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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 12/11/2019

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19/05/2014 14:08

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19/05/2014 14:08

Em nossa Assembleia Geral dos Bispos do Brasil realizada em Aparecida e concluída no dia 9 de maio entre tantas decisões e manifestações tivemos uma muito importante: foi proclamado que teremos o Ano da Paz!

A proposta de iniciar no Advento deste ano e concluindo no Natal de 2015 é para que se tenha mais tempo de preparar. Mas muitos bispos e arcebispos se manifestaram para que essa atividade começasse logo devido ao clima de intensa violência e intolerância que grassa no mundo e, consequentemente, em nosso país.

O nosso Regional Leste 1 teve essa iniciativa quando convidou a todos para que durante a Sexta-Feira Santa o clima de penitência, oração e jejum fosse uma ocasião de pedir ao Senhor para que o sacrifício redentor de Jesus na Cruz fosse acolhido pelas pessoas de boa vontade e, assim, é claro que não se pensa em uma paz que nos tire da realidade como uma alienação ou que não se preocupe com os direitos da pessoa. É justamente nessa direção que caminhamos. Porém, a sociedade violenta está colocando as pessoas desconfiadas umas das outras. Basta ver as chacinas que ocorrem e linchamentos vários de inocentes levados pela intolerância.

O mundo violento que nos chega através de fotos de cristãos crucificados ou chacinados pelo mundo e de fome que mata em tantas partes do planeta assim como a fuga de suas pátrias por perseguições políticas, religiosas ou culturais deve nos fazer pensar sobre que tipo de sociedade estamos construindo e onde queremos chegar. A situação de pobres e de pessoas que os manipulam clama aos céus pelas injustiças e maldades.

Será que não temos solução para esses problemas e situações? A liberdade da pessoa e o seu ir e vir, assim como o direito às manifestações pacíficas fazem parte de nosso progresso político. Embora isso em algumas partes do mundo não exista.

Este tempo de tantas controvérsias e tantos questionamentos (a famosa mudança de época) deve nos encontrar muito unidos em nossa caminhada e responsáveis pela nossa missão.

É justamente neste tempo que somos chamados a ser testemunhas que a fé nos faz viver com muito mais responsabilidade a vida de cada dia acolhendo as dores das pessoas que estão ao nosso lado.

Sermos testemunhas de que é possível viver a unidade em meio à diversidade e, ao mesmo tempo, amar-nos uns aos outros como Jesus nos pediu pode fazer a diferença. Nesses dias, a liturgia pascal nos tem questionado com relação a isso.

Sabemos que um “reino dividido” não subsiste e, portanto, também não transforma. Por isso mesmo Jesus pediu que “fôssemos um” para que o mundo creia. O carinho do relacionamento, mesmo entre questões que discordamos, é um sinal que as pessoas percebem.

Quando Jesus pergunta se ao seu retorno ainda haverá fé sobre a Terra, podemos nos perguntar se também estaremos unidos na caridade. O Papa Francisco em seu discurso aqui no Rio de Janeiro aos bispos do Brasil perguntou se a nossa Igreja ainda tinha capacidade de “aquecer os corações”. E constatamos que tinha! Vimos isso com nossos olhos!

Eis agora um momento novo em que isso pode acontecer. Eis agora a oportunidade de testemunharmos que em Cristo “somos um” e estamos a serviço da construção de um “mundo novo” alicerçados na ressurreição de Jesus. Essa é a nossa força que vem da ação do Espírito Santo em nossas vidas: a comunhão entre nós.

É justamente no momento da crise profunda ou das grandes provações pelas quais passamos que somos provados como “ouro no cadinho” para sabermos as mais profundas intenções que temos no coração. São momentos importantes em que se projetam o nosso futuro e o da sociedade.

Tenho plena certeza de que diante de momentos tão críticos da sociedade e olhando o exemplo do Papa Francisco nós iremos adiante com coragem e ânimos renovados, cumprindo com carinho nossa missão e unidos em todos os momentos.

É a oportunidade de como discípulos missionários anunciar, sem medo, a alegria do Evangelho que transforma.

Que Nossa Senhora de Fátima, cuja festa celebramos na semana que passou, interceda por nós e nos inspire uma vida de oração intensa pela paz no mundo, partindo da paz em nossos corações, desarmados do ódio e dos rancores.

Embora haja uma época para celebrar o Ano da Paz, ela existe para lembrar que todos os dias é tempo de construí-la com a graça de Deus em nossas vidas e nossa sociedade.

Eis o desafio deste tempo de mudança de época. Lancemos as redes em águas profundas, obedecendo ao Senhor que assim nos manda fazê-lo. Como Pedro no Evangelho eu também conclamo a todos: vou pescar. Gostaria de ouvir de todos a resposta apostólica: “vamos contigo”!

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19/05/2014 14:08

Em nossa Assembleia Geral dos Bispos do Brasil realizada em Aparecida e concluída no dia 9 de maio entre tantas decisões e manifestações tivemos uma muito importante: foi proclamado que teremos o Ano da Paz!

A proposta de iniciar no Advento deste ano e concluindo no Natal de 2015 é para que se tenha mais tempo de preparar. Mas muitos bispos e arcebispos se manifestaram para que essa atividade começasse logo devido ao clima de intensa violência e intolerância que grassa no mundo e, consequentemente, em nosso país.

O nosso Regional Leste 1 teve essa iniciativa quando convidou a todos para que durante a Sexta-Feira Santa o clima de penitência, oração e jejum fosse uma ocasião de pedir ao Senhor para que o sacrifício redentor de Jesus na Cruz fosse acolhido pelas pessoas de boa vontade e, assim, é claro que não se pensa em uma paz que nos tire da realidade como uma alienação ou que não se preocupe com os direitos da pessoa. É justamente nessa direção que caminhamos. Porém, a sociedade violenta está colocando as pessoas desconfiadas umas das outras. Basta ver as chacinas que ocorrem e linchamentos vários de inocentes levados pela intolerância.

O mundo violento que nos chega através de fotos de cristãos crucificados ou chacinados pelo mundo e de fome que mata em tantas partes do planeta assim como a fuga de suas pátrias por perseguições políticas, religiosas ou culturais deve nos fazer pensar sobre que tipo de sociedade estamos construindo e onde queremos chegar. A situação de pobres e de pessoas que os manipulam clama aos céus pelas injustiças e maldades.

Será que não temos solução para esses problemas e situações? A liberdade da pessoa e o seu ir e vir, assim como o direito às manifestações pacíficas fazem parte de nosso progresso político. Embora isso em algumas partes do mundo não exista.

Este tempo de tantas controvérsias e tantos questionamentos (a famosa mudança de época) deve nos encontrar muito unidos em nossa caminhada e responsáveis pela nossa missão.

É justamente neste tempo que somos chamados a ser testemunhas que a fé nos faz viver com muito mais responsabilidade a vida de cada dia acolhendo as dores das pessoas que estão ao nosso lado.

Sermos testemunhas de que é possível viver a unidade em meio à diversidade e, ao mesmo tempo, amar-nos uns aos outros como Jesus nos pediu pode fazer a diferença. Nesses dias, a liturgia pascal nos tem questionado com relação a isso.

Sabemos que um “reino dividido” não subsiste e, portanto, também não transforma. Por isso mesmo Jesus pediu que “fôssemos um” para que o mundo creia. O carinho do relacionamento, mesmo entre questões que discordamos, é um sinal que as pessoas percebem.

Quando Jesus pergunta se ao seu retorno ainda haverá fé sobre a Terra, podemos nos perguntar se também estaremos unidos na caridade. O Papa Francisco em seu discurso aqui no Rio de Janeiro aos bispos do Brasil perguntou se a nossa Igreja ainda tinha capacidade de “aquecer os corações”. E constatamos que tinha! Vimos isso com nossos olhos!

Eis agora um momento novo em que isso pode acontecer. Eis agora a oportunidade de testemunharmos que em Cristo “somos um” e estamos a serviço da construção de um “mundo novo” alicerçados na ressurreição de Jesus. Essa é a nossa força que vem da ação do Espírito Santo em nossas vidas: a comunhão entre nós.

É justamente no momento da crise profunda ou das grandes provações pelas quais passamos que somos provados como “ouro no cadinho” para sabermos as mais profundas intenções que temos no coração. São momentos importantes em que se projetam o nosso futuro e o da sociedade.

Tenho plena certeza de que diante de momentos tão críticos da sociedade e olhando o exemplo do Papa Francisco nós iremos adiante com coragem e ânimos renovados, cumprindo com carinho nossa missão e unidos em todos os momentos.

É a oportunidade de como discípulos missionários anunciar, sem medo, a alegria do Evangelho que transforma.

Que Nossa Senhora de Fátima, cuja festa celebramos na semana que passou, interceda por nós e nos inspire uma vida de oração intensa pela paz no mundo, partindo da paz em nossos corações, desarmados do ódio e dos rancores.

Embora haja uma época para celebrar o Ano da Paz, ela existe para lembrar que todos os dias é tempo de construí-la com a graça de Deus em nossas vidas e nossa sociedade.

Eis o desafio deste tempo de mudança de época. Lancemos as redes em águas profundas, obedecendo ao Senhor que assim nos manda fazê-lo. Como Pedro no Evangelho eu também conclamo a todos: vou pescar. Gostaria de ouvir de todos a resposta apostólica: “vamos contigo”!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro