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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/06/2017

25 de Junho de 2017

A propósito do direito ao lazer

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25 de Junho de 2017

A propósito do direito ao lazer

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07/02/2014 14:17 - Atualizado em 07/02/2014 14:30

A propósito do direito ao lazer 0

07/02/2014 14:17 - Atualizado em 07/02/2014 14:30

A propósito do direito ao lazer / Arqrio

Neste tempo de retorno das férias, de volta ao trabalho e às aulas, confirma-se a prática do lazer como exercício de um direito de todos. Cresce no Brasil mesmo entre os mais pobres. Aliás, há quem considere que seja dever nestes tempos de tanta agitação descansar e espairecer por alguns dias, para superar o estresse, o nervosismo, a insatisfação, o cansaço e o desânimo. Os relacionamentos melhoram. O trabalhador e o estudante ganham em disposição salutar. A família também lucra ao se reunir para conviver e se divertir. Integra os mais velhos aos mais novos. Satisfaz e apazigua. Reforça laços afetivos. Se ainda houver filhos pequenos, sua alegria dará novo alento ao casal.

Desde a Revolução Industrial intensificou-se aos poucos contra a escravidão e a servidão, e como reivindicação, o direito ao trabalho justamente remunerado e, mais tarde, ao descanso e ao lazer com férias também remuneradas. Hoje é ponto pacífico que, além do descanso semanal, haja um tempo anual de férias, garantido pelas leis trabalhistas. Não só estudantes têm férias escolares.

O repouso semanal, do qual deriva o direito ao descanso anual de 30 dias, vem do descanso sabático judaico, do qual se origina o sentido modificado do descanso dominical cristão. Convém recordar o decálogo: “Lembra-te do dia do sábado para santificá-lo. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. O sétimo dia, porém, é o sábado de Iahweh teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu animal, nem o estrangeiro que está em tuas portas” (Ex 20, 8-10). A motivação é a narrativa da criação: Deus repousou no sétimo dia (Gn 2, 2-3; Ex 20, 11).

A motivação cristã, seguramente, é outra. Origina-se da ressurreição do Senhor e do derramamento do Espírito, em Pentecostes, ambos os acontecimentos no primeiro dia da semana. Advém do fato da redenção e da nova criação em Cristo e no Espírito. Então, os discípulos, frequentando a sinagoga aos sábados e reunindo-se aos domingos para a “fração do pão” (At 2, 42), progressivamente reconheceram a primazia do primeiro e não mais do último dia. A propósito, constata São Lucas: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do pão, Paulo entretinha-se com eles” (At 20, 7). Em consonância, o primeiro dia da semana passou a ser para a Igreja de todos os tempos, o Dia do Senhor, ou seja, domingo. Dia da assembleia eucarística ou da comunhão no pão consagrado, conforme o mandato do Senhor, na ceia de despedida: “Fazei isto em memória de mim” (1 Cor 11, 24.25). Dia de convivência familiar favorável ao repouso e disponível à diversão.

Com a secularização do descanso semanal e dos feriados festivos, com exceção dos praticantes, a massa de católicos nominais perdeu o significado da santificação do trabalho e o sentido espiritual do repouso. Por isso, hoje se reconhece a necessidade de recuperar, no anúncio da fé e na catequese, o simbolismo teológico-espiritual do Dia do Senhor, entre outros. Na verdade, o domingo integra todas as dimensões da existência, especialmente a reunião da Igreja em Cristo, presente na Palavra e na Eucaristia e no encontro dos irmãos de fé, até na visitação aos doentes e aos demais. Quanto à missa, não se trata de simples cumprimento de um preceito exterior. Brota do sentimento de pertença. É a vivência do encontro pelo qual se renova a aliança com Deus no sangue de Cristo e no Espírito. Trata-se, pois, de redescobrir a alegria de encontrá-Lo: “Ele está no meio de nós”. Por isso, a celebração dominical é sempre festiva, alegre, criativa. Empenha quem preside e as equipes de serviço – do canto e das leituras e da acolhida – em favor da participação da assembleia.

Estando as férias ligadas ao verão, a pastoral da acolhida aos veranistas tem sido uma nova faceta da presença eclesial no território nacional onde há turismo interno. Promove as celebrações eucarísticas, visando aos visitantes, e até com horário diversificado. Manifesta-se acolhedora e simpática, indo ao encontro dos que usufruem de seu direito ao lazer.

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A propósito do direito ao lazer

07/02/2014 14:17 - Atualizado em 07/02/2014 14:30

Neste tempo de retorno das férias, de volta ao trabalho e às aulas, confirma-se a prática do lazer como exercício de um direito de todos. Cresce no Brasil mesmo entre os mais pobres. Aliás, há quem considere que seja dever nestes tempos de tanta agitação descansar e espairecer por alguns dias, para superar o estresse, o nervosismo, a insatisfação, o cansaço e o desânimo. Os relacionamentos melhoram. O trabalhador e o estudante ganham em disposição salutar. A família também lucra ao se reunir para conviver e se divertir. Integra os mais velhos aos mais novos. Satisfaz e apazigua. Reforça laços afetivos. Se ainda houver filhos pequenos, sua alegria dará novo alento ao casal.

Desde a Revolução Industrial intensificou-se aos poucos contra a escravidão e a servidão, e como reivindicação, o direito ao trabalho justamente remunerado e, mais tarde, ao descanso e ao lazer com férias também remuneradas. Hoje é ponto pacífico que, além do descanso semanal, haja um tempo anual de férias, garantido pelas leis trabalhistas. Não só estudantes têm férias escolares.

O repouso semanal, do qual deriva o direito ao descanso anual de 30 dias, vem do descanso sabático judaico, do qual se origina o sentido modificado do descanso dominical cristão. Convém recordar o decálogo: “Lembra-te do dia do sábado para santificá-lo. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. O sétimo dia, porém, é o sábado de Iahweh teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu animal, nem o estrangeiro que está em tuas portas” (Ex 20, 8-10). A motivação é a narrativa da criação: Deus repousou no sétimo dia (Gn 2, 2-3; Ex 20, 11).

A motivação cristã, seguramente, é outra. Origina-se da ressurreição do Senhor e do derramamento do Espírito, em Pentecostes, ambos os acontecimentos no primeiro dia da semana. Advém do fato da redenção e da nova criação em Cristo e no Espírito. Então, os discípulos, frequentando a sinagoga aos sábados e reunindo-se aos domingos para a “fração do pão” (At 2, 42), progressivamente reconheceram a primazia do primeiro e não mais do último dia. A propósito, constata São Lucas: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do pão, Paulo entretinha-se com eles” (At 20, 7). Em consonância, o primeiro dia da semana passou a ser para a Igreja de todos os tempos, o Dia do Senhor, ou seja, domingo. Dia da assembleia eucarística ou da comunhão no pão consagrado, conforme o mandato do Senhor, na ceia de despedida: “Fazei isto em memória de mim” (1 Cor 11, 24.25). Dia de convivência familiar favorável ao repouso e disponível à diversão.

Com a secularização do descanso semanal e dos feriados festivos, com exceção dos praticantes, a massa de católicos nominais perdeu o significado da santificação do trabalho e o sentido espiritual do repouso. Por isso, hoje se reconhece a necessidade de recuperar, no anúncio da fé e na catequese, o simbolismo teológico-espiritual do Dia do Senhor, entre outros. Na verdade, o domingo integra todas as dimensões da existência, especialmente a reunião da Igreja em Cristo, presente na Palavra e na Eucaristia e no encontro dos irmãos de fé, até na visitação aos doentes e aos demais. Quanto à missa, não se trata de simples cumprimento de um preceito exterior. Brota do sentimento de pertença. É a vivência do encontro pelo qual se renova a aliança com Deus no sangue de Cristo e no Espírito. Trata-se, pois, de redescobrir a alegria de encontrá-Lo: “Ele está no meio de nós”. Por isso, a celebração dominical é sempre festiva, alegre, criativa. Empenha quem preside e as equipes de serviço – do canto e das leituras e da acolhida – em favor da participação da assembleia.

Estando as férias ligadas ao verão, a pastoral da acolhida aos veranistas tem sido uma nova faceta da presença eclesial no território nacional onde há turismo interno. Promove as celebrações eucarísticas, visando aos visitantes, e até com horário diversificado. Manifesta-se acolhedora e simpática, indo ao encontro dos que usufruem de seu direito ao lazer.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro