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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2017

19 de Agosto de 2017

Um dia para o doente

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Um dia para o doente

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14/02/2014 16:58 - Atualizado em 14/02/2014 16:58

Um dia para o doente 0

14/02/2014 16:58 - Atualizado em 14/02/2014 16:58

Um dia para o doente / Arqrio

Celebramos na memória de Nossa Senhora de Lourdes mais um Dia Mundial do Doente, em 11 de fevereiro passado, aniversário da primeira aparição. O mundo católico sabe da ligação histórica e devocional entre a fonte cavada na terra por Santa Bernadete e a cura de doentes, sobretudo na hora da bênção do Santíssimo Sacramento. A presença deles se deve aos hospitais construídos por perto ou ao redor. A própria vidente entrou em uma ordem religiosa de irmãs enfermeiras.

Vale recordar o testemunho da santa quanto à aparição do dia 25 de fevereiro de 1858. A senhora disse-lhe: “Vá, beba da fonte e lave-se nela”. Não conhecendo nenhuma fonte na rocha, dirigiu-se ao rio. A senhora explicou que não era isso que queria. “Ela apontou com o dedo mostrando a fonte. Eu fui lá. Vi apenas uma água turva e pouca. Introduzi minha mão, mas não consegui o suficiente para beber. Cavei e a água aflorou, só que barrenta. Três vezes lancei-a fora, mas a quarta vez pude bebê-la”. Em uma semana, a fonte lançava 121 mil litros de água. Isto acontece ainda hoje.

Água é necessidade vital. É símbolo de vida e de regeneração. É sinal de purificação, de cura espiritual ou física, em sintonia com vários episódios da Sagrada Escritura, especialmente as águas do rio Jordão (2Rs 5,14) e as da piscina de Siloé (Jo 9, 6). Naquele ano de 1858, no dia 26 de fevereiro, 800 pessoas presenciaram o reconhecimento da fonte. Correspondia à segunda sexta-feira da Quaresma. Maria Santíssima ordenara penitência em consonância com o tempo litúrgico e com o evangelho do dia, da piscina de Betesda, cujas águas tinham poderes curativos (Jo 5, 1-15). Muito nos constrange a narrativa: “deitados pelo chão, numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos ficavam esperando o borbulhar da água” (v. 3). Apenas a um deles Jesus revela seu poder de restituir-lhe a saúde plena. A seguir, estimula-o à conversão contínua: “Não peques mais!” (v. 14).

A presença de incrédulos e céticos e curiosos era numerosa durante o fenômeno das aparições em Lourdes. Bernadete, muitas vezes, foi tratada como se fosse impostora. Porém, serenadas as dúvidas dos adversários, inclusive de suposta manipulação eclesiástica, a verdade triunfou. Desde então, produz grande admiração ali nada existir de espetacular e de artificial. Nada de exaltação ruidosa ou de excitação barulhenta. Tudo se passa em silêncio e em oração, na presença da Mãe e do Filho.

O fenômeno de Lourdes é de fé católica. Não é tanto de curas físicas, embora existam comprovadas, mas de conversões que o Espírito Santo promove no íntimo dos corações, através da ação medicinal da graça. Quando vitoriosa, o apelo de Maria à penitência é ouvido e cumprido: há mudança de vida pelo retorno a Deus, com a acolhida da mensagem do Filho. Também seu apelo à oração: o relacionamento coloquial com Deus por Cristo e no Espírito cresce ou se purifica.

Nada de lágrimas como em Salete. Maria prefere sorrir. Sorri várias vezes para Bernadete. Este detalhe não pode ser irrelevante. Sorrir é outra forma de terapia. Faz bem aos doentes que não podem retribuir. É útil aos que deles cuidam. Sorrir significa mais que mero sorriso: é amor de cuidados; é amor de delicadeza; é amor de dedicação; é amor de verdade.

O Dia Mundial do Doente, à luz da solicitude materna de Maria, faz pensar nas práticas que efetivam o bem estar pleno das pessoas: medicina preventiva e curativa, políticas públicas, destinação das verbas, médicos e equipes qualificados de saúde, condições dignas de trabalho, diagnósticos precisos, universalização dos tratamentos e, a tempo, procedimentos menos invasivos, medicamentos ao alcance de todos, modernização dos hospitais e equipamentos, faculdades de excelência e centros de estudo e pesquisa. Enfim, a ética profissional. Tudo em prol do doente.

Compromete a Igreja para que invista na Pastoral da Saúde: sacerdotes, diáconos, religiosas, fiéis leigos, pois a assistência religiosa é um direito tanto quanto o respeito à confissão de fé individual.

Ao adoecer, supõe-se que o católico aguarde a confissão, a comunhão, a unção, a oração (cf. Tg 5,14-15). Grande é a motivação em visitá-lo porque Jesus se identifica com todo o enfermo (Mt 25,39).

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Um dia para o doente / Arqrio

Um dia para o doente

14/02/2014 16:58 - Atualizado em 14/02/2014 16:58

Celebramos na memória de Nossa Senhora de Lourdes mais um Dia Mundial do Doente, em 11 de fevereiro passado, aniversário da primeira aparição. O mundo católico sabe da ligação histórica e devocional entre a fonte cavada na terra por Santa Bernadete e a cura de doentes, sobretudo na hora da bênção do Santíssimo Sacramento. A presença deles se deve aos hospitais construídos por perto ou ao redor. A própria vidente entrou em uma ordem religiosa de irmãs enfermeiras.

Vale recordar o testemunho da santa quanto à aparição do dia 25 de fevereiro de 1858. A senhora disse-lhe: “Vá, beba da fonte e lave-se nela”. Não conhecendo nenhuma fonte na rocha, dirigiu-se ao rio. A senhora explicou que não era isso que queria. “Ela apontou com o dedo mostrando a fonte. Eu fui lá. Vi apenas uma água turva e pouca. Introduzi minha mão, mas não consegui o suficiente para beber. Cavei e a água aflorou, só que barrenta. Três vezes lancei-a fora, mas a quarta vez pude bebê-la”. Em uma semana, a fonte lançava 121 mil litros de água. Isto acontece ainda hoje.

Água é necessidade vital. É símbolo de vida e de regeneração. É sinal de purificação, de cura espiritual ou física, em sintonia com vários episódios da Sagrada Escritura, especialmente as águas do rio Jordão (2Rs 5,14) e as da piscina de Siloé (Jo 9, 6). Naquele ano de 1858, no dia 26 de fevereiro, 800 pessoas presenciaram o reconhecimento da fonte. Correspondia à segunda sexta-feira da Quaresma. Maria Santíssima ordenara penitência em consonância com o tempo litúrgico e com o evangelho do dia, da piscina de Betesda, cujas águas tinham poderes curativos (Jo 5, 1-15). Muito nos constrange a narrativa: “deitados pelo chão, numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos ficavam esperando o borbulhar da água” (v. 3). Apenas a um deles Jesus revela seu poder de restituir-lhe a saúde plena. A seguir, estimula-o à conversão contínua: “Não peques mais!” (v. 14).

A presença de incrédulos e céticos e curiosos era numerosa durante o fenômeno das aparições em Lourdes. Bernadete, muitas vezes, foi tratada como se fosse impostora. Porém, serenadas as dúvidas dos adversários, inclusive de suposta manipulação eclesiástica, a verdade triunfou. Desde então, produz grande admiração ali nada existir de espetacular e de artificial. Nada de exaltação ruidosa ou de excitação barulhenta. Tudo se passa em silêncio e em oração, na presença da Mãe e do Filho.

O fenômeno de Lourdes é de fé católica. Não é tanto de curas físicas, embora existam comprovadas, mas de conversões que o Espírito Santo promove no íntimo dos corações, através da ação medicinal da graça. Quando vitoriosa, o apelo de Maria à penitência é ouvido e cumprido: há mudança de vida pelo retorno a Deus, com a acolhida da mensagem do Filho. Também seu apelo à oração: o relacionamento coloquial com Deus por Cristo e no Espírito cresce ou se purifica.

Nada de lágrimas como em Salete. Maria prefere sorrir. Sorri várias vezes para Bernadete. Este detalhe não pode ser irrelevante. Sorrir é outra forma de terapia. Faz bem aos doentes que não podem retribuir. É útil aos que deles cuidam. Sorrir significa mais que mero sorriso: é amor de cuidados; é amor de delicadeza; é amor de dedicação; é amor de verdade.

O Dia Mundial do Doente, à luz da solicitude materna de Maria, faz pensar nas práticas que efetivam o bem estar pleno das pessoas: medicina preventiva e curativa, políticas públicas, destinação das verbas, médicos e equipes qualificados de saúde, condições dignas de trabalho, diagnósticos precisos, universalização dos tratamentos e, a tempo, procedimentos menos invasivos, medicamentos ao alcance de todos, modernização dos hospitais e equipamentos, faculdades de excelência e centros de estudo e pesquisa. Enfim, a ética profissional. Tudo em prol do doente.

Compromete a Igreja para que invista na Pastoral da Saúde: sacerdotes, diáconos, religiosas, fiéis leigos, pois a assistência religiosa é um direito tanto quanto o respeito à confissão de fé individual.

Ao adoecer, supõe-se que o católico aguarde a confissão, a comunhão, a unção, a oração (cf. Tg 5,14-15). Grande é a motivação em visitá-lo porque Jesus se identifica com todo o enfermo (Mt 25,39).

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro