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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2018

16 de Outubro de 2018

Sinal de vida

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Sinal de vida

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12/09/2014 11:01 - Atualizado em 12/09/2014 11:39

Sinal de vida 0

12/09/2014 11:01 - Atualizado em 12/09/2014 11:39

A Festa da Exaltação da Santa Cruz está relacionada à Dedicação da Basílica Constantiniana do Santo Sepulcro. Em 326, logo após Constantino ter dado liberdade religiosa aos cristãos (325), sua mãe, Santa Helena, encontra em Jerusalém as relíquias da Santa Cruz. Logo se manda erigir no local uma Basílica, a assim chamada Basílica do Santo Sepulcro, que será consagrada nove anos depois, em 335, no dia 13 de setembro. No dia seguinte, 14 de setembro, a Santa Cruz de Cristo foi exposta para a veneração dos fiéis. Assim teve origem a festa que celebramos nesta mesma data, todos os anos.

No Oriente a Exaltação da Santa Cruz é uma grande celebração, precedida de jejum e vigília; é considerada uma festa quase tão grandiosa como aquela da Páscoa. Entre os Ocidentais ela é celebrada com menos vulto, todavia, quando cai em domingo, sempre tem a precedência sobre o mesmo, demonstrando o quanto esta festa é valiosa, também, para o nosso patrimônio espiritual.

As leituras bíblicas da Santa Missa deste dia nos levam a meditar sobre o sentido redentor da cruz de Nosso Salvador. 

A primeira leitura, um trecho do livro dos Números, nos apresenta o episódio da serpente de bronze. O povo maldiz a Deus e Deus, então, lhes manda o castigo. Serpentes aparecem no deserto e muitos são mortos. O povo clama a Deus e Deus então manda Moisés fazer uma serpente de bronze e colocá-la sobre uma haste. Todos os que, mordidos por uma serpente, olham para a serpente de bronze, ficam curados. Esta serpente de bronze é figura da cruz de Cristo. O pecado constitui para nós, seres humanos, uma espécie de “mordida de serpente”, que também nos conduz à morte. Cristo, todavia, morrendo na cruz para a nossa salvação cancelou o “veneno do pecado”. Todos os que olham para Ele ficam curados, ou seja, todos os que se voltam, cheios de fé, para a cruz do Salvador, sinal de nossa Redenção, são salvos do pecado.

A segunda leitura é um hino, provavelmente já conhecido nas comunidades da Ásia Menor, e do qual Paulo se utiliza para dar um ensinamento aos cristãos de Filipos. Deduz-se, do contexto da carta, que esta comunidade estava muito dividida. Cada um procurava o seu próprio interesse e uma comunidade assim não sobrevive por muito tempo. Paulo exorta os Filipenses à unidade, mas ele sabe que a unidade exige uma atitude de humildade. O sumo exemplo de humildade que Paulo apresenta aos Filipenses é o de Cristo, “feito obediente até a morte e morte de cruz”. Alguns estudiosos acreditam que esse final – “morte de cruz” – seja um acréscimo feito por Paulo ao hino, com o intuito de mostrar que não foi qualquer gênero de morte, mas “morte de cruz”, uma morte terrível, que justamente nos revelou a medida da humildade de Cristo: uma humildade sem medidas! E poderíamos dizer: um amor sem medida!

O hino de Fl 2,6-11 não nos revela, todavia, só aspecto do sofrimento redentor de Cristo na cruz. Esse texto nos fala, também, da glória à qual Cristo foi elevado depois da cruz. Se em Fl 2,6-8 Paulo fala do rebaixamento, do aniquilamento do nosso Salvador, em Fl 2,9-11 ele fala da sua exaltação: “Por isso”, ou seja, por causa da sua entrega na cruz, o Pai “o superexaltou”, dando-lhe o nome que é sobre “todo nome”.

O texto do evangelho proclamado hoje, nesta liturgia, confirma o que dissemos acima a respeito da primeira leitura. É o próprio Cristo que compara a sua cruz à serpente erguida na haste, no deserto. Todavia, aqui o Cristo nos revela, também, qual o motivo da crucifixão: “Deus (o Pai) amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (cf. Jo 3,16). A cruz de Cristo é o sinal mais evidente do amor do Pai por nós, porque na cruz de Cristo nós fomos salvos. A cruz é, ainda, sinal de vida, como nos diz João do seu evangelho. São Gregório Magno narra o seguinte milagre da vida de Bento, mostrando como a Tradição cristã compreendeu este mistério, da cruz como sinal de vida:

“Tomaram, pois, a resolução de colocar veneno no seu vinho. Quando, segundo costume monástico, apresentam ao Pai, que estava sentado à mesa, a taça de vidro com a bebida mortífera para ser abençoada, Bento estendeu a mão e traçou o sinal da cruz. A este gesto, a taça, que estava a certa distância dele, estalou e fez-se em pedaços, como se ao invés da cruz lhe tivesse atirado uma pedra. O homem de Deus logo compreendeu que o vaso continha uma bebida mortal, pois não pôde suportar o ‘sinal da vida’.”

Percebemos, assim, como a cruz não é compreendida como objeto de vergonha ou sinal de morte, mas como “sinal de vida”, porque nela Nosso Salvador deu a sua vida em lugar da nossa e, depois dela, ressuscitou para a nossa salvação. Celebremos esta Festa com devoção e deixando brotar de nossos lábios e coração o louvor a Deus pelo seu amor tão imenso, manifestado a nós na cruz de seu Filho.



Liturgia Dominical:

Exaltação da Santa Cruz

Nm 21,4b-9

Sl 77 (78)

Fl 2,6-11

Jo 3,13-17




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Sinal de vida

12/09/2014 11:01 - Atualizado em 12/09/2014 11:39

A Festa da Exaltação da Santa Cruz está relacionada à Dedicação da Basílica Constantiniana do Santo Sepulcro. Em 326, logo após Constantino ter dado liberdade religiosa aos cristãos (325), sua mãe, Santa Helena, encontra em Jerusalém as relíquias da Santa Cruz. Logo se manda erigir no local uma Basílica, a assim chamada Basílica do Santo Sepulcro, que será consagrada nove anos depois, em 335, no dia 13 de setembro. No dia seguinte, 14 de setembro, a Santa Cruz de Cristo foi exposta para a veneração dos fiéis. Assim teve origem a festa que celebramos nesta mesma data, todos os anos.

No Oriente a Exaltação da Santa Cruz é uma grande celebração, precedida de jejum e vigília; é considerada uma festa quase tão grandiosa como aquela da Páscoa. Entre os Ocidentais ela é celebrada com menos vulto, todavia, quando cai em domingo, sempre tem a precedência sobre o mesmo, demonstrando o quanto esta festa é valiosa, também, para o nosso patrimônio espiritual.

As leituras bíblicas da Santa Missa deste dia nos levam a meditar sobre o sentido redentor da cruz de Nosso Salvador. 

A primeira leitura, um trecho do livro dos Números, nos apresenta o episódio da serpente de bronze. O povo maldiz a Deus e Deus, então, lhes manda o castigo. Serpentes aparecem no deserto e muitos são mortos. O povo clama a Deus e Deus então manda Moisés fazer uma serpente de bronze e colocá-la sobre uma haste. Todos os que, mordidos por uma serpente, olham para a serpente de bronze, ficam curados. Esta serpente de bronze é figura da cruz de Cristo. O pecado constitui para nós, seres humanos, uma espécie de “mordida de serpente”, que também nos conduz à morte. Cristo, todavia, morrendo na cruz para a nossa salvação cancelou o “veneno do pecado”. Todos os que olham para Ele ficam curados, ou seja, todos os que se voltam, cheios de fé, para a cruz do Salvador, sinal de nossa Redenção, são salvos do pecado.

A segunda leitura é um hino, provavelmente já conhecido nas comunidades da Ásia Menor, e do qual Paulo se utiliza para dar um ensinamento aos cristãos de Filipos. Deduz-se, do contexto da carta, que esta comunidade estava muito dividida. Cada um procurava o seu próprio interesse e uma comunidade assim não sobrevive por muito tempo. Paulo exorta os Filipenses à unidade, mas ele sabe que a unidade exige uma atitude de humildade. O sumo exemplo de humildade que Paulo apresenta aos Filipenses é o de Cristo, “feito obediente até a morte e morte de cruz”. Alguns estudiosos acreditam que esse final – “morte de cruz” – seja um acréscimo feito por Paulo ao hino, com o intuito de mostrar que não foi qualquer gênero de morte, mas “morte de cruz”, uma morte terrível, que justamente nos revelou a medida da humildade de Cristo: uma humildade sem medidas! E poderíamos dizer: um amor sem medida!

O hino de Fl 2,6-11 não nos revela, todavia, só aspecto do sofrimento redentor de Cristo na cruz. Esse texto nos fala, também, da glória à qual Cristo foi elevado depois da cruz. Se em Fl 2,6-8 Paulo fala do rebaixamento, do aniquilamento do nosso Salvador, em Fl 2,9-11 ele fala da sua exaltação: “Por isso”, ou seja, por causa da sua entrega na cruz, o Pai “o superexaltou”, dando-lhe o nome que é sobre “todo nome”.

O texto do evangelho proclamado hoje, nesta liturgia, confirma o que dissemos acima a respeito da primeira leitura. É o próprio Cristo que compara a sua cruz à serpente erguida na haste, no deserto. Todavia, aqui o Cristo nos revela, também, qual o motivo da crucifixão: “Deus (o Pai) amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (cf. Jo 3,16). A cruz de Cristo é o sinal mais evidente do amor do Pai por nós, porque na cruz de Cristo nós fomos salvos. A cruz é, ainda, sinal de vida, como nos diz João do seu evangelho. São Gregório Magno narra o seguinte milagre da vida de Bento, mostrando como a Tradição cristã compreendeu este mistério, da cruz como sinal de vida:

“Tomaram, pois, a resolução de colocar veneno no seu vinho. Quando, segundo costume monástico, apresentam ao Pai, que estava sentado à mesa, a taça de vidro com a bebida mortífera para ser abençoada, Bento estendeu a mão e traçou o sinal da cruz. A este gesto, a taça, que estava a certa distância dele, estalou e fez-se em pedaços, como se ao invés da cruz lhe tivesse atirado uma pedra. O homem de Deus logo compreendeu que o vaso continha uma bebida mortal, pois não pôde suportar o ‘sinal da vida’.”

Percebemos, assim, como a cruz não é compreendida como objeto de vergonha ou sinal de morte, mas como “sinal de vida”, porque nela Nosso Salvador deu a sua vida em lugar da nossa e, depois dela, ressuscitou para a nossa salvação. Celebremos esta Festa com devoção e deixando brotar de nossos lábios e coração o louvor a Deus pelo seu amor tão imenso, manifestado a nós na cruz de seu Filho.



Liturgia Dominical:

Exaltação da Santa Cruz

Nm 21,4b-9

Sl 77 (78)

Fl 2,6-11

Jo 3,13-17




Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida