Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/08/2017

20 de Agosto de 2017

Natal com São José

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Natal com São José 0

20/12/2013 17:17

Natal com São José / Arqrio

Escolhido por Deus para ser casto esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, José compõe o cenário dos Evangelhos da Infância. Sua missão se circunscreve ao tempo da gestação, passando pelo nascimento e se conclui com a vida oculta do Senhor em Nazaré. Durante a vida pública do Mestre, apenas é lembrado por terceiros e com indireta. Em situação de perplexidade: “Não é o filho de José?” (Lc 4, 22). De admiração: “Não é ele o filho do carpinteiro”? (Mt 13,55). De incredulidade: “Esse não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como diz agora: “Eu desci do céu”?” (Jo 6, 42).

Só por curiosidade, o nome de José é derivado da raiz yasaf e significa acrescentar. Quando Deus se lembrou de Raquel, tornando-a fecunda, ela engravidou, deu à luz um filho a quem nomeou José, dizendo: “Que o Senhor me acrescente outro filho”! (Gn 30, 13). Portanto, o nome está ligado ao desejo dela ser fecunda e à resposta divina ao seu pedido. Daí, algumas traduções: “Que o Senhor me dê outro!”. Corresponde ao forte desejo, próprio da mulher bíblica, de participar da bênção da criação (Gn 1, 28). Ao contrário, a estéril vivia na vergonha, no opróbio ou maldição. Portanto, é presumível que a escolha do nome José, o pai de Jesus, indique ter sido ele muito desejado como favor divino. Seria São José fruto da oração suplicante e confiante. Nada provado, porém.

A manifestação do Anjo do Senhor a José, ainda que em sonho, comporta dois significados precisos: revelação e missão: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará seu povo dos seus pecados”(Mt 1, 20-21). Foi dado a Maria como esposo. Foi dado ao Filho de Deus como pai, segundo a lei.

Ao contemplarmos São José, há muitos elementos dignos de consideração. Consideremos seu silêncio. Impressiona. Nada diz. Porém, muito faz. Assim compreende o evangelista Mateus: “José, ao despertar, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher” (1,. 24); “E ele o chamou com o nome de Jesus” (v. 25).

O silêncio de José é o sofrimento em relação a Maria, através do qual “sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo” (v. 19). Sofre calado “enquanto decidia” (v. 20). Sofre o silêncio de Maria que nada lhe diz. O segredo também a fez sofrer intensamente. Presume-se. Assim sendo, a alegria da vinda do Senhor comportaria para ambos a experiência da consolação, constitutiva da promessa a Israel: “Consolai, consolai o meu povo, diz vosso Deus, falai ao coração de Jerusalém” (Is 40, 1-2). Deus consola sua gente. A consolação precede a exultação.

Ao ser consolado pela revelação e a ação de Deus, José age, ainda em silêncio. Assim o veremos. Com Maria apresentaria o Menino no templo e cumpriria as prescrições da lei. Salvaria o Menino da ira de Herodes, fugindo com ele e Maria para o Egito. Quando o Menino completasse 12 anos, subiria mais uma vez com ambos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Jesus permaneceria entre os doutores, sendo procurado durante três dias. Enfim, Maria surpresa, mas queixosa, diria por José: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos” (Lc 2, 48). Nem Maria nem José compreenderiam as indagações: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2, 49). José permaneceria silencioso, mas sempre serviçal.

O silêncio de José é operativo. Ouve para responder na ação. Realiza na vida o sentido da obediência da fé, precedida pela audição da Palavra.

Meditar o Natal é mergulhar no silêncio interior, a partir da leitura orante dos Evangelhos da Infância. É dispor do tempo, mesmo breve, contra a correria dos dias preparatórios para compor mentalmente o lugar e os personagens da cena do presépio. É conduzir-se da oração à ação.

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Natal com São José / Arqrio

Natal com São José

20/12/2013 17:17

Escolhido por Deus para ser casto esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, José compõe o cenário dos Evangelhos da Infância. Sua missão se circunscreve ao tempo da gestação, passando pelo nascimento e se conclui com a vida oculta do Senhor em Nazaré. Durante a vida pública do Mestre, apenas é lembrado por terceiros e com indireta. Em situação de perplexidade: “Não é o filho de José?” (Lc 4, 22). De admiração: “Não é ele o filho do carpinteiro”? (Mt 13,55). De incredulidade: “Esse não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como diz agora: “Eu desci do céu”?” (Jo 6, 42).

Só por curiosidade, o nome de José é derivado da raiz yasaf e significa acrescentar. Quando Deus se lembrou de Raquel, tornando-a fecunda, ela engravidou, deu à luz um filho a quem nomeou José, dizendo: “Que o Senhor me acrescente outro filho”! (Gn 30, 13). Portanto, o nome está ligado ao desejo dela ser fecunda e à resposta divina ao seu pedido. Daí, algumas traduções: “Que o Senhor me dê outro!”. Corresponde ao forte desejo, próprio da mulher bíblica, de participar da bênção da criação (Gn 1, 28). Ao contrário, a estéril vivia na vergonha, no opróbio ou maldição. Portanto, é presumível que a escolha do nome José, o pai de Jesus, indique ter sido ele muito desejado como favor divino. Seria São José fruto da oração suplicante e confiante. Nada provado, porém.

A manifestação do Anjo do Senhor a José, ainda que em sonho, comporta dois significados precisos: revelação e missão: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará seu povo dos seus pecados”(Mt 1, 20-21). Foi dado a Maria como esposo. Foi dado ao Filho de Deus como pai, segundo a lei.

Ao contemplarmos São José, há muitos elementos dignos de consideração. Consideremos seu silêncio. Impressiona. Nada diz. Porém, muito faz. Assim compreende o evangelista Mateus: “José, ao despertar, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher” (1,. 24); “E ele o chamou com o nome de Jesus” (v. 25).

O silêncio de José é o sofrimento em relação a Maria, através do qual “sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo” (v. 19). Sofre calado “enquanto decidia” (v. 20). Sofre o silêncio de Maria que nada lhe diz. O segredo também a fez sofrer intensamente. Presume-se. Assim sendo, a alegria da vinda do Senhor comportaria para ambos a experiência da consolação, constitutiva da promessa a Israel: “Consolai, consolai o meu povo, diz vosso Deus, falai ao coração de Jerusalém” (Is 40, 1-2). Deus consola sua gente. A consolação precede a exultação.

Ao ser consolado pela revelação e a ação de Deus, José age, ainda em silêncio. Assim o veremos. Com Maria apresentaria o Menino no templo e cumpriria as prescrições da lei. Salvaria o Menino da ira de Herodes, fugindo com ele e Maria para o Egito. Quando o Menino completasse 12 anos, subiria mais uma vez com ambos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Jesus permaneceria entre os doutores, sendo procurado durante três dias. Enfim, Maria surpresa, mas queixosa, diria por José: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos” (Lc 2, 48). Nem Maria nem José compreenderiam as indagações: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2, 49). José permaneceria silencioso, mas sempre serviçal.

O silêncio de José é operativo. Ouve para responder na ação. Realiza na vida o sentido da obediência da fé, precedida pela audição da Palavra.

Meditar o Natal é mergulhar no silêncio interior, a partir da leitura orante dos Evangelhos da Infância. É dispor do tempo, mesmo breve, contra a correria dos dias preparatórios para compor mentalmente o lugar e os personagens da cena do presépio. É conduzir-se da oração à ação.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro