Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2018

18 de Dezembro de 2018

A realidade da salvação

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A realidade da salvação

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17/01/2014 20:56 - Atualizado em 17/01/2014 21:36

A realidade da salvação 0

17/01/2014 20:56 - Atualizado em 17/01/2014 21:36

A realidade da salvação / Arqrio

Segundo Domingo do Tempo Comum

Is 49,3.5-6
Sl 39 (40)
1Cor 1,1-3
Jo 1,29-34

Começamos hoje o assim chamado “Tempo Comum” ou “Tempo Durante o Ano”. Este tempo que chamamos de “comum” não é assim designado em virtude de ser um tempo de menor qualidade. Nós o chamamos, em português, de Tempo Comum, mas no original latino esse tempo é chamado, como dizíamos no início, de “Tempo Durante o Ano”, porque n’Ele celebramos no círculo do ano litúrgico o Mistério Pascal de Cristo, tendo como núcleo fundamental o domingo, Dia do Senhor; é solenidade primeira dos cristãos.

Nós começamos celebrando o Segundo Domingo do Tempo Comum, uma vez que o primeiro domingo deste tempo deu lugar à Festa do Batismo do Senhor. No nosso Lecionário Dominical, a primeira leitura e o Evangelho sempre estão unidos, num vínculo de profecia e realização.

A primeira leitura é um trecho da segunda parte do livro de Isaías (Deutero-Isaías). O povo é personificado nessa figura do “Servo”. Deus afirma que será glorificado no povo de Israel, que deve ser seu “servo”. O povo é glorificado na medida em que cumpre a vontade de Deus (cf. Is 49,5). Deus, todavia, promete ainda mais ao povo. Não basta que Israel o sirva, Deus o fará “luz da nações” e, assim, a salvação de Deus ultrapassará as fronteiras de Israel e chegará a “todas as nações da Terra”. O Salmo 39 ecoa como uma perfeita resposta para esse chamado que Deus faz ao povo: “Eis que venho fazer, com prazer, vossa vontade Senhor”. Deus chama, o povo escuta e responde na obediência. Assim, o projeto de Deus se realiza e a sua Palavra se expande, chegando ao coração dos homens. Todavia, sabemos que, nas vicissitudes da história, nem sempre houve uma correspondência perfeita entre o chamado de Deus e a escuta obediente do povo. Por isso, podemos afirmar que esta profecia apontava para algo maior, ou poderíamos dizer, para alguém maior: o perfeito “Servo do Pai”, aquele que veio com prazer fazer a vontade d’Ele.

O Evangelho chega, então, aos nossos ouvidos como perfeita realização desta profecia. Depois de ter batizado Jesus, João Batista ao vê-Lo se aproximar uma outra vez dá testemunho: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; e ainda: “Eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus”. Todos as vezes em que celebramos a Eucaristia e, particularmente no domingo, quando a Igreja toda se reúne em torno do altar do Senhor, o sacerdote levanta a hóstia consagrada e partida e repete para nós as palavras do Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Ele é a “luz das nações” profetizada por Isaias. É através d’Ele que a salvação chegou a todas as nações, não como um simples anúncio, mas como uma realidade, uma vez que, na Cruz, Cristo conquistou para todos os homens a salvação. Podemos até rejeitar a salvação que nos foi conquistada por Ele, mas Ele de fato a realizou para nós.

Poderíamos destacar um aspecto interessante do Salmo 39, salmo responsorial desta liturgia dominical. O Salmo 39,7 é assim traduzido do hebraico: “Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos”. Existem algumas variantes do texto grego que, ao invés de “ouvidos”, trazem “soma”, sendo o versículo traduzido como formaste-me, Senhor, um corpo. Foi essa a versão grega do salmo conhecida pelo autor da carta aos Hebreus, como podemos verificar em Hb 10,5. Essa tradução do salmo nos ajuda ainda mais a entender a liturgia de hoje. Se “abriste-me os ouvidos” pode ser aplicado ao povo, enquanto escuta e obedeça a palavra de Deus, “formaste-me um corpo” pode ser perfeitamente aplicado a Cristo, porque assumindo a nossa humanidade Ele pôde assim oferecer-se ao Pai, como o “verdadeiro Cordeiro”, aquele que, segundo João Batista, verdadeiramente “tira o pecado do mundo”.

Esse sacrifício único que Ele realizou pelos nossos pecados se renova na Eucaristia. Por isso, a oração pós-comunhão de hoje diz: “Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar constantemente da Eucaristia, pois todas as vezes que celebramos este sacrifício, torna-se presente a nossa redenção.” Muito mais do que uma “obrigação”, a Eucaristia é um “graça”, da qual nós podemos usufruir, sobretudo nos domingos, Dia do Senhor e senhor dos dias, como afirmou o beato João Paulo II na sua Encíclica “Dies Domini”.

Poderíamos finalizar nossa reflexão com a segunda leitura. Trata-se da saudação de Paulo aos Coríntios na sua primeira carta. Antes de desejar aos irmãos os dons da “graça” e da “paz”, Paulo afirma que os irmãos foram “santificados” por Cristo e que são chamados a ser “santos”. Cristo realizou com seu sacrifício a santificação de todos quantos creem no seu nome, mas é necessário viver segundo essa vida nova recebida de Cristo. Isso só é possível na força do Espírito Santo. Aqui voltamos mais uma vez a Palavra do Evangelho. João Batista afirma que Jesus é aquele que “batiza no Espírito Santo”. Jesus é quem dá o Espírito Santo a todos quantos o invocam. Se queremos viver segundo a santidade que de nós é pedida, ou melhor, se queremos viver de acordo com a santidade que nos foi conquistada por Cristo, precisamos suplicar constantemente o Espírito Santo. Só na força do Espírito poderemos corresponder a esse desejo de Deus para nós. Na celebração litúrgica da Igreja, o Espírito Santo sempre está presente. É Ele, o Espírito Santo, que faz o mistério da Páscoa de Cristo acontecer no hoje da celebração. Que possamos sempre abrir o nosso coração a esse Espírito, a fim de que Ele realize a nossa plena santificação.

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A realidade da salvação / Arqrio

A realidade da salvação

17/01/2014 20:56 - Atualizado em 17/01/2014 21:36

Segundo Domingo do Tempo Comum

Is 49,3.5-6
Sl 39 (40)
1Cor 1,1-3
Jo 1,29-34

Começamos hoje o assim chamado “Tempo Comum” ou “Tempo Durante o Ano”. Este tempo que chamamos de “comum” não é assim designado em virtude de ser um tempo de menor qualidade. Nós o chamamos, em português, de Tempo Comum, mas no original latino esse tempo é chamado, como dizíamos no início, de “Tempo Durante o Ano”, porque n’Ele celebramos no círculo do ano litúrgico o Mistério Pascal de Cristo, tendo como núcleo fundamental o domingo, Dia do Senhor; é solenidade primeira dos cristãos.

Nós começamos celebrando o Segundo Domingo do Tempo Comum, uma vez que o primeiro domingo deste tempo deu lugar à Festa do Batismo do Senhor. No nosso Lecionário Dominical, a primeira leitura e o Evangelho sempre estão unidos, num vínculo de profecia e realização.

A primeira leitura é um trecho da segunda parte do livro de Isaías (Deutero-Isaías). O povo é personificado nessa figura do “Servo”. Deus afirma que será glorificado no povo de Israel, que deve ser seu “servo”. O povo é glorificado na medida em que cumpre a vontade de Deus (cf. Is 49,5). Deus, todavia, promete ainda mais ao povo. Não basta que Israel o sirva, Deus o fará “luz da nações” e, assim, a salvação de Deus ultrapassará as fronteiras de Israel e chegará a “todas as nações da Terra”. O Salmo 39 ecoa como uma perfeita resposta para esse chamado que Deus faz ao povo: “Eis que venho fazer, com prazer, vossa vontade Senhor”. Deus chama, o povo escuta e responde na obediência. Assim, o projeto de Deus se realiza e a sua Palavra se expande, chegando ao coração dos homens. Todavia, sabemos que, nas vicissitudes da história, nem sempre houve uma correspondência perfeita entre o chamado de Deus e a escuta obediente do povo. Por isso, podemos afirmar que esta profecia apontava para algo maior, ou poderíamos dizer, para alguém maior: o perfeito “Servo do Pai”, aquele que veio com prazer fazer a vontade d’Ele.

O Evangelho chega, então, aos nossos ouvidos como perfeita realização desta profecia. Depois de ter batizado Jesus, João Batista ao vê-Lo se aproximar uma outra vez dá testemunho: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; e ainda: “Eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus”. Todos as vezes em que celebramos a Eucaristia e, particularmente no domingo, quando a Igreja toda se reúne em torno do altar do Senhor, o sacerdote levanta a hóstia consagrada e partida e repete para nós as palavras do Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Ele é a “luz das nações” profetizada por Isaias. É através d’Ele que a salvação chegou a todas as nações, não como um simples anúncio, mas como uma realidade, uma vez que, na Cruz, Cristo conquistou para todos os homens a salvação. Podemos até rejeitar a salvação que nos foi conquistada por Ele, mas Ele de fato a realizou para nós.

Poderíamos destacar um aspecto interessante do Salmo 39, salmo responsorial desta liturgia dominical. O Salmo 39,7 é assim traduzido do hebraico: “Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos”. Existem algumas variantes do texto grego que, ao invés de “ouvidos”, trazem “soma”, sendo o versículo traduzido como formaste-me, Senhor, um corpo. Foi essa a versão grega do salmo conhecida pelo autor da carta aos Hebreus, como podemos verificar em Hb 10,5. Essa tradução do salmo nos ajuda ainda mais a entender a liturgia de hoje. Se “abriste-me os ouvidos” pode ser aplicado ao povo, enquanto escuta e obedeça a palavra de Deus, “formaste-me um corpo” pode ser perfeitamente aplicado a Cristo, porque assumindo a nossa humanidade Ele pôde assim oferecer-se ao Pai, como o “verdadeiro Cordeiro”, aquele que, segundo João Batista, verdadeiramente “tira o pecado do mundo”.

Esse sacrifício único que Ele realizou pelos nossos pecados se renova na Eucaristia. Por isso, a oração pós-comunhão de hoje diz: “Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar constantemente da Eucaristia, pois todas as vezes que celebramos este sacrifício, torna-se presente a nossa redenção.” Muito mais do que uma “obrigação”, a Eucaristia é um “graça”, da qual nós podemos usufruir, sobretudo nos domingos, Dia do Senhor e senhor dos dias, como afirmou o beato João Paulo II na sua Encíclica “Dies Domini”.

Poderíamos finalizar nossa reflexão com a segunda leitura. Trata-se da saudação de Paulo aos Coríntios na sua primeira carta. Antes de desejar aos irmãos os dons da “graça” e da “paz”, Paulo afirma que os irmãos foram “santificados” por Cristo e que são chamados a ser “santos”. Cristo realizou com seu sacrifício a santificação de todos quantos creem no seu nome, mas é necessário viver segundo essa vida nova recebida de Cristo. Isso só é possível na força do Espírito Santo. Aqui voltamos mais uma vez a Palavra do Evangelho. João Batista afirma que Jesus é aquele que “batiza no Espírito Santo”. Jesus é quem dá o Espírito Santo a todos quantos o invocam. Se queremos viver segundo a santidade que de nós é pedida, ou melhor, se queremos viver de acordo com a santidade que nos foi conquistada por Cristo, precisamos suplicar constantemente o Espírito Santo. Só na força do Espírito poderemos corresponder a esse desejo de Deus para nós. Na celebração litúrgica da Igreja, o Espírito Santo sempre está presente. É Ele, o Espírito Santo, que faz o mistério da Páscoa de Cristo acontecer no hoje da celebração. Que possamos sempre abrir o nosso coração a esse Espírito, a fim de que Ele realize a nossa plena santificação.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida