Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2018

18 de Dezembro de 2018

Homilia Domingo de Páscoa

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Homilia Domingo de Páscoa

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19/04/2014 15:31 - Atualizado em 19/04/2014 16:07

Homilia Domingo de Páscoa 0

19/04/2014 15:31 - Atualizado em 19/04/2014 16:07

temp_titleresurection_19042014160258At 10,34a.37-43
Sl 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,6b-8
Jo 20,1-9

Victimae Paschali laudes             Os louvores da Vítima Pascal
Immolent Christiani.                      Imolem os cristãos.
Agnus redemit oves:                     O Cordeiro redimiu as ovelhas:
Christus innocens Patri                O Cristo, inocente do Pai,
Reconciliavit peccatores.             Reconciliou os pecadores.

 

Este belo texto, cantado ou recitado no domingo de Páscoa, é uma sequência que canta a tremenda vitória de Cristo sobre a morte. Os cristãos são convidados a “cantar o louvor da vítima pascal”, daquele que, sendo inocente, o “inocente do Pai” como canta o hino morreu para nos reconciliar.

A oração coleta da Missa de hoje diz: “Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade.” A vida cristã está mergulhada nesse mistério. Cristo, ao morrer e ressuscitar, abriu para nós as portas do paraíso. Temos agora a certeza de que a morte não tem e nem jamais terá poder sobre nós. Podemos entregar as nossas vidas sem medo. Podemos até mesmo perder a nossa vida por causa de Cristo, dar o nosso corpo à morte, porque temos assegurada a vida eterna com Ele.

O Evangelho e a primeira leitura de hoje nos falam do testemunho que se deve dar de Cristo Ressuscitado; em outras palavras: da necessidade de se levar esse alegre anúncio a todas as pessoas.

O evangelho é o relato da ressurreição segundo São João. Logo no v.2 João diz que Maria Madalena, ao ver que a pedra tinha sido removida do túmulo, “correu e foi” dizer a Simão Pedro o que havia acontecido. João poderia apenas ter dito que Maria Madalena “foi” relatar o ocorrido a Simão, todavia, ele utiliza dois verbos na sua frase e, o primeiro, é o verbo treko que significa “correr” como os atletas correm num estádio. Qual uma atleta, Maria Madalena, sem perder tempo, correu para anunciar aos discípulos o mistério. Particularmente, ela foi anunciar àquele que tinha o dever de confirmar a fé dos irmãos: Simão Pedro (cf. Lc 22,32).

Simão Pedro e o “outro discípulo” correram para chegar ao túmulo. Embora o “outro discípulo” tenha chegado primeiro que Pedro, este deixou Pedro entrar primeiro, deixando que aquele a quem foi confiado o cuidado dos doze fosse a primeira testemunha, depois de Maria Madalena, do sepulcro vazio. O Evangelho termina com a profissão de fé do discípulo: Ele viu e acreditou. Mais à frente, já no final do seu evangelho, João vai dizer que ele é o discípulo “que dá testemunho dessas coisas” (cf. Jo 21,24). João vê o túmulo vazio, encontra o ressuscitado, e dá testemunho (martiréo) disso aos irmãos. Ele é o “mártir”, a testemunha de Cristo; assim como Maria Madalena, que também não reteve para si a alegria da ressurreição, mas foi anunciá-la aos irmãos.

Na primeira leitura temos o eloquente testemunho de Pedro. Pedro está na casa de um centurião romano e lá pronuncia o seu discurso, o seu “testemunho” a respeito de Cristo. Pedro define a sua pregação como uma ordem de Cristo, que os mandou “pregar” (kerysso) e testemunhar (diamartyromai) que Cristo foi constituído pelo Pai, pelo mistério da sua ressurreição, juiz dos vivos e dos mortos. O núcleo do testemunho de Pedro na casa de Cornélio é a “ressurreição de Jesus”. Em poucas palavras Pedro sintetiza a vida pública de Jesus, desde a sua unção no Jordão, até a sua glorificação. O núcleo da pregação é o versículo 40: ...Deus o ressuscitou no terceiro dia... Assim como Maria Madalena e João, Pedro não retém para si a alegria deste anúncio, mas o comunica a todos. É pelo poder deste mistério anunciado que muitos se converteram à fé e receberam o batismo, como acontece no final deste discurso de Pedro, em At 10,44-48, quando o Espírito Santo “cai” sobre os ouvintes, ainda pagãos, e estes recebem o batismo tornando-se “fiéis”.

Nós somos hoje os portadores desta alegria pascal. Também para nós um anjo, o sacerdote que nas nossas assembleias entoou na Vigília Pascal o Aleluia, nos anunciou que o sepulcro está vazio e que Cristo ressuscitou. Nós agora devemos ser os “mártires”, as “testemunhas”, como Maria Madalena, João e Pedro. Não podemos guardar a alegria pascal para nós, mas devemos comunicá-la a todos os que encontrarmos. Esse anúncio encherá de gozo e de esperança o mundo mergulhado ainda nas trevas do pecado e da distância de Deus.

O salmista nos convida a nos alegrarmos neste “dia que o Senhor fez para nós”. O Tempo Pascal é um “grande dia”, um dia que dura “cinquenta dias” e que deve ser vivido, como ensina a Igreja, como “um só dia de festa”, “como um grande domingo”, tomando a expressão de Santo Atanásio, no qual a alegria pascal deve estar em nosso coração e em nossos lábios, sendo anunciada aos irmãos.

A liturgia deste domingo nos oferece duas opções de segunda leitura que podem ser tomadas ad libitum. A primeira é um trecho de Colossenses. O apóstolo convida os cristãos desta comunidade a viver de acordo com a realidade nova inaugurada neles a partir da Páscoa. É um tema bem próprio da teologia paulina: a identificação entre Cristo e o cristão. “Se ressuscitastes com Cristo” vai dizer o apóstolo, “esforçai-vos” por alcançar as coisas do alto, ou seja, aquilo o que é próprio do homem novo, que foi ressuscitado com Cristo. Aspirai ao que é celeste e não ao que é terrestre. A “ascese”, ou seja, o esforço para viver uma vida segundo Deus não termina com a quaresma. Muito mais agora, na Páscoa, motivados pela realidade nova que foi gerada em nós a partir da ressurreição de Cristo, devemos nos “esforçar” para viver de maneira melhor, à altura de pessoas que foram resgatadas pelo Ressuscitado!

A segunda opção é um trecho da 1Cor. Paulo utiliza uma imagem bem judaica. Não se podia comer pão fermentado durante a Páscoa, para se lembrar que os judeus, quando saíram do Egito, praticamente expulsos por causa da calamidade que matou os primogênitos, não puderam nem mesmo esperar a massa do pão levedar (cf. Ex 12,33-34). Com o passar do tempo essa imagem do fermento na massa ganhou também um sentido espiritual. Até hoje os judeus limpam as suas casas tirando dela todo o pão fermentado durante a Páscoa. Como, com a higiene moderna, ninguém tem pão espalhado pela casa (ou pelo menos não deveria ter!), costuma-se embrulhar pequenos pedaços de pão fermentado e espalhá-los pela casa, para que as crianças os achem. Cada pedaço achado vale um presente. Depois vem o ensinamento: assim como tiramos das nossas casas o pão fermentado, também devemos tirar do nosso coração o fermento da maldade, que contamina todo o nosso corpo, assim como o fermento leveda toda a massa. Paulo se utiliza dessa imagem para convidar os cristãos a jogar fora o fermento, a maldade, e a celebrar a Páscoa de Cristo com os “pães ázimos” da “pureza” e da “verdade”. Assim, todos nós somos convidados e continuar durante a Páscoa o nosso processo de purificação pessoal, pela oração e pela escuta da Palavra de Deus, a fim de sermos uma massa nova para Cristo, um pão ázimo de pureza e verdade.

Que a alegria da Páscoa nos conduza nestes dias!

 



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19/04/2014 15:31 - Atualizado em 19/04/2014 16:07

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Sl 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23
Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,6b-8
Jo 20,1-9

Victimae Paschali laudes             Os louvores da Vítima Pascal
Immolent Christiani.                      Imolem os cristãos.
Agnus redemit oves:                     O Cordeiro redimiu as ovelhas:
Christus innocens Patri                O Cristo, inocente do Pai,
Reconciliavit peccatores.             Reconciliou os pecadores.

 

Este belo texto, cantado ou recitado no domingo de Páscoa, é uma sequência que canta a tremenda vitória de Cristo sobre a morte. Os cristãos são convidados a “cantar o louvor da vítima pascal”, daquele que, sendo inocente, o “inocente do Pai” como canta o hino morreu para nos reconciliar.

A oração coleta da Missa de hoje diz: “Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade.” A vida cristã está mergulhada nesse mistério. Cristo, ao morrer e ressuscitar, abriu para nós as portas do paraíso. Temos agora a certeza de que a morte não tem e nem jamais terá poder sobre nós. Podemos entregar as nossas vidas sem medo. Podemos até mesmo perder a nossa vida por causa de Cristo, dar o nosso corpo à morte, porque temos assegurada a vida eterna com Ele.

O Evangelho e a primeira leitura de hoje nos falam do testemunho que se deve dar de Cristo Ressuscitado; em outras palavras: da necessidade de se levar esse alegre anúncio a todas as pessoas.

O evangelho é o relato da ressurreição segundo São João. Logo no v.2 João diz que Maria Madalena, ao ver que a pedra tinha sido removida do túmulo, “correu e foi” dizer a Simão Pedro o que havia acontecido. João poderia apenas ter dito que Maria Madalena “foi” relatar o ocorrido a Simão, todavia, ele utiliza dois verbos na sua frase e, o primeiro, é o verbo treko que significa “correr” como os atletas correm num estádio. Qual uma atleta, Maria Madalena, sem perder tempo, correu para anunciar aos discípulos o mistério. Particularmente, ela foi anunciar àquele que tinha o dever de confirmar a fé dos irmãos: Simão Pedro (cf. Lc 22,32).

Simão Pedro e o “outro discípulo” correram para chegar ao túmulo. Embora o “outro discípulo” tenha chegado primeiro que Pedro, este deixou Pedro entrar primeiro, deixando que aquele a quem foi confiado o cuidado dos doze fosse a primeira testemunha, depois de Maria Madalena, do sepulcro vazio. O Evangelho termina com a profissão de fé do discípulo: Ele viu e acreditou. Mais à frente, já no final do seu evangelho, João vai dizer que ele é o discípulo “que dá testemunho dessas coisas” (cf. Jo 21,24). João vê o túmulo vazio, encontra o ressuscitado, e dá testemunho (martiréo) disso aos irmãos. Ele é o “mártir”, a testemunha de Cristo; assim como Maria Madalena, que também não reteve para si a alegria da ressurreição, mas foi anunciá-la aos irmãos.

Na primeira leitura temos o eloquente testemunho de Pedro. Pedro está na casa de um centurião romano e lá pronuncia o seu discurso, o seu “testemunho” a respeito de Cristo. Pedro define a sua pregação como uma ordem de Cristo, que os mandou “pregar” (kerysso) e testemunhar (diamartyromai) que Cristo foi constituído pelo Pai, pelo mistério da sua ressurreição, juiz dos vivos e dos mortos. O núcleo do testemunho de Pedro na casa de Cornélio é a “ressurreição de Jesus”. Em poucas palavras Pedro sintetiza a vida pública de Jesus, desde a sua unção no Jordão, até a sua glorificação. O núcleo da pregação é o versículo 40: ...Deus o ressuscitou no terceiro dia... Assim como Maria Madalena e João, Pedro não retém para si a alegria deste anúncio, mas o comunica a todos. É pelo poder deste mistério anunciado que muitos se converteram à fé e receberam o batismo, como acontece no final deste discurso de Pedro, em At 10,44-48, quando o Espírito Santo “cai” sobre os ouvintes, ainda pagãos, e estes recebem o batismo tornando-se “fiéis”.

Nós somos hoje os portadores desta alegria pascal. Também para nós um anjo, o sacerdote que nas nossas assembleias entoou na Vigília Pascal o Aleluia, nos anunciou que o sepulcro está vazio e que Cristo ressuscitou. Nós agora devemos ser os “mártires”, as “testemunhas”, como Maria Madalena, João e Pedro. Não podemos guardar a alegria pascal para nós, mas devemos comunicá-la a todos os que encontrarmos. Esse anúncio encherá de gozo e de esperança o mundo mergulhado ainda nas trevas do pecado e da distância de Deus.

O salmista nos convida a nos alegrarmos neste “dia que o Senhor fez para nós”. O Tempo Pascal é um “grande dia”, um dia que dura “cinquenta dias” e que deve ser vivido, como ensina a Igreja, como “um só dia de festa”, “como um grande domingo”, tomando a expressão de Santo Atanásio, no qual a alegria pascal deve estar em nosso coração e em nossos lábios, sendo anunciada aos irmãos.

A liturgia deste domingo nos oferece duas opções de segunda leitura que podem ser tomadas ad libitum. A primeira é um trecho de Colossenses. O apóstolo convida os cristãos desta comunidade a viver de acordo com a realidade nova inaugurada neles a partir da Páscoa. É um tema bem próprio da teologia paulina: a identificação entre Cristo e o cristão. “Se ressuscitastes com Cristo” vai dizer o apóstolo, “esforçai-vos” por alcançar as coisas do alto, ou seja, aquilo o que é próprio do homem novo, que foi ressuscitado com Cristo. Aspirai ao que é celeste e não ao que é terrestre. A “ascese”, ou seja, o esforço para viver uma vida segundo Deus não termina com a quaresma. Muito mais agora, na Páscoa, motivados pela realidade nova que foi gerada em nós a partir da ressurreição de Cristo, devemos nos “esforçar” para viver de maneira melhor, à altura de pessoas que foram resgatadas pelo Ressuscitado!

A segunda opção é um trecho da 1Cor. Paulo utiliza uma imagem bem judaica. Não se podia comer pão fermentado durante a Páscoa, para se lembrar que os judeus, quando saíram do Egito, praticamente expulsos por causa da calamidade que matou os primogênitos, não puderam nem mesmo esperar a massa do pão levedar (cf. Ex 12,33-34). Com o passar do tempo essa imagem do fermento na massa ganhou também um sentido espiritual. Até hoje os judeus limpam as suas casas tirando dela todo o pão fermentado durante a Páscoa. Como, com a higiene moderna, ninguém tem pão espalhado pela casa (ou pelo menos não deveria ter!), costuma-se embrulhar pequenos pedaços de pão fermentado e espalhá-los pela casa, para que as crianças os achem. Cada pedaço achado vale um presente. Depois vem o ensinamento: assim como tiramos das nossas casas o pão fermentado, também devemos tirar do nosso coração o fermento da maldade, que contamina todo o nosso corpo, assim como o fermento leveda toda a massa. Paulo se utiliza dessa imagem para convidar os cristãos a jogar fora o fermento, a maldade, e a celebrar a Páscoa de Cristo com os “pães ázimos” da “pureza” e da “verdade”. Assim, todos nós somos convidados e continuar durante a Páscoa o nosso processo de purificação pessoal, pela oração e pela escuta da Palavra de Deus, a fim de sermos uma massa nova para Cristo, um pão ázimo de pureza e verdade.

Que a alegria da Páscoa nos conduza nestes dias!

 



Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro