Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/03/2017

28 de Março de 2017

Importância do seminário

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31/08/2014 00:00 - Atualizado em 02/09/2014 15:03

Importância do seminário 0

31/08/2014 00:00 - Atualizado em 02/09/2014 15:03

 Seminário significa sementeira. Semeadura de vocações sacerdotais. É meio institucional educativo de formação e de educação, remota e imediata dos futuros padres. Por extensão, de bispos a serviço do Povo de Deus.  Além da seleção dos candidatos, tem como objetivo a formação intelectual, espiritual e pastoral dos mesmos. Em síntese, esta é a importância do seminário.

 Entretanto, é preciso situá-lo na sua origem tridentina, no contexto eclesial e social daquela época de mudanças profundas e incontroláveis contra o regime da cristandade, único até então conhecido. Parecia urgente aos bispos e ao Papa reformar a Igreja “na cabeça e nos membros”, como se dizia e como advertiam e solicitavam homens e mulheres, santos e santas, que sentiam e sofriam com a situação da Igreja. Precisava de instituição formativa que fosse sólida, permanente e universal para os nobres fins propostos. No parecer comum, sem o seminário não seria possível sacerdotes virtuosos, santos e abnegados, voltados somente para sua missão pastoral e santificadora.

 Dentro desta perspectiva, tratava-se não de contrarreforma, como ainda se diz em livros de História, para enfrentar o perigo e o aumento do protestantismo, mas de reforma católica autêntica e pertinente. A tão desejada e, em grande parte, já empreendida por fundadores de ordens e de congregações religiosas, masculinas e femininas. Muito devemos a eles e à aplicação do Concílio de Trento, o que equivale dizer à ereção de seminários menores e maiores para a formação do clero.

 Além dos apelos internos, havia as pressões externas, ou seja, a política e o interesse dos príncipes e reis, e as rupturas dolorosas causadas pelo protestantismo devastador. Logo mais tarde, também pelo anglicanismo. Quase que de surpresa e de impacto, se não considerarmos as causas remotas internas, rompera-se a unidade eclesial e social e política e econômica da cristandade. As mudanças rápidas e violentas tiveram desdobramentos dramáticos. Geraram disputas fratricidas e lutas religiosas, inclusive no campo da interpretação das Escrituras e da fé. Parecia o caos, solapando a ordem. A “túnica inconsútil” do Salvador, mais uma vez, era lançada no jogo de interesses para ver com quem ficava alguma parte, interesses mundanos misturados aos de genuína purificação.

 No Brasil, devido ao regime do padroado a unir a Igreja ao Império, o protestantismo não vingou desde a colonização. Entretanto, a reforma tridentina só entrou de cheio com a proclamação da República pela separação da Igreja e do Estado. Veio com atraso. Significa que o clero da colônia e do império não era formado, segundo os ideais da reforma católica. Faltavam seminários que respondessem às necessidades. Os padres entregavam-se ao ministério, após sucinto e talvez defeituoso estágio de preparação, no paço episcopal ou junto a um sacerdote. A preparação intelectual acontecia em colégios dos jesuítas que, como sabemos, eles foram expulsos pelo Marquês de Pombal.  Só os que vinham de famílias abastadas estudavam na Universidade de Coimbra. Além disso, faltava programa de estudos, experiência pastoral e formação do caráter e da vontade.

 Portanto, a importância da fundação do Seminário do Rio de Janeiro, o primeiro do Brasil, explica-se igualmente pelo contexto nacional e internacional da época. Não só por sua nobre finalidade. Havia ainda desestímulos, entre os quais a falta de recursos humanos e financeiros. Havia a extensão diocesana, entregue a um bispo só com poucos padres: o litoral brasileiro, desde a Bahia até os confins do Rio da Prata.

 Dom Frei Antônio de Guadalupe, OFM, quarto bispo da Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, enfrentou tamanhas dificuldades ao fundar o Seminário São José.  Portanto, com o Seminário celebramos não só o passado em tantos anos. Celebramos o presente. Celebramos o futuro que vem chegando. A recordação é festiva e agradecida. Também empenhadora diante do legado desafiador de formar e educar sacerdotes, para o mundo contemporâneo, no espírito renovador e dialogante do Concílio Ecumênico Vaticano II. Com a graça de Deus e o estímulo da história!

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Importância do seminário

31/08/2014 00:00 - Atualizado em 02/09/2014 15:03

 Seminário significa sementeira. Semeadura de vocações sacerdotais. É meio institucional educativo de formação e de educação, remota e imediata dos futuros padres. Por extensão, de bispos a serviço do Povo de Deus.  Além da seleção dos candidatos, tem como objetivo a formação intelectual, espiritual e pastoral dos mesmos. Em síntese, esta é a importância do seminário.

 Entretanto, é preciso situá-lo na sua origem tridentina, no contexto eclesial e social daquela época de mudanças profundas e incontroláveis contra o regime da cristandade, único até então conhecido. Parecia urgente aos bispos e ao Papa reformar a Igreja “na cabeça e nos membros”, como se dizia e como advertiam e solicitavam homens e mulheres, santos e santas, que sentiam e sofriam com a situação da Igreja. Precisava de instituição formativa que fosse sólida, permanente e universal para os nobres fins propostos. No parecer comum, sem o seminário não seria possível sacerdotes virtuosos, santos e abnegados, voltados somente para sua missão pastoral e santificadora.

 Dentro desta perspectiva, tratava-se não de contrarreforma, como ainda se diz em livros de História, para enfrentar o perigo e o aumento do protestantismo, mas de reforma católica autêntica e pertinente. A tão desejada e, em grande parte, já empreendida por fundadores de ordens e de congregações religiosas, masculinas e femininas. Muito devemos a eles e à aplicação do Concílio de Trento, o que equivale dizer à ereção de seminários menores e maiores para a formação do clero.

 Além dos apelos internos, havia as pressões externas, ou seja, a política e o interesse dos príncipes e reis, e as rupturas dolorosas causadas pelo protestantismo devastador. Logo mais tarde, também pelo anglicanismo. Quase que de surpresa e de impacto, se não considerarmos as causas remotas internas, rompera-se a unidade eclesial e social e política e econômica da cristandade. As mudanças rápidas e violentas tiveram desdobramentos dramáticos. Geraram disputas fratricidas e lutas religiosas, inclusive no campo da interpretação das Escrituras e da fé. Parecia o caos, solapando a ordem. A “túnica inconsútil” do Salvador, mais uma vez, era lançada no jogo de interesses para ver com quem ficava alguma parte, interesses mundanos misturados aos de genuína purificação.

 No Brasil, devido ao regime do padroado a unir a Igreja ao Império, o protestantismo não vingou desde a colonização. Entretanto, a reforma tridentina só entrou de cheio com a proclamação da República pela separação da Igreja e do Estado. Veio com atraso. Significa que o clero da colônia e do império não era formado, segundo os ideais da reforma católica. Faltavam seminários que respondessem às necessidades. Os padres entregavam-se ao ministério, após sucinto e talvez defeituoso estágio de preparação, no paço episcopal ou junto a um sacerdote. A preparação intelectual acontecia em colégios dos jesuítas que, como sabemos, eles foram expulsos pelo Marquês de Pombal.  Só os que vinham de famílias abastadas estudavam na Universidade de Coimbra. Além disso, faltava programa de estudos, experiência pastoral e formação do caráter e da vontade.

 Portanto, a importância da fundação do Seminário do Rio de Janeiro, o primeiro do Brasil, explica-se igualmente pelo contexto nacional e internacional da época. Não só por sua nobre finalidade. Havia ainda desestímulos, entre os quais a falta de recursos humanos e financeiros. Havia a extensão diocesana, entregue a um bispo só com poucos padres: o litoral brasileiro, desde a Bahia até os confins do Rio da Prata.

 Dom Frei Antônio de Guadalupe, OFM, quarto bispo da Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, enfrentou tamanhas dificuldades ao fundar o Seminário São José.  Portanto, com o Seminário celebramos não só o passado em tantos anos. Celebramos o presente. Celebramos o futuro que vem chegando. A recordação é festiva e agradecida. Também empenhadora diante do legado desafiador de formar e educar sacerdotes, para o mundo contemporâneo, no espírito renovador e dialogante do Concílio Ecumênico Vaticano II. Com a graça de Deus e o estímulo da história!

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro