeta Ezequiel na primeira leitura. O Senhor fala pela boca do profeta: “Vós andais dizendo: ‘A conduta do Senhor não é correta. Ouvi, vós casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta? Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá.” Pela boca do profeta o Senhor nos mostra que sua conduta é sempre a da misericórdia e a do perdão, desde que o homem demonstre através de uma concreta atitude de arrependimento que quer essa misericórdia, que quer esse perdão. Se o ímpio se voltar para o Senhor, ele viverá, ou seja, ganhará a vida eterna, porque o Senhor sempre abraça na sua misericórdia a todo aquele que se converte sinceramente e diante d’Ele se reconhece pecador e necessitado de perdão.

Para recebermos o perdão e a misericórdia de Deus precisamos reconhecer diante d’Ele a nossa má conduta, precisamos reconhecer que somos necessitados do seu perdão. Só se reconhece pecador e necessitado da misericórdia do Senhor quem é humilde. É por isso que o humilde se salva, enquanto o soberbo se perde. O soberbo, não sabe se reconhecer pecador e, mesmo quando está fazendo o bem, se vangloria pelo bem que faz e este perde o valor. O humilde, ao contrário, se faz o bem sabe atribuí-lo a Deus e, se faz, o mal, sabe humilhar-se diante de Deus reconhecendo a sua necessidade de perdão.

Por isso, estejamos atentos ao que o Senhor nos fala hoje na segunda leitura. Este trecho da carta aos Filipenses é uma exortação à que a comunidade viva a unidade na humildade, cada um procurando o bem do outro para a edificação de todo o Corpo de Cristo. E, para exortar os Filipenses a viver a humildade, São Paulo lhes apresenta o sublime exemplo de Cristo, neste hino que é anterior a Paulo, provavelmente já conhecido pelas comunidades daquela região e que nos demonstra como os primeiros cristãos souberam captar bem o movimento de descida, de rebaixamento do Cristo e sua posterior glorificação. 

26º Domingo do Tempo Comum

28.09.2014

Ez 18,25-28

Sl 24 (25)

Fl 2,1-11

Mt 21,28-32


Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida