Arquidiocese do Rio de Janeiro

27º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/11/2021

28 de Novembro de 2021

A vocação do catequista

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

28 de Novembro de 2021

A vocação do catequista

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

27/08/2021 00:00

A vocação do catequista 0

27/08/2021 00:00

No final do mês de agosto, no último domingo, e para finalizar bem, vamos meditar a mãe de todas as vocações: a do catequista. Nenhum cristão nasce pronto, conhecendo sua própria fé e doutrina. Todos nós, sem exceções, necessitamos do sim e do trabalho do catequista. Ele ou ela é quem tem a missão de nos encantar por Jesus e seu reino. O catequista se torna a pessoa mais importante numa comunidade, pois é a extensão do serviço sacerdotal, ensinando e acompanhando as crianças, jovens e adultos em suas fases de amadurecimento cristão comunitário.

Ser catequista é uma vocação de serviço na Igreja. Sua vocação se encontra espalhada em meio a toda ação da comunidade. É um dom que recebemos do Senhor e com alegria o transmitimos. O dom que o Pai nos oferece em Cristo é o amor mais real que se possa imaginar. Nós o recebemos como um chamado de Deus para aprofundar o que o Senhor anunciou, o seu primeiro anúncio, ou querigma, o dom que mudou a nossa vida. Por isso, somos chamados a levar o anúncio a todas as pessoas para que ele também possa causar transformações em suas vidas. Por termos escutado o anúncio, somos chamados a conhecer melhor nossa fé.

Vale a pena refletir sobre o início, sobre como nasce esse chamado. Não são todos que possuem esse dom, essa vocação. É um serviço de muita entrega, doação, partilha, preparo, estudo, dedicação e disciplina. A vocação do catequista tem sua raiz inserida na vocação cristã. No Batismo e na Crisma recebemos o compromisso de colaborar no anúncio da Palavra de Deus, segundo as nossas condições. Somos chamados por Deus para o anúncio da sua Palavra, para ser testemunha dos valores do seu Reino e para sermos os porta-vozes da sua mensagem. É viver e anunciar a boa-nova do amor do Senhor: Jesus ama-te verdadeiramente, tal como és.

A catequese em toda a Igreja tem tido destaque nos últimos tempos. No dia 23 de março de 2020, no auge da pandemia do novo coronavírus no mundo, o Papa Francisco aprovou o novo Diretório para a Catequese. Para entendermos um pouco, de tempos em tempos, a catequese, assim como outros movimentos, pastorais, também passa por modificações, atualizações e revisões. Isso acontece de forma positiva, pois nunca podemos nos contentar com algo fechado a novos meios e caminhos.

Em tempos difíceis e de muitos desafios, há uma certa necessidade urgente de reconsiderar métodos e meios para se falar e ensinar sobre Jesus, como nos diz a introdução do novo diretório: “A exigência de exprimir a fé com a oração litúrgica e de a testemunhar com a força da caridade obriga a saber ultrapassar o carácter fragmentário das propostas para recuperar a unidade originária do ser cristão”. (Novo Diretório de Catequese, p. 5).

Parece um caminho difícil. Precisamos de coragem para entrar no barco da vida e ir em busca do extraordinário que acontece em meio à simplicidade do nosso cotidiano. Muitas vezes, no ritmo frenético que caminhamos, com experiências cada vez maiores das exigências que nos cercam, acabamos por não dar atenção àquelas realidades que nos educam para uma visão mais ampla da vida.

Nas várias fases de nossas vidas estamos a nos perguntar: quem somos, o que nos faz realmente feliz, o que faço da minha vida? Como estou para Deus? São perguntas da nossa existência e das nossas razões que norteiam nossas escolhas. Estamos sempre à procura de Deus. Somos suas criaturas. Seu desejo está inscrito em nossos corações. Somos sempre atraídos a Ele e por Ele. Para entender Ele e  seus sinais, necessitamos da fé. E a cada experiência da vida nos leva em direção a Ele. Somos conduzidos em direção ao mistério da fé.

Sendo assim, o catequista se torna o “farol” que nos aponta o Cristo. É sempre um caminho desafiador conhecer e aderir o projeto de Deus. Para que adotamos suas exigências, precisamos sentir-nos bem-preparados, fortalecidos e animados. Parte de tudo isso perpassa pelas mãos do catequista.

Em tempos em que tudo precisa ser remunerado e bem remunerado, falar de trabalho versus gratuidade é quase que uma tarefa impossível. O salário do catequista é ver cristão aderindo a Cristo. É ver crianças e jovens se inserindo no serviço pastoral. É ver famílias vivendo de forma consciente, responsável e feliz. Ainda mais agora que a Igreja reconhece como um ministério.

O catequista, ao ser chamado a fazer ecoar a Palavra de Deus, vai junto com Cristo e se doa dando o seu testemunho que é sustentado pela certeza do amor do Cristo que se dispõe a nos doar, a fim de nutrir o crescimento espiritual de outras pessoas e de nós mesmos. Vamos juntos fazer a experiência de Deus. É ela a matéria-prima da nossa prática catequética.

Numa canção já antiga, cantamos: “Onde há amor e caridade, Deus aí está” (Coral Palestrina de Curitiba). Amor e caridade devem fazer parte do diploma de quem almeja ser catequista, e a escola onde se aprende estas importantes e indispensáveis lições é na família e na comunidade cristã. O novo diretório da catequese nos diz que: “Toda a comunidade cristã é responsável pelo ministério da catequese, mas cada um conforme a sua condição particular na Igreja: ministros ordenados, pessoas consagradas, fiéis leigos. O catequista pertence a uma comunidade cristã e é dela expressão. O seu serviço é vivido dentro de uma comunidade que é o sujeito primeiro do acompanhamento na fé” (Novo Diretório de catequese, nº111).

Às vezes, se tem muita dificuldade no que ensinar, no que planejar, no que realizar dentro das nossas catequeses. Acredito que não há um conteúdo que seja mais importante. Cada conteúdo da fé torna-se perfeito, quando ele se mantém ligado ao centro que é Jesus Cristo; quando ele se apresenta permeado pelo anúncio pascal; mas se, pelo contrário, se isolar, perde sentido e força.

O convite que Jesus nos faz é único! Vamos catequizar! Catequizar é aproximar, escutar, estar junto, participar é sofrer e alegrar com alguém ou para alguém. Este alguém pode ser a criança, o jovem, o adulto, o velho, o enfermo, o menor carente, ou uma pessoa que necessita de nossa atenção. Vamos caminhar e se deixar encontrar com Jesus Cristo. No encontro pessoal, faremos a experiência de conviver com alguém que nos pode ajudar a conhecer-nos com mais verdade, despertando o que há de melhor em nós. Ele nos pode levar ao essencial, nos convida a reorientar tudo para uma vida mais digna, mais generosa, mais humana.

Aos catequistas, me dirijo de forma singela e muito particular. Procurem se abastecer nas fontes do Cristo crendo n'Ele, seguindo-O e fazendo-se um continuador de sua obra, participando da sua vida em comunidade. Continuemos nossa jornada alimentados pela fé e pela esperança. Não deixemos a Palavra de Deus morrer afogada no poço do medo, da insegurança, do comodismo. Sejam criativos sem medo de sair dos próprios esquemas. Sejamos profetas, porta-vozes de Deus. Parabéns a todos os/as catequistas pelo vosso dia que celebramos neste último domingo de agosto.

Que a exemplo de Maria, a primeira catequista, a coragem, a disposição e a alegria tomem conta dos vossos corações.

Nossa Senhora, mãe dos catequistas, rogai por nós

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

 

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

A vocação do catequista

27/08/2021 00:00

No final do mês de agosto, no último domingo, e para finalizar bem, vamos meditar a mãe de todas as vocações: a do catequista. Nenhum cristão nasce pronto, conhecendo sua própria fé e doutrina. Todos nós, sem exceções, necessitamos do sim e do trabalho do catequista. Ele ou ela é quem tem a missão de nos encantar por Jesus e seu reino. O catequista se torna a pessoa mais importante numa comunidade, pois é a extensão do serviço sacerdotal, ensinando e acompanhando as crianças, jovens e adultos em suas fases de amadurecimento cristão comunitário.

Ser catequista é uma vocação de serviço na Igreja. Sua vocação se encontra espalhada em meio a toda ação da comunidade. É um dom que recebemos do Senhor e com alegria o transmitimos. O dom que o Pai nos oferece em Cristo é o amor mais real que se possa imaginar. Nós o recebemos como um chamado de Deus para aprofundar o que o Senhor anunciou, o seu primeiro anúncio, ou querigma, o dom que mudou a nossa vida. Por isso, somos chamados a levar o anúncio a todas as pessoas para que ele também possa causar transformações em suas vidas. Por termos escutado o anúncio, somos chamados a conhecer melhor nossa fé.

Vale a pena refletir sobre o início, sobre como nasce esse chamado. Não são todos que possuem esse dom, essa vocação. É um serviço de muita entrega, doação, partilha, preparo, estudo, dedicação e disciplina. A vocação do catequista tem sua raiz inserida na vocação cristã. No Batismo e na Crisma recebemos o compromisso de colaborar no anúncio da Palavra de Deus, segundo as nossas condições. Somos chamados por Deus para o anúncio da sua Palavra, para ser testemunha dos valores do seu Reino e para sermos os porta-vozes da sua mensagem. É viver e anunciar a boa-nova do amor do Senhor: Jesus ama-te verdadeiramente, tal como és.

A catequese em toda a Igreja tem tido destaque nos últimos tempos. No dia 23 de março de 2020, no auge da pandemia do novo coronavírus no mundo, o Papa Francisco aprovou o novo Diretório para a Catequese. Para entendermos um pouco, de tempos em tempos, a catequese, assim como outros movimentos, pastorais, também passa por modificações, atualizações e revisões. Isso acontece de forma positiva, pois nunca podemos nos contentar com algo fechado a novos meios e caminhos.

Em tempos difíceis e de muitos desafios, há uma certa necessidade urgente de reconsiderar métodos e meios para se falar e ensinar sobre Jesus, como nos diz a introdução do novo diretório: “A exigência de exprimir a fé com a oração litúrgica e de a testemunhar com a força da caridade obriga a saber ultrapassar o carácter fragmentário das propostas para recuperar a unidade originária do ser cristão”. (Novo Diretório de Catequese, p. 5).

Parece um caminho difícil. Precisamos de coragem para entrar no barco da vida e ir em busca do extraordinário que acontece em meio à simplicidade do nosso cotidiano. Muitas vezes, no ritmo frenético que caminhamos, com experiências cada vez maiores das exigências que nos cercam, acabamos por não dar atenção àquelas realidades que nos educam para uma visão mais ampla da vida.

Nas várias fases de nossas vidas estamos a nos perguntar: quem somos, o que nos faz realmente feliz, o que faço da minha vida? Como estou para Deus? São perguntas da nossa existência e das nossas razões que norteiam nossas escolhas. Estamos sempre à procura de Deus. Somos suas criaturas. Seu desejo está inscrito em nossos corações. Somos sempre atraídos a Ele e por Ele. Para entender Ele e  seus sinais, necessitamos da fé. E a cada experiência da vida nos leva em direção a Ele. Somos conduzidos em direção ao mistério da fé.

Sendo assim, o catequista se torna o “farol” que nos aponta o Cristo. É sempre um caminho desafiador conhecer e aderir o projeto de Deus. Para que adotamos suas exigências, precisamos sentir-nos bem-preparados, fortalecidos e animados. Parte de tudo isso perpassa pelas mãos do catequista.

Em tempos em que tudo precisa ser remunerado e bem remunerado, falar de trabalho versus gratuidade é quase que uma tarefa impossível. O salário do catequista é ver cristão aderindo a Cristo. É ver crianças e jovens se inserindo no serviço pastoral. É ver famílias vivendo de forma consciente, responsável e feliz. Ainda mais agora que a Igreja reconhece como um ministério.

O catequista, ao ser chamado a fazer ecoar a Palavra de Deus, vai junto com Cristo e se doa dando o seu testemunho que é sustentado pela certeza do amor do Cristo que se dispõe a nos doar, a fim de nutrir o crescimento espiritual de outras pessoas e de nós mesmos. Vamos juntos fazer a experiência de Deus. É ela a matéria-prima da nossa prática catequética.

Numa canção já antiga, cantamos: “Onde há amor e caridade, Deus aí está” (Coral Palestrina de Curitiba). Amor e caridade devem fazer parte do diploma de quem almeja ser catequista, e a escola onde se aprende estas importantes e indispensáveis lições é na família e na comunidade cristã. O novo diretório da catequese nos diz que: “Toda a comunidade cristã é responsável pelo ministério da catequese, mas cada um conforme a sua condição particular na Igreja: ministros ordenados, pessoas consagradas, fiéis leigos. O catequista pertence a uma comunidade cristã e é dela expressão. O seu serviço é vivido dentro de uma comunidade que é o sujeito primeiro do acompanhamento na fé” (Novo Diretório de catequese, nº111).

Às vezes, se tem muita dificuldade no que ensinar, no que planejar, no que realizar dentro das nossas catequeses. Acredito que não há um conteúdo que seja mais importante. Cada conteúdo da fé torna-se perfeito, quando ele se mantém ligado ao centro que é Jesus Cristo; quando ele se apresenta permeado pelo anúncio pascal; mas se, pelo contrário, se isolar, perde sentido e força.

O convite que Jesus nos faz é único! Vamos catequizar! Catequizar é aproximar, escutar, estar junto, participar é sofrer e alegrar com alguém ou para alguém. Este alguém pode ser a criança, o jovem, o adulto, o velho, o enfermo, o menor carente, ou uma pessoa que necessita de nossa atenção. Vamos caminhar e se deixar encontrar com Jesus Cristo. No encontro pessoal, faremos a experiência de conviver com alguém que nos pode ajudar a conhecer-nos com mais verdade, despertando o que há de melhor em nós. Ele nos pode levar ao essencial, nos convida a reorientar tudo para uma vida mais digna, mais generosa, mais humana.

Aos catequistas, me dirijo de forma singela e muito particular. Procurem se abastecer nas fontes do Cristo crendo n'Ele, seguindo-O e fazendo-se um continuador de sua obra, participando da sua vida em comunidade. Continuemos nossa jornada alimentados pela fé e pela esperança. Não deixemos a Palavra de Deus morrer afogada no poço do medo, da insegurança, do comodismo. Sejam criativos sem medo de sair dos próprios esquemas. Sejamos profetas, porta-vozes de Deus. Parabéns a todos os/as catequistas pelo vosso dia que celebramos neste último domingo de agosto.

Que a exemplo de Maria, a primeira catequista, a coragem, a disposição e a alegria tomem conta dos vossos corações.

Nossa Senhora, mãe dos catequistas, rogai por nós

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro