Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 10/12/2018

10 de Dezembro de 2018

"Somos trigos de Cristo"

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20/07/2014 00:00

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20/07/2014 00:00

“(...) mas tu, dominando a força, julgas com moderação e nos governas com muita indulgência...” (Sb 12, 18a)

Somos hoje reunidos pelo Senhor das Misericórdias no templo santo, onde resplandece o fulgor da Sua glória! Deus, nosso Pai, nos reúne hoje de diversos lugares para que juntos, possamos celebrar a Eucaristia, expressão do nosso louvor e ação de graças, manifestação da bondade do Pai que enviou o Seu Filho, para estar sempre presente conosco! Este culto de louvor que celebramos dá sentido à nossa vida. Por isso dizemos com alegria que “este é o dia que o Senhor fez para nós, dia de louvor e de alegria”, pois este é o dia, o Dia de Cristo, o Dia da Igreja, quando somos reunidos pelo Espírito Divino para ouvirmos as Divinas Escrituras e para nos alimentarmos desse altar, do Corpo e do Sangue de Cristo, que renova em nossos corações a fé, a esperança e a caridade.

A liturgia da Palavra de hoje nos revela, tanto na primeira leitura quanto no Evangelho, que nosso Deus é um Deus de paciência, lento para a cólera, que discerne com sabedoria os tempos e os momentos e que não faz apressadamente os seus juízos.

A primeira leitura, do livro da Sabedoria, afirma “Pois não há, fora de ti, Deus que cuide de todos, para que devesses mostrar que teus julgamentos não são injustos” e ainda “mas tu, dominando a força, julgas com moderação e nos governa com muita indulgência; fazer uso do poder está a teu alcance quando queres”. Assim é nosso Deus meus irmãos. Ele é o Deus único, que cuida de todos os homens, não somente dos que julgamos “bons”. O nosso Deus, embora possa usar sempre e a qualquer momento seu poder, ele “domina a sua força” e julga sempre com moderação, governando os homens com sua indulgência.

No Evangelho, Jesus nos apresenta algumas parábolas. Estamos na terceira parte do Evangelho de Mateus, onde Jesus começa a falar a respeito do Mistério do Reino dos Céus. Aqui no capítulo 13 temos sete parábolas. Hoje ouvimos três delas a respeito do Reino dos Céus. A parábola central que hoje ouvimos é esta que nos fala a respeito do joio semeado no meio do trigo. Um bom semeador semeou trigo no seu campo, mas quando caiu a noite, veio um inimigo e semeou também o joio. Quando o dono do campo saiu pela manhã viu que no meio do trigo havia também o joio e se espantou, porque a semente que ele havia semeado era uma boa semente. Os seus servos quiseram imediatamente arrancar o joio, a fim de que o campo fosse purificado daquela erva daninha. Mas, o dono da terra, agricultor sábio e prudente, mandou que se deixasse crescer juntos o trigo e o joio e que só no tempo da colheita fosse feita a separação, a fim de que ao recolher o joio, não fosse arrancado também o trigo juntamente com o joio.

Esta é uma parábola com forte cunho escatológico. O Senhor nos fala nessa parábola que somente a Ele cabe o discernimento no tempo oportuno, que será o fim dos tempos, quando Deus fará realmente a separação entre o trigo, que deverá ser recolhido no celeiro, e o joio, que deverá ser queimado na fornalha ardente. Mas, enquanto se espera esse juízo final da parte de Deus, como devemos proceder? Com certeza nós somos muitas vezes como esses servos. Olhando a comunidade cristã e o mundo como um todo, vemos uma grande ambiguidade, trigo e joio que crescem juntos. Queremos nos arvorar em juízes e gostaríamos de imediatamente retirar aquilo que aos nossos olhos parece joio, para que o campo pudesse constar somente de trigo. Mas, o Senhor do céu e da terra, que age sempre com misericórdia e complacência, que vê muito além das aparências, pois ele é Aquele que sonda os rins e os corações (Sl 138), nos ordena que esperemos. Na nossa ânsia por tirar o joio, poderíamos também retirar o trigo junto. Muitas vezes aquilo que parece joio é trigo e o que parece trigo é joio. O nosso olhar é confuso e incapaz de discernir a diferença. Olhando para a nossa própria vida vemos que estamos cercados de ambiguidade e fraqueza. Somos trigo de Cristo, mas tantas vezes temos atitudes que mais parecem revelar que somos joio ao invés de trigo. Por isso o Senhor ordena que trigo e joio cresçam juntos, a fim de que no fim dos tempos, ele próprio faça o discernimento e separe o trigo do joio. O joio deverá ser queimado, num lugar terrível onde haverá choro e ranger de dentes. O trigo, por sua vez, será recolhido no celeiro do Pai e “os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai”.

Nós devemos nos esforçar por tornarmo-nos trigos de Cristo. Mas, não é fácil ser trigo. O trigo, para alimentar as pessoas, deve ser triturado no moinho, a fim de tornar-se pão. Também nós, meus irmãos, ao nos tornarmos trigo de Cristo, devemos também ser esmagados e triturados, a fim de nos tornarmos puro pão de Cristo. Aqui me vem à mente a imagem de Santo Inácio de Antioquia. Esse grande bispo dizia exatamente isso à sua comunidade. Ele expressava nas suas cartas o desejo de ser esmagado pelos dentes das feras, a fim de ser um trigo triturado, para tornar-se puro pão de Cristo. Assim aconteceu com Cristo. Cristo é o trigo do Pai, que foi enviado à terra a fim de ser esmagado pelos homens, para tornar-se Pão da Vida. Cristo é o Pão que desce do céu e dá vida aos homens. Nós comungamos a Eucaristia a fim de nos tornarmos uma Eucaristia. Nós comungamos do Cristo, trigo do Pai triturado por nós a fim de tornar-se Pão da Vida, para que também nós, trigos de Cristo que somos, sejamos triturados e acrisolados pelo sofrimento, a fim de tornarmo-nos puro pão, pão que também gera vida no meio do mundo.

Entre a parábola do joio e do trigo e a explicação da parábola, Mateus insere duas parábolas de Jesus a respeito do Reino dos Céus. O Reino dos Céus é como um grão de mostarda. Um grão pequenino, que ao ser plantado se torna uma grande hortaliça, que oferece conforto e abrigo aos pássaros que vêm descansar em seus galhos. O Reino dos Céus é ainda como o fermento que uma mulher mistura com a farinha. Ninguém vê o fermento, mas ele de tal forma de mistura à massa que toda ela fica levedada e cresce, para tornar-se um pão que sacia e dá vida.

O Reino dos Céus é assim: possui um início modesto, quase invisível, mas cresce e torna-se uma árvore frondosa, em cujos galhos nós, cada um de nós, que somos esses pássaros necessitados de abrigo, encontra abrigo e conforto. Nós devemos trabalhar pelo Reino tendo diante de nós essa perspectiva. Às vezes parece que nossa iniciativa é tão pequena e modesta, mas ela é capaz de produzir um fruto inesperado. Às vezes realizamos uma pequena obra e de repente essa sementinha lançada, esse pouquinho de fermento, começa a produzir um fruto que não esperávamos e o Reino dos Céus começa a manifestar-se, até aquele dia definitivo, pelo qual todos nós esperamos, e do qual o Domingo é profecia e anúncio, aquele dia sem fim no qual plenamente nós estaremos no Reino do nosso Pai, no qual nós brilharemos, porque seremos reflexos da luz da própria Trindade.

Enquanto aguardamos manifestação gloriosa do Reino, somos impelidos pelo Espírito a vivermos uma vida de intensa oração. Mas tantas vezes não sabemos o que pedir nem como pedir. Por isso hoje recebemos de Deus esse presente. Um grande presente de Deus para nós hoje reunidos nessa assembleia de culto é a segunda leitura, um pequeno trecho do capítulo oitavo da carta aos Romanos. São Paulo afirma que “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis.” Essa é uma constatação que o apóstolo faz e que é muito clara na nossa vida. Nós não sabemos nem o quê nem como pedir, por isso o nosso Pai nos envia o seu Espírito, que intercede em nosso favor. Temos junto do Pai um grande intercessor. O Espírito Santo é o nosso intercessor, que ora em nós com gemidos inefáveis, intercedendo por nós segundo Deus. Deus, meus irmãos, é Aquele que penetra o íntimo dos corações. Somente o Senhor sabe do que realmente necessitamos em cada momento da nossa história. E para que não peçamos mal, Ele envia sobre nós o Espírito Santo, que intercede em nosso favor e que clama junto a Ele por aquilo de que realmente precisamos. Peçamos nesta Eucaristia que o Espírito venha orar em nós.

A liturgia celebrada na Igreja é, por excelência, o lugar da manifestação do Espírito. É aqui que o Senhor deseja derramar sobre nós o seu Espírito e nos santificar. Abramo-nos hoje ao Divino Espírito. Deixemos que Ele ore em nós, que Ele interceda em nosso favor, que em nós Ele peça ao Pai por aquilo de que realmente temos necessidade. Deixemos que os gemidos inefáveis do Espírito brotem de nossos lábios, e não tenhamos medo, porque é “sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos”.

Que saiamos da Eucaristia com a nossa alma renovada. Somos trigo de Cristo. Ainda que nesse mundo tenhamos que ser triturados e esmagados a fim de nos tornarmos um alimento para o próximo, chegará o dia no qual os anjos do Pai nos tomarão pelas mãos. Eles nos recolherão nos divinos celeiros, nas mansões celestiais e lá nós brilharemos como o sol no Reino do nosso Pai. Diante de uma tal promessa parece até que o sofrimento da nossa vida se torna mais leve e de fato se torna, porque as maravilhas que nos esperam no Reino que virá nem merecem ser comparadas com os sofrimentos e tribulações dessa vida. Saiamos hoje dessa Eucaristia renovados pelo poder vivificador da Palavra do Salvador e nutridos, fortificados, renovados na nossa fé, esperança e caridade pela comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor.


Liturgia Dominical: 

1ª Leitura: Sb 12,13.16-19

Sl 85 (86)

2ª Leitura: Rm 8,26-27

Evangelho: Mt 13,24-43

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"Somos trigos de Cristo"

20/07/2014 00:00

“(...) mas tu, dominando a força, julgas com moderação e nos governas com muita indulgência...” (Sb 12, 18a)

Somos hoje reunidos pelo Senhor das Misericórdias no templo santo, onde resplandece o fulgor da Sua glória! Deus, nosso Pai, nos reúne hoje de diversos lugares para que juntos, possamos celebrar a Eucaristia, expressão do nosso louvor e ação de graças, manifestação da bondade do Pai que enviou o Seu Filho, para estar sempre presente conosco! Este culto de louvor que celebramos dá sentido à nossa vida. Por isso dizemos com alegria que “este é o dia que o Senhor fez para nós, dia de louvor e de alegria”, pois este é o dia, o Dia de Cristo, o Dia da Igreja, quando somos reunidos pelo Espírito Divino para ouvirmos as Divinas Escrituras e para nos alimentarmos desse altar, do Corpo e do Sangue de Cristo, que renova em nossos corações a fé, a esperança e a caridade.

A liturgia da Palavra de hoje nos revela, tanto na primeira leitura quanto no Evangelho, que nosso Deus é um Deus de paciência, lento para a cólera, que discerne com sabedoria os tempos e os momentos e que não faz apressadamente os seus juízos.

A primeira leitura, do livro da Sabedoria, afirma “Pois não há, fora de ti, Deus que cuide de todos, para que devesses mostrar que teus julgamentos não são injustos” e ainda “mas tu, dominando a força, julgas com moderação e nos governa com muita indulgência; fazer uso do poder está a teu alcance quando queres”. Assim é nosso Deus meus irmãos. Ele é o Deus único, que cuida de todos os homens, não somente dos que julgamos “bons”. O nosso Deus, embora possa usar sempre e a qualquer momento seu poder, ele “domina a sua força” e julga sempre com moderação, governando os homens com sua indulgência.

No Evangelho, Jesus nos apresenta algumas parábolas. Estamos na terceira parte do Evangelho de Mateus, onde Jesus começa a falar a respeito do Mistério do Reino dos Céus. Aqui no capítulo 13 temos sete parábolas. Hoje ouvimos três delas a respeito do Reino dos Céus. A parábola central que hoje ouvimos é esta que nos fala a respeito do joio semeado no meio do trigo. Um bom semeador semeou trigo no seu campo, mas quando caiu a noite, veio um inimigo e semeou também o joio. Quando o dono do campo saiu pela manhã viu que no meio do trigo havia também o joio e se espantou, porque a semente que ele havia semeado era uma boa semente. Os seus servos quiseram imediatamente arrancar o joio, a fim de que o campo fosse purificado daquela erva daninha. Mas, o dono da terra, agricultor sábio e prudente, mandou que se deixasse crescer juntos o trigo e o joio e que só no tempo da colheita fosse feita a separação, a fim de que ao recolher o joio, não fosse arrancado também o trigo juntamente com o joio.

Esta é uma parábola com forte cunho escatológico. O Senhor nos fala nessa parábola que somente a Ele cabe o discernimento no tempo oportuno, que será o fim dos tempos, quando Deus fará realmente a separação entre o trigo, que deverá ser recolhido no celeiro, e o joio, que deverá ser queimado na fornalha ardente. Mas, enquanto se espera esse juízo final da parte de Deus, como devemos proceder? Com certeza nós somos muitas vezes como esses servos. Olhando a comunidade cristã e o mundo como um todo, vemos uma grande ambiguidade, trigo e joio que crescem juntos. Queremos nos arvorar em juízes e gostaríamos de imediatamente retirar aquilo que aos nossos olhos parece joio, para que o campo pudesse constar somente de trigo. Mas, o Senhor do céu e da terra, que age sempre com misericórdia e complacência, que vê muito além das aparências, pois ele é Aquele que sonda os rins e os corações (Sl 138), nos ordena que esperemos. Na nossa ânsia por tirar o joio, poderíamos também retirar o trigo junto. Muitas vezes aquilo que parece joio é trigo e o que parece trigo é joio. O nosso olhar é confuso e incapaz de discernir a diferença. Olhando para a nossa própria vida vemos que estamos cercados de ambiguidade e fraqueza. Somos trigo de Cristo, mas tantas vezes temos atitudes que mais parecem revelar que somos joio ao invés de trigo. Por isso o Senhor ordena que trigo e joio cresçam juntos, a fim de que no fim dos tempos, ele próprio faça o discernimento e separe o trigo do joio. O joio deverá ser queimado, num lugar terrível onde haverá choro e ranger de dentes. O trigo, por sua vez, será recolhido no celeiro do Pai e “os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai”.

Nós devemos nos esforçar por tornarmo-nos trigos de Cristo. Mas, não é fácil ser trigo. O trigo, para alimentar as pessoas, deve ser triturado no moinho, a fim de tornar-se pão. Também nós, meus irmãos, ao nos tornarmos trigo de Cristo, devemos também ser esmagados e triturados, a fim de nos tornarmos puro pão de Cristo. Aqui me vem à mente a imagem de Santo Inácio de Antioquia. Esse grande bispo dizia exatamente isso à sua comunidade. Ele expressava nas suas cartas o desejo de ser esmagado pelos dentes das feras, a fim de ser um trigo triturado, para tornar-se puro pão de Cristo. Assim aconteceu com Cristo. Cristo é o trigo do Pai, que foi enviado à terra a fim de ser esmagado pelos homens, para tornar-se Pão da Vida. Cristo é o Pão que desce do céu e dá vida aos homens. Nós comungamos a Eucaristia a fim de nos tornarmos uma Eucaristia. Nós comungamos do Cristo, trigo do Pai triturado por nós a fim de tornar-se Pão da Vida, para que também nós, trigos de Cristo que somos, sejamos triturados e acrisolados pelo sofrimento, a fim de tornarmo-nos puro pão, pão que também gera vida no meio do mundo.

Entre a parábola do joio e do trigo e a explicação da parábola, Mateus insere duas parábolas de Jesus a respeito do Reino dos Céus. O Reino dos Céus é como um grão de mostarda. Um grão pequenino, que ao ser plantado se torna uma grande hortaliça, que oferece conforto e abrigo aos pássaros que vêm descansar em seus galhos. O Reino dos Céus é ainda como o fermento que uma mulher mistura com a farinha. Ninguém vê o fermento, mas ele de tal forma de mistura à massa que toda ela fica levedada e cresce, para tornar-se um pão que sacia e dá vida.

O Reino dos Céus é assim: possui um início modesto, quase invisível, mas cresce e torna-se uma árvore frondosa, em cujos galhos nós, cada um de nós, que somos esses pássaros necessitados de abrigo, encontra abrigo e conforto. Nós devemos trabalhar pelo Reino tendo diante de nós essa perspectiva. Às vezes parece que nossa iniciativa é tão pequena e modesta, mas ela é capaz de produzir um fruto inesperado. Às vezes realizamos uma pequena obra e de repente essa sementinha lançada, esse pouquinho de fermento, começa a produzir um fruto que não esperávamos e o Reino dos Céus começa a manifestar-se, até aquele dia definitivo, pelo qual todos nós esperamos, e do qual o Domingo é profecia e anúncio, aquele dia sem fim no qual plenamente nós estaremos no Reino do nosso Pai, no qual nós brilharemos, porque seremos reflexos da luz da própria Trindade.

Enquanto aguardamos manifestação gloriosa do Reino, somos impelidos pelo Espírito a vivermos uma vida de intensa oração. Mas tantas vezes não sabemos o que pedir nem como pedir. Por isso hoje recebemos de Deus esse presente. Um grande presente de Deus para nós hoje reunidos nessa assembleia de culto é a segunda leitura, um pequeno trecho do capítulo oitavo da carta aos Romanos. São Paulo afirma que “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis.” Essa é uma constatação que o apóstolo faz e que é muito clara na nossa vida. Nós não sabemos nem o quê nem como pedir, por isso o nosso Pai nos envia o seu Espírito, que intercede em nosso favor. Temos junto do Pai um grande intercessor. O Espírito Santo é o nosso intercessor, que ora em nós com gemidos inefáveis, intercedendo por nós segundo Deus. Deus, meus irmãos, é Aquele que penetra o íntimo dos corações. Somente o Senhor sabe do que realmente necessitamos em cada momento da nossa história. E para que não peçamos mal, Ele envia sobre nós o Espírito Santo, que intercede em nosso favor e que clama junto a Ele por aquilo de que realmente precisamos. Peçamos nesta Eucaristia que o Espírito venha orar em nós.

A liturgia celebrada na Igreja é, por excelência, o lugar da manifestação do Espírito. É aqui que o Senhor deseja derramar sobre nós o seu Espírito e nos santificar. Abramo-nos hoje ao Divino Espírito. Deixemos que Ele ore em nós, que Ele interceda em nosso favor, que em nós Ele peça ao Pai por aquilo de que realmente temos necessidade. Deixemos que os gemidos inefáveis do Espírito brotem de nossos lábios, e não tenhamos medo, porque é “sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos”.

Que saiamos da Eucaristia com a nossa alma renovada. Somos trigo de Cristo. Ainda que nesse mundo tenhamos que ser triturados e esmagados a fim de nos tornarmos um alimento para o próximo, chegará o dia no qual os anjos do Pai nos tomarão pelas mãos. Eles nos recolherão nos divinos celeiros, nas mansões celestiais e lá nós brilharemos como o sol no Reino do nosso Pai. Diante de uma tal promessa parece até que o sofrimento da nossa vida se torna mais leve e de fato se torna, porque as maravilhas que nos esperam no Reino que virá nem merecem ser comparadas com os sofrimentos e tribulações dessa vida. Saiamos hoje dessa Eucaristia renovados pelo poder vivificador da Palavra do Salvador e nutridos, fortificados, renovados na nossa fé, esperança e caridade pela comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor.


Liturgia Dominical: 

1ª Leitura: Sb 12,13.16-19

Sl 85 (86)

2ª Leitura: Rm 8,26-27

Evangelho: Mt 13,24-43

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida