Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 10/12/2018

10 de Dezembro de 2018

Sacrifício: Tornar Sagrado

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10 de Dezembro de 2018

Sacrifício: Tornar Sagrado

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31/08/2014 00:00

Sacrifício: Tornar Sagrado 0

31/08/2014 00:00

Sacrifício: Tornar Sagrado / Arqrio

A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

A liturgia, bênção do Pai descida sobre nós[1] e louvor da assembleia ao Pai, pelo Filho, no Espírito[2], é o lugar onde saciamos nossa sede do Eterno. Celebrando a Eucaristia, nós nos unimos ao sacrifício único e redentor de Cristo e permitimos que se realize em nós o que nos diz hoje a segunda leitura.

São Paulo, nestes dois primeiros versículos do capítulo 12 da carta aos Romanos, exorta os cristãos a um “culto espiritual”. Este consiste em fazer da própria vida um “sacrifício vivo”. Mas como fazer da própria vida um “sacrifício vivo”? Penso que, antes de tudo, é necessário entender o que significa a palavra “sacrifício”. Oriundo do latim sacrum facere ou efficere, o termo “sacrifício” significa tornar algo sagrado ou separado. A nossa vida deve ser “separada” para Deus. São Paulo nos indica como fazer isso em Rm 12,2. Nossa vida se torna “sacrifício vivo” quando não nos “conformarmos” com o mundo, ou seja, quando não entramos na sua “forma de pensar”, mas deixamos que entre em nós a forma de “pensar e julgar” própria de Deus.

Esta “transformação” deve se dar não só em nível intelectual. A celebração cristã, lugar próprio do Espírito, é onde de maneira muito particular ocorre essa “transformação”. Deixando-nos atingir pela palavra e pelos sinais sacramentais vamos sendo “cristificados”, vamos sendo transformados n’Aquele que celebramos. A Eucaristia dominical se torna, então, momento privilegiado de deixar que esta palavra que hoje recebemos na segunda leitura e realize em nós.

O Evangelho deste domingo, coração dessa liturgia da Palavra, nos apresenta o anúncio que Jesus faz da sua paixão. Depois de perguntar aos discípulos que Ele é para eles e depois de receber a profissão de fé de Pedro, no Evangelho que ouvimos no último domingo, encontramos hoje o Senhor anunciando aos seus o mistério da sua paixão. Poderíamos estruturar da seguinte forma a perícope evangélica desse domingo:

v. 21: anúncio da Paixão

v. 22: Incompreensão de Pedro

v. 23: Exortação de Jesus a Pedro

vv. 24-26: Condições do discipulado

v. 27: dito escatológico

O mesmo Pedro que confessa que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo, agora aqui não entende a messianidade de Jesus. Pedro tem ainda em sua mente o modelo judaico de Messias. Por isso ele toma a frente do mestre e quer indicar a Jesus qual caminho Ele deve tomar: ...Pedro tomou Jesus a parte e começou a repreendê-lo... (cf. v. 22). Jesus coloca, então, Pedro no seu lugar de discípulo. O dito severo de Jesus: “Vai para trás de mim, Pedro!” e não “Vai para longe” como encontramos em muitas traduções, mostra que Jesus quer fazer Pedro voltar ao seu lugar de ovelha: atrás do mestre. Pedro será mestre, mas não de Jesus. De Jesus, Pedro será sempre ovelha. Por isso, ele deve “voltar para trás” e aprender com o Mestre qual caminho trilhar.

Nos versículos seguintes (24-26) Jesus vai apresentar quais são as condições exigidas para ser seu discípulo:

  1. Renunciar a si mesmo;
  2. Tomar a sua cruz;
  3. Segui-lo;
  4. Estar disposto a perder a vida.

O discípulo de Cristo deve ser alguém que carrega sua cruz junto com Cristo. Quem quer ganhar a sua vida aqui nesse mundo, vai perde-la. Quem oferece felicidade e realização nesse mundo não é Jesus, mas sim o diabo, como vemos nas passagens da tentação que encontramos nos três sinóticos. Jesus fala da necessidade de “perder a sua vida”, ou seja, de ter a coragem de renunciar ao que esse mundo pode oferecer a fim de abraçar o único necessário: Cristo e sua Palavra.

O que motiva essa entrega apaixonada a Cristo e a capacidade de renunciar a si mesmo por causa d’Ele é a certeza da recompensa futura. Essa promessa vem expressa no v. 27, onde Cristo promete vir na “glória do Pai” para retribuir a cada um segundo duas obras.

Muitas vezes vivemos a tentação de Jeremias na primeira leitura. Diante das dificuldades no apostolado queremos fugir. Quando não somos aceitos ou acolhidos por causa de Cristo, queremos dizer como disse Jeremias: “...a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e chacota o dia inteiro” (cf. Jr 20,8). Todavia, ao mesmo tempo, por graça do Espírito, também surge em nós um “fogo ardente” e nós acabamos nos deixando “seduzir” novamente pelo Senhor.

Que essa Eucaristia seja um clamor ao Pai a fim de que nunca nos falte o fogo do Espírito, esse “fogo ardente” que, derretendo o gelo das decepções e do cansaço, nos abre de novo ao amor do Senhor a fim de que, mais uma vez, nos deixemos seduzir por ele.


[1] Cf. Ef 1

[2] Cf. Puebla 917


Liturgia Dominical: 

Jr 20,7-9

Sl 62 (63)

Rm 12,1-2

Mt 16,21-27

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Sacrifício: Tornar Sagrado / Arqrio

Sacrifício: Tornar Sagrado

31/08/2014 00:00

A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

A liturgia, bênção do Pai descida sobre nós[1] e louvor da assembleia ao Pai, pelo Filho, no Espírito[2], é o lugar onde saciamos nossa sede do Eterno. Celebrando a Eucaristia, nós nos unimos ao sacrifício único e redentor de Cristo e permitimos que se realize em nós o que nos diz hoje a segunda leitura.

São Paulo, nestes dois primeiros versículos do capítulo 12 da carta aos Romanos, exorta os cristãos a um “culto espiritual”. Este consiste em fazer da própria vida um “sacrifício vivo”. Mas como fazer da própria vida um “sacrifício vivo”? Penso que, antes de tudo, é necessário entender o que significa a palavra “sacrifício”. Oriundo do latim sacrum facere ou efficere, o termo “sacrifício” significa tornar algo sagrado ou separado. A nossa vida deve ser “separada” para Deus. São Paulo nos indica como fazer isso em Rm 12,2. Nossa vida se torna “sacrifício vivo” quando não nos “conformarmos” com o mundo, ou seja, quando não entramos na sua “forma de pensar”, mas deixamos que entre em nós a forma de “pensar e julgar” própria de Deus.

Esta “transformação” deve se dar não só em nível intelectual. A celebração cristã, lugar próprio do Espírito, é onde de maneira muito particular ocorre essa “transformação”. Deixando-nos atingir pela palavra e pelos sinais sacramentais vamos sendo “cristificados”, vamos sendo transformados n’Aquele que celebramos. A Eucaristia dominical se torna, então, momento privilegiado de deixar que esta palavra que hoje recebemos na segunda leitura e realize em nós.

O Evangelho deste domingo, coração dessa liturgia da Palavra, nos apresenta o anúncio que Jesus faz da sua paixão. Depois de perguntar aos discípulos que Ele é para eles e depois de receber a profissão de fé de Pedro, no Evangelho que ouvimos no último domingo, encontramos hoje o Senhor anunciando aos seus o mistério da sua paixão. Poderíamos estruturar da seguinte forma a perícope evangélica desse domingo:

v. 21: anúncio da Paixão

v. 22: Incompreensão de Pedro

v. 23: Exortação de Jesus a Pedro

vv. 24-26: Condições do discipulado

v. 27: dito escatológico

O mesmo Pedro que confessa que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo, agora aqui não entende a messianidade de Jesus. Pedro tem ainda em sua mente o modelo judaico de Messias. Por isso ele toma a frente do mestre e quer indicar a Jesus qual caminho Ele deve tomar: ...Pedro tomou Jesus a parte e começou a repreendê-lo... (cf. v. 22). Jesus coloca, então, Pedro no seu lugar de discípulo. O dito severo de Jesus: “Vai para trás de mim, Pedro!” e não “Vai para longe” como encontramos em muitas traduções, mostra que Jesus quer fazer Pedro voltar ao seu lugar de ovelha: atrás do mestre. Pedro será mestre, mas não de Jesus. De Jesus, Pedro será sempre ovelha. Por isso, ele deve “voltar para trás” e aprender com o Mestre qual caminho trilhar.

Nos versículos seguintes (24-26) Jesus vai apresentar quais são as condições exigidas para ser seu discípulo:

  1. Renunciar a si mesmo;
  2. Tomar a sua cruz;
  3. Segui-lo;
  4. Estar disposto a perder a vida.

O discípulo de Cristo deve ser alguém que carrega sua cruz junto com Cristo. Quem quer ganhar a sua vida aqui nesse mundo, vai perde-la. Quem oferece felicidade e realização nesse mundo não é Jesus, mas sim o diabo, como vemos nas passagens da tentação que encontramos nos três sinóticos. Jesus fala da necessidade de “perder a sua vida”, ou seja, de ter a coragem de renunciar ao que esse mundo pode oferecer a fim de abraçar o único necessário: Cristo e sua Palavra.

O que motiva essa entrega apaixonada a Cristo e a capacidade de renunciar a si mesmo por causa d’Ele é a certeza da recompensa futura. Essa promessa vem expressa no v. 27, onde Cristo promete vir na “glória do Pai” para retribuir a cada um segundo duas obras.

Muitas vezes vivemos a tentação de Jeremias na primeira leitura. Diante das dificuldades no apostolado queremos fugir. Quando não somos aceitos ou acolhidos por causa de Cristo, queremos dizer como disse Jeremias: “...a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e chacota o dia inteiro” (cf. Jr 20,8). Todavia, ao mesmo tempo, por graça do Espírito, também surge em nós um “fogo ardente” e nós acabamos nos deixando “seduzir” novamente pelo Senhor.

Que essa Eucaristia seja um clamor ao Pai a fim de que nunca nos falte o fogo do Espírito, esse “fogo ardente” que, derretendo o gelo das decepções e do cansaço, nos abre de novo ao amor do Senhor a fim de que, mais uma vez, nos deixemos seduzir por ele.


[1] Cf. Ef 1

[2] Cf. Puebla 917


Liturgia Dominical: 

Jr 20,7-9

Sl 62 (63)

Rm 12,1-2

Mt 16,21-27

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida