Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 30/04/2017

30 de Abril de 2017

Paixão, morte e ressurreição segundo Mateus

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

30 de Abril de 2017

Paixão, morte e ressurreição segundo Mateus

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

13/04/2014 00:00 - Atualizado em 13/04/2014 21:28

Paixão, morte e ressurreição segundo Mateus 1

13/04/2014 00:00 - Atualizado em 13/04/2014 21:28

Somente uma vez ao ano, no domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, é cantada ou lida a narrativa dos sofrimentos de Jesus até a crucifixão e morte. O clima é dominical, isto é, do memorial vivo da Páscoa – morte e ressurreição –   que a celebração da Eucaristia torna presente e atualiza.

O Evangelho de Mateus será proclamado, tanto para recordarmos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quanto para meditarmos em seus sofrimentos. Os contrastes falam. Eles ainda nos provocam? A Igreja que sai às ruas e pelos meios de comunicação, durante a semana santa, crê na resposta possível de seus filhos praticantes ou não. Jesus é posto no centro das atenções de muitos. Pretende- se avivar a curiosidade da Jerusalém agitada e que dizia: “Quem é este?” (Mt 21, 10).

Mateus descreve o acontecimento da morte de Jesus, em meio às trevas que envolveram toda a terra do meio-dia às três horas da tarde. A morte física de Jesus é, portanto, associada ao fenômeno da escuridão, que simboliza a incompreensão e a rejeição do filho de Deus.

As trevas introduzem os sentimentos do Crucificado em seu grande grito de interpelação, dirigido a Deus lá pelas três horas da tarde: “Por que me abandonastes?” Nas trevas da angústia e da amargura, Jesus se abre à confiança e salmodia intensamente. O grito é de lamentação e de confiança (cf. Sl 22 [21] ), próprio de outros salmos, em que o ato expressa o pedido de socorro.

As últimas palavras do Agonizante recordam a tristeza até a morte na oração ao Pai, no Getsêmani, simbolizada no cálice não afastado do sofrimento. Expressara a alma entristecida, gemendo diante de Deus (cf. Sl 42, 2). Assim, no morro de Getsêmani e no monte do Gólgota, Jesus, ao orar os salmos, nos ensina a esperar e a confiar. Intensifica sua oração ao ser abandonado pelos íntimos e, ao sentir-se abandonado pelo próprio Deus. Vive, então, a experiência trágica do humano sofrimento psíquico, sentido na subjetividade pessoal e oculta, no mundo interior inatingível: “Vós todos, que passais pelo caminho, olhai e vede: Há dor como a minha dor?” (Lm 1, 12).

Antes de entregar o espírito, Jesus dá outro grande grito. É o grito sem palavras, antes do silêncio mortal. Ocorre pensar e meditar que o alcance deste grito pode chegar até nós, em sintonia de sentido. Se houve trevas em toda a Terra ou arredor, no entanto, nada e ninguém apagaram a luminosidade do Crucificado. Bem reconheceu o centurião e os que com ele O guardavam: “De fato, este era o filho de Deus” (Mt 27, 54). Assim, sua morte é mensagem e ensinamento. Abre as portas à fé. É convite para anunciarmos o Evangelho da salvação, com renovado ardor e credibilidade.

A morte de Jesus inaugura um novo tempo para a história e é portadora da vida em si. Sua morte não o silencia. Ela já antecipa o anúncio e os efeitos da ressurreição. Por isso, Mateus usa a linguagem expressiva da escatologia apocalíptica. No breve instante do silêncio da morte, Jesus inaugura um novo tempo: o véu do templo se rasga, a terra tremeu, as rochas se fenderam (27,51). Descendo à mansão dos mortos, traz a vida e a libertação para os que jaziam cativos na morte, pois os túmulos se abriram, muitos corpos dos santos ressuscitaram e foram vistos por muitos (Mt 27,53).

A linguagem simbólica voltará ao raiar do primeiro dia da semana, porque os símbolos nos projetam para além dos fatos. Nada diz de trevas sobre a Terra. Agora brilha a aurora e o anjo mensageiro é de luz e de boas novas (28, 1.3). Também a linguagem apocalítica retorna, embora sóbria, no grande terremoto (v. 2). Não mais a centralidade de Jesus é vista na morte, mas no encontro marcado e localizado com os seus. “Lá me verão” (v. 10). Visão eclesial da fé!

O sepulcro do Senhor está aberto e vazio para sempre. Ele é indício do acontecimento que redimensiona a morte. O acontecimento é vê-lo. Encontrá-lo é a felicidade da vida para a eternidade. A Igreja existe para isto. Resta-nos, pois, dizer-nos uns aos outros: Feliz Páscoa da Ressurreição!

Deixe seu comentário

Comentários (1)

Diác. Odelcio Apr 17th 2014, 12:40

Interessante pela aplicação e atualização da realidade.

0 Resposta Responder
Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Paixão, morte e ressurreição segundo Mateus

13/04/2014 00:00 - Atualizado em 13/04/2014 21:28

Somente uma vez ao ano, no domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, é cantada ou lida a narrativa dos sofrimentos de Jesus até a crucifixão e morte. O clima é dominical, isto é, do memorial vivo da Páscoa – morte e ressurreição –   que a celebração da Eucaristia torna presente e atualiza.

O Evangelho de Mateus será proclamado, tanto para recordarmos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quanto para meditarmos em seus sofrimentos. Os contrastes falam. Eles ainda nos provocam? A Igreja que sai às ruas e pelos meios de comunicação, durante a semana santa, crê na resposta possível de seus filhos praticantes ou não. Jesus é posto no centro das atenções de muitos. Pretende- se avivar a curiosidade da Jerusalém agitada e que dizia: “Quem é este?” (Mt 21, 10).

Mateus descreve o acontecimento da morte de Jesus, em meio às trevas que envolveram toda a terra do meio-dia às três horas da tarde. A morte física de Jesus é, portanto, associada ao fenômeno da escuridão, que simboliza a incompreensão e a rejeição do filho de Deus.

As trevas introduzem os sentimentos do Crucificado em seu grande grito de interpelação, dirigido a Deus lá pelas três horas da tarde: “Por que me abandonastes?” Nas trevas da angústia e da amargura, Jesus se abre à confiança e salmodia intensamente. O grito é de lamentação e de confiança (cf. Sl 22 [21] ), próprio de outros salmos, em que o ato expressa o pedido de socorro.

As últimas palavras do Agonizante recordam a tristeza até a morte na oração ao Pai, no Getsêmani, simbolizada no cálice não afastado do sofrimento. Expressara a alma entristecida, gemendo diante de Deus (cf. Sl 42, 2). Assim, no morro de Getsêmani e no monte do Gólgota, Jesus, ao orar os salmos, nos ensina a esperar e a confiar. Intensifica sua oração ao ser abandonado pelos íntimos e, ao sentir-se abandonado pelo próprio Deus. Vive, então, a experiência trágica do humano sofrimento psíquico, sentido na subjetividade pessoal e oculta, no mundo interior inatingível: “Vós todos, que passais pelo caminho, olhai e vede: Há dor como a minha dor?” (Lm 1, 12).

Antes de entregar o espírito, Jesus dá outro grande grito. É o grito sem palavras, antes do silêncio mortal. Ocorre pensar e meditar que o alcance deste grito pode chegar até nós, em sintonia de sentido. Se houve trevas em toda a Terra ou arredor, no entanto, nada e ninguém apagaram a luminosidade do Crucificado. Bem reconheceu o centurião e os que com ele O guardavam: “De fato, este era o filho de Deus” (Mt 27, 54). Assim, sua morte é mensagem e ensinamento. Abre as portas à fé. É convite para anunciarmos o Evangelho da salvação, com renovado ardor e credibilidade.

A morte de Jesus inaugura um novo tempo para a história e é portadora da vida em si. Sua morte não o silencia. Ela já antecipa o anúncio e os efeitos da ressurreição. Por isso, Mateus usa a linguagem expressiva da escatologia apocalíptica. No breve instante do silêncio da morte, Jesus inaugura um novo tempo: o véu do templo se rasga, a terra tremeu, as rochas se fenderam (27,51). Descendo à mansão dos mortos, traz a vida e a libertação para os que jaziam cativos na morte, pois os túmulos se abriram, muitos corpos dos santos ressuscitaram e foram vistos por muitos (Mt 27,53).

A linguagem simbólica voltará ao raiar do primeiro dia da semana, porque os símbolos nos projetam para além dos fatos. Nada diz de trevas sobre a Terra. Agora brilha a aurora e o anjo mensageiro é de luz e de boas novas (28, 1.3). Também a linguagem apocalítica retorna, embora sóbria, no grande terremoto (v. 2). Não mais a centralidade de Jesus é vista na morte, mas no encontro marcado e localizado com os seus. “Lá me verão” (v. 10). Visão eclesial da fé!

O sepulcro do Senhor está aberto e vazio para sempre. Ele é indício do acontecimento que redimensiona a morte. O acontecimento é vê-lo. Encontrá-lo é a felicidade da vida para a eternidade. A Igreja existe para isto. Resta-nos, pois, dizer-nos uns aos outros: Feliz Páscoa da Ressurreição!

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro