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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 30/04/2017

30 de Abril de 2017

O Espírito Santo no espaço e no tempo

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30 de Abril de 2017

O Espírito Santo no espaço e no tempo

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08/06/2014 00:00

O Espírito Santo no espaço e no tempo 0

08/06/2014 00:00

O Espírito Santo no espaço e no tempo / Arqrio

Quando o Espírito Santo desce sobre cada um, a missão é muito ampliada. Descortina-se o horizonte da evangelização a ser empreendida

Para quem comunga de nossa fé, a celebração de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, é o nascimento da Igreja, fundada pelo Jesus terreno, confirmada pelo Ressuscitado. Caberia ao Espírito Santo facilitar a expansão da obra do Redentor, no espaço do mundo e no tempo das pessoas. Daí, a recomendação de que “não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem a promessa do Pai” (At 1, 4). Os apóstolos e discípulos e discípulas, entre as quais, Maria, a mãe de Jesus, unidos no desejo da recepção do Espírito, permaneceram em oração (v. 13-14).

Para que desceu o Espírito do Pai pelo Filho na Igreja apostólica e mariana? A fim de garantir a difusão permanente da obra de Jesus. “Recebereis uma força que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas, em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra” (v. 8). Do pequeno espaço particular da cidade santa ao imenso espaço universal. Porém, tendo o tempo como ampla extensão.

Quando o Espírito Santo desce sobre cada um, a missão é muito ampliada. Descortina-se o horizonte da evangelização a ser empreendida, na terra dos homens, em todos os tempos e “até os confins”. Além desta dimensão geográfica, não acabada, do mundo e das culturas, podemos com o Papa Francisco acrescentar as periferias sociais e as existenciais. Tratam-se dos novos confins dos humanos “eliminados” ou “descartáveis”, porque rejeitados pela sociedade de consumo. Tanto desafio humanamente insuperável há de ser enfrentado pela graça sempre vitoriosa do Espírito.

Pentecostes é uma experiência originária, localizada: “Estavam todos reunidos no mesmo lugar” (At 2, 1). Não se trata de gente dispersa, mas já unida em Cristo no desejo comum que se torna oração. Supõe a congregação dos crentes e a assembleia de culto. A espacialidade inicial vai além do recinto e para fora. Por isso, ocorre a glossolalia, a expressar a universalidade da mensagem, compreendida em uma só língua. Portanto, o “falar em outras línguas” em Pentecostes não é o simples “orar em línguas”, carisma conhecido pela Igreja em Corinto. É bem mais. É uma espécie de profecia em ato: a universalidade da mensagem a ser transmitida já acontece e é compreendida por todos que não são galileus. Trata-se do poder comunicante do Espírito Santo, derramado sobre os membros da Igreja primitiva “em línguas como de fogo” (v. 3), para agir por eles nos corações dos ouvintes.

Assim sendo, Pedro logo se apresenta com os 11, como colégio apostólico. Põe-se diante da multidão. Discursa. Levanta a voz. Atualiza a profecia de Oséias a respeito do derramamento universal do Espírito. A profecia se cumpre, pois o Espírito desce sobre todos os ouvintes que aceitam Jesus e o Batismo. Assim, o Evangelho é anunciado, pela primeira vez, através da Igreja (2,14-21), e o sacramento é administrado. A palavra acompanhada do sinal é a afirmação do Espírito Santo no tempo da origem aberto ao tempo futuro até a volta de Jesus. Demonstra a sabedoria e a fortaleza dos primeiros, impregnados pelo sopro do Espírito, qual “vento impetuoso” (2,2).

A ação do Espírito é constante na história da Igreja. Convém relembrá-la, nos tempos apostólicos, para reconhecê-la no nosso. Os apóstolos deram testemunho, perante o sinédrio, afirmando “nós e o Espírito Santo” (5,12). Diante da murmuração dos helenistas, escolheram sete homens, “repletos do Espírito” para o serviço da caridade de suas viúvas (6,1-6). Antes de ser apedrejado, ninguém podia “resistir à sabedoria e ao Espírito” com o qual Estêvão falava (v. 10). Os apóstolos impunham as mãos para a recepção do Espírito (8,16, 13, 3). A consolação do Espírito Santo é tempo de paz e tranquilidade (9,31). Ele desceu também sobre os gentios para que fossem aceitos entre os irmãos (10,44-48). Ele dissera durante uma liturgia: “Separai para mim Barnabé e Saulo, para a obra à qual os destinei”(13,2). Paulo agia repleto do Espírito Santo (13,9; 16,6-9; 20,22; 21,11). Os discípulos se achavam cheios da sua alegria (13,52). Superando a perturbação causada pelos judaizantes, a decisão apostólica fora: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...”(15,38). Mediante os apóstolos, Ele constituiu guardiães para apascentarem a Igreja (20,28). Resta-nos, pois, louvá-Lo e agradecê-Lo pelos seus dons, carismas e frutos, reconhecidos na Igreja. Ontem, hoje, sempre.

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O Espírito Santo no espaço e no tempo / Arqrio

O Espírito Santo no espaço e no tempo

08/06/2014 00:00

Quando o Espírito Santo desce sobre cada um, a missão é muito ampliada. Descortina-se o horizonte da evangelização a ser empreendida

Para quem comunga de nossa fé, a celebração de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, é o nascimento da Igreja, fundada pelo Jesus terreno, confirmada pelo Ressuscitado. Caberia ao Espírito Santo facilitar a expansão da obra do Redentor, no espaço do mundo e no tempo das pessoas. Daí, a recomendação de que “não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem a promessa do Pai” (At 1, 4). Os apóstolos e discípulos e discípulas, entre as quais, Maria, a mãe de Jesus, unidos no desejo da recepção do Espírito, permaneceram em oração (v. 13-14).

Para que desceu o Espírito do Pai pelo Filho na Igreja apostólica e mariana? A fim de garantir a difusão permanente da obra de Jesus. “Recebereis uma força que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas, em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra” (v. 8). Do pequeno espaço particular da cidade santa ao imenso espaço universal. Porém, tendo o tempo como ampla extensão.

Quando o Espírito Santo desce sobre cada um, a missão é muito ampliada. Descortina-se o horizonte da evangelização a ser empreendida, na terra dos homens, em todos os tempos e “até os confins”. Além desta dimensão geográfica, não acabada, do mundo e das culturas, podemos com o Papa Francisco acrescentar as periferias sociais e as existenciais. Tratam-se dos novos confins dos humanos “eliminados” ou “descartáveis”, porque rejeitados pela sociedade de consumo. Tanto desafio humanamente insuperável há de ser enfrentado pela graça sempre vitoriosa do Espírito.

Pentecostes é uma experiência originária, localizada: “Estavam todos reunidos no mesmo lugar” (At 2, 1). Não se trata de gente dispersa, mas já unida em Cristo no desejo comum que se torna oração. Supõe a congregação dos crentes e a assembleia de culto. A espacialidade inicial vai além do recinto e para fora. Por isso, ocorre a glossolalia, a expressar a universalidade da mensagem, compreendida em uma só língua. Portanto, o “falar em outras línguas” em Pentecostes não é o simples “orar em línguas”, carisma conhecido pela Igreja em Corinto. É bem mais. É uma espécie de profecia em ato: a universalidade da mensagem a ser transmitida já acontece e é compreendida por todos que não são galileus. Trata-se do poder comunicante do Espírito Santo, derramado sobre os membros da Igreja primitiva “em línguas como de fogo” (v. 3), para agir por eles nos corações dos ouvintes.

Assim sendo, Pedro logo se apresenta com os 11, como colégio apostólico. Põe-se diante da multidão. Discursa. Levanta a voz. Atualiza a profecia de Oséias a respeito do derramamento universal do Espírito. A profecia se cumpre, pois o Espírito desce sobre todos os ouvintes que aceitam Jesus e o Batismo. Assim, o Evangelho é anunciado, pela primeira vez, através da Igreja (2,14-21), e o sacramento é administrado. A palavra acompanhada do sinal é a afirmação do Espírito Santo no tempo da origem aberto ao tempo futuro até a volta de Jesus. Demonstra a sabedoria e a fortaleza dos primeiros, impregnados pelo sopro do Espírito, qual “vento impetuoso” (2,2).

A ação do Espírito é constante na história da Igreja. Convém relembrá-la, nos tempos apostólicos, para reconhecê-la no nosso. Os apóstolos deram testemunho, perante o sinédrio, afirmando “nós e o Espírito Santo” (5,12). Diante da murmuração dos helenistas, escolheram sete homens, “repletos do Espírito” para o serviço da caridade de suas viúvas (6,1-6). Antes de ser apedrejado, ninguém podia “resistir à sabedoria e ao Espírito” com o qual Estêvão falava (v. 10). Os apóstolos impunham as mãos para a recepção do Espírito (8,16, 13, 3). A consolação do Espírito Santo é tempo de paz e tranquilidade (9,31). Ele desceu também sobre os gentios para que fossem aceitos entre os irmãos (10,44-48). Ele dissera durante uma liturgia: “Separai para mim Barnabé e Saulo, para a obra à qual os destinei”(13,2). Paulo agia repleto do Espírito Santo (13,9; 16,6-9; 20,22; 21,11). Os discípulos se achavam cheios da sua alegria (13,52). Superando a perturbação causada pelos judaizantes, a decisão apostólica fora: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...”(15,38). Mediante os apóstolos, Ele constituiu guardiães para apascentarem a Igreja (20,28). Resta-nos, pois, louvá-Lo e agradecê-Lo pelos seus dons, carismas e frutos, reconhecidos na Igreja. Ontem, hoje, sempre.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro