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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/02/2017

22 de Fevereiro de 2017

Montini, o bem-aventurado Paulo VI

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Montini, o bem-aventurado Paulo VI

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Montini, o bem-aventurado Paulo VI 0

03/08/2014 00:00

Montini, o bem-aventurado Paulo VI  / Arqrio

Giovanni Battista Montini (1897-1978), eleito Papa em 21 de junho de 1963, no quinto escrutínio, escolheu o nome de Paulo VI. Fora convicção pessoal que a parte mais importante de seu ministério petrino seria ocupada pela continuação do Concílio Vaticano II. É verdade. Porém, deve-se incluir a implantação de muitas reformas e renovações exigidas ou motivadas pelos textos conciliares, em meio às crises de divergências e de conflitos de interpretações e de atuações. Sem dúvida, as crises no período pós-conciliar foram a cruz do seu pontificado, um dos tempos mais difíceis da história da Igreja recente.

Se o papado, por força de sua função social e eclesial, transformaria a vida do homem Montini, este, com seu temperamento moderado, transformaria o papado, muito por gestos significativos, de fina eloquência. Durante e após o Concílio, conviveu entre graves pressões de progressistas e integristas. A polarização comprometia o bom andamento e posterior implantação. Com firmeza e ternura, fez a diferença em tempo de insatisfação social e eclesial generalizada. Assumiu a peito a proposta da Igreja em diálogo, de sua encíclica “Ecclesiam suam” e da própria orientação conciliar.

Quebrou de uma vez por todas a situação estranha do Papa “prisioneiro do Vaticano”, que João XXIII começaria a destruir com algumas visitas a Roma e cidades italianas. Paulo VI foi mais ousado com suas peregrinações ou visitas. Ele esteve na Terra Santa, na Índia, na Assembleia Geral da ONU- Estados Unidos, na Turquia – encontro com o patriarca Atenágoras, na Colômbia-Bogotá, em Genebra – Organização Internacional do Trabalho e Organização Mundial das Igrejas, na Uganda-África, na Ásia, na Austrália e na Oceania. São João Paulo II ampliaria o itinerário das viagens.

Vendeu a tiara para dar dinheiro aos pobres. Não podia mais usá-la, portanto. Assim, abriu espaço para que seus sucessores dispensassem a coroação e inaugurassem a progressiva desvinculação do papado de tratamentos nobiliárquicos, vestes principescas e cerimônias palacianas. Algumas atitudes do atual Papa Francisco já tiveram precedentes.

Marcou a história do ecumenismo ao hospedar, entre 26 a 28 de outubro de 1967, o patriarca ecumênico de Constantinopla, Atenágoras I. A seguir, o patriarca siro-ortodoxo de Antioquia e de todo o Oriente, Mar Inácio Tiago III. Porém, o dia 14 de dezembro de 1975 se tornaria inesquecível. Após a cerimônia de oração pelo décimo aniversário da reconciliação entre as Igrejas de Roma e Constantinopla, resolveu se ajoelhar diante do Metropolita Melíton, para lhe beijar os pés. Se a divisão começara com atos de orgulho e de prepotência, a história da reaproximação se daria através da humildade. O sucessor de Pedro iniciara o primeiro passo.

Em 6 de agosto de 1978, festa da Transfiguração do Senhor, morria às 21h40 em sua residência de verão, em Castelgandolfo, de crise cardíaca, após um dia acamado. Seu secretário particular, monsenhor Pasquale Macchi, reproduziu suas impressões: “Com um leve sorriso sobre os lábios, fez um simples gesto com a mão, com a qual, penso, quis conter todo seu sentimento de gratidão, de saudação, de despedida”; “Não disse uma palavra e, creio, tenha querido assim. Aquilo que já tinha de ser dito já fora dito e escrito, agora o importante para ele era o Unum necessarium (que sua mãe tinha recomendado aos filhos em seu testamento): o encontro com Deus”. Morreu rezando: “O Pater noster foi certamente a sua última palavra, oração e testamento e, ao mesmo tempo, mensagem”.

Ao contrário do dia da coroação, a Praça de São Pedro, no dia 12 agosto, não estava lotada. No mês de férias dos romanos, eles deixam o verão quente da cidade para os turistas. Havia, no entanto, a beleza da simplicidade pedida. O caixão no chão. O “Livro dos Evangelhos” por cima. O vento folheando as páginas. Após a missa, quando o féretro se encaminhava para a sepultura também despojada, as palmas ecoaram espontaneamente. Quebraram a seriedade do rito. Foi o toque festivo que faltara. O aplauso, bem merecido, àquele que nos ensinou a amar e a sofrer pela Igreja. Belas recordações!16:22 01/08/2014

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Montini, o bem-aventurado Paulo VI

03/08/2014 00:00

Giovanni Battista Montini (1897-1978), eleito Papa em 21 de junho de 1963, no quinto escrutínio, escolheu o nome de Paulo VI. Fora convicção pessoal que a parte mais importante de seu ministério petrino seria ocupada pela continuação do Concílio Vaticano II. É verdade. Porém, deve-se incluir a implantação de muitas reformas e renovações exigidas ou motivadas pelos textos conciliares, em meio às crises de divergências e de conflitos de interpretações e de atuações. Sem dúvida, as crises no período pós-conciliar foram a cruz do seu pontificado, um dos tempos mais difíceis da história da Igreja recente.

Se o papado, por força de sua função social e eclesial, transformaria a vida do homem Montini, este, com seu temperamento moderado, transformaria o papado, muito por gestos significativos, de fina eloquência. Durante e após o Concílio, conviveu entre graves pressões de progressistas e integristas. A polarização comprometia o bom andamento e posterior implantação. Com firmeza e ternura, fez a diferença em tempo de insatisfação social e eclesial generalizada. Assumiu a peito a proposta da Igreja em diálogo, de sua encíclica “Ecclesiam suam” e da própria orientação conciliar.

Quebrou de uma vez por todas a situação estranha do Papa “prisioneiro do Vaticano”, que João XXIII começaria a destruir com algumas visitas a Roma e cidades italianas. Paulo VI foi mais ousado com suas peregrinações ou visitas. Ele esteve na Terra Santa, na Índia, na Assembleia Geral da ONU- Estados Unidos, na Turquia – encontro com o patriarca Atenágoras, na Colômbia-Bogotá, em Genebra – Organização Internacional do Trabalho e Organização Mundial das Igrejas, na Uganda-África, na Ásia, na Austrália e na Oceania. São João Paulo II ampliaria o itinerário das viagens.

Vendeu a tiara para dar dinheiro aos pobres. Não podia mais usá-la, portanto. Assim, abriu espaço para que seus sucessores dispensassem a coroação e inaugurassem a progressiva desvinculação do papado de tratamentos nobiliárquicos, vestes principescas e cerimônias palacianas. Algumas atitudes do atual Papa Francisco já tiveram precedentes.

Marcou a história do ecumenismo ao hospedar, entre 26 a 28 de outubro de 1967, o patriarca ecumênico de Constantinopla, Atenágoras I. A seguir, o patriarca siro-ortodoxo de Antioquia e de todo o Oriente, Mar Inácio Tiago III. Porém, o dia 14 de dezembro de 1975 se tornaria inesquecível. Após a cerimônia de oração pelo décimo aniversário da reconciliação entre as Igrejas de Roma e Constantinopla, resolveu se ajoelhar diante do Metropolita Melíton, para lhe beijar os pés. Se a divisão começara com atos de orgulho e de prepotência, a história da reaproximação se daria através da humildade. O sucessor de Pedro iniciara o primeiro passo.

Em 6 de agosto de 1978, festa da Transfiguração do Senhor, morria às 21h40 em sua residência de verão, em Castelgandolfo, de crise cardíaca, após um dia acamado. Seu secretário particular, monsenhor Pasquale Macchi, reproduziu suas impressões: “Com um leve sorriso sobre os lábios, fez um simples gesto com a mão, com a qual, penso, quis conter todo seu sentimento de gratidão, de saudação, de despedida”; “Não disse uma palavra e, creio, tenha querido assim. Aquilo que já tinha de ser dito já fora dito e escrito, agora o importante para ele era o Unum necessarium (que sua mãe tinha recomendado aos filhos em seu testamento): o encontro com Deus”. Morreu rezando: “O Pater noster foi certamente a sua última palavra, oração e testamento e, ao mesmo tempo, mensagem”.

Ao contrário do dia da coroação, a Praça de São Pedro, no dia 12 agosto, não estava lotada. No mês de férias dos romanos, eles deixam o verão quente da cidade para os turistas. Havia, no entanto, a beleza da simplicidade pedida. O caixão no chão. O “Livro dos Evangelhos” por cima. O vento folheando as páginas. Após a missa, quando o féretro se encaminhava para a sepultura também despojada, as palmas ecoaram espontaneamente. Quebraram a seriedade do rito. Foi o toque festivo que faltara. O aplauso, bem merecido, àquele que nos ensinou a amar e a sofrer pela Igreja. Belas recordações!16:22 01/08/2014

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro