Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

Pentecostes

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08/06/2014 00:00

Pentecostes 0

08/06/2014 00:00

Ouça a Voz do Pastor sobre a Solenidade de Pentecostes

Ao concluir o tempo litúrgico da Páscoa, precedido pela novena e vigília de Pentecostes, e aqui no Hemisfério Sul, pela Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos, celebramos a solenidade da vinda do Espírito Santo. Nossa arquidiocese vive intensamente estes eventos nessa semana e, com renovado entusiasmo, se coloca à acolhida do Espírito Santo em sua vida e em nossa caminhada. É tempo de abrir a vida, a mente, o coração e acolher o “fogo do amor de Deus” e sair pelo mundo anunciando a grande notícia da ressurreição de Jesus.

O Papa Francisco, em sua última missa na Terra Santa, celebrou-a no Cenáculo, quando recordou que ali onde Jesus celebrou a última ceia e instituiu a Eucaristia é também o lugar da experiência de Pentecostes, de onde saiu a Igreja enviada ao mundo para evangelizar.

Portanto, esta solenidade para nós é um marco do qual vemos o surgimento da Igreja, que é sustentada e animada pelo dom e pela força do Espírito Santo. A palavra Pentecostes, do grego pentekosté, é o quinquagésimo dia após a Páscoa. Comemoramos nesta solenidade o envio do Espírito Santo à Igreja. A partir da ascensão de Cristo, os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. Em cumprimento à promessa de Jesus: “quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade que vem do Pai, ele dará testemunho de mim e vós também dareis testemunho” (Jo 15, 26-27). Dessa maneira, o Espírito Santo foi enviado sobre os apóstolos, e Cristo está presente na Igreja, que é continuadora da sua missão.

A origem da festa de Pentecostes vem do Antigo Testamento: uma celebração da colheita (Ex 23, 14), dia de alegria e ação de graças, inicialmente uma festa agrária. Nela, o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se a festa da renovação da Aliança no Sinai (Ex 19, 1-16). No Novo Testamento, Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-13. Como era costume, os apóstolos, juntamente com Maria, mãe de Jesus, estavam reunidos nessa época quando se ouviu um ruído, “como se soprasse um vento impetuoso”. “Línguas de fogo” pousaram sobre os apóstolos, e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas.

Pentecostes é a coroação da Páscoa de Cristo. Nele, acontece a plenificação da Páscoa, pois a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração, na vida e na missão dos discípulos. Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do patriarca Atenágoras (1948-1972): “Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo e a ação moral uma ação de escravos”. O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e Lhe garante a vida e a eficácia da missão.

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”. Que Espírito é este que encheu hoje os apóstolos e a inteira Igreja de Cristo? Ele é o Espírito do Ressuscitado, soprado pelo Cristo Senhor. “Jesus disse: ‘Como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Depois soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo’ ”!

Nele, tudo fora criado desde o princípio: “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas” (Sb 1,7). Somente no Santo Espírito podemos compreender que toda a criação e toda a história são penetradas pela vida de Deus, que nos vem pelo Cristo; somente no Santo Espírito podemos perceber a unidade e bondade radicais da criação que nos cerca, mesmo com tantas trevas e contradições. É o Santo Espírito, doce Consolador, que nos livra do desespero e da falta de sentido!

Nele, tudo se mantém, tudo tem consistência, tudo é precioso: “Encheu-se a Terra com as vossas criaturas: se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem, e da Terra toda a face renovais”. É por sua ação constante que tudo existe e persiste no ser. Sem ele, tudo voltaria ao nada e nada teria consistência real. Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas.

Sem Ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso, Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo, que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos; o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar...

Ele é a nova lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez 11,19; Jr 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5,5). A lei de Moisés, em tábuas de pedra, fora dada no Sinai em meio a relâmpagos, trovões, fogo, vento e terremotos (cf. Ex 19); agora, a nova lei, o Santo Espírito, nos vem em línguas de fogo e vento barulhento e impetuoso, para marcar o início da Nova Aliança, do amor derramado no íntimo de nós!

Ele tudo perdoa e renova em Cristo, pois é Espírito para a remissão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”! É, pois, no Espírito que a Santa Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus.

Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo...” – Neste corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é una na diversidade de tantos dons e carismas; una nas diferenças de seus membros.

Ele faz a Igreja falar todas as línguas, fá-la abrir-se ao mundo, procurar o mundo com “santa inquietude”, não para render-se ao mundo, ou imitá-lo, ou perder-se nele, mas para “anunciar as maravilhas de Deus” em Cristo Jesus, chamando o mundo à conversão e à vida nova em Cristo!

Enfim, Ele torna Jesus sempre presente no nosso coração e no coração da Igreja, e no-Lo testemunha incessantemente, sempre e em tudo que Jesus é o Senhor, pois “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo”! – para a glória de Deus Pai.

“No Espírito Santo, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo Ressuscitado está presente, o Evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se deifica” (Atenágoras).

Temos visto a ação do Espírito Santo na vida e a ação da Igreja, através da história, em nossas comunidades, em tantos irmãos e irmãs! Que a ação desse mesmo Espírito nos faça sempre olhar o mundo com os olhos de “discípulos missionários”.

Não tenhamos medo! Acolhamos hoje esse “dom de Deus”, o Espírito Santo, em nossa vida e deixemo-nos conduzir por Ele no seguimento de Cristo a caminho para o Pai! A vida transformada nos fará sinais da presença do Ressuscitado na história.

Vinde, Espírito Santo, renovai a face da Terra!

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08/06/2014 00:00

Ouça a Voz do Pastor sobre a Solenidade de Pentecostes

Ao concluir o tempo litúrgico da Páscoa, precedido pela novena e vigília de Pentecostes, e aqui no Hemisfério Sul, pela Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos, celebramos a solenidade da vinda do Espírito Santo. Nossa arquidiocese vive intensamente estes eventos nessa semana e, com renovado entusiasmo, se coloca à acolhida do Espírito Santo em sua vida e em nossa caminhada. É tempo de abrir a vida, a mente, o coração e acolher o “fogo do amor de Deus” e sair pelo mundo anunciando a grande notícia da ressurreição de Jesus.

O Papa Francisco, em sua última missa na Terra Santa, celebrou-a no Cenáculo, quando recordou que ali onde Jesus celebrou a última ceia e instituiu a Eucaristia é também o lugar da experiência de Pentecostes, de onde saiu a Igreja enviada ao mundo para evangelizar.

Portanto, esta solenidade para nós é um marco do qual vemos o surgimento da Igreja, que é sustentada e animada pelo dom e pela força do Espírito Santo. A palavra Pentecostes, do grego pentekosté, é o quinquagésimo dia após a Páscoa. Comemoramos nesta solenidade o envio do Espírito Santo à Igreja. A partir da ascensão de Cristo, os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. Em cumprimento à promessa de Jesus: “quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade que vem do Pai, ele dará testemunho de mim e vós também dareis testemunho” (Jo 15, 26-27). Dessa maneira, o Espírito Santo foi enviado sobre os apóstolos, e Cristo está presente na Igreja, que é continuadora da sua missão.

A origem da festa de Pentecostes vem do Antigo Testamento: uma celebração da colheita (Ex 23, 14), dia de alegria e ação de graças, inicialmente uma festa agrária. Nela, o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se a festa da renovação da Aliança no Sinai (Ex 19, 1-16). No Novo Testamento, Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-13. Como era costume, os apóstolos, juntamente com Maria, mãe de Jesus, estavam reunidos nessa época quando se ouviu um ruído, “como se soprasse um vento impetuoso”. “Línguas de fogo” pousaram sobre os apóstolos, e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas.

Pentecostes é a coroação da Páscoa de Cristo. Nele, acontece a plenificação da Páscoa, pois a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração, na vida e na missão dos discípulos. Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do patriarca Atenágoras (1948-1972): “Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo e a ação moral uma ação de escravos”. O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e Lhe garante a vida e a eficácia da missão.

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”. Que Espírito é este que encheu hoje os apóstolos e a inteira Igreja de Cristo? Ele é o Espírito do Ressuscitado, soprado pelo Cristo Senhor. “Jesus disse: ‘Como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Depois soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo’ ”!

Nele, tudo fora criado desde o princípio: “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas” (Sb 1,7). Somente no Santo Espírito podemos compreender que toda a criação e toda a história são penetradas pela vida de Deus, que nos vem pelo Cristo; somente no Santo Espírito podemos perceber a unidade e bondade radicais da criação que nos cerca, mesmo com tantas trevas e contradições. É o Santo Espírito, doce Consolador, que nos livra do desespero e da falta de sentido!

Nele, tudo se mantém, tudo tem consistência, tudo é precioso: “Encheu-se a Terra com as vossas criaturas: se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem, e da Terra toda a face renovais”. É por sua ação constante que tudo existe e persiste no ser. Sem ele, tudo voltaria ao nada e nada teria consistência real. Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas.

Sem Ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso, Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo, que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos; o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar...

Ele é a nova lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez 11,19; Jr 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5,5). A lei de Moisés, em tábuas de pedra, fora dada no Sinai em meio a relâmpagos, trovões, fogo, vento e terremotos (cf. Ex 19); agora, a nova lei, o Santo Espírito, nos vem em línguas de fogo e vento barulhento e impetuoso, para marcar o início da Nova Aliança, do amor derramado no íntimo de nós!

Ele tudo perdoa e renova em Cristo, pois é Espírito para a remissão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”! É, pois, no Espírito que a Santa Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus.

Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo...” – Neste corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é una na diversidade de tantos dons e carismas; una nas diferenças de seus membros.

Ele faz a Igreja falar todas as línguas, fá-la abrir-se ao mundo, procurar o mundo com “santa inquietude”, não para render-se ao mundo, ou imitá-lo, ou perder-se nele, mas para “anunciar as maravilhas de Deus” em Cristo Jesus, chamando o mundo à conversão e à vida nova em Cristo!

Enfim, Ele torna Jesus sempre presente no nosso coração e no coração da Igreja, e no-Lo testemunha incessantemente, sempre e em tudo que Jesus é o Senhor, pois “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo”! – para a glória de Deus Pai.

“No Espírito Santo, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo Ressuscitado está presente, o Evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se deifica” (Atenágoras).

Temos visto a ação do Espírito Santo na vida e a ação da Igreja, através da história, em nossas comunidades, em tantos irmãos e irmãs! Que a ação desse mesmo Espírito nos faça sempre olhar o mundo com os olhos de “discípulos missionários”.

Não tenhamos medo! Acolhamos hoje esse “dom de Deus”, o Espírito Santo, em nossa vida e deixemo-nos conduzir por Ele no seguimento de Cristo a caminho para o Pai! A vida transformada nos fará sinais da presença do Ressuscitado na história.

Vinde, Espírito Santo, renovai a face da Terra!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro