Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/02/2017

26 de Fevereiro de 2017

Quarto Centenário da morte de São Camilo

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

26 de Fevereiro de 2017

Quarto Centenário da morte de São Camilo

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

06/07/2014 00:00

Quarto Centenário da morte de São Camilo 0

06/07/2014 00:00

Com alegria e gratidão, a Igreja Católica celebra com os camilianos os 400 anos da morte do santo fundador, ocorrida em Roma, em 14 de julho de 1614. Camilo de Lélis nasceu em 1550, em Bucchianico, nos Abruzzos, na Itália, de família nobre de militares. Com o pai, lutou a serviço de Veneza e da Espanha contra os turcos. Posteriormente, desperdiçou a juventude em vida desordenada. Entregou-se ao vício do jogo e perdeu tudo o que tinha, até a camisa do corpo. Indigente, aceitou um emprego nas novas construções dos capuchinhos, na Manfredônia. Graças a Deus, em 1575, abalado por conversa com um frade capuchinho, meditou sobre seu estado deplorável, caiu de joelhos, em lágrimas, e clamou por misericórdia. Radical e decididamente, mudou o rumo de sua vida.

Ingressando no noviciado capuchinho, não foi aceito na profissão religiosa devido a uma chaga contraída na perna. Dirigiu-se, então, ao Hospital de São Tiago dos Incuráveis, em Roma. Ali viu e tocou a miséria humana: de um lado, os incuráveis e terminais; de outro, o descuido e a insensibilidade de quem deveria assisti-los. A experiência determinou sua vocação religiosa.

Ordenado sacerdote por influência de São Filipe Néri, instituiu uma companhia de “homens pios e probos, que servissem aos doentes não por recompensa, mas por amor de Deus”. A congregação, aprovada por Sisto IV, em 1586, foi elevada à condição de Ordem dos Ministros dos Enfermos, em 1591, por Gregório XIV. À frente dos seus coirmãos, cuidou de pestilentos e moribundos. Formou a primeira assistência ambulatorial junto a tropas militares. Durante uma inundação do rio Tibre, em 1589, salvou os doentes de modo heróico. Percebendo que alguns enfermos eram enterrados vivos, ordenou que, após o último suspiro, as preces fossem continuadas por um quarto de hora, a fim de confirmar a morte. Determinou que não se cobrisse o rosto dos recém-falecidos, conforme o costume, pois, se estivessem ainda vivos, não seriam asfixiados. Tanto zelo integrava também a solicitude espiritual para que os hospitalizados encontrassem a misericórdia divina, pela oração e os sacramentos. No entanto, sofreu graves incompreensões pelo enfrentamento de adversários externos e pela discordância interna. Em 1607, julgou por bem renunciar à função de Superior Geral.

No período luminoso de sua vida, que corresponde à total entrega de si aos adoentados, convivia com a própria dor, qual companheira inseparável, porque permanente e, talvez, difusa pelo corpo, pois padeceu da chaga na perna durante 46 anos, de uma hérnia por 38 anos, dois calos na sola de um dos pés. Portanto, ele próprio precisava de cuidados e os recusava. Ao atingir a etapa conclusiva da vida, outro sofrimento lhe adveio. A comida o repugnava, não a retinha no estômago.

Grande na estatura, gigante na caridade! Assim podemos retratá-lo. Mestre da contemplação de Jesus nos enfermos, nos agonizantes e nos mais precisados, para cuidar deles com amor. Protagonista da contemplação feita na ação, com a disciplina ascética de superação de si. Criador e reformador hospitalar a priorizar o doente e a humanizar os agentes de saúde. Cuidador do físico e do espírito.

A Igreja proclamou São Camilo padroeiro dos doentes e das associações de enfermeiros e dos encarregados da enfermagem. É útil invocá-lo, que o digam seus devotos! É sábio imitá-lo, pois mudou sua vida fútil e vazia, dando-lhe sentido humanitário e oblativo no contato com a condição da miséria humana e com o descaso dos agentes de saúde. Suscita a mudança da vida: fazer o bem aos outros; humanizar as instituições; promover a existência boa, justa e saudável para todos. Enfim, incrementa e atualiza a Pastoral da Saúde como ponto de honra da Igreja.

Em visita a um hospital para dependentes químicos, legado da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco, em 24 de julho de 2013, o definiu com a seguinte metáfora: “santuário do sofrimento humano”. Importa compreender o alcance do significado da expressão papal e traduzi-lo em práticas cuidadoras, de sorte que nenhum hospital ou casa de saúde seja depósito de pessoas como se elas fossem coisas.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Quarto Centenário da morte de São Camilo

06/07/2014 00:00

Com alegria e gratidão, a Igreja Católica celebra com os camilianos os 400 anos da morte do santo fundador, ocorrida em Roma, em 14 de julho de 1614. Camilo de Lélis nasceu em 1550, em Bucchianico, nos Abruzzos, na Itália, de família nobre de militares. Com o pai, lutou a serviço de Veneza e da Espanha contra os turcos. Posteriormente, desperdiçou a juventude em vida desordenada. Entregou-se ao vício do jogo e perdeu tudo o que tinha, até a camisa do corpo. Indigente, aceitou um emprego nas novas construções dos capuchinhos, na Manfredônia. Graças a Deus, em 1575, abalado por conversa com um frade capuchinho, meditou sobre seu estado deplorável, caiu de joelhos, em lágrimas, e clamou por misericórdia. Radical e decididamente, mudou o rumo de sua vida.

Ingressando no noviciado capuchinho, não foi aceito na profissão religiosa devido a uma chaga contraída na perna. Dirigiu-se, então, ao Hospital de São Tiago dos Incuráveis, em Roma. Ali viu e tocou a miséria humana: de um lado, os incuráveis e terminais; de outro, o descuido e a insensibilidade de quem deveria assisti-los. A experiência determinou sua vocação religiosa.

Ordenado sacerdote por influência de São Filipe Néri, instituiu uma companhia de “homens pios e probos, que servissem aos doentes não por recompensa, mas por amor de Deus”. A congregação, aprovada por Sisto IV, em 1586, foi elevada à condição de Ordem dos Ministros dos Enfermos, em 1591, por Gregório XIV. À frente dos seus coirmãos, cuidou de pestilentos e moribundos. Formou a primeira assistência ambulatorial junto a tropas militares. Durante uma inundação do rio Tibre, em 1589, salvou os doentes de modo heróico. Percebendo que alguns enfermos eram enterrados vivos, ordenou que, após o último suspiro, as preces fossem continuadas por um quarto de hora, a fim de confirmar a morte. Determinou que não se cobrisse o rosto dos recém-falecidos, conforme o costume, pois, se estivessem ainda vivos, não seriam asfixiados. Tanto zelo integrava também a solicitude espiritual para que os hospitalizados encontrassem a misericórdia divina, pela oração e os sacramentos. No entanto, sofreu graves incompreensões pelo enfrentamento de adversários externos e pela discordância interna. Em 1607, julgou por bem renunciar à função de Superior Geral.

No período luminoso de sua vida, que corresponde à total entrega de si aos adoentados, convivia com a própria dor, qual companheira inseparável, porque permanente e, talvez, difusa pelo corpo, pois padeceu da chaga na perna durante 46 anos, de uma hérnia por 38 anos, dois calos na sola de um dos pés. Portanto, ele próprio precisava de cuidados e os recusava. Ao atingir a etapa conclusiva da vida, outro sofrimento lhe adveio. A comida o repugnava, não a retinha no estômago.

Grande na estatura, gigante na caridade! Assim podemos retratá-lo. Mestre da contemplação de Jesus nos enfermos, nos agonizantes e nos mais precisados, para cuidar deles com amor. Protagonista da contemplação feita na ação, com a disciplina ascética de superação de si. Criador e reformador hospitalar a priorizar o doente e a humanizar os agentes de saúde. Cuidador do físico e do espírito.

A Igreja proclamou São Camilo padroeiro dos doentes e das associações de enfermeiros e dos encarregados da enfermagem. É útil invocá-lo, que o digam seus devotos! É sábio imitá-lo, pois mudou sua vida fútil e vazia, dando-lhe sentido humanitário e oblativo no contato com a condição da miséria humana e com o descaso dos agentes de saúde. Suscita a mudança da vida: fazer o bem aos outros; humanizar as instituições; promover a existência boa, justa e saudável para todos. Enfim, incrementa e atualiza a Pastoral da Saúde como ponto de honra da Igreja.

Em visita a um hospital para dependentes químicos, legado da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco, em 24 de julho de 2013, o definiu com a seguinte metáfora: “santuário do sofrimento humano”. Importa compreender o alcance do significado da expressão papal e traduzi-lo em práticas cuidadoras, de sorte que nenhum hospital ou casa de saúde seja depósito de pessoas como se elas fossem coisas.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro