Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/10/2018

15 de Outubro de 2018

"Tudo é dele, por ele e para ele"

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15 de Outubro de 2018

"Tudo é dele, por ele e para ele"

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24/08/2014 00:00

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“Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias.”

Reunidos neste domingo para celebrar nesta Eucaristia o “Dia do Senhor” estamos repletos da alegria do Espírito Santo. Repletos da alegria do Espírito Santo porque estamos celebrando este dia “feito para nós pelo Senhor” como nos diz o Salmo 117 (118), onde ouvimos com o coração atento a Sua Palavra e onde somos alimentados pelo Corpo e Sangue do Cristo, alimento de vida eterna para nós que cremos.

Poderíamos começar a nossa reflexão de hoje voltando o nosso olhar para a oração coleta desta Eucaristia. Nesta oração coleta o sacerdote reúne todas as intenções que estão nos corações dos fiéis e as apresenta ao Pai suplicando em seu favor e em favor do povo dons e graças. Hoje, na oração coleta desta missa, reconhecemos que Deus une os nossos corações “num só desejo”. O desejo que nos unifica, que une os nossos corações é o desejo pelo próprio Deus, pelo infinito. Somos repletos desse desejo do infinito, desse desejo de Deus. Esse é o nosso desejo comum e por isso os nossos corações estão unidos. A nós, que pelo desejo estamos unidos, o Senhor propõe duas atitudes e hoje nós suplicamos que elas se realizem na nossa vida: “dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis”. “Amar o que ordenais” e “esperar o que prometeis”. Estas são duas atitudes fundamentais na vida do cristão.

Primeiro, precisamos amar os mandamentos. O que o Senhor nos ordena fazer pela sua Palavra não é um peso. Os mandamentos não são um jugo pesado, ao contrário, eles são o “fardo leve” que Cristo nos propõe. Os mandamentos são leves, porque eles nos libertam do verdadeiro jugo que é o pecado. Por isso devemos amar os mandamentos, pois eles nos indicam o “caminho para a vida”. Amando os mandamentos, devemos “esperar” o que Deus nos promete. O Senhor nos promete a vida eterna. Cada domingo é como que uma antecipação do céu, daquilo o que gozaremos na vida eterna. Em cada domingo entramos na Igreja, que é reflexo da Jerusalém do Alto. Em cada domingo nos reunimos em torno da mesa da Palavra e aqui Deus nos fala, como nos falará também face a face em seu Reino. Em cada domingo nós nos reunimos em torno dessa mesa, do grande banquete que o Senhor prepara para nós. Este banquete dominical é uma imagem do grande banquete preparado para nós nos céus pelo Senhor. O domingo então deve reavivar a nossa esperança naquilo o que o Senhor promete para nós: a vida eterna com Ele em seu Reino que não terá fim.

Por fim, reconhecemos que o mundo no qual vivemos é instável e por isso devemos fixar o nosso coração naquilo o que é estável, em Deus e na sua Palavra que nos aponta o caminho da verdadeira alegria.

O Cristo é o único que corresponde à essa sede de infinito que o homem possui dentro de si. Só Ele tem “palavras de vida eterna”. Pedro reconheceu isso. Em Jo 6,68, quando Jesus pronuncia aquele grande discurso a respeito do pão da vida no qual diz ser necessário comer a sua carne e beber o seu sangue para ter comunhão com Ele, muitos foram embora, pois diziam que a Palavra de Cristo era muito dura. Jesus se volta então aos discípulos e diz: E vós, não quereis também ir embora? Pedro diz: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus.” (cf. Jo 6,68) Pedro é iluminado pelo Espírito para dar a Cristo esta resposta. É algo semelhante ao que temos no Evangelho que acabamos de ouvir, este trecho do capítulo 16 de Mateus. Cristo, doador da vida eterna, se coloca diante dos discípulos e interroga-os a respeito do que andam dizendo dele os homens. Os discípulos afirmam que a opinião da multidão diverge. Para alguns ele é Elias, para outros, João Batista e, para outros ainda, ele é algum dos profetas. Jesus lança então sua pergunta ao coração dos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” É Pedro quem, representando os doze, toma a frente e responde com fé firme: “Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo.”

Jesus reconhece a firmeza e a clareza da fé de Pedro e afirma que somente uma revelação do Pai poderia dar a conhecer tal realidade: Jesus é o Messias, o Filho do Deus Vivo. Não foi a carne e o sangue que revelaram isso a Pedro. Não se trata de uma sabedoria humana, mas de uma intervenção do Pai que ilumina Pedro, para que Ele compreenda com clareza quem é o Cristo. Jesus dá a Pedro então um novo título, um novo nome, Pedro, Rocha, fundamento visível sobre o qual Cristo deseja edificar a sua Igreja. A Igreja de Cristo é edificada sobre Pedro, cuja confissão de fé se mostrou firme e clara. Pedro recebe o poder das chaves, ou seja, ele é colocado como o guarda da Igreja, como aquele que é o responsável pela Igreja de Cristo na terra. A primeira leitura, que nos fala da substituição de Sobna por Eliacim como guarda da casa real, nos mostra bem o que significava na Escritura do Antigo Testamento deter as chaves. Significava ter plenos poderes sobre a casa. Cristo dá a Pedro e a seus sucessores, o poder das chaves, o governo da sua Igreja na terra, o poder de ligar e desligar, ou seja, o poder de introduzir ou de excluir da comunhão no Corpo de Cristo. Cristo confirma o poder de Pedro na terra e no céu. Olhando o ministério de Pedro hoje, ainda confirmando a fé dos irmãos (cf. Lc 22,32), nós vemos como Deus é fiel às suas promessas e como Ele conserva a Igreja firme, ainda que no meio de tantas tempestades, a fim de que as portas do inferno não prevaleçam contra ela.

A pergunta de Cristo aos discípulos no Evangelho deste domingo também se dirige a nós que participamos desta Eucaristia. Jesus nos pergunta: “E vós, quem dizes que eu sou?” Quem é Cristo para nós? Esta é uma pergunta que devemos nos fazer todos os dias. Cristo não é um mero milagreiro nem um solucionador de problemas. Cristo não é um “espírito de luz”. Cristo é o Messias, o Salvador, o filho de Deus Vivo, Deus com o Pai, Senhor da nossa vida. Precisamos, como Pedro, ter um encontro pessoal com Cristo, para que possamos também responder a essa pergunta que Cristo nos faz de maneira pessoal, tendo experimentado o seu amor e a sua presença poderosa na nossa vida.

O Pai, que nos deu Seu Filho, Cristo que é o nosso Deus, tem caminhos e juízos para nós que são inescrutáveis e impenetráveis, como nos diz São Paulo na segunda leitura. Mas, como afirma o salmo, ele sempre faz em nosso favor “muito mais do que promete”.

Sabemos que “tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória para sempre.” Tudo é dele, por ele e para ele. Nós somos dele, por ele e para ele. Às vezes parece que a nossa vida está afundando como um barco no meio de um mar agitado. Nossa visão às vezes se turva. Os problemas chegam a causar vertigens em nós. Mas aí nos lembramos dessa Palavra de Deus para nós: “Tudo é dele, por ele e para ele.” Nós somos dele, por ele e para ele. A Ele a glória para sempre. Entreguemos nas mãos dele, do Pai, tudo o que somos. Façamos da nossa vida um grande hino de louvor a Deus. Daqui a pouco, na doxologia final da oração eucarística, o sacerdote vai oferecer ao Pai o Corpo e o Sangue do Cristo, proclamando que por Cristo, com Cristo e em Cristo, na força do Espírito Santo toda a glória deve ser dada ao Pai. Ofereçamos naquela patena e naquele cálice a nossa vida ao Pai. Coloquemos ali nossa existência, nossas falências, nossas glórias e fracassos, para que tudo por Cristo, e na força do Espírito seja apresentado ao Pai como oferta de louvor. E Ele, o Pai que tudo transfigura e que a seu Filho ressuscitou dos mortos, também transfigurará a nossa dor e nos ressuscitará, já agora no Espírito nos dando vida e depois dando-nos a vida imortal que está reservada para nós em seu Reino.

Liturgia Dominical:

Is 22, 19-23

Sl 137 (138)

Rm 11,33-36

Mt 16,13-20

 

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“Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias.”

Reunidos neste domingo para celebrar nesta Eucaristia o “Dia do Senhor” estamos repletos da alegria do Espírito Santo. Repletos da alegria do Espírito Santo porque estamos celebrando este dia “feito para nós pelo Senhor” como nos diz o Salmo 117 (118), onde ouvimos com o coração atento a Sua Palavra e onde somos alimentados pelo Corpo e Sangue do Cristo, alimento de vida eterna para nós que cremos.

Poderíamos começar a nossa reflexão de hoje voltando o nosso olhar para a oração coleta desta Eucaristia. Nesta oração coleta o sacerdote reúne todas as intenções que estão nos corações dos fiéis e as apresenta ao Pai suplicando em seu favor e em favor do povo dons e graças. Hoje, na oração coleta desta missa, reconhecemos que Deus une os nossos corações “num só desejo”. O desejo que nos unifica, que une os nossos corações é o desejo pelo próprio Deus, pelo infinito. Somos repletos desse desejo do infinito, desse desejo de Deus. Esse é o nosso desejo comum e por isso os nossos corações estão unidos. A nós, que pelo desejo estamos unidos, o Senhor propõe duas atitudes e hoje nós suplicamos que elas se realizem na nossa vida: “dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis”. “Amar o que ordenais” e “esperar o que prometeis”. Estas são duas atitudes fundamentais na vida do cristão.

Primeiro, precisamos amar os mandamentos. O que o Senhor nos ordena fazer pela sua Palavra não é um peso. Os mandamentos não são um jugo pesado, ao contrário, eles são o “fardo leve” que Cristo nos propõe. Os mandamentos são leves, porque eles nos libertam do verdadeiro jugo que é o pecado. Por isso devemos amar os mandamentos, pois eles nos indicam o “caminho para a vida”. Amando os mandamentos, devemos “esperar” o que Deus nos promete. O Senhor nos promete a vida eterna. Cada domingo é como que uma antecipação do céu, daquilo o que gozaremos na vida eterna. Em cada domingo entramos na Igreja, que é reflexo da Jerusalém do Alto. Em cada domingo nos reunimos em torno da mesa da Palavra e aqui Deus nos fala, como nos falará também face a face em seu Reino. Em cada domingo nós nos reunimos em torno dessa mesa, do grande banquete que o Senhor prepara para nós. Este banquete dominical é uma imagem do grande banquete preparado para nós nos céus pelo Senhor. O domingo então deve reavivar a nossa esperança naquilo o que o Senhor promete para nós: a vida eterna com Ele em seu Reino que não terá fim.

Por fim, reconhecemos que o mundo no qual vivemos é instável e por isso devemos fixar o nosso coração naquilo o que é estável, em Deus e na sua Palavra que nos aponta o caminho da verdadeira alegria.

O Cristo é o único que corresponde à essa sede de infinito que o homem possui dentro de si. Só Ele tem “palavras de vida eterna”. Pedro reconheceu isso. Em Jo 6,68, quando Jesus pronuncia aquele grande discurso a respeito do pão da vida no qual diz ser necessário comer a sua carne e beber o seu sangue para ter comunhão com Ele, muitos foram embora, pois diziam que a Palavra de Cristo era muito dura. Jesus se volta então aos discípulos e diz: E vós, não quereis também ir embora? Pedro diz: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus.” (cf. Jo 6,68) Pedro é iluminado pelo Espírito para dar a Cristo esta resposta. É algo semelhante ao que temos no Evangelho que acabamos de ouvir, este trecho do capítulo 16 de Mateus. Cristo, doador da vida eterna, se coloca diante dos discípulos e interroga-os a respeito do que andam dizendo dele os homens. Os discípulos afirmam que a opinião da multidão diverge. Para alguns ele é Elias, para outros, João Batista e, para outros ainda, ele é algum dos profetas. Jesus lança então sua pergunta ao coração dos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” É Pedro quem, representando os doze, toma a frente e responde com fé firme: “Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo.”

Jesus reconhece a firmeza e a clareza da fé de Pedro e afirma que somente uma revelação do Pai poderia dar a conhecer tal realidade: Jesus é o Messias, o Filho do Deus Vivo. Não foi a carne e o sangue que revelaram isso a Pedro. Não se trata de uma sabedoria humana, mas de uma intervenção do Pai que ilumina Pedro, para que Ele compreenda com clareza quem é o Cristo. Jesus dá a Pedro então um novo título, um novo nome, Pedro, Rocha, fundamento visível sobre o qual Cristo deseja edificar a sua Igreja. A Igreja de Cristo é edificada sobre Pedro, cuja confissão de fé se mostrou firme e clara. Pedro recebe o poder das chaves, ou seja, ele é colocado como o guarda da Igreja, como aquele que é o responsável pela Igreja de Cristo na terra. A primeira leitura, que nos fala da substituição de Sobna por Eliacim como guarda da casa real, nos mostra bem o que significava na Escritura do Antigo Testamento deter as chaves. Significava ter plenos poderes sobre a casa. Cristo dá a Pedro e a seus sucessores, o poder das chaves, o governo da sua Igreja na terra, o poder de ligar e desligar, ou seja, o poder de introduzir ou de excluir da comunhão no Corpo de Cristo. Cristo confirma o poder de Pedro na terra e no céu. Olhando o ministério de Pedro hoje, ainda confirmando a fé dos irmãos (cf. Lc 22,32), nós vemos como Deus é fiel às suas promessas e como Ele conserva a Igreja firme, ainda que no meio de tantas tempestades, a fim de que as portas do inferno não prevaleçam contra ela.

A pergunta de Cristo aos discípulos no Evangelho deste domingo também se dirige a nós que participamos desta Eucaristia. Jesus nos pergunta: “E vós, quem dizes que eu sou?” Quem é Cristo para nós? Esta é uma pergunta que devemos nos fazer todos os dias. Cristo não é um mero milagreiro nem um solucionador de problemas. Cristo não é um “espírito de luz”. Cristo é o Messias, o Salvador, o filho de Deus Vivo, Deus com o Pai, Senhor da nossa vida. Precisamos, como Pedro, ter um encontro pessoal com Cristo, para que possamos também responder a essa pergunta que Cristo nos faz de maneira pessoal, tendo experimentado o seu amor e a sua presença poderosa na nossa vida.

O Pai, que nos deu Seu Filho, Cristo que é o nosso Deus, tem caminhos e juízos para nós que são inescrutáveis e impenetráveis, como nos diz São Paulo na segunda leitura. Mas, como afirma o salmo, ele sempre faz em nosso favor “muito mais do que promete”.

Sabemos que “tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória para sempre.” Tudo é dele, por ele e para ele. Nós somos dele, por ele e para ele. Às vezes parece que a nossa vida está afundando como um barco no meio de um mar agitado. Nossa visão às vezes se turva. Os problemas chegam a causar vertigens em nós. Mas aí nos lembramos dessa Palavra de Deus para nós: “Tudo é dele, por ele e para ele.” Nós somos dele, por ele e para ele. A Ele a glória para sempre. Entreguemos nas mãos dele, do Pai, tudo o que somos. Façamos da nossa vida um grande hino de louvor a Deus. Daqui a pouco, na doxologia final da oração eucarística, o sacerdote vai oferecer ao Pai o Corpo e o Sangue do Cristo, proclamando que por Cristo, com Cristo e em Cristo, na força do Espírito Santo toda a glória deve ser dada ao Pai. Ofereçamos naquela patena e naquele cálice a nossa vida ao Pai. Coloquemos ali nossa existência, nossas falências, nossas glórias e fracassos, para que tudo por Cristo, e na força do Espírito seja apresentado ao Pai como oferta de louvor. E Ele, o Pai que tudo transfigura e que a seu Filho ressuscitou dos mortos, também transfigurará a nossa dor e nos ressuscitará, já agora no Espírito nos dando vida e depois dando-nos a vida imortal que está reservada para nós em seu Reino.

Liturgia Dominical:

Is 22, 19-23

Sl 137 (138)

Rm 11,33-36

Mt 16,13-20

 

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida