Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/08/2018

20 de Agosto de 2018

“Este é o meu filho, o amado, nele eu me comprazo” (Mt 3,17)

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20 de Agosto de 2018

“Este é o meu filho, o amado, nele eu me comprazo” (Mt 3,17)

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12/01/2014 00:00 - Atualizado em 13/01/2014 08:06

“Este é o meu filho, o amado, nele eu me comprazo” (Mt 3,17) 0

12/01/2014 00:00 - Atualizado em 13/01/2014 08:06

“Este é o meu filho, o amado, nele eu me comprazo” (Mt 3,17) / Arqrio

Batismo do Senhor, Festa

Is 42,1-4.6-7
Sl 28 (29)
At 10,34-38
Mt 3,13-17



Reunimo-nos na casa de Deus, a fim de celebrarmos o domingo. Dia dos Dias, sacramento daquele dia eterno cantado pelos profetas, o domingo é o centro da nossa semana. Este é o nosso dia, “o dia que o Senhor fez para nós” como canta o salmista. E neste dia que o Senhor fez para nós somos alimentados pela Palavra de Deus. Como filhos diante da abundante mesa paterna vemos que o Pai do Céu nos alimenta a todos, sem fazer distinção de nenhum, com o pão da Palavra.

Orígenes, no início das suas homilias sobre o Êxodo, dizia que lhe parecia ser a Palavra da Divina Escritura semelhante a uma semente. Uma semente, diz o sábio Alexandrino, que sendo lançada na terra se multiplica tanto mais quanto mais tenha trabalhado nela o agricultor, ou a tenha entregue a uma terra mais fecunda. Assim, meus irmãos, no início desta nossa reflexão, devemos pedir a Deus duas coisas: a primeira delas é que Ele faça do nosso coração um solo fecundo, enviando sobre ele a chuva poderosa do Espírito Santo, a fim de que a semente da Palavra não se perca por falta de fecundidade do solo onde ela já caiu pela proclamação; a segunda coisa que devemos pedir ao nosso Pai é que nos fortaleça com o mesmo Espírito, a fim de que a semente uma vez plantada em nosso coração seja dia a dia cultivada, através da oração e do retorno à mesma fonte da Escritura, para que não seja por falta de cultivo que a semente venha a se perder.

Neste domingo, sempre festivo porque é a solenidade principal da Igreja, celebramos a Festa do Batismo do Senhor. Vemos João que batiza no Jordão e Jesus que vem até ele. Eis aqui a máxima expressão do esvaziamento de Cristo. Ele não somente aceitou tornar-se um de nós, não fazendo do seu ser igual a Deus algo a que se apegar ciosamente (cf. Fl 2,5-11), mas quis de fato cumprir toda a justiça, ou seja, fazer tudo aquilo o que era exigido aos homens. Jesus é batizado por João: o criador é batizado pela criatura; a Palavra pela voz que clama no deserto. Ao ser batizado no Jordão, Cristo cumpre a profecia de Isaías que ouvimos. Acabamos de ouvir a proclamação do primeiro canto do “Servo de Adonai”. O servo de Adonai aparece no livro de Isaías como aquele que vai tomar sobre si os sofrimentos do povo; “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e por suas chagas nós fomos curados” se dirá mais à frente a respeito do servo de Adonai. Neste primeiro canto, o servo de Adonai aparece como aquele sobre o qual repousa o Espírito de Deus; aquele no qual Deus se compraz; aquele que veio para estabelecer a justiça; aquele, enfim, que foi constituído para ser a aliança do povo, a luz das nações, o que abre os olhos dos cegos, tira os cativos da prisão, o que livra do cárcere os que vivem nas trevas. Cristo realiza tudo isso. O seu Batismo inaugura o início do seu ministério, no qual Ele cheio do Espírito Santo andará por toda a parte, “fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele”, como nos diz os Atos dos Apóstolos no trecho que acabamos de ouvir.

Ainda neste trecho do Evangelho de Mateus vemos a teofania da Trindade. Cristo é batizado; o céu se abre sobre Ele, e Ele é ungido pelo Espírito Santo que desce em forma corporal, como uma pomba, semelhante àquela do dilúvio que veio trazendo em seu bico um ramo de oliveira para anunciar o fim do dilúvio e o surgimento da vida nova; ouve-se a voz do Pai que diz: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”. Cristo é ungido pelo Espírito em vista da sua missão; o Pai manifesta o seu Filho amado às nações. O Batismo de Cristo é uma segunda Epifania. Se na primeira Epifania deram testemunho da sua realeza e divindade os magos que lhes ofereceram místicos presentes, a estrela que guiou os magos até Belém e os anjos que foram anunciar a boa-nova do nascimento do Messias aos pastores, agora é o próprio Pai que dá testemunho do seu Filho e o apresenta como o Filho amado, no qual Ele se compraz, no qual Ele põe o seu bem-querer. Acontece aqui como ouvimos no salmo: “Eis a voz do Senhor sobre as águas, sua voz sobre as águas imensas! Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa.” Cristo que no ventre da Virgem recebe um novo ser, recebe a humanidade, agora é ungido pelo Pai para agir como o Messias Salvador.

Como aconteceu com Cristo no seu Batismo, assim acontece conosco quando, pondo toda a nossa esperança em Cristo, descemos às águas do Batismo. Pelo Batismo Cristo nos iluminou com a sua luz; curou-nos de nossa cegueira espiritual; livrou-nos do cárcere, a nós que andávamos nas trevas. Sabemos que pelo Batismo somos chamados a uma nova vida em Cristo. Ouvimos em nossa catequese que, pelo Batismo, sepultamos o velho Adão, para ver surgir em nós o Cristo, novo Adão. Todavia, sempre de novo experimentamos a nossa fraqueza. Acredito que antes de vivermos a nova vida moral a qual Cristo nos chama como membros do seu Corpo Místico, precisamos nos conscientizar de maneira mais profunda do que foi realizado no nosso ser. Antes de agirmos de maneira nova, precisamos refletir que após o batismo nós existimos de maneira nova, nós somos novas criaturas.

Dissemos que três coisas aconteceram com Cristo no seu batismo: o céu se abriu; o Espírito desceu sobre Ele em forma de pomba; a voz do Pai se fez ouvir dando a respeito d’Ele um testemunho favorável. Isso também aconteceu conosco no nosso batismo. Também sobre nós o céu se abriu no dia do nosso batismo. O céu que Adão havia fechado pela sua desobediência, Cristo nos abriu cumprindo toda a justiça. O céu está aberto sobre nós desde o dia do nosso batismo. Isso significa que somos chamados a viver uma vida sobrenatural. O céu aberto sobre nós é uma realidade da fé e só pode ser visto com o olhar da fé. O olhar da fé nos mostra que sobre nós o céu está aberto e que é para lá, para a Santa Cidade que nos dirigimos. Se nos reconhecemos como cidadãos de um lugar sobrenatural, entendemos então que somos chamados a viver uma vida sobrenatural, uma vida diferente. Para vivermos essa vida diferente, recebemos uma ajuda. Não estamos sozinhos! O Espírito Santo desceu sobre nós no dia do nosso batismo e Ele permanece em nós como num templo. Somos portadores da vida de Deus – porque dizemos que o Espírito Santo é “Senhor que dá a vida” – que habita em nós como num templo. Sabemos ainda que não estamos sozinhos porque o Pai está conosco. Assim como o Pai esteve com Cristo do início ao fim da sua vida neste mundo, assim o Pai está conosco sempre e Ele deu e dá continuamente a nosso respeito um testemunho favorável dizendo: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado.” Somos Filhos de Deus pelo batismo. Filhos no qual o Pai pôs o seu agrado. Quando tomamos consciência do que foi feito em nós no dia do nosso batismo, o nosso agir começa aos poucos a ser transformado e queremos agir de acordo com aquilo o que nós somos: filhos amados, filhos de Deus que, segundo o salmista, devem tributar ao Senhor a glória e o poder. A nossa vida de filhos amados deve ser uma manifestação da glória e do poder de Deus. Devemos iluminar o mundo coma luz de Cristo que nós recebemos. No dia do nosso batismo recebemos uma pequena vela acesa que simboliza a luz de Cristo que nos foi entregue. Devemos guardar essa luz. Essa luz é espiritual; essa chama é espiritual. Devemos guardar a luz; devemos manter acesa em nós a chama do Espírito. Se mantivermos acesa a luz que habita em nós, se não deixarmos que se apague a nossa chama espiritual, poderemos iluminar a tantos e tantas que se encontram nas trevas. Se guardarmos acesas a chama de Cristo, seremos “como luzes no mundo, isto é, como uma força vivificante para os outros homens.”(cf. São Gregório Nazianzo, “Oratio in Sancta Lumina”, século 4). 

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“Este é o meu filho, o amado, nele eu me comprazo” (Mt 3,17) / Arqrio

“Este é o meu filho, o amado, nele eu me comprazo” (Mt 3,17)

12/01/2014 00:00 - Atualizado em 13/01/2014 08:06

Batismo do Senhor, Festa

Is 42,1-4.6-7
Sl 28 (29)
At 10,34-38
Mt 3,13-17



Reunimo-nos na casa de Deus, a fim de celebrarmos o domingo. Dia dos Dias, sacramento daquele dia eterno cantado pelos profetas, o domingo é o centro da nossa semana. Este é o nosso dia, “o dia que o Senhor fez para nós” como canta o salmista. E neste dia que o Senhor fez para nós somos alimentados pela Palavra de Deus. Como filhos diante da abundante mesa paterna vemos que o Pai do Céu nos alimenta a todos, sem fazer distinção de nenhum, com o pão da Palavra.

Orígenes, no início das suas homilias sobre o Êxodo, dizia que lhe parecia ser a Palavra da Divina Escritura semelhante a uma semente. Uma semente, diz o sábio Alexandrino, que sendo lançada na terra se multiplica tanto mais quanto mais tenha trabalhado nela o agricultor, ou a tenha entregue a uma terra mais fecunda. Assim, meus irmãos, no início desta nossa reflexão, devemos pedir a Deus duas coisas: a primeira delas é que Ele faça do nosso coração um solo fecundo, enviando sobre ele a chuva poderosa do Espírito Santo, a fim de que a semente da Palavra não se perca por falta de fecundidade do solo onde ela já caiu pela proclamação; a segunda coisa que devemos pedir ao nosso Pai é que nos fortaleça com o mesmo Espírito, a fim de que a semente uma vez plantada em nosso coração seja dia a dia cultivada, através da oração e do retorno à mesma fonte da Escritura, para que não seja por falta de cultivo que a semente venha a se perder.

Neste domingo, sempre festivo porque é a solenidade principal da Igreja, celebramos a Festa do Batismo do Senhor. Vemos João que batiza no Jordão e Jesus que vem até ele. Eis aqui a máxima expressão do esvaziamento de Cristo. Ele não somente aceitou tornar-se um de nós, não fazendo do seu ser igual a Deus algo a que se apegar ciosamente (cf. Fl 2,5-11), mas quis de fato cumprir toda a justiça, ou seja, fazer tudo aquilo o que era exigido aos homens. Jesus é batizado por João: o criador é batizado pela criatura; a Palavra pela voz que clama no deserto. Ao ser batizado no Jordão, Cristo cumpre a profecia de Isaías que ouvimos. Acabamos de ouvir a proclamação do primeiro canto do “Servo de Adonai”. O servo de Adonai aparece no livro de Isaías como aquele que vai tomar sobre si os sofrimentos do povo; “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e por suas chagas nós fomos curados” se dirá mais à frente a respeito do servo de Adonai. Neste primeiro canto, o servo de Adonai aparece como aquele sobre o qual repousa o Espírito de Deus; aquele no qual Deus se compraz; aquele que veio para estabelecer a justiça; aquele, enfim, que foi constituído para ser a aliança do povo, a luz das nações, o que abre os olhos dos cegos, tira os cativos da prisão, o que livra do cárcere os que vivem nas trevas. Cristo realiza tudo isso. O seu Batismo inaugura o início do seu ministério, no qual Ele cheio do Espírito Santo andará por toda a parte, “fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele”, como nos diz os Atos dos Apóstolos no trecho que acabamos de ouvir.

Ainda neste trecho do Evangelho de Mateus vemos a teofania da Trindade. Cristo é batizado; o céu se abre sobre Ele, e Ele é ungido pelo Espírito Santo que desce em forma corporal, como uma pomba, semelhante àquela do dilúvio que veio trazendo em seu bico um ramo de oliveira para anunciar o fim do dilúvio e o surgimento da vida nova; ouve-se a voz do Pai que diz: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”. Cristo é ungido pelo Espírito em vista da sua missão; o Pai manifesta o seu Filho amado às nações. O Batismo de Cristo é uma segunda Epifania. Se na primeira Epifania deram testemunho da sua realeza e divindade os magos que lhes ofereceram místicos presentes, a estrela que guiou os magos até Belém e os anjos que foram anunciar a boa-nova do nascimento do Messias aos pastores, agora é o próprio Pai que dá testemunho do seu Filho e o apresenta como o Filho amado, no qual Ele se compraz, no qual Ele põe o seu bem-querer. Acontece aqui como ouvimos no salmo: “Eis a voz do Senhor sobre as águas, sua voz sobre as águas imensas! Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa.” Cristo que no ventre da Virgem recebe um novo ser, recebe a humanidade, agora é ungido pelo Pai para agir como o Messias Salvador.

Como aconteceu com Cristo no seu Batismo, assim acontece conosco quando, pondo toda a nossa esperança em Cristo, descemos às águas do Batismo. Pelo Batismo Cristo nos iluminou com a sua luz; curou-nos de nossa cegueira espiritual; livrou-nos do cárcere, a nós que andávamos nas trevas. Sabemos que pelo Batismo somos chamados a uma nova vida em Cristo. Ouvimos em nossa catequese que, pelo Batismo, sepultamos o velho Adão, para ver surgir em nós o Cristo, novo Adão. Todavia, sempre de novo experimentamos a nossa fraqueza. Acredito que antes de vivermos a nova vida moral a qual Cristo nos chama como membros do seu Corpo Místico, precisamos nos conscientizar de maneira mais profunda do que foi realizado no nosso ser. Antes de agirmos de maneira nova, precisamos refletir que após o batismo nós existimos de maneira nova, nós somos novas criaturas.

Dissemos que três coisas aconteceram com Cristo no seu batismo: o céu se abriu; o Espírito desceu sobre Ele em forma de pomba; a voz do Pai se fez ouvir dando a respeito d’Ele um testemunho favorável. Isso também aconteceu conosco no nosso batismo. Também sobre nós o céu se abriu no dia do nosso batismo. O céu que Adão havia fechado pela sua desobediência, Cristo nos abriu cumprindo toda a justiça. O céu está aberto sobre nós desde o dia do nosso batismo. Isso significa que somos chamados a viver uma vida sobrenatural. O céu aberto sobre nós é uma realidade da fé e só pode ser visto com o olhar da fé. O olhar da fé nos mostra que sobre nós o céu está aberto e que é para lá, para a Santa Cidade que nos dirigimos. Se nos reconhecemos como cidadãos de um lugar sobrenatural, entendemos então que somos chamados a viver uma vida sobrenatural, uma vida diferente. Para vivermos essa vida diferente, recebemos uma ajuda. Não estamos sozinhos! O Espírito Santo desceu sobre nós no dia do nosso batismo e Ele permanece em nós como num templo. Somos portadores da vida de Deus – porque dizemos que o Espírito Santo é “Senhor que dá a vida” – que habita em nós como num templo. Sabemos ainda que não estamos sozinhos porque o Pai está conosco. Assim como o Pai esteve com Cristo do início ao fim da sua vida neste mundo, assim o Pai está conosco sempre e Ele deu e dá continuamente a nosso respeito um testemunho favorável dizendo: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado.” Somos Filhos de Deus pelo batismo. Filhos no qual o Pai pôs o seu agrado. Quando tomamos consciência do que foi feito em nós no dia do nosso batismo, o nosso agir começa aos poucos a ser transformado e queremos agir de acordo com aquilo o que nós somos: filhos amados, filhos de Deus que, segundo o salmista, devem tributar ao Senhor a glória e o poder. A nossa vida de filhos amados deve ser uma manifestação da glória e do poder de Deus. Devemos iluminar o mundo coma luz de Cristo que nós recebemos. No dia do nosso batismo recebemos uma pequena vela acesa que simboliza a luz de Cristo que nos foi entregue. Devemos guardar essa luz. Essa luz é espiritual; essa chama é espiritual. Devemos guardar a luz; devemos manter acesa em nós a chama do Espírito. Se mantivermos acesa a luz que habita em nós, se não deixarmos que se apague a nossa chama espiritual, poderemos iluminar a tantos e tantas que se encontram nas trevas. Se guardarmos acesas a chama de Cristo, seremos “como luzes no mundo, isto é, como uma força vivificante para os outros homens.”(cf. São Gregório Nazianzo, “Oratio in Sancta Lumina”, século 4). 

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida