Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2019

19 de Agosto de 2019

Maria: Modelo do que a Igreja virá a ser

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19 de Agosto de 2019

Maria: Modelo do que a Igreja virá a ser

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17/08/2014 00:00

Maria: Modelo do que a Igreja virá a ser 0

17/08/2014 00:00

Resplendente de beleza, fulgurante como a aurora. Ó Filha de Sião, vós subistes para os céus

A Igreja celebra, no dia de 15 agosto, a Solenidade da Assunção da Virgem Maria. No Brasil, para que o povo possa tomar parte nessa solenidade, sobretudo participando da celebração eucarística, ela é sempre transferida para o domingo subsequente.

Dos quatro dogmas marianos – a maternidade divina; a virgindade perpétua; a imaculada conceição e a assunção – este foi o último a ser proclamado. De fato, ele foi definido pelo Papa Pio XII, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, de 1º de novembro de 1950.

É importante ressaltar que a proclamação de um dogma torna definitiva uma questão de fé que já estava latente na vida da Igreja. Assim sendo, na citada constituição apostólica, o Santo Padre o Papa Pio XII apresenta as razões de ordem pastoral e os fundamentos, quer escriturísticos, quer teológicos desenvolvidos durante a história da Igreja, que o levaram a definir solenemente este quarto dogma mariano e que constituem como que a sua base.

Do ponto de vista escriturístico, o Papa Pio XII observa no número 38 da constituição apostólica que, segundo as Escrituras, Maria é apresentada como “extremamente unida ao seu Filho, e sempre participante da sua sorte. Pelo que parece quase que impossível contemplar aquela que concebeu, deu à luz, alimentou com o seu leite, a Cristo, e o teve nos braços e apertou contra o peito, estivesse agora, depois da vida terrestre, separada dele, se não quanto à alma, ao menos quanto ao corpo. O nosso Redentor é também filho de Maria; e como observador perfeitíssimo da lei divina não podia deixar de honrar a sua mãe amantíssima logo depois do Eterno Pai. E podendo ele adorná-la com tamanha honra, preservando-a da corrupção do sepulcro, deve crer-se que realmente o fez”.

Como vemos, embora a assunção da Virgem Maria não esteja narrada na Escritura ela parece ser uma consequência natural daquilo o que a mesma Escritura nos fala a respeito de Maria. Ela sempre esteve unida, na terra, ao seu Filho. Agora, depois da sua morte, ela não poderia conhecer a corrupção do sepulcro estando separada d’Ele, pelo menos no corpo. Por isso, o mesmo Filho quis “assumir” – por isso “assunção” – a sua mãe na glória celeste, em corpo e alma. É este precisamente o significado dessa solenidade: terminada a sua vida terrestre, Maria não conheceu a corrupção do sepulcro, mas foi elevada aos céus em corpo e alma por seu Filho e está à sua direita, como Rainha ao lado do Rei (cf. MD 21.40).

Do ponto de vista teológico, o Papa Pio XII nos lembra os Papas que, antes dele, já incluíam a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora entre as festas marianas. Esta era comumente chamada de Dormitio Virginis Mariae, ou seja, “Dormição da Virgem Maria”, sendo o termo “dormição” um eufemismo para se referir à morte da Virgem e, em seguida, sua assunção. Como bem nos lembra esse Pontifíce de veneranda memória, “a Liturgia da Igreja não cria a fé católica, mas supõe-na; e é dessa fé que brotam os ritos sagrados, como da árvore os frutos” (MD 20). Assim sendo, o fato de já encontrarmos referências à Solenidade da Assunção da Virgem Maria em documentos do sétimo século e até anteriores, nos faz perceber o quanto esta Solenidade manifestava na liturgia aquilo o que já estava latente na fé da Igreja. Tudo isso é para que notemos que a juventude desse dogma – proclamado a apenas 64 anos – não constitui o empecilho ao reconhecimento de quanto o seu conteúdo já estivesse latente no nosso patrimônio de fé.

Entre os Padres da Igreja, Pio XII destaca na citada constituição apostólica o testemunho de São João Damasceno. Reproduzimos aqui um trecho de uma de suas homilias referentes a esta solenidade: “Hoje, a escada espiritual e viva pela qual o Altíssimo desceu para se fazer visível e conviver com os homens, é levada da terra ao céu pelos degraus da morte. Hoje a mesa terrena, em que foram depositados o pão celeste da vida e a chama da divindade, foi arrebatada da terra aos céus; e, para a porta oriental (Ez 44, 1), para a porta de Deus, as portas do céu foram erguidas. Hoje, da Jerusalém terrestre, a cidade viva de Deus é reconduzida à Jerusalém celeste (cf. Ap 21, 2); aquela que concebera como seu primogênito e filho único, ao primogênito de todas as criaturas (Cl 1, 15) e ao filho único do pai (Jo 1 14), vem habitar a Igreja dos primogênitos (Hb 12, 23); a arca do Senhor, viva e espiritual, é transportada para a morada de Deus. As portas do paraíso se abrem para acolher a terra que gerou a Deus, terra onde germinou a árvore da vida eterna que anulou a desobediência de Eva e a morte infligida a Adão.”

O Santo Padre o Papa Pio XII manifestou no número 41 da citada constituição apostólica o seu desejo de que a contemplação da assunção da Virgem Mãe de Deus e da Igreja gerasse nos fieis dois frutos: primeiro libertá-los da corrupção dos costumes a que são levados pelo crescente materialismo; depois, reavivar a sua fé na própria ressurreição corporal que há de se manifestar em cada crente.

Maria se torna assim, um modelo. Aliás, a Igreja sempre a apresenta como um modelo para os fiéis. Na contemplação dessa solenidade, ela se torna um modelo do que a Igreja virá a ser. Todos nós seremos também um dia assumidos por Deus em corpo e alma, pois não só a nossa alma sobreviverá após a morte, mas por ocasião da sua segunda vinda, Cristo há também de ressuscitar nossos corpos mortais. Reavivando assim a nossa fé no que há de acontecer em nós, a ressurreição futura à qual estamos destinados, somos levados a também nos desprender do materialismo e da licensiodade dos costumes, que nos faz viver somente do aqui e do agora, do prazer de cada momento e não em busca do gozo definitivo que para nós está reservado nos céus.

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Maria: Modelo do que a Igreja virá a ser

17/08/2014 00:00

Resplendente de beleza, fulgurante como a aurora. Ó Filha de Sião, vós subistes para os céus

A Igreja celebra, no dia de 15 agosto, a Solenidade da Assunção da Virgem Maria. No Brasil, para que o povo possa tomar parte nessa solenidade, sobretudo participando da celebração eucarística, ela é sempre transferida para o domingo subsequente.

Dos quatro dogmas marianos – a maternidade divina; a virgindade perpétua; a imaculada conceição e a assunção – este foi o último a ser proclamado. De fato, ele foi definido pelo Papa Pio XII, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, de 1º de novembro de 1950.

É importante ressaltar que a proclamação de um dogma torna definitiva uma questão de fé que já estava latente na vida da Igreja. Assim sendo, na citada constituição apostólica, o Santo Padre o Papa Pio XII apresenta as razões de ordem pastoral e os fundamentos, quer escriturísticos, quer teológicos desenvolvidos durante a história da Igreja, que o levaram a definir solenemente este quarto dogma mariano e que constituem como que a sua base.

Do ponto de vista escriturístico, o Papa Pio XII observa no número 38 da constituição apostólica que, segundo as Escrituras, Maria é apresentada como “extremamente unida ao seu Filho, e sempre participante da sua sorte. Pelo que parece quase que impossível contemplar aquela que concebeu, deu à luz, alimentou com o seu leite, a Cristo, e o teve nos braços e apertou contra o peito, estivesse agora, depois da vida terrestre, separada dele, se não quanto à alma, ao menos quanto ao corpo. O nosso Redentor é também filho de Maria; e como observador perfeitíssimo da lei divina não podia deixar de honrar a sua mãe amantíssima logo depois do Eterno Pai. E podendo ele adorná-la com tamanha honra, preservando-a da corrupção do sepulcro, deve crer-se que realmente o fez”.

Como vemos, embora a assunção da Virgem Maria não esteja narrada na Escritura ela parece ser uma consequência natural daquilo o que a mesma Escritura nos fala a respeito de Maria. Ela sempre esteve unida, na terra, ao seu Filho. Agora, depois da sua morte, ela não poderia conhecer a corrupção do sepulcro estando separada d’Ele, pelo menos no corpo. Por isso, o mesmo Filho quis “assumir” – por isso “assunção” – a sua mãe na glória celeste, em corpo e alma. É este precisamente o significado dessa solenidade: terminada a sua vida terrestre, Maria não conheceu a corrupção do sepulcro, mas foi elevada aos céus em corpo e alma por seu Filho e está à sua direita, como Rainha ao lado do Rei (cf. MD 21.40).

Do ponto de vista teológico, o Papa Pio XII nos lembra os Papas que, antes dele, já incluíam a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora entre as festas marianas. Esta era comumente chamada de Dormitio Virginis Mariae, ou seja, “Dormição da Virgem Maria”, sendo o termo “dormição” um eufemismo para se referir à morte da Virgem e, em seguida, sua assunção. Como bem nos lembra esse Pontifíce de veneranda memória, “a Liturgia da Igreja não cria a fé católica, mas supõe-na; e é dessa fé que brotam os ritos sagrados, como da árvore os frutos” (MD 20). Assim sendo, o fato de já encontrarmos referências à Solenidade da Assunção da Virgem Maria em documentos do sétimo século e até anteriores, nos faz perceber o quanto esta Solenidade manifestava na liturgia aquilo o que já estava latente na fé da Igreja. Tudo isso é para que notemos que a juventude desse dogma – proclamado a apenas 64 anos – não constitui o empecilho ao reconhecimento de quanto o seu conteúdo já estivesse latente no nosso patrimônio de fé.

Entre os Padres da Igreja, Pio XII destaca na citada constituição apostólica o testemunho de São João Damasceno. Reproduzimos aqui um trecho de uma de suas homilias referentes a esta solenidade: “Hoje, a escada espiritual e viva pela qual o Altíssimo desceu para se fazer visível e conviver com os homens, é levada da terra ao céu pelos degraus da morte. Hoje a mesa terrena, em que foram depositados o pão celeste da vida e a chama da divindade, foi arrebatada da terra aos céus; e, para a porta oriental (Ez 44, 1), para a porta de Deus, as portas do céu foram erguidas. Hoje, da Jerusalém terrestre, a cidade viva de Deus é reconduzida à Jerusalém celeste (cf. Ap 21, 2); aquela que concebera como seu primogênito e filho único, ao primogênito de todas as criaturas (Cl 1, 15) e ao filho único do pai (Jo 1 14), vem habitar a Igreja dos primogênitos (Hb 12, 23); a arca do Senhor, viva e espiritual, é transportada para a morada de Deus. As portas do paraíso se abrem para acolher a terra que gerou a Deus, terra onde germinou a árvore da vida eterna que anulou a desobediência de Eva e a morte infligida a Adão.”

O Santo Padre o Papa Pio XII manifestou no número 41 da citada constituição apostólica o seu desejo de que a contemplação da assunção da Virgem Mãe de Deus e da Igreja gerasse nos fieis dois frutos: primeiro libertá-los da corrupção dos costumes a que são levados pelo crescente materialismo; depois, reavivar a sua fé na própria ressurreição corporal que há de se manifestar em cada crente.

Maria se torna assim, um modelo. Aliás, a Igreja sempre a apresenta como um modelo para os fiéis. Na contemplação dessa solenidade, ela se torna um modelo do que a Igreja virá a ser. Todos nós seremos também um dia assumidos por Deus em corpo e alma, pois não só a nossa alma sobreviverá após a morte, mas por ocasião da sua segunda vinda, Cristo há também de ressuscitar nossos corpos mortais. Reavivando assim a nossa fé no que há de acontecer em nós, a ressurreição futura à qual estamos destinados, somos levados a também nos desprender do materialismo e da licensiodade dos costumes, que nos faz viver somente do aqui e do agora, do prazer de cada momento e não em busca do gozo definitivo que para nós está reservado nos céus.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida