Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/05/2019

21 de Maio de 2019

São Pedro, vida e sucessão

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21 de Maio de 2019

São Pedro, vida e sucessão

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29/06/2014 00:00 - Atualizado em 30/06/2014 15:15

São Pedro, vida e sucessão 0

29/06/2014 00:00 - Atualizado em 30/06/2014 15:15

Confira os áudios 

Celebramos neste final de semana a solenidade de São Pedro. A cada ano, a liturgia nos leva a meditar sobre a vida deste grande apóstolo que é considerado como “o cabeça dos apóstolos”, por ter sido um dos principais líderes da Igreja Cristã primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor de amor a Jesus.

Enquanto o folclore brasileiro tem mais uma oportunidade de celebrar a festa junina, para nós, católicos, é uma oportunidade para refletir sobre a vida e missão de Pedro, sobre a unidade com seu sucessor e a nossa partilha como presente nesse dia.

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, e irmão do apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em sua morte por crucifixão.

O próprio Senhor o confirmou na fé após sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho com a descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o confirmou como líder da primeira comunidade. Selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo, segundo a tradição, a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. São Pedro escreveu duas cartas e também serviu como fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Historicamente, é indiscutível que Pedro foi martirizado em Roma, pelo ano 67. Por isso mesmo, desde a Antiguidade, a Igreja de Roma, Igreja de Pedro, é considerada a primeira entre todas as dioceses do mundo e cabeça de todas as outras dioceses. Com o Bispo de Roma todos os outros bispos devem estar em comunhão. Esta sempre foi e será a convicção de fé da Igreja de Cristo. A este respeito, são abundantes os testemunhos dos primeiríssimos séculos cristãos. Uma interpretação da missão de Pedro e de seus sucessores, os Papas de Roma, é baseada em Mt 16,13-26. Neste texto excepcional aparecem toda a grandeza e toda a fraqueza do ministério de Pedro e seus sucessores.

Jesus perguntara aos discípulos que opiniões corriam a seu respeito. Eram muitas. Todas incompletas, várias totalmente erradas. Como hoje. Há interpretações de Cristo para todos os gostos: filósofo e sábio, revolucionário de esquerda e agitador social, guru esotérico e alienado, judeu exótico e rabi impostor... Haja opiniões, ontem como hoje! E, então, Jesus volta-se para os discípulos – os Doze e os de todas as épocas – e dispara, como uma flecha: “E vós, quem dizeis que eu sou?” É Pedro quem responde em nome de todos: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” A resposta é perfeita; é a essência mesma da fé da Igreja. E Jesus, então, revela: “Não foi tua inteligência; foi o Pai quem te revelou isso! E eu revelo quem tu és: tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja. E dar-te-ei as chaves do Reino ... para ligares e desligares ...”. Uma observação importante: a razão humana, entregue a si mesma, não poderá jamais penetrar na essência do mistério de Cristo. “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o atrair” (Jo 6,44).

A fé cristã não nasce de um consenso da sociedade, de um raciocínio filosófico ou de uma aprovação científica. Nem deve se preocupar em ser aceita pelo mundo: só pela graça, no âmbito da fé, podemos experimentar quem é Jesus. Certamente, a fé não contraria a razão, mas a ultrapassa de longe. Pedro e seus sucessores têm a missão de dizer, como primeiras testemunhas, o mistério de Cristo ao mundo e a toda Igreja. Por isso, a autoridade de ensinar e de ligar e desligar, dada por Cristo.

Estamos unidos a Pedro e seus sucessores, que nos confirmam em nossa caminhada. No dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, a Igreja celebra o Dia do Papa.

Toda a coleta feita, em todas as igrejas do mundo, nesta data, é destinada às obras de caridade que o Papa faz. Chamamos esta coleta de Óbolo de São Pedro. “Óbolo de São Pedro é a expressão mais emblemática da participação de todos os fiéis nas iniciativas de caridade do Bispo de Roma, a bem da Igreja universal. Trata-se de um gesto que se reveste de valor não apenas prático, mas também profundamente simbólico enquanto sinal de comunhão com o Papa e de atenção às necessidades dos irmãos; por isso, o vosso serviço possui um valor retintamente eclesial” (cf. Discurso do Papa Emérito Bento XVI aos Sócios do Círculo de São Pedro, 25 de fevereiro de 2006).

Já os Sumos Pontífices anteriores tinham chamado a atenção para o óbolo como forma de os católicos apoiarem o ministério dos sucessores de São Pedro ao serviço da Igreja universal. Assim se exprimira, por exemplo, o Papa São João Paulo II: “Conheceis as crescentes necessidades do apostolado, as carências das comunidades eclesiais especialmente em terras de missão, os pedidos de ajuda que chegam de populações, indivíduos e famílias que vivem em precárias condições. Muitos esperam da Sé Apostólica uma ajuda que, muitas vezes, não conseguem encontrar em outro lugar. Vistas assim as coisas, óbolo constitui uma verdadeira e particular participação na ação evangelizadora, especialmente se consideram o sentido e a importância de partilhar concretamente as solicitudes da Igreja universal” (São João Paulo II ao Círculo de São Pedro, 28 de fevereiro de 2003). 

As ofertas com que os fiéis presenteiam o Santo Padre destinam-se a obras eclesiais, a iniciativas humanitárias e de promoção social, e também para a sustentação das atividades da Santa Sé. E o Papa, enquanto Pastor da Igreja inteira preocupa-se também com as necessidades materiais de dioceses pobres, institutos religiosos e fiéis em graves dificuldades (pobres, crianças, idosos, marginalizados, vítimas de guerras e desastres naturais; ajudas particulares a bispos ou dioceses em necessidade, educação católica, ajuda a refugiados e migrantes etc.). 

O critério geral, que inspira a prática do óbolo, remonta à Igreja primitiva: “A base primitiva para a manutenção da Sé Apostólica deve ser constituída pelas ofertas dadas espontaneamente pelos católicos de todo o mundo e, eventualmente, também por outras pessoas de boa vontade. Isto corresponde à tradição que tem origem no Evangelho (Lc 10,7) e nos ensinamentos dos Apóstolos (1Cor 11,14)” (cf. Carta de São João Paulo II ao cardeal secretário de Estado, 20 de novembro de 1982).

Portanto, ao celebrar a solenidade de São Pedro, queremos pedir a intercessão deste grande homem de fé, inúmeras graças e bênçãos. E quero também pedir a todo o povo que, neste dia em suas comunidades, sejam generosos em suas ofertas para que o nosso querido Papa Francisco, pelo óbolo já tradicional e anual, possa ajudar, em sua prática de caridade, tantas pessoas e tantos lugares que são vítimas, sobretudo nestes últimos tempos, de catástrofes naturais.

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São Pedro, vida e sucessão

29/06/2014 00:00 - Atualizado em 30/06/2014 15:15

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Celebramos neste final de semana a solenidade de São Pedro. A cada ano, a liturgia nos leva a meditar sobre a vida deste grande apóstolo que é considerado como “o cabeça dos apóstolos”, por ter sido um dos principais líderes da Igreja Cristã primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor de amor a Jesus.

Enquanto o folclore brasileiro tem mais uma oportunidade de celebrar a festa junina, para nós, católicos, é uma oportunidade para refletir sobre a vida e missão de Pedro, sobre a unidade com seu sucessor e a nossa partilha como presente nesse dia.

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, e irmão do apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em sua morte por crucifixão.

O próprio Senhor o confirmou na fé após sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho com a descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o confirmou como líder da primeira comunidade. Selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo, segundo a tradição, a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. São Pedro escreveu duas cartas e também serviu como fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Historicamente, é indiscutível que Pedro foi martirizado em Roma, pelo ano 67. Por isso mesmo, desde a Antiguidade, a Igreja de Roma, Igreja de Pedro, é considerada a primeira entre todas as dioceses do mundo e cabeça de todas as outras dioceses. Com o Bispo de Roma todos os outros bispos devem estar em comunhão. Esta sempre foi e será a convicção de fé da Igreja de Cristo. A este respeito, são abundantes os testemunhos dos primeiríssimos séculos cristãos. Uma interpretação da missão de Pedro e de seus sucessores, os Papas de Roma, é baseada em Mt 16,13-26. Neste texto excepcional aparecem toda a grandeza e toda a fraqueza do ministério de Pedro e seus sucessores.

Jesus perguntara aos discípulos que opiniões corriam a seu respeito. Eram muitas. Todas incompletas, várias totalmente erradas. Como hoje. Há interpretações de Cristo para todos os gostos: filósofo e sábio, revolucionário de esquerda e agitador social, guru esotérico e alienado, judeu exótico e rabi impostor... Haja opiniões, ontem como hoje! E, então, Jesus volta-se para os discípulos – os Doze e os de todas as épocas – e dispara, como uma flecha: “E vós, quem dizeis que eu sou?” É Pedro quem responde em nome de todos: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” A resposta é perfeita; é a essência mesma da fé da Igreja. E Jesus, então, revela: “Não foi tua inteligência; foi o Pai quem te revelou isso! E eu revelo quem tu és: tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja. E dar-te-ei as chaves do Reino ... para ligares e desligares ...”. Uma observação importante: a razão humana, entregue a si mesma, não poderá jamais penetrar na essência do mistério de Cristo. “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o atrair” (Jo 6,44).

A fé cristã não nasce de um consenso da sociedade, de um raciocínio filosófico ou de uma aprovação científica. Nem deve se preocupar em ser aceita pelo mundo: só pela graça, no âmbito da fé, podemos experimentar quem é Jesus. Certamente, a fé não contraria a razão, mas a ultrapassa de longe. Pedro e seus sucessores têm a missão de dizer, como primeiras testemunhas, o mistério de Cristo ao mundo e a toda Igreja. Por isso, a autoridade de ensinar e de ligar e desligar, dada por Cristo.

Estamos unidos a Pedro e seus sucessores, que nos confirmam em nossa caminhada. No dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, a Igreja celebra o Dia do Papa.

Toda a coleta feita, em todas as igrejas do mundo, nesta data, é destinada às obras de caridade que o Papa faz. Chamamos esta coleta de Óbolo de São Pedro. “Óbolo de São Pedro é a expressão mais emblemática da participação de todos os fiéis nas iniciativas de caridade do Bispo de Roma, a bem da Igreja universal. Trata-se de um gesto que se reveste de valor não apenas prático, mas também profundamente simbólico enquanto sinal de comunhão com o Papa e de atenção às necessidades dos irmãos; por isso, o vosso serviço possui um valor retintamente eclesial” (cf. Discurso do Papa Emérito Bento XVI aos Sócios do Círculo de São Pedro, 25 de fevereiro de 2006).

Já os Sumos Pontífices anteriores tinham chamado a atenção para o óbolo como forma de os católicos apoiarem o ministério dos sucessores de São Pedro ao serviço da Igreja universal. Assim se exprimira, por exemplo, o Papa São João Paulo II: “Conheceis as crescentes necessidades do apostolado, as carências das comunidades eclesiais especialmente em terras de missão, os pedidos de ajuda que chegam de populações, indivíduos e famílias que vivem em precárias condições. Muitos esperam da Sé Apostólica uma ajuda que, muitas vezes, não conseguem encontrar em outro lugar. Vistas assim as coisas, óbolo constitui uma verdadeira e particular participação na ação evangelizadora, especialmente se consideram o sentido e a importância de partilhar concretamente as solicitudes da Igreja universal” (São João Paulo II ao Círculo de São Pedro, 28 de fevereiro de 2003). 

As ofertas com que os fiéis presenteiam o Santo Padre destinam-se a obras eclesiais, a iniciativas humanitárias e de promoção social, e também para a sustentação das atividades da Santa Sé. E o Papa, enquanto Pastor da Igreja inteira preocupa-se também com as necessidades materiais de dioceses pobres, institutos religiosos e fiéis em graves dificuldades (pobres, crianças, idosos, marginalizados, vítimas de guerras e desastres naturais; ajudas particulares a bispos ou dioceses em necessidade, educação católica, ajuda a refugiados e migrantes etc.). 

O critério geral, que inspira a prática do óbolo, remonta à Igreja primitiva: “A base primitiva para a manutenção da Sé Apostólica deve ser constituída pelas ofertas dadas espontaneamente pelos católicos de todo o mundo e, eventualmente, também por outras pessoas de boa vontade. Isto corresponde à tradição que tem origem no Evangelho (Lc 10,7) e nos ensinamentos dos Apóstolos (1Cor 11,14)” (cf. Carta de São João Paulo II ao cardeal secretário de Estado, 20 de novembro de 1982).

Portanto, ao celebrar a solenidade de São Pedro, queremos pedir a intercessão deste grande homem de fé, inúmeras graças e bênçãos. E quero também pedir a todo o povo que, neste dia em suas comunidades, sejam generosos em suas ofertas para que o nosso querido Papa Francisco, pelo óbolo já tradicional e anual, possa ajudar, em sua prática de caridade, tantas pessoas e tantos lugares que são vítimas, sobretudo nestes últimos tempos, de catástrofes naturais.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro