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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/02/2017

22 de Fevereiro de 2017

Igreja que sofre

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18/08/2014 00:00 - Atualizado em 18/08/2014 19:42

Igreja que sofre 0

18/08/2014 00:00 - Atualizado em 18/08/2014 19:42

É conhecida a frase de Paulo: “Se um membro sofre, todos os membros compartilham o seu sofrimento” (1 Cor 12, 26). Nesta analogia tão simples, compara a Igreja ao Corpo de Cristo, no qual Ele é a Cabeça e nós os membros. Acentua a comunhão de Cristo com cada fiel e de todos entre si. Ressalta a participação dos membros nos sofrimentos para a “edificação do corpo de Cristo” (Ef 4, 12). Ousa, deste modo, lançar-se a si mesmo na cooperação: “completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1, 24). Dentro deste horizonte de fé, vemos nossos irmãos católicos iraquianos, atingidos pela bem-aventurança da perseguição.

Eles se encontram, repentina e drasticamente, associados às tribulações de Jesus, através do êxodo de sua terra até a morte. Notícias aterrorizadoras chegam até nós. Precisam ser divulgadas. O autodenominado “Estado Islâmico do Iraque e do Levante”, grupo organizado de extremistas, em Mossul, Norte do Iraque, dá o seguinte ultimato: “Convertam-se ao Islã ou deixem suas casas sem levar seus bens, ou morte”. Em casos raros, permitem que famílias cristãs fiquem desde que lhes paguem o “imposto dos infiéis”, cerca de US$ 500. Em Qaraosh, quase toda a população de 40 mil cristãos fugiu apavorada para o Curdisdão. Mais de 600 mil cristãos partiram a contragosto. Suas casas foram marcadas com a letra ‘N’, que significa Nazareno. Forma de descriminação e de intimidação.

O patriarca católico caldeu, Dom Louis Raphael Sako, anunciou à comunidade internacional o êxodo do seu povo: “verdadeira via-sacra, incluindo doentes, idosos, crianças e grávidas, estão a caminhar a pé no calor ardente do verão iraquiano para se refugiarem nas cidades curdas de Erbil, Duhok e Soulaymiyia”. Pediu ajuda às Nações Unidas e à União Europeia para que salvem os inocentes.

O líder da comunidade caldeia, Mark Arabo, denunciou os jihadistas: “No parque (de Mossul) o Estado Islâmico decapita sistematicamente as crianças, colocando as suas cabeças em cima de paus, e cada vez mais crianças estão sendo decapitadas. As suas mães são estupradas e assassinadas e estão pendurando os seus pais”. É a lei do domínio do outro pelo terror. Haja vista que, sacerdotes foram já torturados. Alguns decapitados e crucificados. São mártires do século XXI.

Além desta carnificina, a caminho do genocídio, existem a dissipação e a destruição de uma cultura milenar. Foram destruídos manuscritos, documentos, igrejas e propriedades. Patrimônio humano de valor histórico e cultural incalculável.

O Papa Francisco pronunciou-se várias vezes durante a recitação do Ângelus, a favor da paz e em prol das vítimas. No dia 20 de julho último, disse: “Foi com preocupação que recebi as notícias provenientes das comunidades cristãs de Mossul (Iraque) e de outras regiões do Médio Oriente onde elas, desde o início do cristianismo, conviveram com os seus concidadãos, oferecendo uma contribuição significativa para o bem da sociedade. Hoje elas são perseguidas; os nossos irmãos são perseguidos, são expulsos e devem deixar as suas casas sem ter a possibilidade de levar algo consigo”.

O pontífice nomeou o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, seu enviado pessoal ao Iraque. Confiou-lhe uma quantia em dinheiro para algumas urgências. Demonstrou sua proximidade solidária e encorajadora. Multiplicou mensagens e apelos: “A violência não se vence com a violência, mas com a paz”; “Não se odeia em nome de Deus”; “Não se faz a guerra em nome de Deus”. Tem rezado pela paz e pedido que nós oremos também.

Que o Senhor proteja sua Igreja da fúria de seus inimigos! Que o grito de dor dos oprimidos suba até o misericordioso! Seja acolhido por aqueles que detêm o destino dos povos com sua autoridade! Ecoe nas mentes e nos corações, rompendo o silêncio da insensibilidade!

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Igreja que sofre

18/08/2014 00:00 - Atualizado em 18/08/2014 19:42

É conhecida a frase de Paulo: “Se um membro sofre, todos os membros compartilham o seu sofrimento” (1 Cor 12, 26). Nesta analogia tão simples, compara a Igreja ao Corpo de Cristo, no qual Ele é a Cabeça e nós os membros. Acentua a comunhão de Cristo com cada fiel e de todos entre si. Ressalta a participação dos membros nos sofrimentos para a “edificação do corpo de Cristo” (Ef 4, 12). Ousa, deste modo, lançar-se a si mesmo na cooperação: “completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1, 24). Dentro deste horizonte de fé, vemos nossos irmãos católicos iraquianos, atingidos pela bem-aventurança da perseguição.

Eles se encontram, repentina e drasticamente, associados às tribulações de Jesus, através do êxodo de sua terra até a morte. Notícias aterrorizadoras chegam até nós. Precisam ser divulgadas. O autodenominado “Estado Islâmico do Iraque e do Levante”, grupo organizado de extremistas, em Mossul, Norte do Iraque, dá o seguinte ultimato: “Convertam-se ao Islã ou deixem suas casas sem levar seus bens, ou morte”. Em casos raros, permitem que famílias cristãs fiquem desde que lhes paguem o “imposto dos infiéis”, cerca de US$ 500. Em Qaraosh, quase toda a população de 40 mil cristãos fugiu apavorada para o Curdisdão. Mais de 600 mil cristãos partiram a contragosto. Suas casas foram marcadas com a letra ‘N’, que significa Nazareno. Forma de descriminação e de intimidação.

O patriarca católico caldeu, Dom Louis Raphael Sako, anunciou à comunidade internacional o êxodo do seu povo: “verdadeira via-sacra, incluindo doentes, idosos, crianças e grávidas, estão a caminhar a pé no calor ardente do verão iraquiano para se refugiarem nas cidades curdas de Erbil, Duhok e Soulaymiyia”. Pediu ajuda às Nações Unidas e à União Europeia para que salvem os inocentes.

O líder da comunidade caldeia, Mark Arabo, denunciou os jihadistas: “No parque (de Mossul) o Estado Islâmico decapita sistematicamente as crianças, colocando as suas cabeças em cima de paus, e cada vez mais crianças estão sendo decapitadas. As suas mães são estupradas e assassinadas e estão pendurando os seus pais”. É a lei do domínio do outro pelo terror. Haja vista que, sacerdotes foram já torturados. Alguns decapitados e crucificados. São mártires do século XXI.

Além desta carnificina, a caminho do genocídio, existem a dissipação e a destruição de uma cultura milenar. Foram destruídos manuscritos, documentos, igrejas e propriedades. Patrimônio humano de valor histórico e cultural incalculável.

O Papa Francisco pronunciou-se várias vezes durante a recitação do Ângelus, a favor da paz e em prol das vítimas. No dia 20 de julho último, disse: “Foi com preocupação que recebi as notícias provenientes das comunidades cristãs de Mossul (Iraque) e de outras regiões do Médio Oriente onde elas, desde o início do cristianismo, conviveram com os seus concidadãos, oferecendo uma contribuição significativa para o bem da sociedade. Hoje elas são perseguidas; os nossos irmãos são perseguidos, são expulsos e devem deixar as suas casas sem ter a possibilidade de levar algo consigo”.

O pontífice nomeou o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, seu enviado pessoal ao Iraque. Confiou-lhe uma quantia em dinheiro para algumas urgências. Demonstrou sua proximidade solidária e encorajadora. Multiplicou mensagens e apelos: “A violência não se vence com a violência, mas com a paz”; “Não se odeia em nome de Deus”; “Não se faz a guerra em nome de Deus”. Tem rezado pela paz e pedido que nós oremos também.

Que o Senhor proteja sua Igreja da fúria de seus inimigos! Que o grito de dor dos oprimidos suba até o misericordioso! Seja acolhido por aqueles que detêm o destino dos povos com sua autoridade! Ecoe nas mentes e nos corações, rompendo o silêncio da insensibilidade!

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro