Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2017

19 de Agosto de 2017

A mais querida, a mais sofrida

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19 de Agosto de 2017

A mais querida, a mais sofrida

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09/05/2014 16:50 - Atualizado em 09/05/2014 16:51

A mais querida, a mais sofrida 0

09/05/2014 16:50 - Atualizado em 09/05/2014 16:51

A mais querida, a mais sofrida / Arqrio

A mãe mais querida é a Mãe de Jesus. Muito amada do Filho de Deus. Ninguém a amou mais que seu divino Filho humanado, que nela e por ela tomou um corpo semelhante ao nosso. Para ela, dirigiu-lhe as primeiras expressões filiais: palavras de afeto e gestos de carinho.

Maria, amada do Pai que a escolheu, antes de toda a criação, e a quis desde sempre no seu desígnio. Preparou-a em sua imaculada conceição, ornando-a com sua graça, para ser o templo do Espírito e a digna morada do Filho.

Maria, amada do Espírito Santo que a assumiu com laços esponsais, tornando-a santa e bela, ornando-a de virtudes, de dons e carismas, multiplicando seus frutos e premiando seus méritos.

Maria, a mãe mais querida de todos cujo Filho é o “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8, 29), ela é honrada por tantas gerações, desde a primeira mulher anônima: “Feliz o ventre que te trouxe e os peitos que te amamentaram!”(Lc 11,27).

O discípulo amado a levou para sua casa, recebendo- a e amando-a como filho (Jo 19,27). Sem cessar, os seguidores levam-na consigo. Estreitam laços de ternura de vivo amor e firme esperança, invocando-a como estrela e guia segura no mar revolto da vida.

Ela é a mãe mais querida dos irmãos, na família de Deus, que nesta reconhecem dois princípios: o mariano e o petrino. O primeiro, expressa a dimensão carismática da liberdade no Espírito. O segundo, a dimensão institucional da autoridade em Cristo. Ambos constitutivos em reciprocidade da Igreja Católica e Apostólica, conforme Von Balthasar.

A propósito, o filme, Pedro, possui a cena expressiva da dinâmica interativa dos dois princípios. Em meio às dificuldades da Igreja nascente com os judaizantes, o apóstolo hesitante vai se aconselhar com a mãe de Jesus. Encontra-a amassando o pão. Ela o ouve e pouco lhe diz. Porém, docemente convida-o a fazer o mesmo com ela. Ambos põem as mãos na massa. É o pão feito a quatro mãos.

A solicitude materna de Maria, invocada como consoladora dos aflitos, auxílio dos cristãos e refúgio dos pecadores, repetida na ladainha serve de jaculatória nos momentos pessoais e eclesiais de dificuldades. Os filhos clamam por socorro à mãe. A história e a espiritualidade o confirmam.

 Schillebeeckx escreveu adequadamente: “O olhar angustiado que o pecador volta para Maria o livra do mal. Ela é a advocata nostra, nossa advogada, aquela a quem chamamos nos momentos de angústia. Ela é nossa vida, nossa doçura e nossa esperança!” Imploramos com frequência à Mãe de misericórdia: “rogai por nós, pecadores”.

Cada filho ou filha possui a mais querida das mães. A própria é sempre única e insubstituível. Assim dizem as crianças: a minha é a melhor mãe do mundo. Presume-se que assim seja: incomparável. De fato, quando o assunto é mãe tudo é excessivo. Compreende-se, pois, a avaliação de Cazuza: “só as mães são felizes”. Quem afirmaria o contrário? Entretanto, existem as infelizes. Por quem se tornam?

 Há mães que sofrem intensamente, a começar de Maria junto à Cruz. Muitas choram seus filhos e filhas desaparecidos. Outras os perdem devido às drogas ou à violência banal e odiosa. Mães exigem justiça. Mães resistentes. Mães desistentes. Todas se encontram ou são vistas na assertiva do profeta: “Raquel chora seus filhos e não quer consolação, porque eles já não existem” (Jr 31,15). O drama materno merece respeito e mais que um minuto de silêncio. Requer solidariedade.

Geralmente, as mães embelezam e alegram o mundo. Cuidam da vida. Por isso, em seu dia, os filhos as homenageiam até com flores. Por elas e com elas, elevam ao Senhor muitos louvores e preces.

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A mais querida, a mais sofrida / Arqrio

A mais querida, a mais sofrida

09/05/2014 16:50 - Atualizado em 09/05/2014 16:51

A mãe mais querida é a Mãe de Jesus. Muito amada do Filho de Deus. Ninguém a amou mais que seu divino Filho humanado, que nela e por ela tomou um corpo semelhante ao nosso. Para ela, dirigiu-lhe as primeiras expressões filiais: palavras de afeto e gestos de carinho.

Maria, amada do Pai que a escolheu, antes de toda a criação, e a quis desde sempre no seu desígnio. Preparou-a em sua imaculada conceição, ornando-a com sua graça, para ser o templo do Espírito e a digna morada do Filho.

Maria, amada do Espírito Santo que a assumiu com laços esponsais, tornando-a santa e bela, ornando-a de virtudes, de dons e carismas, multiplicando seus frutos e premiando seus méritos.

Maria, a mãe mais querida de todos cujo Filho é o “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8, 29), ela é honrada por tantas gerações, desde a primeira mulher anônima: “Feliz o ventre que te trouxe e os peitos que te amamentaram!”(Lc 11,27).

O discípulo amado a levou para sua casa, recebendo- a e amando-a como filho (Jo 19,27). Sem cessar, os seguidores levam-na consigo. Estreitam laços de ternura de vivo amor e firme esperança, invocando-a como estrela e guia segura no mar revolto da vida.

Ela é a mãe mais querida dos irmãos, na família de Deus, que nesta reconhecem dois princípios: o mariano e o petrino. O primeiro, expressa a dimensão carismática da liberdade no Espírito. O segundo, a dimensão institucional da autoridade em Cristo. Ambos constitutivos em reciprocidade da Igreja Católica e Apostólica, conforme Von Balthasar.

A propósito, o filme, Pedro, possui a cena expressiva da dinâmica interativa dos dois princípios. Em meio às dificuldades da Igreja nascente com os judaizantes, o apóstolo hesitante vai se aconselhar com a mãe de Jesus. Encontra-a amassando o pão. Ela o ouve e pouco lhe diz. Porém, docemente convida-o a fazer o mesmo com ela. Ambos põem as mãos na massa. É o pão feito a quatro mãos.

A solicitude materna de Maria, invocada como consoladora dos aflitos, auxílio dos cristãos e refúgio dos pecadores, repetida na ladainha serve de jaculatória nos momentos pessoais e eclesiais de dificuldades. Os filhos clamam por socorro à mãe. A história e a espiritualidade o confirmam.

 Schillebeeckx escreveu adequadamente: “O olhar angustiado que o pecador volta para Maria o livra do mal. Ela é a advocata nostra, nossa advogada, aquela a quem chamamos nos momentos de angústia. Ela é nossa vida, nossa doçura e nossa esperança!” Imploramos com frequência à Mãe de misericórdia: “rogai por nós, pecadores”.

Cada filho ou filha possui a mais querida das mães. A própria é sempre única e insubstituível. Assim dizem as crianças: a minha é a melhor mãe do mundo. Presume-se que assim seja: incomparável. De fato, quando o assunto é mãe tudo é excessivo. Compreende-se, pois, a avaliação de Cazuza: “só as mães são felizes”. Quem afirmaria o contrário? Entretanto, existem as infelizes. Por quem se tornam?

 Há mães que sofrem intensamente, a começar de Maria junto à Cruz. Muitas choram seus filhos e filhas desaparecidos. Outras os perdem devido às drogas ou à violência banal e odiosa. Mães exigem justiça. Mães resistentes. Mães desistentes. Todas se encontram ou são vistas na assertiva do profeta: “Raquel chora seus filhos e não quer consolação, porque eles já não existem” (Jr 31,15). O drama materno merece respeito e mais que um minuto de silêncio. Requer solidariedade.

Geralmente, as mães embelezam e alegram o mundo. Cuidam da vida. Por isso, em seu dia, os filhos as homenageiam até com flores. Por elas e com elas, elevam ao Senhor muitos louvores e preces.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro