Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/08/2018

20 de Agosto de 2018

"Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!"

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10/08/2014 00:00

"Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" 0

10/08/2014 00:00

Décimo Nono Domingo do Tempo Comum

Celebrar o Domingo, “Dia do Senhor e Senhor dos Dias”[1], na expressão do nosso saudoso Papa São João Paulo II, é antecipar no tempo, através do culto, uma experiência do céu. O Domingo é para nós cristãos símbolo daquele dia eterno e sem fim no qual “estaremos para sempre com o Senhor” (cf. 1Ts 4,17). Reunidos em torno do altar do Senhor, essa mesa santa preparada para nós pelo Cristo, antecipamos aquele dia no qual o Senhor nos fará sentar numa mesa no céu e, passando, “Ele mesmo nos servirá”. Ao nos voltarmos para o “altar da Palavra” antevemos aquele dia sem fim no qual estaremos face-a-face com a Trindade, ouvindo suavemente a voz do Senhor nosso Deus. Por todas essas maravilhas, o Domingo é o dia da nossa alegria, o dia do nosso júbilo, o dia que modela todos os outros dias da nossa semana.

A Palavra de Deus vem hoje ao nosso encontro como um convite à fé. Somos interpelados hoje pela Palavra do Senhor a fim de crermos que o “Deus da Paz” está conosco, sobretudo nos momentos de maior tribulação.

Na primeira leitura temos a figura do profeta Elias. Este trecho do Primeiro Livro dos Reis apresenta a dor profunda do profeta que está sendo perseguido. Elias orou e o céu se fechou por três anos provocando uma grande seca em Israel. Antes de orar novamente para que o Senhor retirasse a sua mão e a chuva caísse sobre a terra novamente, Elias trava um combate terrível contra os profetas de Baal, protegidos pela pagã rainha Jezabel. Elias derrota os falsos profetas, mata todos eles, e agora é perseguido pela maldosa rainha que deseja impor a ele o mesmo destino dos profetas. Elias anda quarenta dias e quarenta noites deserto adentro, alimentado unicamente pelo pão que o Anjo do Senhor lhe oferece e chega, finalmente ao Horeb, ao monte de Deus. Ali Deus fala com o profeta. Diante da dor do profeta que se consumia de zelo pelo Senhor, o Senhor se compadece e promete passar diante dele. Muitos fenômenos extraordinários acontecem: vento impetuoso, terremoto e fogo. Mas o Senhor não está nestes fenômenos. O Senhor está numa brisa suave. Elias sente a presença do Senhor na suave brisa, cobre o seu rosto e se coloca à entrada da gruta, a fim de que o Senhor passe diante dele. A presença do Senhor, no meio da perseguição, traz paz ao coração do profeta. A Palavra do Senhor dirigida ao coração do profeta lhe transmite segurança. Elias é como o salmista que diz “Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar”. De fato, depois de dar muitas instruções ao profeta, o Senhor promete que sobrará em Israel um “resto”, homens que não se dobraram diante dos ídolos mudos.

Uma cena semelhante nos é trazida pelo evangelho. Estamos no capítulo 14 de Mateus. Este capítulo se situa na quarta parte do Evangelho, onde Jesus começa a falar da Igreja como primícias do Reino dos Céus. Neste longo trecho que vai do final do capítulo 13 até o final do capítulo 17 Jesus está formando os seus discípulos e vai terminar com um grande discurso comunitário no capítulo 18.

Depois da multiplicação dos pães Jesus insiste com os seus discípulos a fim de que entrem no barco e sigam para o outro lado do mar. Enquanto seus discípulos partem Jesus se despede das multidões e sobe ao monte a fim de “orar a sós”. Jesus gosta de estar na intimidade com o Pai. Aqui está um gesto de Jesus o qual devemos imitar. Também nós devemos procurar no meio da agitação do nosso dia estar a sós com o Pai, a fim de ouvirmos a sua voz, porque como nos diz o salmo “é a paz que ele vai anunciar”. Quando chega a noite a barca dos discípulos começa a ser agitada por muitas ondas. Eles estão apavorados.

No meio desta confusão Jesus vem andando sobre as águas. Num primeiro momento os discípulos chegam a pensar que é um fantasma, mas o próprio Senhor afasta o medo do coração deles dizendo: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” Pedro quer uma prova de que é o Senhor e pede-lhe para que ele possa ir andando ao encontro do Senhor sobre as águas. Jesus lhe diz: “Vem!” E, confiando na Palavra de Cristo, Pedro caminha sobre as águas. Mas, basta que uma pequena dúvida, um pequeno temor entre em seu coração para que comece a afundar. Mas também aí o Senhor está, e quando o Apóstolo grita por socorro – “Senhor, salva-me!” – Cristo lhe estende a mão e lhe segura, para que ele possa ser colocado novamente no barco. Jesus censura a fraqueza da fé de Pedro. Finalmente, quando ambos entram no barco, a tempestade se acalma e todos fazem a sua profissão de fé: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

Caríssimos, temos diante dos nossos olhos uma imagem da Igreja. Mateus aproveita esse episódio da vida de Jesus e dos seus discípulos a fim de transmitir à Igreja nascente um ensinamento. A Igreja navega no mar do mundo e é agitada por muitos ventos. Às vezes pensamos até mesmo que ela pode naufragar. Mas, quem está no leme da barca de Pedro é o próprio Cristo. É a presença do Senhor nesta barca que nos dá a certeza de que nela podemos velejar tranqüilos, até o porto seguro que está nos céus. Aqui, dentro da barca de Pedro, embora sacudidos por ventos contrários, estamos protegidos, porque “Aquele a quem os ventos e o mar obedecem” (cf. Mt 8,27; Lc 8,24), está conosco.

Podemos também tirar desse evangelho uma lição para a nossa vida. Enquanto velejamos no mar do mundo, sentimos muitas vezes a nossa vida ser sacudida por ventos contrários. Estamos muitas vezes apavorados com tais ventos. Achamos que vamos naufragar. É no meio dessas tempestades que Cristo vem ao nosso encontro, caminhando muito tranquilo sobre as águas agitadas do mar da nossa vida. Também nós podemos como Pedro andar sobre as águas, se dermos ouvidos à voz do Senhor. Se confiarmos em sua Palavra que nos diz também a nós “Vem!” poderemos andar sobre as águas. Se no meio do caminho duvidarmos e sentirmos que estamos afundando, gritemos como Pedro: “Senhor, salva-me!” Ele sempre nos estenderá a mão e fará com que os ventos e o mar se acalmem. Devemos acolher em nossos corações o Cristo, a fim de que possamos velejar com segurança nos mares agitados do mundo. Devemos deixar que Ele esteja no leme da nossa vida e da nossa história a fim de que encontremos a paz que tanto buscamos. Devemos confiar na sua Palavra, a fim de que possamos até mesmo andar sobre as águas. Devemos confiar que suas mãos são firmes, e devemos segurar nelas caso estejamos afundando.

O Senhor está com a Sua Igreja; o Senhor está com cada um de nós. Ele é o nosso guarda, Aquele que nos protege, que nos traz a paz e que não permite que o nosso barco naufrague no meio das tempestades da nossa história. Ele é Aquele que diz também a cada um de nós neste dia: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” É como se o Senhor estivesse dizendo: Não tenhais medo de mim, porque não sou um fantasma! Mas também é como se o Senhor dissesse: Não tenhais medo das tempestades e das ondas, porque sou eu, eu estou aqui para vos proteger e guardar! Coloquemos nele toda a nossa confiança, e reconheçamos, como os passageiros dessa barca da qual nos fala o evangelho, que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus, o nosso Salvador e Senhor pelos séculos dos séculos. Amém!

[1] Cf. Papa João Paulo II, Dies Domini


Liturgia Dominical: 

Leitura: 1Rs 19,9a.11-13a

Sl 84

2ª Leitura: Rm 9,1-5

Evangelho: Mt 14,22-33

 

 
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"Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!"

10/08/2014 00:00

Décimo Nono Domingo do Tempo Comum

Celebrar o Domingo, “Dia do Senhor e Senhor dos Dias”[1], na expressão do nosso saudoso Papa São João Paulo II, é antecipar no tempo, através do culto, uma experiência do céu. O Domingo é para nós cristãos símbolo daquele dia eterno e sem fim no qual “estaremos para sempre com o Senhor” (cf. 1Ts 4,17). Reunidos em torno do altar do Senhor, essa mesa santa preparada para nós pelo Cristo, antecipamos aquele dia no qual o Senhor nos fará sentar numa mesa no céu e, passando, “Ele mesmo nos servirá”. Ao nos voltarmos para o “altar da Palavra” antevemos aquele dia sem fim no qual estaremos face-a-face com a Trindade, ouvindo suavemente a voz do Senhor nosso Deus. Por todas essas maravilhas, o Domingo é o dia da nossa alegria, o dia do nosso júbilo, o dia que modela todos os outros dias da nossa semana.

A Palavra de Deus vem hoje ao nosso encontro como um convite à fé. Somos interpelados hoje pela Palavra do Senhor a fim de crermos que o “Deus da Paz” está conosco, sobretudo nos momentos de maior tribulação.

Na primeira leitura temos a figura do profeta Elias. Este trecho do Primeiro Livro dos Reis apresenta a dor profunda do profeta que está sendo perseguido. Elias orou e o céu se fechou por três anos provocando uma grande seca em Israel. Antes de orar novamente para que o Senhor retirasse a sua mão e a chuva caísse sobre a terra novamente, Elias trava um combate terrível contra os profetas de Baal, protegidos pela pagã rainha Jezabel. Elias derrota os falsos profetas, mata todos eles, e agora é perseguido pela maldosa rainha que deseja impor a ele o mesmo destino dos profetas. Elias anda quarenta dias e quarenta noites deserto adentro, alimentado unicamente pelo pão que o Anjo do Senhor lhe oferece e chega, finalmente ao Horeb, ao monte de Deus. Ali Deus fala com o profeta. Diante da dor do profeta que se consumia de zelo pelo Senhor, o Senhor se compadece e promete passar diante dele. Muitos fenômenos extraordinários acontecem: vento impetuoso, terremoto e fogo. Mas o Senhor não está nestes fenômenos. O Senhor está numa brisa suave. Elias sente a presença do Senhor na suave brisa, cobre o seu rosto e se coloca à entrada da gruta, a fim de que o Senhor passe diante dele. A presença do Senhor, no meio da perseguição, traz paz ao coração do profeta. A Palavra do Senhor dirigida ao coração do profeta lhe transmite segurança. Elias é como o salmista que diz “Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar”. De fato, depois de dar muitas instruções ao profeta, o Senhor promete que sobrará em Israel um “resto”, homens que não se dobraram diante dos ídolos mudos.

Uma cena semelhante nos é trazida pelo evangelho. Estamos no capítulo 14 de Mateus. Este capítulo se situa na quarta parte do Evangelho, onde Jesus começa a falar da Igreja como primícias do Reino dos Céus. Neste longo trecho que vai do final do capítulo 13 até o final do capítulo 17 Jesus está formando os seus discípulos e vai terminar com um grande discurso comunitário no capítulo 18.

Depois da multiplicação dos pães Jesus insiste com os seus discípulos a fim de que entrem no barco e sigam para o outro lado do mar. Enquanto seus discípulos partem Jesus se despede das multidões e sobe ao monte a fim de “orar a sós”. Jesus gosta de estar na intimidade com o Pai. Aqui está um gesto de Jesus o qual devemos imitar. Também nós devemos procurar no meio da agitação do nosso dia estar a sós com o Pai, a fim de ouvirmos a sua voz, porque como nos diz o salmo “é a paz que ele vai anunciar”. Quando chega a noite a barca dos discípulos começa a ser agitada por muitas ondas. Eles estão apavorados.

No meio desta confusão Jesus vem andando sobre as águas. Num primeiro momento os discípulos chegam a pensar que é um fantasma, mas o próprio Senhor afasta o medo do coração deles dizendo: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” Pedro quer uma prova de que é o Senhor e pede-lhe para que ele possa ir andando ao encontro do Senhor sobre as águas. Jesus lhe diz: “Vem!” E, confiando na Palavra de Cristo, Pedro caminha sobre as águas. Mas, basta que uma pequena dúvida, um pequeno temor entre em seu coração para que comece a afundar. Mas também aí o Senhor está, e quando o Apóstolo grita por socorro – “Senhor, salva-me!” – Cristo lhe estende a mão e lhe segura, para que ele possa ser colocado novamente no barco. Jesus censura a fraqueza da fé de Pedro. Finalmente, quando ambos entram no barco, a tempestade se acalma e todos fazem a sua profissão de fé: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

Caríssimos, temos diante dos nossos olhos uma imagem da Igreja. Mateus aproveita esse episódio da vida de Jesus e dos seus discípulos a fim de transmitir à Igreja nascente um ensinamento. A Igreja navega no mar do mundo e é agitada por muitos ventos. Às vezes pensamos até mesmo que ela pode naufragar. Mas, quem está no leme da barca de Pedro é o próprio Cristo. É a presença do Senhor nesta barca que nos dá a certeza de que nela podemos velejar tranqüilos, até o porto seguro que está nos céus. Aqui, dentro da barca de Pedro, embora sacudidos por ventos contrários, estamos protegidos, porque “Aquele a quem os ventos e o mar obedecem” (cf. Mt 8,27; Lc 8,24), está conosco.

Podemos também tirar desse evangelho uma lição para a nossa vida. Enquanto velejamos no mar do mundo, sentimos muitas vezes a nossa vida ser sacudida por ventos contrários. Estamos muitas vezes apavorados com tais ventos. Achamos que vamos naufragar. É no meio dessas tempestades que Cristo vem ao nosso encontro, caminhando muito tranquilo sobre as águas agitadas do mar da nossa vida. Também nós podemos como Pedro andar sobre as águas, se dermos ouvidos à voz do Senhor. Se confiarmos em sua Palavra que nos diz também a nós “Vem!” poderemos andar sobre as águas. Se no meio do caminho duvidarmos e sentirmos que estamos afundando, gritemos como Pedro: “Senhor, salva-me!” Ele sempre nos estenderá a mão e fará com que os ventos e o mar se acalmem. Devemos acolher em nossos corações o Cristo, a fim de que possamos velejar com segurança nos mares agitados do mundo. Devemos deixar que Ele esteja no leme da nossa vida e da nossa história a fim de que encontremos a paz que tanto buscamos. Devemos confiar na sua Palavra, a fim de que possamos até mesmo andar sobre as águas. Devemos confiar que suas mãos são firmes, e devemos segurar nelas caso estejamos afundando.

O Senhor está com a Sua Igreja; o Senhor está com cada um de nós. Ele é o nosso guarda, Aquele que nos protege, que nos traz a paz e que não permite que o nosso barco naufrague no meio das tempestades da nossa história. Ele é Aquele que diz também a cada um de nós neste dia: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” É como se o Senhor estivesse dizendo: Não tenhais medo de mim, porque não sou um fantasma! Mas também é como se o Senhor dissesse: Não tenhais medo das tempestades e das ondas, porque sou eu, eu estou aqui para vos proteger e guardar! Coloquemos nele toda a nossa confiança, e reconheçamos, como os passageiros dessa barca da qual nos fala o evangelho, que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus, o nosso Salvador e Senhor pelos séculos dos séculos. Amém!

[1] Cf. Papa João Paulo II, Dies Domini


Liturgia Dominical: 

Leitura: 1Rs 19,9a.11-13a

Sl 84

2ª Leitura: Rm 9,1-5

Evangelho: Mt 14,22-33