Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/12/2018

17 de Dezembro de 2018

Homilia da Solene Vigília Pascal

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18/04/2014 12:44

Homilia da Solene Vigília Pascal 0

18/04/2014 12:44

Homilia da Solene Vigília Pascal / Arqrio

“Exulte o céu, e os Anjos triunfantes,

Mensageiros de Deus, desçam cantando;

Façam soar trombetas fulgurantes,

A vitória de um Rei anunciando.”

(Precônio Pascal)

 Os antigos cristãos tinham o costume de celebrar cada Eucaristia em forma de vigília e o grande Santo Agostinho dizia que esta era a “mãe de todas as vigílias”, a mais solene, porque nela nós celebramos a Ressurreição do Senhor Nosso Jesus Cristo. Esta é uma noite de luz, uma noite de alegria, porque a graça venceu o pecado, o amor venceu o ódio, a luz venceu nas trevas e a Vida venceu a morte que outrora triunfava sobre os homens.

Gostaria de começar explicando os sinais desta Vigília. Ela começa com a bênção do fogo e com o lucernário. A Igreja estava até então escura, como estava escura a humanidade antes que o Cristo Ressurgisse dos mortos. Nós, do lado de fora do Templo, estávamos também envolvidos em trevas, como os homens, antes que Cristo ressuscitasse dos mortos, estavam nas trevas e privados de entrarem no Reino dos Céus. Então um fogo novo surgiu, um fogo abençoado, no qual foi aceso nosso Círio Pascal, que este ano traz gravado em si a Cruz como árvore da vida. O Círio Pascal aceso simboliza a coluna de fogo que guiava Israel. No livro do Êxodo está escrito que, quando Israel estava fugindo dos egípcios, Deus colocou à frente deles uma coluna de fogo e a noite se tornou como o dia. Atrás dos israelitas estava uma coluna de fumaça que tapava a visão dos egípcios. Assim como o povo de Israel foi guiado pela coluna de fogo, nós também entramos na Igreja tendo à nossa frente a coluna de fogo. Esta coluna de fogo é símbolo de Cristo, “luz do mundo” (cf. Jo 8,12). Ele vai à nossa frente, conduzindo nossos passos, e nós o seguimos porque sabemos que Ele nos guia no caminho da vida. Quando o diácono chegou no meio da Igreja, nós acendemos nossas velas no círio, a fim de que Cristo ilumine a vida de cada um de nós com a sua luz, para que não andemos mais nas trevas, mas tenhamos “a luz da vida” (cf. Jo 8,12).

Depois ouvimos este belo hino pascal, que canta a alegria da Ressurreição. Nós o ouvimos de pé e com nossas velas acesas. Estávamos de pé, como o Cristo Ressuscitado. Estávamos com nossas velas acesas, porque no Batismo nós fomos iluminados por Ele e queremos que a sua luz esteja sempre em nós.

Em seguida ouvimos as leituras bíblicas. Começamos pelo relato da criação, passando pela travessia do Mar Vermelho e ouvindo os profetas, Isaías, Baruc e Ezequiel. Até chegarmos, depois no hino do glória, à leitura da Carta aos Romanos, ao anúncio Solene do Aleluia Pascal, ao Salmo 117 e ao coração dessa liturgia da Palavra que é o Evangelho, hoje Mt 28,1-10.

Após as leituras entramos na “liturgia batismal”, e no final dessa liturgia batismal todos nós renovaremos as promessas do nosso Batismo e seremos aspergidos com a água abençoada, a fim de nos recordamos que também nós renascemos com Cristo da água e do Espírito Santo. O coroamento de tudo isso se dará na Eucaristia. A Eucaristia é o coração de tudo o que vamos realizar. Nela nós celebramos de maneira sublime o sacrifício de Cristo. Nela nós fazemos memória da morte e da ressurreição gloriosa de nosso Redentor. Nela esse sacrifício de amor se renova e nós que comungamos dessa mesa mística, nós tornamos uma Eucaristia viva e um só Corpo em Cristo Jesus. Quando comungamos, comungamos da sua Ressurreição e da vida plena que só Ele possui.

A Liturgia da Palavra desta noite quer nos introduzir no sentido profundo da Páscoa de Cristo. A primeira leitura nos fala da Criação. Deus, na sua bondade, criou o mundo para nossa alegria e tudo o que Deus fez era bom. Nada havia de mal na criação de Deus e, no início, Deus não criou o mal e a morte, porque Deus criou o mundo para que participássemos de sua alegria. Deus nunca quis lágrimas de dor. Mas, nós sabemos que Deus criou o homem livre, podendo escolher entre fazer o bem ou simplesmente virar as costas para o bem. E o homem, seduzido pela proposta diabólica, se afastou de Deus. Com a desobediência de Adão veio para nós a morte. “O salário do pecado é a morte”, como nos diz a Palavra de Deus (cf. Rm 6,23). Mas a mesma Palavra de Deus, também na Carta aos Romanos, diz que, por sua vez, “o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus”. Por isso o Pai não ficou de braços cruzados vendo a desgraça cair sobre a humanidade. Desde o início de tudo, o coração da Trindade sofreu com o pecado, e o Filho resolveu que se faria homem, a fim de morrer a nossa morte, para nos dar a vida eterna com Ele. Contudo, era necessário que a vinda de Cristo fosse preparada e, por isso, ela foi prefigurada no Antigo Testamento. A segunda leitura nos apresenta Abraão posto à prova por Deus que lhe pediu o sacrifício de seu Filho único. Abraão aqui simboliza o próprio Pai do Céu que deveria dar o seu Filho único para que a humanidade fosse salva por Ele. Todavia, Abraão teve Isaac poupado por Deus, mas o próprio Deus, não poupou seu Filho (cf. Jo 3,16), mas permitiu que, por amor de nós, e por sua livre vontade, Ele sofresse para a nossa salvação. A Páscoa de Cristo foi prefigurada na Páscoa dos judeus. Assim como eles atravessaram o Mar Vermelho a cantaram de alegria porque viram os egípcios afogados nas águas do mar, assim também nós cristãos, depois da ressurreição de Cristo, cantamos de alegria, porque atravessamos as águas do Batismo e vemos que o nosso pecado ficou lá e nós saímos vitoriosos, jubilosos, em direção à Terra Prometida, à Jerusalém Celeste que o Senhor preparou para nós. Através dos profetas, Deus não cessou de convidar os homens à conversão, a fim de que o seu Filho encontrasse os corações preparados para acolherem a sua vinda e, na plenitude dos tempos, Ele veio. Ele nasceu da Virgem, fez-se menino, viveu uma humanidade como a nossa no lar de Nazaré e, na consumação da sua vida, “aprendeu o que significa a obediência por aquilo que Ele sofreu” (cf. Hb 5,8) e entregou-se livremente à morte por nós. Ontem, muitos choravam com as cenas do filme da Paixão de Cristo. Todavia, ali víamos apenas o sofrimento físico. Mas, existe um gênero de sofrimento invisível aos olhos e só conhecido por aquele que sofre: o sofrimento moral. Este nível de sofrimento foi imenso em Cristo, porque sobre Ele pesaram os pecados do mundo inteiro, os de outrora, os de hoje e os que ainda faremos. Mas Ele ficou firme e, como nos fala Marcos, Ele ressuscitou gloriosamente. As mulheres encontraram apenas o túmulo vazio e o anjo que lhes anunciou a grande boa-nova “Ele não está aqui, pois ressuscitou, conforme havia dito”. (cf. Mt 28,6)

A Ressurreição de Cristo, que celebramos em cada Eucaristia e que, de maneira especial, celebramos nesta Páscoa anual, é a nossa alegria e a certeza da nossa vitória. Às vezes, pesa sobre nós uma infindável tristeza. Celebramos a cada ano a Páscoa e percebemos que ainda estamos do mesmo modo. Tantas vezes ainda estamos presos aos mesmos pecados. E aí, entra o tentador para nos convencer de que não adianta mais nada. Ele procura nos enganar fazendo-nos pensar que não temos mais jeito. Todavia, cremos num poder invisível, que é mais forte que a morte. Cremos que assim como todos olhavam o Cristo no túmulo e achavam que não tinha mais jeito, mas Ele ressuscitou, assim também nós, embora estejamos no túmulo do pecado, existe um poder invisível que atua e que nos faz ressuscitar. Cremos que, cada vez que celebramos a Páscoa, Cristo passa pela nossa vida e a renova. Cremos que cada vez que ouvimos a Palavra ela gera algo novo em nós, como nos dizia a quinta leitura em Is 55,10-11: “Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.” A Ressurreição de Cristo é esperança, é certeza de que também eu posso ressuscitar dos meus pecados para viver com Ele uma vida nova. E se Ele me dá a cada essa oportunidade, é porque Ele bem sabe que a cada ano eu preciso dela.

Algumas vezes estamos fechados no túmulo do pecado. E nos perguntamos como aquelas mulheres: “Quem vai remover a pedra para nós?” A pedra é tão pesada! A resposta é: Cristo! Ele ergueu a pedra de seu próprio túmulo quando ressuscitou dos mortos e Ele também quer e pode retirar a pedra do nosso túmulo para que possamos sair com Ele ressuscitados para uma vida. No dia do nosso Batismo essa graça aconteceu conosco. Cristo retirou a pedra do nosso sepulcro, como hoje faz com nossos irmãos que receberão o Santo Batismo em tantos lugares do mundo, e nos deu uma vida nova. Mas nós, que pecamos após o nosso Batismo e tantas vezes voltamos a nos encerrar em nossos sepulcros, carregamos a certeza de que, se quisermos, se confiarmos no poder da sua Ressurreição, se confiarmos em seu amor infinito, poderemos ver o grande milagre, sim, Ele removerá a pedra do nosso sepulcro e nos dará a vida eterna.

Um dia glorioso chegará para nós que temos medo da morte. Sabemos que Cristo a venceu, mas ainda a tememos, como uma criança (ou um adulto, sic!) que sabe que não tem nada no escuro, mas ainda assim o teme, inexplicavelmente. Mas nós sabemos pela fé que quando nós morrermos e formos definitivamente postos no sepulcro. Quando nos fecharem naquele lugar escuro e sombrio, quando todos chorarem nossa morte voltando para suas casas, nós sorriremos e saltaremos de alegria. Porque ao fecharem nosso túmulo aqui, Cristo o abrirá na vida eterna e nos dirá como disse a Lázaro: “Vem para fora!” Sim, Ele nos chamará pelo nome e nos ordenará: “Vem para fora!” Diante dessa certeza de vida eterna, toda dor que possamos enfrentar nesse mundo se reduz a nada, porque sabemos que, em Cristo, nós somos mais que vencedores.

Sejamos portadores dessa certeza da Ressurreição. Sejamos mensageiros dessa boa-nova, como as mulheres que outrora encontraram o túmulo vazio. Sejamos portadores da alegria notícia: “Ele Ressuscitou!” Ele não está mais no sepulcro. Ele agora está vivo e ressuscitado no meio de nós. Quando a morte bater à nossa porta, seja a morte física ou a morte do pecado, tenhamos a alegre certeza de que assim como Ele ressuscitou dos mortos para a glória do Pai, nós também com Ele ressuscitaremos.

E não cessemos de, incessantemente, pedir que venha sobre nós o Espírito, sim que Ele venha. Não precisamos aguardar Pentecostes, porque a Páscoa é já a certeza de que o Espírito Santo do Senhor está sobre nós. Peçamos que o Santo Espírito do Senhor nos envolva com a sua graça, para que possamos, animados pela alegria da Ressurreição, viver também uma vida nova em Cristo Jesus.

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“Exulte o céu, e os Anjos triunfantes,

Mensageiros de Deus, desçam cantando;

Façam soar trombetas fulgurantes,

A vitória de um Rei anunciando.”

(Precônio Pascal)

 Os antigos cristãos tinham o costume de celebrar cada Eucaristia em forma de vigília e o grande Santo Agostinho dizia que esta era a “mãe de todas as vigílias”, a mais solene, porque nela nós celebramos a Ressurreição do Senhor Nosso Jesus Cristo. Esta é uma noite de luz, uma noite de alegria, porque a graça venceu o pecado, o amor venceu o ódio, a luz venceu nas trevas e a Vida venceu a morte que outrora triunfava sobre os homens.

Gostaria de começar explicando os sinais desta Vigília. Ela começa com a bênção do fogo e com o lucernário. A Igreja estava até então escura, como estava escura a humanidade antes que o Cristo Ressurgisse dos mortos. Nós, do lado de fora do Templo, estávamos também envolvidos em trevas, como os homens, antes que Cristo ressuscitasse dos mortos, estavam nas trevas e privados de entrarem no Reino dos Céus. Então um fogo novo surgiu, um fogo abençoado, no qual foi aceso nosso Círio Pascal, que este ano traz gravado em si a Cruz como árvore da vida. O Círio Pascal aceso simboliza a coluna de fogo que guiava Israel. No livro do Êxodo está escrito que, quando Israel estava fugindo dos egípcios, Deus colocou à frente deles uma coluna de fogo e a noite se tornou como o dia. Atrás dos israelitas estava uma coluna de fumaça que tapava a visão dos egípcios. Assim como o povo de Israel foi guiado pela coluna de fogo, nós também entramos na Igreja tendo à nossa frente a coluna de fogo. Esta coluna de fogo é símbolo de Cristo, “luz do mundo” (cf. Jo 8,12). Ele vai à nossa frente, conduzindo nossos passos, e nós o seguimos porque sabemos que Ele nos guia no caminho da vida. Quando o diácono chegou no meio da Igreja, nós acendemos nossas velas no círio, a fim de que Cristo ilumine a vida de cada um de nós com a sua luz, para que não andemos mais nas trevas, mas tenhamos “a luz da vida” (cf. Jo 8,12).

Depois ouvimos este belo hino pascal, que canta a alegria da Ressurreição. Nós o ouvimos de pé e com nossas velas acesas. Estávamos de pé, como o Cristo Ressuscitado. Estávamos com nossas velas acesas, porque no Batismo nós fomos iluminados por Ele e queremos que a sua luz esteja sempre em nós.

Em seguida ouvimos as leituras bíblicas. Começamos pelo relato da criação, passando pela travessia do Mar Vermelho e ouvindo os profetas, Isaías, Baruc e Ezequiel. Até chegarmos, depois no hino do glória, à leitura da Carta aos Romanos, ao anúncio Solene do Aleluia Pascal, ao Salmo 117 e ao coração dessa liturgia da Palavra que é o Evangelho, hoje Mt 28,1-10.

Após as leituras entramos na “liturgia batismal”, e no final dessa liturgia batismal todos nós renovaremos as promessas do nosso Batismo e seremos aspergidos com a água abençoada, a fim de nos recordamos que também nós renascemos com Cristo da água e do Espírito Santo. O coroamento de tudo isso se dará na Eucaristia. A Eucaristia é o coração de tudo o que vamos realizar. Nela nós celebramos de maneira sublime o sacrifício de Cristo. Nela nós fazemos memória da morte e da ressurreição gloriosa de nosso Redentor. Nela esse sacrifício de amor se renova e nós que comungamos dessa mesa mística, nós tornamos uma Eucaristia viva e um só Corpo em Cristo Jesus. Quando comungamos, comungamos da sua Ressurreição e da vida plena que só Ele possui.

A Liturgia da Palavra desta noite quer nos introduzir no sentido profundo da Páscoa de Cristo. A primeira leitura nos fala da Criação. Deus, na sua bondade, criou o mundo para nossa alegria e tudo o que Deus fez era bom. Nada havia de mal na criação de Deus e, no início, Deus não criou o mal e a morte, porque Deus criou o mundo para que participássemos de sua alegria. Deus nunca quis lágrimas de dor. Mas, nós sabemos que Deus criou o homem livre, podendo escolher entre fazer o bem ou simplesmente virar as costas para o bem. E o homem, seduzido pela proposta diabólica, se afastou de Deus. Com a desobediência de Adão veio para nós a morte. “O salário do pecado é a morte”, como nos diz a Palavra de Deus (cf. Rm 6,23). Mas a mesma Palavra de Deus, também na Carta aos Romanos, diz que, por sua vez, “o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus”. Por isso o Pai não ficou de braços cruzados vendo a desgraça cair sobre a humanidade. Desde o início de tudo, o coração da Trindade sofreu com o pecado, e o Filho resolveu que se faria homem, a fim de morrer a nossa morte, para nos dar a vida eterna com Ele. Contudo, era necessário que a vinda de Cristo fosse preparada e, por isso, ela foi prefigurada no Antigo Testamento. A segunda leitura nos apresenta Abraão posto à prova por Deus que lhe pediu o sacrifício de seu Filho único. Abraão aqui simboliza o próprio Pai do Céu que deveria dar o seu Filho único para que a humanidade fosse salva por Ele. Todavia, Abraão teve Isaac poupado por Deus, mas o próprio Deus, não poupou seu Filho (cf. Jo 3,16), mas permitiu que, por amor de nós, e por sua livre vontade, Ele sofresse para a nossa salvação. A Páscoa de Cristo foi prefigurada na Páscoa dos judeus. Assim como eles atravessaram o Mar Vermelho a cantaram de alegria porque viram os egípcios afogados nas águas do mar, assim também nós cristãos, depois da ressurreição de Cristo, cantamos de alegria, porque atravessamos as águas do Batismo e vemos que o nosso pecado ficou lá e nós saímos vitoriosos, jubilosos, em direção à Terra Prometida, à Jerusalém Celeste que o Senhor preparou para nós. Através dos profetas, Deus não cessou de convidar os homens à conversão, a fim de que o seu Filho encontrasse os corações preparados para acolherem a sua vinda e, na plenitude dos tempos, Ele veio. Ele nasceu da Virgem, fez-se menino, viveu uma humanidade como a nossa no lar de Nazaré e, na consumação da sua vida, “aprendeu o que significa a obediência por aquilo que Ele sofreu” (cf. Hb 5,8) e entregou-se livremente à morte por nós. Ontem, muitos choravam com as cenas do filme da Paixão de Cristo. Todavia, ali víamos apenas o sofrimento físico. Mas, existe um gênero de sofrimento invisível aos olhos e só conhecido por aquele que sofre: o sofrimento moral. Este nível de sofrimento foi imenso em Cristo, porque sobre Ele pesaram os pecados do mundo inteiro, os de outrora, os de hoje e os que ainda faremos. Mas Ele ficou firme e, como nos fala Marcos, Ele ressuscitou gloriosamente. As mulheres encontraram apenas o túmulo vazio e o anjo que lhes anunciou a grande boa-nova “Ele não está aqui, pois ressuscitou, conforme havia dito”. (cf. Mt 28,6)

A Ressurreição de Cristo, que celebramos em cada Eucaristia e que, de maneira especial, celebramos nesta Páscoa anual, é a nossa alegria e a certeza da nossa vitória. Às vezes, pesa sobre nós uma infindável tristeza. Celebramos a cada ano a Páscoa e percebemos que ainda estamos do mesmo modo. Tantas vezes ainda estamos presos aos mesmos pecados. E aí, entra o tentador para nos convencer de que não adianta mais nada. Ele procura nos enganar fazendo-nos pensar que não temos mais jeito. Todavia, cremos num poder invisível, que é mais forte que a morte. Cremos que assim como todos olhavam o Cristo no túmulo e achavam que não tinha mais jeito, mas Ele ressuscitou, assim também nós, embora estejamos no túmulo do pecado, existe um poder invisível que atua e que nos faz ressuscitar. Cremos que, cada vez que celebramos a Páscoa, Cristo passa pela nossa vida e a renova. Cremos que cada vez que ouvimos a Palavra ela gera algo novo em nós, como nos dizia a quinta leitura em Is 55,10-11: “Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.” A Ressurreição de Cristo é esperança, é certeza de que também eu posso ressuscitar dos meus pecados para viver com Ele uma vida nova. E se Ele me dá a cada essa oportunidade, é porque Ele bem sabe que a cada ano eu preciso dela.

Algumas vezes estamos fechados no túmulo do pecado. E nos perguntamos como aquelas mulheres: “Quem vai remover a pedra para nós?” A pedra é tão pesada! A resposta é: Cristo! Ele ergueu a pedra de seu próprio túmulo quando ressuscitou dos mortos e Ele também quer e pode retirar a pedra do nosso túmulo para que possamos sair com Ele ressuscitados para uma vida. No dia do nosso Batismo essa graça aconteceu conosco. Cristo retirou a pedra do nosso sepulcro, como hoje faz com nossos irmãos que receberão o Santo Batismo em tantos lugares do mundo, e nos deu uma vida nova. Mas nós, que pecamos após o nosso Batismo e tantas vezes voltamos a nos encerrar em nossos sepulcros, carregamos a certeza de que, se quisermos, se confiarmos no poder da sua Ressurreição, se confiarmos em seu amor infinito, poderemos ver o grande milagre, sim, Ele removerá a pedra do nosso sepulcro e nos dará a vida eterna.

Um dia glorioso chegará para nós que temos medo da morte. Sabemos que Cristo a venceu, mas ainda a tememos, como uma criança (ou um adulto, sic!) que sabe que não tem nada no escuro, mas ainda assim o teme, inexplicavelmente. Mas nós sabemos pela fé que quando nós morrermos e formos definitivamente postos no sepulcro. Quando nos fecharem naquele lugar escuro e sombrio, quando todos chorarem nossa morte voltando para suas casas, nós sorriremos e saltaremos de alegria. Porque ao fecharem nosso túmulo aqui, Cristo o abrirá na vida eterna e nos dirá como disse a Lázaro: “Vem para fora!” Sim, Ele nos chamará pelo nome e nos ordenará: “Vem para fora!” Diante dessa certeza de vida eterna, toda dor que possamos enfrentar nesse mundo se reduz a nada, porque sabemos que, em Cristo, nós somos mais que vencedores.

Sejamos portadores dessa certeza da Ressurreição. Sejamos mensageiros dessa boa-nova, como as mulheres que outrora encontraram o túmulo vazio. Sejamos portadores da alegria notícia: “Ele Ressuscitou!” Ele não está mais no sepulcro. Ele agora está vivo e ressuscitado no meio de nós. Quando a morte bater à nossa porta, seja a morte física ou a morte do pecado, tenhamos a alegre certeza de que assim como Ele ressuscitou dos mortos para a glória do Pai, nós também com Ele ressuscitaremos.

E não cessemos de, incessantemente, pedir que venha sobre nós o Espírito, sim que Ele venha. Não precisamos aguardar Pentecostes, porque a Páscoa é já a certeza de que o Espírito Santo do Senhor está sobre nós. Peçamos que o Santo Espírito do Senhor nos envolva com a sua graça, para que possamos, animados pela alegria da Ressurreição, viver também uma vida nova em Cristo Jesus.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida