Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2017

20 de Outubro de 2017

Vinde, ó Santo Espírito!

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25/05/2014 00:00

Vinde, ó Santo Espírito! 0

25/05/2014 00:00

Vinde, ó Santo Espírito! / Arqrio

A liturgia dominical já nos põe na expectativa de Pentecostes por nos fazer reviver o tempo pascal apostólico, marcado pela promessa de Jesus: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Defensor, para que permaneça convosco: o Espírito da Verdade” (Jo 14, 16-17). Defensor, o mesmo que Paráclito significa que o Espírito é assemelhado ao advogado que se põe ao lado do acusado para ajudar e defender. Por isso, o Espírito é o auxiliador. Convinha que os apóstolos e os discípulos da primeira hora ouvissem a promessa a ser cumprida, após a ausência física do Senhor: “Ele vos dará outro Defensor”.

O mesmo tema logo retorna mais aprofundado, quando Jesus diz: “é do vosso interesse que eu parta; se eu não partir, o Paráclito não virá a vós; se, pelo contrário, eu partir, eu o enviarei a vós” (Jo 16, 7). Assim, sua partida, desde a elevação na Cruz à ascensão, permitirá que, por seu intermédio, o advogado seja enviado do Pai, para acompanhar os discípulos e dar-lhes a vida nova e plena. Portanto, o Espírito é dom do agir do próprio Jesus, na sua igualdade de natureza divina, no diálogo com o Pai, agora acrescida de sua humanidade semelhante à nossa.

O tema volta ainda e mais aprofundado quando Jesus reapresenta o Paráclito, mas explicitando suas ações em termos jurídicos: “Ele, com sua vinda, confundirá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do julgamento; a respeito do pecado, porque eles não creem em mim; a respeito da justiça, porque eu vou para o Pai e não me vereis mais; a respeito do julgamento, porque o príncipe deste mundo foi julgado” (Jo 16, 8-11). Significa que, pela intervenção do Espírito, para além da morte, Jesus será glorificado pelo Pai, que demonstrará a justiça de sua causa, a legitimidade de seu procedimento e atestará o pecado do mundo e a condenação de quem o governa: o diabo.

Consequentemente, o Espírito abrirá os olhos da fé dos discípulos para que Jesus seja, enfim, reconhecido por eles, como sendo o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Portanto, compreensão e aceitação do sentido expiatório e pascal do seu sacrifício, devido ao somatório do pecado do mundo, em toda sua extensão e implicações. Conhecimento do Redentor.

A propósito, o Papa São João Paulo II, na Encíclica “Dominum et Vivificantem” sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e do mundo fez as seguintes explanações:

“O pecado ao qual Jesus se refere, significa a incredulidade encontrada no meio dos ‘seus’, a começar pelos próprios conterrâneos de Nazaré. Diz respeito à rejeição da sua missão, que levará os homens a condená-Lo à morte. A justiça parece ser a definitiva, que o Pai lhe fará, revestindo-O da glória da ressurreição e da ascensão ao céu. O juízo se refere ao Espírito da verdade, que demonstrará a culpa do “mundo” quanto à condenação de Jesus à morte de cruz. Afeta, sobretudo, a Satanás, pois ele explora a obra da criação contra a salvação e contra a aliança e a união do homem com Deus. Entretanto, se o Espírito deve convencer o mundo quanto ao juízo é para continuar nele a obra salvífica de Cristo ( cf. n. 27 d).

Une-se à oração suplicante do Ressuscitado ao Pai, a novena da Igreja apostólica com Maria e as discípulas (At 1, 13-14). Assim sendo, o Espírito prometido há de ser implorado como dom vital de Deus, desde a Igreja nascente e em todos os tempos. Logo, Pentecostes é em primeiríssimo lugar fruto de uma assembleia orante porque deseja e confia. Aliás, Jesus, mestre de oração durante sua vida pública, afirmara: “sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!” (Lc 11, 13). De fato, o Espírito é a “coisa boa” por excelência a ser desejada e pedida, pela Igreja em paz e pela Igreja perseguida.

É tempo de implorá-lo como fruto da páscoa do Senhor, para que renove seus dons e seus frutos em nós. A favor da unidade dos discípulos de Jesus, intenção querida, que empenhou sua oração sacerdotal, a fim de que a obra da redenção penetre o interior das pessoas. Por elas impregne o mundo, segundo a extensão do salmista: “Enviai vosso Espírito, Senhor, e renovai a face da Terra” (Sl 103). Com toda a Igreja, nós permanecemos disponíveis e desejosos pelo derramamento do Espírito.

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25/05/2014 00:00

A liturgia dominical já nos põe na expectativa de Pentecostes por nos fazer reviver o tempo pascal apostólico, marcado pela promessa de Jesus: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Defensor, para que permaneça convosco: o Espírito da Verdade” (Jo 14, 16-17). Defensor, o mesmo que Paráclito significa que o Espírito é assemelhado ao advogado que se põe ao lado do acusado para ajudar e defender. Por isso, o Espírito é o auxiliador. Convinha que os apóstolos e os discípulos da primeira hora ouvissem a promessa a ser cumprida, após a ausência física do Senhor: “Ele vos dará outro Defensor”.

O mesmo tema logo retorna mais aprofundado, quando Jesus diz: “é do vosso interesse que eu parta; se eu não partir, o Paráclito não virá a vós; se, pelo contrário, eu partir, eu o enviarei a vós” (Jo 16, 7). Assim, sua partida, desde a elevação na Cruz à ascensão, permitirá que, por seu intermédio, o advogado seja enviado do Pai, para acompanhar os discípulos e dar-lhes a vida nova e plena. Portanto, o Espírito é dom do agir do próprio Jesus, na sua igualdade de natureza divina, no diálogo com o Pai, agora acrescida de sua humanidade semelhante à nossa.

O tema volta ainda e mais aprofundado quando Jesus reapresenta o Paráclito, mas explicitando suas ações em termos jurídicos: “Ele, com sua vinda, confundirá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do julgamento; a respeito do pecado, porque eles não creem em mim; a respeito da justiça, porque eu vou para o Pai e não me vereis mais; a respeito do julgamento, porque o príncipe deste mundo foi julgado” (Jo 16, 8-11). Significa que, pela intervenção do Espírito, para além da morte, Jesus será glorificado pelo Pai, que demonstrará a justiça de sua causa, a legitimidade de seu procedimento e atestará o pecado do mundo e a condenação de quem o governa: o diabo.

Consequentemente, o Espírito abrirá os olhos da fé dos discípulos para que Jesus seja, enfim, reconhecido por eles, como sendo o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Portanto, compreensão e aceitação do sentido expiatório e pascal do seu sacrifício, devido ao somatório do pecado do mundo, em toda sua extensão e implicações. Conhecimento do Redentor.

A propósito, o Papa São João Paulo II, na Encíclica “Dominum et Vivificantem” sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e do mundo fez as seguintes explanações:

“O pecado ao qual Jesus se refere, significa a incredulidade encontrada no meio dos ‘seus’, a começar pelos próprios conterrâneos de Nazaré. Diz respeito à rejeição da sua missão, que levará os homens a condená-Lo à morte. A justiça parece ser a definitiva, que o Pai lhe fará, revestindo-O da glória da ressurreição e da ascensão ao céu. O juízo se refere ao Espírito da verdade, que demonstrará a culpa do “mundo” quanto à condenação de Jesus à morte de cruz. Afeta, sobretudo, a Satanás, pois ele explora a obra da criação contra a salvação e contra a aliança e a união do homem com Deus. Entretanto, se o Espírito deve convencer o mundo quanto ao juízo é para continuar nele a obra salvífica de Cristo ( cf. n. 27 d).

Une-se à oração suplicante do Ressuscitado ao Pai, a novena da Igreja apostólica com Maria e as discípulas (At 1, 13-14). Assim sendo, o Espírito prometido há de ser implorado como dom vital de Deus, desde a Igreja nascente e em todos os tempos. Logo, Pentecostes é em primeiríssimo lugar fruto de uma assembleia orante porque deseja e confia. Aliás, Jesus, mestre de oração durante sua vida pública, afirmara: “sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!” (Lc 11, 13). De fato, o Espírito é a “coisa boa” por excelência a ser desejada e pedida, pela Igreja em paz e pela Igreja perseguida.

É tempo de implorá-lo como fruto da páscoa do Senhor, para que renove seus dons e seus frutos em nós. A favor da unidade dos discípulos de Jesus, intenção querida, que empenhou sua oração sacerdotal, a fim de que a obra da redenção penetre o interior das pessoas. Por elas impregne o mundo, segundo a extensão do salmista: “Enviai vosso Espírito, Senhor, e renovai a face da Terra” (Sl 103). Com toda a Igreja, nós permanecemos disponíveis e desejosos pelo derramamento do Espírito.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro