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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/04/2021

13 de Abril de 2021

Ano da Caridade: o que vamos fazer?

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Ano da Caridade: o que vamos fazer?

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03/02/2014 15:46 - Atualizado em 03/02/2014 15:50

Ano da Caridade: o que vamos fazer? 0

03/02/2014 15:46 - Atualizado em 03/02/2014 15:50

Ano da Caridade: o que vamos fazer? / Arqrio

Não deixa de ser interessante perguntar o que vai ser feito no Ano Arquidiocesano da Caridade, pois a reposta não poderia ser mais simples: vamos praticar a caridade e motivar os outros a seguirem o mesmo caminho. Isso vale para cada pessoa, grupo e instituição. O importante é perceber: ninguém está isento de colocar em prática o mandamento do Senhor Jesus naquela parte que se refere a amar ao próximo.

O primeiro passo consiste em rezar e discernir. Em clima de oração e exame de consciência, cada pessoa deve se perguntar como tem sido sua prática do bem, da caridade, da ajuda ao próximo. Existem algumas pessoas que se limitam a dizer que não matam, não roubam nem falam mal de ninguém. Estas pessoas, além de pecarem pela vaidade e até mesmo pela mentira no caso de não falarem mal de ninguém, correm o forte risco de estarem pecando por omissão. Para Jesus, não basta não praticar o mal. É preciso praticar o bem. Se pudéssemos fazer uma comparação bem simples, não basta não cheirar mal. Temos que exalar um agradável perfume, no caso, o perfume do amor ao próximo.

Caridade pode ser, como estamos acostumados a conceber, ajuda imediata na hora do sofrimento agudo. O mais comum nestes casos é a ajuda diante da fome. Isso é muito bom. Isso é indispensável. A fome não tem idade, raça, religião, sexo nem qualquer outra condição. Fome é fome e precisa ser enfrentada com ajuda urgente. Acontece, porém, que nem sempre as pessoas têm apenas o que chamamos de fome material, isto é, ausência de alimentos. As pessoas têm outras necessidades que podem ser materiais, mas também afetivas, emocionais e espirituais.

Entre as necessidades materiais, encontram-se aquelas que mais imediatamente dizem respeito ao indispensável à vida de qualquer ser humano: alimentação, é claro, mas também vestes, moradia, trabalho, educação, entre outras. Entre as necessidades que chamamos de afetivas, encontra-se uma enorme urgência de nossos dias: as pessoas necessitam ser ouvidas, escutadas, acolhidas principalmente nos momentos de angústia. Encontra-se a ajuda às famílias em crises de relacionamento, com a ameaça de separação. Encontram-se as famílias que, por exemplo, desabam emocionalmente diante de uma gravidez inesperada e sofrem a tentação do aborto. Encontram-se as famílias atingidas pelo desemprego. Há, enfim, tantos modos de acolher, escutar e ajudar a discernir os caminhos. Neste sentido, é muito bonito o trabalho de diversos grupos que se destinam exatamente a colocar as pessoas em situação de escuta e conversa. Nestas reuniões, se as respostas não surgem de imediato, com certeza, o fato de ter podido abrir confiantemente o coração já é um grande começo.

As necessidades espirituais se referem ao encontro com Jesus Cristo e com a Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus. Todo ser humano tem o direito de ouvir falar de Jesus Cristo. Todo ser humano tem o direito de ser apresentado à Igreja. Consequentemente, ajudar as pessoas a conhecerem Jesus Cristo é uma exigência a todo cristão. Além de exigência, anunciar Jesus é, sem dúvida, um gesto de caridade. É o olhar com preocupação para quem nunca ouviu falar de Jesus Cristo, para quem, já tendo ouvido falar de Jesus, acabou se esquecendo dele, para quem acaba caindo nas armadilhas de quem usa o nome de Jesus para finalidades que o próprio Jesus condena e condenará sempre. Por isso, anunciar Jesus é também um gesto de caridade.

Em tudo isso, as instituições também são convidadas a participarem ativamente do Ano Arquidiocesano da Caridade. Em primeiro lugar, são convocadas as instituições que costumamos chamar de obras sociais. Elas precisam intensificar mais suas atividades, unir-se, integrar-se, atualizar-se e se abrir ao diálogo com outras instâncias da sociedade, a fim de que todos possam experimentar a alegria da caridade. Estas instituições necessitam também ser ajudadas, através da presença amiga, fraterna e solidária, de modo que o contato com toda a comunidade cristã e a sociedade em geral saiba separar quais as instituições que, de fato, vivem a caridade e precisam ser fortalecidas e daquelas que, sob a capa da caridade, assumem outros objetivos, precisam ser ajudadas à conversão.

Além dos grupos e instituições diretamente ligados à caridade, todos os grupos e instituições são chamados a encontrarem modos de viver o amor ao próximo. Pode acontecer que um ou outro grupo fique com a impressão de que sua atividade nada tem a ver com a caridade. Este é o desafio que o Ano da Caridade nos apresenta: buscar caminhos para que a caridade seja praticada e fortalecida. Para isso, é necessário ser criativo, escutar a vida, sentir as necessidades.

Por fim, convém recordar que a caridade possui também uma dimensão social e mesmo política. Lembremo-nos de que, este ano, a Campanha da Fraternidade nos apresentará a triste e vergonhosa situação do tráfico humano. São pessoas trazidas de outros países e escravizadas para trabalhar em situações degradantes. São pessoas que vivem da exploração sexual. São ainda os comércios de crianças para adoção e de órgãos para transplantes. Trabalho, afeto, família e saúde são condições indispensáveis para qualquer ser humano. A vergonha, que traz à terra um pouco do inferno, consiste em fazer de seres humanos objetos para lucro pessoal. Estas situações desrespeitam o Deus de Amor, destroem vidas e nos questionam muito diretamente.

Caridade é, portanto, doação gratuita. É doar um sorriso, uma gentileza, uma atenção, respeito, alimento e roupas, engajamento nas obras sociais, participação no âmbito das políticas públicas em prol do bem comum, diálogo com quem pensa diferente. Esta lista, na verdade, não termina.

Em todos os gestos de caridade acontece a mesma situação. Ganham os que recebem e ganham os que doam, pois o amor se manifesta e o mundo fica diferente. A caridade que brota do coração de Jesus Cristo não se resume apenas a este ou àquele gesto concreto. Estes gestos são apenas o início de um processo que, nascendo no coração do Senhor Jesus, chega aos corações humanos e, quando aceitos, tornam-se atitudes que voltam ao céu sob a forma de amor partilhado.

O Ano da Caridade é uma opção pastoral da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Em princípio, destina-se aos católicos cariocas, mas, sendo a caridade um valor universal, este tempo, que vai de 20 de janeiro a 23 de novembro, é um convite a todos os corações que, independentemente de qualquer outra condição, acreditam no bem, na paz, na justiça e no amor. Na Bíblia, caridade e amor são a mesma palavra.

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Ano da Caridade: o que vamos fazer?

03/02/2014 15:46 - Atualizado em 03/02/2014 15:50

Não deixa de ser interessante perguntar o que vai ser feito no Ano Arquidiocesano da Caridade, pois a reposta não poderia ser mais simples: vamos praticar a caridade e motivar os outros a seguirem o mesmo caminho. Isso vale para cada pessoa, grupo e instituição. O importante é perceber: ninguém está isento de colocar em prática o mandamento do Senhor Jesus naquela parte que se refere a amar ao próximo.

O primeiro passo consiste em rezar e discernir. Em clima de oração e exame de consciência, cada pessoa deve se perguntar como tem sido sua prática do bem, da caridade, da ajuda ao próximo. Existem algumas pessoas que se limitam a dizer que não matam, não roubam nem falam mal de ninguém. Estas pessoas, além de pecarem pela vaidade e até mesmo pela mentira no caso de não falarem mal de ninguém, correm o forte risco de estarem pecando por omissão. Para Jesus, não basta não praticar o mal. É preciso praticar o bem. Se pudéssemos fazer uma comparação bem simples, não basta não cheirar mal. Temos que exalar um agradável perfume, no caso, o perfume do amor ao próximo.

Caridade pode ser, como estamos acostumados a conceber, ajuda imediata na hora do sofrimento agudo. O mais comum nestes casos é a ajuda diante da fome. Isso é muito bom. Isso é indispensável. A fome não tem idade, raça, religião, sexo nem qualquer outra condição. Fome é fome e precisa ser enfrentada com ajuda urgente. Acontece, porém, que nem sempre as pessoas têm apenas o que chamamos de fome material, isto é, ausência de alimentos. As pessoas têm outras necessidades que podem ser materiais, mas também afetivas, emocionais e espirituais.

Entre as necessidades materiais, encontram-se aquelas que mais imediatamente dizem respeito ao indispensável à vida de qualquer ser humano: alimentação, é claro, mas também vestes, moradia, trabalho, educação, entre outras. Entre as necessidades que chamamos de afetivas, encontra-se uma enorme urgência de nossos dias: as pessoas necessitam ser ouvidas, escutadas, acolhidas principalmente nos momentos de angústia. Encontra-se a ajuda às famílias em crises de relacionamento, com a ameaça de separação. Encontram-se as famílias que, por exemplo, desabam emocionalmente diante de uma gravidez inesperada e sofrem a tentação do aborto. Encontram-se as famílias atingidas pelo desemprego. Há, enfim, tantos modos de acolher, escutar e ajudar a discernir os caminhos. Neste sentido, é muito bonito o trabalho de diversos grupos que se destinam exatamente a colocar as pessoas em situação de escuta e conversa. Nestas reuniões, se as respostas não surgem de imediato, com certeza, o fato de ter podido abrir confiantemente o coração já é um grande começo.

As necessidades espirituais se referem ao encontro com Jesus Cristo e com a Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus. Todo ser humano tem o direito de ouvir falar de Jesus Cristo. Todo ser humano tem o direito de ser apresentado à Igreja. Consequentemente, ajudar as pessoas a conhecerem Jesus Cristo é uma exigência a todo cristão. Além de exigência, anunciar Jesus é, sem dúvida, um gesto de caridade. É o olhar com preocupação para quem nunca ouviu falar de Jesus Cristo, para quem, já tendo ouvido falar de Jesus, acabou se esquecendo dele, para quem acaba caindo nas armadilhas de quem usa o nome de Jesus para finalidades que o próprio Jesus condena e condenará sempre. Por isso, anunciar Jesus é também um gesto de caridade.

Em tudo isso, as instituições também são convidadas a participarem ativamente do Ano Arquidiocesano da Caridade. Em primeiro lugar, são convocadas as instituições que costumamos chamar de obras sociais. Elas precisam intensificar mais suas atividades, unir-se, integrar-se, atualizar-se e se abrir ao diálogo com outras instâncias da sociedade, a fim de que todos possam experimentar a alegria da caridade. Estas instituições necessitam também ser ajudadas, através da presença amiga, fraterna e solidária, de modo que o contato com toda a comunidade cristã e a sociedade em geral saiba separar quais as instituições que, de fato, vivem a caridade e precisam ser fortalecidas e daquelas que, sob a capa da caridade, assumem outros objetivos, precisam ser ajudadas à conversão.

Além dos grupos e instituições diretamente ligados à caridade, todos os grupos e instituições são chamados a encontrarem modos de viver o amor ao próximo. Pode acontecer que um ou outro grupo fique com a impressão de que sua atividade nada tem a ver com a caridade. Este é o desafio que o Ano da Caridade nos apresenta: buscar caminhos para que a caridade seja praticada e fortalecida. Para isso, é necessário ser criativo, escutar a vida, sentir as necessidades.

Por fim, convém recordar que a caridade possui também uma dimensão social e mesmo política. Lembremo-nos de que, este ano, a Campanha da Fraternidade nos apresentará a triste e vergonhosa situação do tráfico humano. São pessoas trazidas de outros países e escravizadas para trabalhar em situações degradantes. São pessoas que vivem da exploração sexual. São ainda os comércios de crianças para adoção e de órgãos para transplantes. Trabalho, afeto, família e saúde são condições indispensáveis para qualquer ser humano. A vergonha, que traz à terra um pouco do inferno, consiste em fazer de seres humanos objetos para lucro pessoal. Estas situações desrespeitam o Deus de Amor, destroem vidas e nos questionam muito diretamente.

Caridade é, portanto, doação gratuita. É doar um sorriso, uma gentileza, uma atenção, respeito, alimento e roupas, engajamento nas obras sociais, participação no âmbito das políticas públicas em prol do bem comum, diálogo com quem pensa diferente. Esta lista, na verdade, não termina.

Em todos os gestos de caridade acontece a mesma situação. Ganham os que recebem e ganham os que doam, pois o amor se manifesta e o mundo fica diferente. A caridade que brota do coração de Jesus Cristo não se resume apenas a este ou àquele gesto concreto. Estes gestos são apenas o início de um processo que, nascendo no coração do Senhor Jesus, chega aos corações humanos e, quando aceitos, tornam-se atitudes que voltam ao céu sob a forma de amor partilhado.

O Ano da Caridade é uma opção pastoral da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Em princípio, destina-se aos católicos cariocas, mas, sendo a caridade um valor universal, este tempo, que vai de 20 de janeiro a 23 de novembro, é um convite a todos os corações que, independentemente de qualquer outra condição, acreditam no bem, na paz, na justiça e no amor. Na Bíblia, caridade e amor são a mesma palavra.

Dom Joel Portella Amado
Autor

Dom Joel Portella Amado

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro