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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2017

19 de Novembro de 2017

Bíblia e a catequese

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15/09/2014 16:12 - Atualizado em 15/09/2014 16:12

Bíblia e a catequese 0

15/09/2014 16:12 - Atualizado em 15/09/2014 16:12

 Bíblia e a catequese  / Arqrio

Setembro é o Mês da Bíblia, fonte da evangelização e da catequese. O conteúdo e os métodos de evangelizar, desde o primeiro anúncio aos vários meios e formas de catequisar, supõem a intimidade com a Palavra da revelação.  O conhecimento é imprescindível para evangelizadores, em certo sentido, catequistas, e os destinatários da mensagem. Transmitem também o prazer de ler a Bíblia.

A propósito, recordemos dois fatos. Servem de ilustração e de estímulo.  Filipe explica o profeta Isaias ao etíope que o lia, sem compreendê-lo (At 8, 26-36).  Significa que o leitor já possuía o interesse e o gosto pelos textos. Alguém o introduzira ao hábito prazeroso de ler. Paulo lembra a Timóteo: “Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como certo; tu sabes de quem o aprendeste. Desde a tua infância conheces as sagradas Letras” (2Tm 3, 14-15). Veio de berço.  

Diante dos desafios salutares – e são muitos  – da nova evangelização e da catequese renovada, a tarefa do catequista se amplia e se diversifica. Ele se vê, com frequência, estimulado diante de batizados ou não. Achegam-se à catequese da iniciação, sem conhecimento dos conteúdos da fé e com pouquíssima referência às narrativas bíblicas, as mais conhecidas da história da salvação. Não só crianças, mas também jovens e adultos. Por isso, a preparação para os sacramentos da iniciação cristã inclui a pré-catequese para crianças e o catecumenato para jovens e adultos.

Questões amplas da secularização galopante da sociedade, difundidas na mídia e na escola, se unem à indiferença, em muitas famílias, quanto à transmissão da fé aos filhos e à leitura da Bíblia no lar. A fé não é vivida nem celebrada como antes. O domingo tende a perder a dimensão cultural de ser o Dia do Senhor. Não se vai à missa. Fica-se em casa em repouso. Aproveita-se para se divertir e passear com as crianças. Com o domingo, secularizam-se todos os dias santos de preceito.

Como o substrato católico da cultura ainda persiste e resiste, em meio ao pluralismo religioso, o sinal da cruz ainda é feito, mas à moda de jogador de futebol. Cada vez mais aparecem crianças que não sabem rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Coisa rara é a Salve-Rainha. Sem contar a realidade familiar. Dificulta a permanência na catequese, pois a criança numa semana está com o pai, em outra com a mãe. Sem falar as que dizem que têm dois pais ou duas mães. Haja flexibilidade de alternativas.

Portanto, parece que, hoje em dia, se exige bem mais do catequista. Isto é bom.  Maior formação bíblica e doutrinal e pedagógica. Aplicar mais a inteligência, comprometer mais a vontade, afervorar mais o coração. Não é possível minimizar, porém maximizar a seleção e proporcionar a formação permanente.  Será catequista de fé profunda e testemunhal, cuja semente da Palavra germinou em terra boa. Firme na identidade católica. Dialogante como precisa a Igreja e a sociedade requer. De vida sacramental e de oração pessoal.  Sensível às necessidades espirituais e sociais dos destinatários para conduzi-los à vivência evangélica e ao compromisso com os outros no amor e na verdade.  

No contexto de hegemonia católica ou de cristandade era relativamente fácil dar aula de Catecismo. Bastava o livro, boa vontade e simpatia. Não sendo querigmática, a catequese usava o método de perguntas e respostas que favorecia a memorização. Às vezes, a teatralização. O conteúdo era livresco e doutrinário.  Tal método marcou. Ainda hoje, em meios acadêmicos críticos insistem em denominar qualquer ensino autoritário como catequético. Como se a escola de outrora (e ainda hoje) não usasse o mesmo recurso ao livro de texto, à repetição e à mnemônica dos conteúdos e, sobretudo, à centralidade dada aos alunos pelo professor.  Não se dão conta que os avanços na metodologia de ensino e o uso de recursos técnicos atualizados são aceitos e usados também pela catequese renovada, apesar das carências  paroquiais, inclusive o emprego do lúdico e do belo. O prazeroso é facilitador, hoje como ontem. Também com a Bíblia na catequese: o prazer da leitura dirigida ou motivada; o sentido descoberto e partilhado do texto; a aplicação prática no culto e na vida pessoal e social; a produção simbólica nas artes. Em síntese, aprende-se para usar e viver.

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 Bíblia e a catequese  / Arqrio

Bíblia e a catequese

15/09/2014 16:12 - Atualizado em 15/09/2014 16:12

Setembro é o Mês da Bíblia, fonte da evangelização e da catequese. O conteúdo e os métodos de evangelizar, desde o primeiro anúncio aos vários meios e formas de catequisar, supõem a intimidade com a Palavra da revelação.  O conhecimento é imprescindível para evangelizadores, em certo sentido, catequistas, e os destinatários da mensagem. Transmitem também o prazer de ler a Bíblia.

A propósito, recordemos dois fatos. Servem de ilustração e de estímulo.  Filipe explica o profeta Isaias ao etíope que o lia, sem compreendê-lo (At 8, 26-36).  Significa que o leitor já possuía o interesse e o gosto pelos textos. Alguém o introduzira ao hábito prazeroso de ler. Paulo lembra a Timóteo: “Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como certo; tu sabes de quem o aprendeste. Desde a tua infância conheces as sagradas Letras” (2Tm 3, 14-15). Veio de berço.  

Diante dos desafios salutares – e são muitos  – da nova evangelização e da catequese renovada, a tarefa do catequista se amplia e se diversifica. Ele se vê, com frequência, estimulado diante de batizados ou não. Achegam-se à catequese da iniciação, sem conhecimento dos conteúdos da fé e com pouquíssima referência às narrativas bíblicas, as mais conhecidas da história da salvação. Não só crianças, mas também jovens e adultos. Por isso, a preparação para os sacramentos da iniciação cristã inclui a pré-catequese para crianças e o catecumenato para jovens e adultos.

Questões amplas da secularização galopante da sociedade, difundidas na mídia e na escola, se unem à indiferença, em muitas famílias, quanto à transmissão da fé aos filhos e à leitura da Bíblia no lar. A fé não é vivida nem celebrada como antes. O domingo tende a perder a dimensão cultural de ser o Dia do Senhor. Não se vai à missa. Fica-se em casa em repouso. Aproveita-se para se divertir e passear com as crianças. Com o domingo, secularizam-se todos os dias santos de preceito.

Como o substrato católico da cultura ainda persiste e resiste, em meio ao pluralismo religioso, o sinal da cruz ainda é feito, mas à moda de jogador de futebol. Cada vez mais aparecem crianças que não sabem rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Coisa rara é a Salve-Rainha. Sem contar a realidade familiar. Dificulta a permanência na catequese, pois a criança numa semana está com o pai, em outra com a mãe. Sem falar as que dizem que têm dois pais ou duas mães. Haja flexibilidade de alternativas.

Portanto, parece que, hoje em dia, se exige bem mais do catequista. Isto é bom.  Maior formação bíblica e doutrinal e pedagógica. Aplicar mais a inteligência, comprometer mais a vontade, afervorar mais o coração. Não é possível minimizar, porém maximizar a seleção e proporcionar a formação permanente.  Será catequista de fé profunda e testemunhal, cuja semente da Palavra germinou em terra boa. Firme na identidade católica. Dialogante como precisa a Igreja e a sociedade requer. De vida sacramental e de oração pessoal.  Sensível às necessidades espirituais e sociais dos destinatários para conduzi-los à vivência evangélica e ao compromisso com os outros no amor e na verdade.  

No contexto de hegemonia católica ou de cristandade era relativamente fácil dar aula de Catecismo. Bastava o livro, boa vontade e simpatia. Não sendo querigmática, a catequese usava o método de perguntas e respostas que favorecia a memorização. Às vezes, a teatralização. O conteúdo era livresco e doutrinário.  Tal método marcou. Ainda hoje, em meios acadêmicos críticos insistem em denominar qualquer ensino autoritário como catequético. Como se a escola de outrora (e ainda hoje) não usasse o mesmo recurso ao livro de texto, à repetição e à mnemônica dos conteúdos e, sobretudo, à centralidade dada aos alunos pelo professor.  Não se dão conta que os avanços na metodologia de ensino e o uso de recursos técnicos atualizados são aceitos e usados também pela catequese renovada, apesar das carências  paroquiais, inclusive o emprego do lúdico e do belo. O prazeroso é facilitador, hoje como ontem. Também com a Bíblia na catequese: o prazer da leitura dirigida ou motivada; o sentido descoberto e partilhado do texto; a aplicação prática no culto e na vida pessoal e social; a produção simbólica nas artes. Em síntese, aprende-se para usar e viver.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro