Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/09/2018

20 de Setembro de 2018

Mudança Radical

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24/01/2014 14:56 - Atualizado em 24/01/2014 17:06

Mudança Radical 0

24/01/2014 14:56 - Atualizado em 24/01/2014 17:06

Mudança Radical / Arqrio

Na oração coleta da liturgia deste domingo, o sacerdote faz, em nome da comunidade, um pedido ao Pai: “dirigi a nossa vida segundo o vosso amor”. Logo em seguida, a mesma oração posta na boca do sacerdote neste domingo dá o sentido deste pedido: “para que possamos, em nome do Vosso Filho, frutificar em boas obras”. Esta oração deve dar o sentido desta liturgia dominical e também da nossa semana. Não queremos mais ser dirigidos por nós mesmos, nem por nossas paixões. Queremos, sim, ser dirigidos por Deus, no amor. Somente assim poderemos passar do pecado à vida da graça; somente assim poderemos dar os frutos que o Pai espera de nós.

Na liturgia da Palavra deste domingo, ouvimos na primeira leitura um trecho do profeta Isaías que será citado por Cristo no passo do Evangelho, que constitui como que o centro da mesma liturgia da Palavra. Ouvimos o final do capítulo oitavo e o início do capítulo nono do profeta Isaías. Após relembrar a obscuridade que recaiu sobre o povo em virtude da iminente dominação estrangeira, o profeta proclama um tempo novo, onde uma “grande luz” brilhará para o povo. O brilhar desta “grande luz” vai fazer “crescer a alegria”, “aumentar a felicidade”, e todos se regozijarão em Deus. O jugo será finalmente retirado de sobre o povo. Os versículos seguintes, que lemos também na liturgia da missa do Natal do Senhor, são omitidos, mas eles explicam que essa “grande luz” será o nascimento de um menino, de “um filho” que “nos foi dado”.

O salmista, ao afirmar que “o Senhor é minha luz e salvação”, antecipa, de certa forma, a perfeita exegese deste texto que será feita por Mateus, no trecho que também ouvimos nesta liturgia da Palavra. Nos vv. 12-16 Mateus afirma que Jesus foi morar em Cafarnaum, justamente para que cumprisse o que havia sido profetizado por Isaías. Na Galileia, uma luz foi vista, Cristo, aquele que veio como “luz do mundo” (cf. Jo 8,12a).

No v. 17, logo antes de apresentar a vocação dos quatro primeiros discípulos, e como que demonstrando que essa é a condição para ser discípulo de Cristo, Mateus nos mostra em um versículo, o núcleo fundamental da pregação de Jesus: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Em Cristo, o Reino dos Céus se aproximou de nós, por isso é urgente a nossa conversão. Mas o que é converter-se? A palavra grega utilizada por Mateus é o verbo metanoeithe. O prefixo grego meta significa uma mudança radical. Assim, por exemplo, em português, esse prefixo é utilizado na palavra “metamorfose” para indicar aquela mudança radical que transforma a lagarta em borboleta, por exemplo. O final da palavra, a expressão noeithe vem de nous que, no grego, significa “espírito” ou “pensamento”. A conversão significa, então, uma mudança radical de pensamento. Eu permito que a minha forma de pensar antiga, do homem velho, me abandone, e entre forma de pensar do homem novo, que é o próprio Evangelho. Só pode ser discípulo quem deixa que essa mudança seja operada, por Cristo, na própria vida. Simão, André, Tiago e João permitiram que essa mudança começasse a acontecer neles. Por isso, eles “abandonaram tudo” e seguiram Jesus. Para que essa mudança pudesse ser operada não se podia ficar preso a nada do homem velho. Era preciso seguir radicalmente o Cristo.

Essa mudança, todavia, não é repentina. O ‘sim’ dado a Cristo para que Ele comece em nós o processo de conversão deve ser diário. E a conversão durará a nossa vida inteira. Assim como aconteceu na vida dos discípulos. A conversão é essa passagem da escuridão para a grande luz, Cristo. De fato, Ele mesmo disse que quem O segue “não andará em meio às trevas, mas terá a luz da vida” (Cf. Jo 8,12b).

A necessidade de um processo de conversão contínua, não só a nível pessoal, mas também a nível comunitário, nos é revelada na segunda leitura. Paulo escreve aos Coríntios, uma comunidade muito florescente e cheia de dons, mas que precisa sempre de novo, como toda comunidade, deixar que o frescor do Espírito a leve a um autêntico processo de revisão de vida e conversão. São Paulo os exorta “pelo nome do Senhor Jesus Cristo” para que eles sejam “concordes” e não admitam “divisões entre eles”. Vejam que tolice começa a acontecer no meio da comunidade: uns afirmam ser de Paulo e outros ser de Apolo. Ninguém é de ninguém, no melhor sentido da expressão, ou seja, todos somos de Cristo. É no nome de Cristo que fomos batizados. Quem nos converteu por meio da pregação foi também enviado por Cristo e pregou no poder de Cristo. Somos d’Ele, do Senhor, e de mais ninguém. E as pessoas às quais somos enviados à pregar também não são nossas, mas são d’Ele. Hoje essa palavra ressoa atualíssima aos nossos ouvidos. Quantas vezes queremos dominar as pessoas e quantas vezes as pessoas querem nos dominar. Quantas divisões e partidos na Igreja de Cristo. Quantos interesses particulares são buscados, desde os mais baixos aos mais altos escalões da vida eclesial. Como seria bom se entendêssemos que formamos um só corpo; que somos de Cristo; e que devemos buscar somente o interesse de Cristo Jesus, que é a salvação de todos os homens.

Que hoje nossa oração suba ao Pai, suplicando a Ele para que, olhando sempre o Cristo, nossa luz, possamos ter a força de sair das trevas do erro e das divisões, a fim de vivermos na luz e na unidade que o mesmo Pai do céu deseja para nós.

LITURGIA SEMANAL:

SEGUNDA-FEIRA
Dia 27 de janeiro
1ª Leitura - 2Sm 5,1-7.10
Salmo - Sl 88
Evangelho - Mc 3,22-30

TERÇA-FEIRA
Dia 28 de janeiro
1ª Leitura - 2Sm 6,12b-15.17-19
Salmo – Sl 23
Evangelho - Mc 3,31-35

QUARTA-FEIRA
Dia 29 de janeiro
1ª leitura - 2Sm 7,4-17
Salmo - Sl 88
Evangelho - Mc 4,1-20

QUINTA-FEIRA
Dia 30 de janeiro
1ª Leitura - 2Sm 7,18-19.24-29
Salmo - Sl 131
Evangelho - Mc 4,21-25

SEXTA-FEIRA
Dia 31 de janeiro
1ª Leitura - 2Sm 11,1-4a.5-10a.13-17
Salmo - Sl 50
Evangelho - Mc 4,26-34

SÁBADO
Dia 1º de fevereiro
1ª Leitura - 2Sm 12,1-7a.10-17
Salmo - Sl 50
Evangelho - Mc 4,35-41

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24/01/2014 14:56 - Atualizado em 24/01/2014 17:06

Na oração coleta da liturgia deste domingo, o sacerdote faz, em nome da comunidade, um pedido ao Pai: “dirigi a nossa vida segundo o vosso amor”. Logo em seguida, a mesma oração posta na boca do sacerdote neste domingo dá o sentido deste pedido: “para que possamos, em nome do Vosso Filho, frutificar em boas obras”. Esta oração deve dar o sentido desta liturgia dominical e também da nossa semana. Não queremos mais ser dirigidos por nós mesmos, nem por nossas paixões. Queremos, sim, ser dirigidos por Deus, no amor. Somente assim poderemos passar do pecado à vida da graça; somente assim poderemos dar os frutos que o Pai espera de nós.

Na liturgia da Palavra deste domingo, ouvimos na primeira leitura um trecho do profeta Isaías que será citado por Cristo no passo do Evangelho, que constitui como que o centro da mesma liturgia da Palavra. Ouvimos o final do capítulo oitavo e o início do capítulo nono do profeta Isaías. Após relembrar a obscuridade que recaiu sobre o povo em virtude da iminente dominação estrangeira, o profeta proclama um tempo novo, onde uma “grande luz” brilhará para o povo. O brilhar desta “grande luz” vai fazer “crescer a alegria”, “aumentar a felicidade”, e todos se regozijarão em Deus. O jugo será finalmente retirado de sobre o povo. Os versículos seguintes, que lemos também na liturgia da missa do Natal do Senhor, são omitidos, mas eles explicam que essa “grande luz” será o nascimento de um menino, de “um filho” que “nos foi dado”.

O salmista, ao afirmar que “o Senhor é minha luz e salvação”, antecipa, de certa forma, a perfeita exegese deste texto que será feita por Mateus, no trecho que também ouvimos nesta liturgia da Palavra. Nos vv. 12-16 Mateus afirma que Jesus foi morar em Cafarnaum, justamente para que cumprisse o que havia sido profetizado por Isaías. Na Galileia, uma luz foi vista, Cristo, aquele que veio como “luz do mundo” (cf. Jo 8,12a).

No v. 17, logo antes de apresentar a vocação dos quatro primeiros discípulos, e como que demonstrando que essa é a condição para ser discípulo de Cristo, Mateus nos mostra em um versículo, o núcleo fundamental da pregação de Jesus: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Em Cristo, o Reino dos Céus se aproximou de nós, por isso é urgente a nossa conversão. Mas o que é converter-se? A palavra grega utilizada por Mateus é o verbo metanoeithe. O prefixo grego meta significa uma mudança radical. Assim, por exemplo, em português, esse prefixo é utilizado na palavra “metamorfose” para indicar aquela mudança radical que transforma a lagarta em borboleta, por exemplo. O final da palavra, a expressão noeithe vem de nous que, no grego, significa “espírito” ou “pensamento”. A conversão significa, então, uma mudança radical de pensamento. Eu permito que a minha forma de pensar antiga, do homem velho, me abandone, e entre forma de pensar do homem novo, que é o próprio Evangelho. Só pode ser discípulo quem deixa que essa mudança seja operada, por Cristo, na própria vida. Simão, André, Tiago e João permitiram que essa mudança começasse a acontecer neles. Por isso, eles “abandonaram tudo” e seguiram Jesus. Para que essa mudança pudesse ser operada não se podia ficar preso a nada do homem velho. Era preciso seguir radicalmente o Cristo.

Essa mudança, todavia, não é repentina. O ‘sim’ dado a Cristo para que Ele comece em nós o processo de conversão deve ser diário. E a conversão durará a nossa vida inteira. Assim como aconteceu na vida dos discípulos. A conversão é essa passagem da escuridão para a grande luz, Cristo. De fato, Ele mesmo disse que quem O segue “não andará em meio às trevas, mas terá a luz da vida” (Cf. Jo 8,12b).

A necessidade de um processo de conversão contínua, não só a nível pessoal, mas também a nível comunitário, nos é revelada na segunda leitura. Paulo escreve aos Coríntios, uma comunidade muito florescente e cheia de dons, mas que precisa sempre de novo, como toda comunidade, deixar que o frescor do Espírito a leve a um autêntico processo de revisão de vida e conversão. São Paulo os exorta “pelo nome do Senhor Jesus Cristo” para que eles sejam “concordes” e não admitam “divisões entre eles”. Vejam que tolice começa a acontecer no meio da comunidade: uns afirmam ser de Paulo e outros ser de Apolo. Ninguém é de ninguém, no melhor sentido da expressão, ou seja, todos somos de Cristo. É no nome de Cristo que fomos batizados. Quem nos converteu por meio da pregação foi também enviado por Cristo e pregou no poder de Cristo. Somos d’Ele, do Senhor, e de mais ninguém. E as pessoas às quais somos enviados à pregar também não são nossas, mas são d’Ele. Hoje essa palavra ressoa atualíssima aos nossos ouvidos. Quantas vezes queremos dominar as pessoas e quantas vezes as pessoas querem nos dominar. Quantas divisões e partidos na Igreja de Cristo. Quantos interesses particulares são buscados, desde os mais baixos aos mais altos escalões da vida eclesial. Como seria bom se entendêssemos que formamos um só corpo; que somos de Cristo; e que devemos buscar somente o interesse de Cristo Jesus, que é a salvação de todos os homens.

Que hoje nossa oração suba ao Pai, suplicando a Ele para que, olhando sempre o Cristo, nossa luz, possamos ter a força de sair das trevas do erro e das divisões, a fim de vivermos na luz e na unidade que o mesmo Pai do céu deseja para nós.

LITURGIA SEMANAL:

SEGUNDA-FEIRA
Dia 27 de janeiro
1ª Leitura - 2Sm 5,1-7.10
Salmo - Sl 88
Evangelho - Mc 3,22-30

TERÇA-FEIRA
Dia 28 de janeiro
1ª Leitura - 2Sm 6,12b-15.17-19
Salmo – Sl 23
Evangelho - Mc 3,31-35

QUARTA-FEIRA
Dia 29 de janeiro
1ª leitura - 2Sm 7,4-17
Salmo - Sl 88
Evangelho - Mc 4,1-20

QUINTA-FEIRA
Dia 30 de janeiro
1ª Leitura - 2Sm 7,18-19.24-29
Salmo - Sl 131
Evangelho - Mc 4,21-25

SEXTA-FEIRA
Dia 31 de janeiro
1ª Leitura - 2Sm 11,1-4a.5-10a.13-17
Salmo - Sl 50
Evangelho - Mc 4,26-34

SÁBADO
Dia 1º de fevereiro
1ª Leitura - 2Sm 12,1-7a.10-17
Salmo - Sl 50
Evangelho - Mc 4,35-41

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida