Arquidiocese do Rio de Janeiro

34º 25º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2018

18 de Dezembro de 2018

São Sebastião: mártir da fé e da caridade

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São Sebastião: mártir da fé e da caridade

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17/01/2014 21:26

São Sebastião: mártir da fé e da caridade 0

17/01/2014 21:26

São Sebastião: mártir da fé e da caridade / Arqrio

São Sebastião - Solenidade

1ª Leitura: Sb 3,1-9
Sl 33 (34)
2ª Leitura: 1Pd 3,14-17
Evangelho: Mt 10,28-33

Hoje nossa Arquidiocese celebra a Solenidade de seu santo padroeiro, São Sebastião. Celebrar São Sebastião significa celebrar o mistério de Cristo na sua vida. Ao fazermos memória de tão insigne mártir, outra coisa não fazemos do que glorificar o Cristo que ele soube manifestar na sua vida e na sua morte.

Jesus afirma no evangelho de São João que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”. Cristo se fez nosso amigo dando a sua vida por nós. São Sebastião se fez amigo de Cristo, ao dar sua vida por Ele. São Sebastião por amor se fez mártir, se fez testemunha de Cristo.

As leituras da Palavra de Deus que hoje ouvimos nos falam a respeito dessa realidade sublime: confiar a própria vida a Deus. O livro da Sabedoria hoje nos diz “A vida dos justos está nas mãos de Deus (...) Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido (...) mas eles estão em paz.” Aqueles que imitam o Cristo na sua vida e a ponto de também imitá-lo na sua morte “estão em paz”. Como diz o salmista, “de todos os temores o Senhor liberta” aqueles que colocam n’Ele toda a sua esperança. São Sebastião foi como afirma Pedro na segunda leitura, alguém que escolheu “sofrer por causa justiça”. São Sebastião, confiando totalmente em Cristo, não temeu e seguiu a Palavra de Cristo que acabamos de ouvir no Evangelho. Cristo duas vezes nos exorta a não temer e nos dá os motivos pelos quais não devemos temer. Em primeiro lugar “não devemos temer”, porque somente a nossa vida terrena pode ser tirada pelos tiranos deste mundo e não a vida verdadeira, aquela que Ele tem reservada para nós nos céus. Depois, o segundo motivo pelo qual não devemos temer, é que o Pai cuida de nós. Nós somos a obra mais excelente da criação do Pai. O Pai criou todas as coisas para a nossa alegria. Se Ele cuida com generosidade das suas criaturas, quanto mais não cuidará de nós, povo de sua predileção, seus “filhos amados”. São Sebastião confiou nessa Palavra. Ele não temeu aqueles que matavam o corpo, porque esperava uma vida melhor, porque sua “esperança estava cheia de imortalidade”, como afirma a primeira leitura. São Sebastião confiou no amor de Deus e se lançou em seus braços, porque sabia que a sua vida estava nas mãos do Pai. São Sebastião entendeu que quem quisesse guardar a sua vida nesse mundo iria perdê-la, porque ela de fato não dura muito. São Sebastião acreditou que quem entrega sua vida por causa de Cristo ganha a vida verdadeira, que Ele tem reservada para nós em seu Reino.

Para nós se torne talvez difícil entender essa Palavra. Talvez nós ainda não tenhamos enfrentado perseguições por causa de Cristo. Muitas vezes a fé cristã se torna para nós até mesmo um status. Isso pode nos trazer grandes perigos. Eu nunca enfrentei verdadeiramente inimigos exteriores. Sei que eles até existem. Sei que em muitos lugares os cristãos correm risco de vida. Mas eu nunca experimentei esse gênero de perseguição. Já enfrentei algumas pequenas lutas, mas nunca senti que a minha vida corria risco.

Todavia, ao preparar esta homilia, muito me animou o ofício das leituras do dia de São Sebastião, que está na Liturgia das Horas de hoje. Nele nós temos um belíssimo comentário ao Salmo 118, feito por Santo Ambrósio, bispo de Milão no século IV, cidade de origem de São Sebastião. Neste comentário Santo Ambrósio afirma que os inimigos de Sebastião não eram somente os exteriores, mas sobretudo os interiores e os invisíveis: “Se só houvesse um perseguidor, talvez este mártir não tivesse sido coroado. Mas o pior é que os perseguidores não são apenas os que se vêem; há também os invisíveis, e estes são muito mais numerosos. Assim como um único rei perseguidor envia muitas ordens de perseguição, e desse modo em cada cidade ou província há diversos perseguidores, também o diabo envia muitos servos seus para moverem perseguições, não apenas exteriormente mas interiormente na alma de cada um.” Depois desta leitura eu consegui entender o que Paulo quer dizer quando fala aos Efésios que “a nossa luta não é contra homens de carne e sangue, mas contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares”.

Meus irmãos, se nos faltam aqueles que nos perseguem exteriormente por causa de Cristo, com certeza não faltam os nossos perseguidores internos. Com certeza dentro de nós encontramos inimigos que lutam contra o Cristo e nos combatem violentamente quando optamos por seguir o Senhor. Fora de nós também encontramos os inimigos invisíveis, as forças espirituais do mal espalhadas nos ares. Ao olharmos a vida dos santos vemos que, de fato, é assim. Na vida de São Bento, por exemplo. Primeiro, o diabo o tenta em visões; não conseguindo nada com o patriarca começa a tentar seus discípulos e, por último, aparece em pessoa e não mais disfarçado, injuriando Bento que não cedia diante da sua terrível presença.

Assim também acontece conosco quando queremos, como o glorioso mártir que hoje celebramos, dar testemunho de Cristo. Sentimos que muitas forças batalham contra nós. Às vezes dizemos como Paulo que fazemos o mal que odiamos e não o bem que estamos aprendendo a amar. Às vezes temos medo de desfalecer diante da luta. “Não tenhais medo!” nos diz hoje o próprio Cristo, porque é Ele quem fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja, é Ele quem ainda hoje nos anuncia o Evangelho. “Não tenhais medo!” O Pai cuida de nós e Ele não nos deixará desfalecer no meio do caminho. A misericórdia do Pai sustentará a nossa fragilidade, como rezaremos daqui a pouco no prefácio, a fim de que possamos ser testemunhas de Cristo. Estejamos prontos a dar a razão da nossa esperança, como nos convida Pedro na segunda leitura. Tenhamos a nossa esperança não neste mundo, mas no outro. Tenhamos uma esperança cheia de imortalidade, porque só quem crê numa outra vida, na vida verdadeira que nós receberemos quando estivermos unidos para sempre ao Senhor, pode abandonar a mentalidade desse mundo e dar testemunho do Cristo. O Domingo é o dia no qual nos celebramos a Páscoa de Cristo. A Páscoa de Cristo é a manifestação da vida. É a certeza de que Cristo passou pela morte a destruiu, ressuscitando dentre os mortos. Celebrar o domingo significa que nós acreditamos que também, como Cristo, passaremos pela morte, mas a morte não tem mais a última Palavra sobre a nossa vida. A morte de nossa inimiga tornou-se nossa aliada. De fim, a morte tornou-se porta para um novo começo, para o começo da vida verdadeira que o Senhor tem reservada para nós. Muitas vezes quando pecamos o fazemos iludidos de que aí vamos encontrar a vida. A ilusão do pecado é essa: a morte disfarçada de vida. Cristo, ao contrário, vem nos mostrar uma nova vida, que aos olhos do mundo parece uma morte, mas que na vida é a vida verdadeira. Não nos deixemos iludir pelo pecado. Abracemos a vida nova que Cristo nos oferece. Não tenhamos medo de morrer para este mundo, porque renasceremos para uma vida melhor.

Perseveremos enfim irmãos no amor. A Palavra de Deus hoje nos diz “os que perseveram no amor ficarão junto dele”. Se nós queremos ficar junto de Cristo, perseveremos no amor. Deixemos que o amor de Deus inunde os nossos corações. “Não coloquemos nada antes do amor de Cristo” (RB 4,21). Se cairmos, levantemo-nos, não tenhamos medo, porque “de todos os temores o Senhor nos libertou”. Perseveremos no amor, a fim de podermos como Sebastião sermos mártires de Cristo, darmos a nossa vida só por Ele.

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São Sebastião: mártir da fé e da caridade / Arqrio

São Sebastião: mártir da fé e da caridade

17/01/2014 21:26

São Sebastião - Solenidade

1ª Leitura: Sb 3,1-9
Sl 33 (34)
2ª Leitura: 1Pd 3,14-17
Evangelho: Mt 10,28-33

Hoje nossa Arquidiocese celebra a Solenidade de seu santo padroeiro, São Sebastião. Celebrar São Sebastião significa celebrar o mistério de Cristo na sua vida. Ao fazermos memória de tão insigne mártir, outra coisa não fazemos do que glorificar o Cristo que ele soube manifestar na sua vida e na sua morte.

Jesus afirma no evangelho de São João que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”. Cristo se fez nosso amigo dando a sua vida por nós. São Sebastião se fez amigo de Cristo, ao dar sua vida por Ele. São Sebastião por amor se fez mártir, se fez testemunha de Cristo.

As leituras da Palavra de Deus que hoje ouvimos nos falam a respeito dessa realidade sublime: confiar a própria vida a Deus. O livro da Sabedoria hoje nos diz “A vida dos justos está nas mãos de Deus (...) Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido (...) mas eles estão em paz.” Aqueles que imitam o Cristo na sua vida e a ponto de também imitá-lo na sua morte “estão em paz”. Como diz o salmista, “de todos os temores o Senhor liberta” aqueles que colocam n’Ele toda a sua esperança. São Sebastião foi como afirma Pedro na segunda leitura, alguém que escolheu “sofrer por causa justiça”. São Sebastião, confiando totalmente em Cristo, não temeu e seguiu a Palavra de Cristo que acabamos de ouvir no Evangelho. Cristo duas vezes nos exorta a não temer e nos dá os motivos pelos quais não devemos temer. Em primeiro lugar “não devemos temer”, porque somente a nossa vida terrena pode ser tirada pelos tiranos deste mundo e não a vida verdadeira, aquela que Ele tem reservada para nós nos céus. Depois, o segundo motivo pelo qual não devemos temer, é que o Pai cuida de nós. Nós somos a obra mais excelente da criação do Pai. O Pai criou todas as coisas para a nossa alegria. Se Ele cuida com generosidade das suas criaturas, quanto mais não cuidará de nós, povo de sua predileção, seus “filhos amados”. São Sebastião confiou nessa Palavra. Ele não temeu aqueles que matavam o corpo, porque esperava uma vida melhor, porque sua “esperança estava cheia de imortalidade”, como afirma a primeira leitura. São Sebastião confiou no amor de Deus e se lançou em seus braços, porque sabia que a sua vida estava nas mãos do Pai. São Sebastião entendeu que quem quisesse guardar a sua vida nesse mundo iria perdê-la, porque ela de fato não dura muito. São Sebastião acreditou que quem entrega sua vida por causa de Cristo ganha a vida verdadeira, que Ele tem reservada para nós em seu Reino.

Para nós se torne talvez difícil entender essa Palavra. Talvez nós ainda não tenhamos enfrentado perseguições por causa de Cristo. Muitas vezes a fé cristã se torna para nós até mesmo um status. Isso pode nos trazer grandes perigos. Eu nunca enfrentei verdadeiramente inimigos exteriores. Sei que eles até existem. Sei que em muitos lugares os cristãos correm risco de vida. Mas eu nunca experimentei esse gênero de perseguição. Já enfrentei algumas pequenas lutas, mas nunca senti que a minha vida corria risco.

Todavia, ao preparar esta homilia, muito me animou o ofício das leituras do dia de São Sebastião, que está na Liturgia das Horas de hoje. Nele nós temos um belíssimo comentário ao Salmo 118, feito por Santo Ambrósio, bispo de Milão no século IV, cidade de origem de São Sebastião. Neste comentário Santo Ambrósio afirma que os inimigos de Sebastião não eram somente os exteriores, mas sobretudo os interiores e os invisíveis: “Se só houvesse um perseguidor, talvez este mártir não tivesse sido coroado. Mas o pior é que os perseguidores não são apenas os que se vêem; há também os invisíveis, e estes são muito mais numerosos. Assim como um único rei perseguidor envia muitas ordens de perseguição, e desse modo em cada cidade ou província há diversos perseguidores, também o diabo envia muitos servos seus para moverem perseguições, não apenas exteriormente mas interiormente na alma de cada um.” Depois desta leitura eu consegui entender o que Paulo quer dizer quando fala aos Efésios que “a nossa luta não é contra homens de carne e sangue, mas contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares”.

Meus irmãos, se nos faltam aqueles que nos perseguem exteriormente por causa de Cristo, com certeza não faltam os nossos perseguidores internos. Com certeza dentro de nós encontramos inimigos que lutam contra o Cristo e nos combatem violentamente quando optamos por seguir o Senhor. Fora de nós também encontramos os inimigos invisíveis, as forças espirituais do mal espalhadas nos ares. Ao olharmos a vida dos santos vemos que, de fato, é assim. Na vida de São Bento, por exemplo. Primeiro, o diabo o tenta em visões; não conseguindo nada com o patriarca começa a tentar seus discípulos e, por último, aparece em pessoa e não mais disfarçado, injuriando Bento que não cedia diante da sua terrível presença.

Assim também acontece conosco quando queremos, como o glorioso mártir que hoje celebramos, dar testemunho de Cristo. Sentimos que muitas forças batalham contra nós. Às vezes dizemos como Paulo que fazemos o mal que odiamos e não o bem que estamos aprendendo a amar. Às vezes temos medo de desfalecer diante da luta. “Não tenhais medo!” nos diz hoje o próprio Cristo, porque é Ele quem fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja, é Ele quem ainda hoje nos anuncia o Evangelho. “Não tenhais medo!” O Pai cuida de nós e Ele não nos deixará desfalecer no meio do caminho. A misericórdia do Pai sustentará a nossa fragilidade, como rezaremos daqui a pouco no prefácio, a fim de que possamos ser testemunhas de Cristo. Estejamos prontos a dar a razão da nossa esperança, como nos convida Pedro na segunda leitura. Tenhamos a nossa esperança não neste mundo, mas no outro. Tenhamos uma esperança cheia de imortalidade, porque só quem crê numa outra vida, na vida verdadeira que nós receberemos quando estivermos unidos para sempre ao Senhor, pode abandonar a mentalidade desse mundo e dar testemunho do Cristo. O Domingo é o dia no qual nos celebramos a Páscoa de Cristo. A Páscoa de Cristo é a manifestação da vida. É a certeza de que Cristo passou pela morte a destruiu, ressuscitando dentre os mortos. Celebrar o domingo significa que nós acreditamos que também, como Cristo, passaremos pela morte, mas a morte não tem mais a última Palavra sobre a nossa vida. A morte de nossa inimiga tornou-se nossa aliada. De fim, a morte tornou-se porta para um novo começo, para o começo da vida verdadeira que o Senhor tem reservada para nós. Muitas vezes quando pecamos o fazemos iludidos de que aí vamos encontrar a vida. A ilusão do pecado é essa: a morte disfarçada de vida. Cristo, ao contrário, vem nos mostrar uma nova vida, que aos olhos do mundo parece uma morte, mas que na vida é a vida verdadeira. Não nos deixemos iludir pelo pecado. Abracemos a vida nova que Cristo nos oferece. Não tenhamos medo de morrer para este mundo, porque renasceremos para uma vida melhor.

Perseveremos enfim irmãos no amor. A Palavra de Deus hoje nos diz “os que perseveram no amor ficarão junto dele”. Se nós queremos ficar junto de Cristo, perseveremos no amor. Deixemos que o amor de Deus inunde os nossos corações. “Não coloquemos nada antes do amor de Cristo” (RB 4,21). Se cairmos, levantemo-nos, não tenhamos medo, porque “de todos os temores o Senhor nos libertou”. Perseveremos no amor, a fim de podermos como Sebastião sermos mártires de Cristo, darmos a nossa vida só por Ele.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida