Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/08/2018

20 de Agosto de 2018

“Enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria...” - Homilia Dominical

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20 de Agosto de 2018

“Enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria...” - Homilia Dominical

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06/07/2014 00:00

“Enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria...” - Homilia Dominical 0

06/07/2014 00:00

14º Domingo Comum – 06 de julho de 2014 

Zc 9,9-10

Sl 144 (145)

Rm 8,9.11-13

Mt 11,25-30

Este é o pedido que neste domingo, 6 de julho, Dia do Senhor e senhor dos Dias, sobe dos lábios do sacerdote, em nosso favor, em direção a Deus. Este é um trecho da oração coleta da missa, onde, depois de reconhecer que o Cristo, pelo seu sacrifício na cruz, reergueu o “mundo decaído”, o sacerdote implora ao Pai que, por Cristo e no Espírito, sejamos todos preenchidos com a “santa alegria”, fruto do Espírito Santo derramado no coração dos crentes em cada liturgia que é celebrada.

A primeira leitura é um convite à alegria. O profeta Zacarias convida o povo a se “rejubilar” e a “levantar um grito de clamor” (cf. Zc 9,9 – no texto do lecionário se traduziu como “Exulta” e “Rejubila”) porque o “Rei”, o “Messias” enviado por Deus vem para eles. Esse Messias possui como atributos a “justiça” e a “salvação”. Diz-se também do Messias que ele é “humilde” e que, por isso, vem montado num jumento. Ele não vem em carros de guerra como os dominadores estrangeiros, mas vem humilde, porque dominará com a força de Deus e não com a força dos homens. Esse Messias em cuja presença o povo de Israel deve se alegrar não vem só para Israel, porque o profeta diz no v. 10 que ele vem anunciar o shalom, ou seja, a paz, mas paz num sentido muito mais plano, para as “nações”. O profeta utiliza o termo hebraico gôyim que significa, no contexto da Bíblia Hebraica, as nações estrangeiras, todas elas. Assim é anunciado que o Messias vem, que Israel deve se rejubilar com sua vinda, mas que seu domínio se estende para além das fronteiras de Israel. O seu domínio é “de um mar a outro mar” e “desde o rio até os confins da terra”.

O Salmo 144 começa com uma expressão do desejo do salmista de “exaltar” Adonai que é Rei e “louvar” o “nome de Adonai” pelos séculos, ou seja, eternamente. O salmista segue cantando e louvando a Deus e fazendo uma enumeração das características de Adonai: piedoso, compassivo, cheio de amor, lento para a cólera, com para todos.... O salmista exalta, sobretudo, a “realeza” de Deus e, nesse sentido, se alinha com a primeira leitura.

O “rei humilde” anunciado por Zacarias é o Cristo, pois assim ele se apresenta em Mt 11,29: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e HUMILDE (tapeinós) de coração...”

A perícope evangélica de hoje é um centro do capítulo 11 de Mateus onde Jesus começa a falar a respeito do “mistério do Reino dos Céus”. Ouvimos dois ditos de Jesus: o primeiro compreende os vv. 25-27, onde Ele nos fala do mistério da sua comunhão com o Pai; o segundo dito está nos vv. 28-30 que são um convite amoroso a ir até Ele e colocar sobre Ele o jugo nosso de cada dia, as nossas cruzes.

Os vv. 25-27 começam com um louvor de Cristo ao Pai. Na primeira leitura era o profeta que convidava o povo a louvar a Adonai porque o Messias está para chegar. Aqui é o Messias, Cristo, que já veio e está continuamente presente no meio de nós, quem louva ao Pai. O motivo do louvor é que o Pai “esconde” o mistério do Reino dos Céus aos sábios e o “revela” aos pequeninos. Na verdade não é que o Pai queira esconder de alguém o mistério do Reino. Em Cristo, o “mistério do Reino” nos foi plenamente revelado. Todavia, aquele que se acha sábio por si mesmo não se abre ao mistério. O humilde, que na verdade é o verdadeiro sábio, reconhece que ele não tem em si a explicação de todas as coisas. Por isso, ele se abre ao mistério e consegue alcançar a revelação que Cristo veio completar.

No v. 27 Cristo nos revela a tremenda comunhão de amor que existe entre Ele e o Pai. O Pai lhe entregou tudo e Ele é, por sua vez, o revelador do Pai. Só em Cristo podemos conhecer o Pai. Não existem diversos caminhos, nem muitos mestres. Há um só caminho, o evangelho; há um só mestre, o Cristo.

O v. 28 se abre com um doce convite do Cristo: “vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados”. Carregamos muitos fardos: pecados, culpas, enfermidades, preocupações etc. Isso nos deixa cansados, fatigados, desanimados na fé e no desejo de viver. Cristo deseja tomar isso sobre si, aliás Ele já o fez na cruz. Todavia Ele quer o nosso aval. Ele quer o nosso sim. Precisamos ir até Ele e colocar sobre Ele o nosso fardo. Ele assim o quis. Esse é o sinal mais evidente do seu amor: tirar de cima das nossas costas o fardo que nos pesa e colocá-lo sobre as costas d’Ele. Agora, Ele não apenas quer tirar o nosso jugo. Ele quer substituí-lo pelo seu “jugo”. Qual é o jugo de Cristo? O “jugo” de Cristo é o Evangelho. O Evangelho não é pesado. Às vezes pode parecer pesado porque estamos acostumados ao “jugo do pecado”. Mas, quando temos a coragem de trocar o “jugo do pecado” pelo “jugo de Cristo” percebemos que o seu “jugo”, o sua Lei, o Evangelho, é, de fato, como Ele mesmo diz, “suave e leve”.

Peçamos hoje nesta Eucaristia a graça de reconhecer a realeza do Cristo, aquele que veio como Rei humilde para nos salvar dos nossos pecados. Que o Cristo, nosso Rei, nos faça simples de coração para acolher a boa nova da sua palavra e que o Espírito Santo do Senhor nos encha de coragem para tomarmos sobre nós o jugo suave e leve do Cristo.

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“Enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria...” - Homilia Dominical

06/07/2014 00:00

14º Domingo Comum – 06 de julho de 2014 

Zc 9,9-10

Sl 144 (145)

Rm 8,9.11-13

Mt 11,25-30

Este é o pedido que neste domingo, 6 de julho, Dia do Senhor e senhor dos Dias, sobe dos lábios do sacerdote, em nosso favor, em direção a Deus. Este é um trecho da oração coleta da missa, onde, depois de reconhecer que o Cristo, pelo seu sacrifício na cruz, reergueu o “mundo decaído”, o sacerdote implora ao Pai que, por Cristo e no Espírito, sejamos todos preenchidos com a “santa alegria”, fruto do Espírito Santo derramado no coração dos crentes em cada liturgia que é celebrada.

A primeira leitura é um convite à alegria. O profeta Zacarias convida o povo a se “rejubilar” e a “levantar um grito de clamor” (cf. Zc 9,9 – no texto do lecionário se traduziu como “Exulta” e “Rejubila”) porque o “Rei”, o “Messias” enviado por Deus vem para eles. Esse Messias possui como atributos a “justiça” e a “salvação”. Diz-se também do Messias que ele é “humilde” e que, por isso, vem montado num jumento. Ele não vem em carros de guerra como os dominadores estrangeiros, mas vem humilde, porque dominará com a força de Deus e não com a força dos homens. Esse Messias em cuja presença o povo de Israel deve se alegrar não vem só para Israel, porque o profeta diz no v. 10 que ele vem anunciar o shalom, ou seja, a paz, mas paz num sentido muito mais plano, para as “nações”. O profeta utiliza o termo hebraico gôyim que significa, no contexto da Bíblia Hebraica, as nações estrangeiras, todas elas. Assim é anunciado que o Messias vem, que Israel deve se rejubilar com sua vinda, mas que seu domínio se estende para além das fronteiras de Israel. O seu domínio é “de um mar a outro mar” e “desde o rio até os confins da terra”.

O Salmo 144 começa com uma expressão do desejo do salmista de “exaltar” Adonai que é Rei e “louvar” o “nome de Adonai” pelos séculos, ou seja, eternamente. O salmista segue cantando e louvando a Deus e fazendo uma enumeração das características de Adonai: piedoso, compassivo, cheio de amor, lento para a cólera, com para todos.... O salmista exalta, sobretudo, a “realeza” de Deus e, nesse sentido, se alinha com a primeira leitura.

O “rei humilde” anunciado por Zacarias é o Cristo, pois assim ele se apresenta em Mt 11,29: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e HUMILDE (tapeinós) de coração...”

A perícope evangélica de hoje é um centro do capítulo 11 de Mateus onde Jesus começa a falar a respeito do “mistério do Reino dos Céus”. Ouvimos dois ditos de Jesus: o primeiro compreende os vv. 25-27, onde Ele nos fala do mistério da sua comunhão com o Pai; o segundo dito está nos vv. 28-30 que são um convite amoroso a ir até Ele e colocar sobre Ele o jugo nosso de cada dia, as nossas cruzes.

Os vv. 25-27 começam com um louvor de Cristo ao Pai. Na primeira leitura era o profeta que convidava o povo a louvar a Adonai porque o Messias está para chegar. Aqui é o Messias, Cristo, que já veio e está continuamente presente no meio de nós, quem louva ao Pai. O motivo do louvor é que o Pai “esconde” o mistério do Reino dos Céus aos sábios e o “revela” aos pequeninos. Na verdade não é que o Pai queira esconder de alguém o mistério do Reino. Em Cristo, o “mistério do Reino” nos foi plenamente revelado. Todavia, aquele que se acha sábio por si mesmo não se abre ao mistério. O humilde, que na verdade é o verdadeiro sábio, reconhece que ele não tem em si a explicação de todas as coisas. Por isso, ele se abre ao mistério e consegue alcançar a revelação que Cristo veio completar.

No v. 27 Cristo nos revela a tremenda comunhão de amor que existe entre Ele e o Pai. O Pai lhe entregou tudo e Ele é, por sua vez, o revelador do Pai. Só em Cristo podemos conhecer o Pai. Não existem diversos caminhos, nem muitos mestres. Há um só caminho, o evangelho; há um só mestre, o Cristo.

O v. 28 se abre com um doce convite do Cristo: “vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados”. Carregamos muitos fardos: pecados, culpas, enfermidades, preocupações etc. Isso nos deixa cansados, fatigados, desanimados na fé e no desejo de viver. Cristo deseja tomar isso sobre si, aliás Ele já o fez na cruz. Todavia Ele quer o nosso aval. Ele quer o nosso sim. Precisamos ir até Ele e colocar sobre Ele o nosso fardo. Ele assim o quis. Esse é o sinal mais evidente do seu amor: tirar de cima das nossas costas o fardo que nos pesa e colocá-lo sobre as costas d’Ele. Agora, Ele não apenas quer tirar o nosso jugo. Ele quer substituí-lo pelo seu “jugo”. Qual é o jugo de Cristo? O “jugo” de Cristo é o Evangelho. O Evangelho não é pesado. Às vezes pode parecer pesado porque estamos acostumados ao “jugo do pecado”. Mas, quando temos a coragem de trocar o “jugo do pecado” pelo “jugo de Cristo” percebemos que o seu “jugo”, o sua Lei, o Evangelho, é, de fato, como Ele mesmo diz, “suave e leve”.

Peçamos hoje nesta Eucaristia a graça de reconhecer a realeza do Cristo, aquele que veio como Rei humilde para nos salvar dos nossos pecados. Que o Cristo, nosso Rei, nos faça simples de coração para acolher a boa nova da sua palavra e que o Espírito Santo do Senhor nos encha de coragem para tomarmos sobre nós o jugo suave e leve do Cristo.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida