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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Parábolas do Reino dos Céus

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Parábolas do Reino dos Céus

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Parábolas do Reino dos Céus 0

26/07/2020 01:21

No décimo sétimo Domingo do Tempo Comum, a liturgia continua abordando sobre a realidade do “Reino dos Céus” no “sermão em parábolas”.

            A primeira leitura (1Rs 3, 5.7-12) mostra que Salomão tem a intimidade com Deus. Salomão pede ao Senhor: “Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar” (1Rs 3,7). Salomão a princípio coloca o empecilho diante da missão que recebe, mas, o Senhor o cativa e diz que estará com ele nesta missão: “Já que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti”. (1 Rs 3,11-12).

            A segunda leitura (Rm 8, 28-30): “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus” (Rm 8, 28). A Carta aos Romanos quer nos mostrar que por meio desta passagem que somos chamados ao amor e a salvação. Deus quer que todos tenham essa intimidade com Ele. Deus predestina todos a salvação, mas, para isso existe a liberdade. O Senhor chama os justos e assim os glorifica.

            O Evangelho (Mt 13, 44-52) nos domingos deste tempo do ano são tomados do Capítulo 13 de Mateus, quando lemos o sermão de Jesus em parábolas. Este capítulo é paralelo a São Marcos 4. Neste Evangelho, Jesus fala-nos do Reino dos Céus. Saído do barco à beira-mar, chegando em casa, ele nos conta três parábolas, das quais meditaremos duas: o Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo; um homem o encontra e, cheio de alegria, vende tudo e o adquire! O Reino dos Céus é como uma pérola de grande valor;  fascinado por sua beleza, o homem vende tudo e a adquire! Jesus nos quer fazer compreender que quem encontra o Reino, sai de si! Encontra o sentido da vida, encontra aquilo porque vale a pena viver. Quem de verdade encontra o Reino, quem o experimenta, muda para sempre sua existência: vai ligeiro, vende tudo, fica cheio de alegria! Encontrar o Reino é encontrar Jesus, e encontrar Jesus de verdade é encontrar a razão de viver, o sentido da existência… é encontrar-se consigo mesmo.

            Nas duas parábolas, mesmo sendo parecidas entre si, apresentam diferenças dignas de nota: O tesouro encontrado significa a abundância de dons; a pérola procurada, a beleza do Reino. O tesouro apresenta-se de repente; a pérola supõe, pelo contrário, uma busca esforçada; mas em ambos os casos o que encontra fica inundado de uma profunda alegria. Assim é a fé, a vocação, a verdadeira sabedoria, o desejo do céu: por vezes, apresenta-se de modo inesperado, outras segue-se a uma intensa busca. A atitude do homem, em ambas as parábolas, está descrita com os mesmos termos: “vai e vende tudo o quanto tem e compra aquele campo” (cf. Mt 13, 44. Mostra o Evangelho o desprendimento, a generosidade, é condição indispensável para o alcançar.

            Precisamos descobrir que o Reino exige um olhar iluminado pela graça de Deus. Sozinhos, com nossas próprias forças, somos incapazes de discernir essa presença do Reino! Por isso é necessário suplicar, como Salomão (primeira leitura), um coração para compreender: “Dá ao teu servo um coração compreensivo – um coração que escute!” No Evangelho de hoje, Jesus termina perguntando: “Compreendeste essas coisas?”– Senhor, pedimos nós, dá-nos um coração capaz de compreender! Sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo! Mostra-nos o tesouro, que é o teu Reino! Faz-nos encontrar a pérola de grande valor, pela qual vale a pena perder tudo e todo nela encontrar! Faz-nos sentir que, pelo Reino, vale a pena deixar redes, barcos, a vida perder; deixar a família e dinheiro não ter!

            Contudo, ao olhar para este Evangelho de hoje, vemos diante destas parábolas a realidade do Reino dos Céus, pois, este Reino não é puramente uma utopia, mas, este Reino de Deus é uma realidade. Realidade esta que começa a ser vivenciada aqui e continua na parusia. Somos convidados a procurar esta pérola, somos chamados a sermos discípulos do Reino dos Céus. E como viver a realidade do céu? Servindo e amando, buscando a cada dia fazer a vontade de Deus quer seja em nossas famílias, paróquias, trabalho etc. Onde estejamos devemos acolher e levar este Reino de Deus a tantos que ainda não buscam. Vale a pena seguir a Jesus e ser testemunha da sua Palavra e do seu amor. Que Deus nos abençõe e nos faça entregarmos sempre e estarmos sempre N’Ele.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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Parábolas do Reino dos Céus

26/07/2020 01:21

No décimo sétimo Domingo do Tempo Comum, a liturgia continua abordando sobre a realidade do “Reino dos Céus” no “sermão em parábolas”.

            A primeira leitura (1Rs 3, 5.7-12) mostra que Salomão tem a intimidade com Deus. Salomão pede ao Senhor: “Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar” (1Rs 3,7). Salomão a princípio coloca o empecilho diante da missão que recebe, mas, o Senhor o cativa e diz que estará com ele nesta missão: “Já que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti”. (1 Rs 3,11-12).

            A segunda leitura (Rm 8, 28-30): “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus” (Rm 8, 28). A Carta aos Romanos quer nos mostrar que por meio desta passagem que somos chamados ao amor e a salvação. Deus quer que todos tenham essa intimidade com Ele. Deus predestina todos a salvação, mas, para isso existe a liberdade. O Senhor chama os justos e assim os glorifica.

            O Evangelho (Mt 13, 44-52) nos domingos deste tempo do ano são tomados do Capítulo 13 de Mateus, quando lemos o sermão de Jesus em parábolas. Este capítulo é paralelo a São Marcos 4. Neste Evangelho, Jesus fala-nos do Reino dos Céus. Saído do barco à beira-mar, chegando em casa, ele nos conta três parábolas, das quais meditaremos duas: o Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo; um homem o encontra e, cheio de alegria, vende tudo e o adquire! O Reino dos Céus é como uma pérola de grande valor;  fascinado por sua beleza, o homem vende tudo e a adquire! Jesus nos quer fazer compreender que quem encontra o Reino, sai de si! Encontra o sentido da vida, encontra aquilo porque vale a pena viver. Quem de verdade encontra o Reino, quem o experimenta, muda para sempre sua existência: vai ligeiro, vende tudo, fica cheio de alegria! Encontrar o Reino é encontrar Jesus, e encontrar Jesus de verdade é encontrar a razão de viver, o sentido da existência… é encontrar-se consigo mesmo.

            Nas duas parábolas, mesmo sendo parecidas entre si, apresentam diferenças dignas de nota: O tesouro encontrado significa a abundância de dons; a pérola procurada, a beleza do Reino. O tesouro apresenta-se de repente; a pérola supõe, pelo contrário, uma busca esforçada; mas em ambos os casos o que encontra fica inundado de uma profunda alegria. Assim é a fé, a vocação, a verdadeira sabedoria, o desejo do céu: por vezes, apresenta-se de modo inesperado, outras segue-se a uma intensa busca. A atitude do homem, em ambas as parábolas, está descrita com os mesmos termos: “vai e vende tudo o quanto tem e compra aquele campo” (cf. Mt 13, 44. Mostra o Evangelho o desprendimento, a generosidade, é condição indispensável para o alcançar.

            Precisamos descobrir que o Reino exige um olhar iluminado pela graça de Deus. Sozinhos, com nossas próprias forças, somos incapazes de discernir essa presença do Reino! Por isso é necessário suplicar, como Salomão (primeira leitura), um coração para compreender: “Dá ao teu servo um coração compreensivo – um coração que escute!” No Evangelho de hoje, Jesus termina perguntando: “Compreendeste essas coisas?”– Senhor, pedimos nós, dá-nos um coração capaz de compreender! Sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo! Mostra-nos o tesouro, que é o teu Reino! Faz-nos encontrar a pérola de grande valor, pela qual vale a pena perder tudo e todo nela encontrar! Faz-nos sentir que, pelo Reino, vale a pena deixar redes, barcos, a vida perder; deixar a família e dinheiro não ter!

            Contudo, ao olhar para este Evangelho de hoje, vemos diante destas parábolas a realidade do Reino dos Céus, pois, este Reino não é puramente uma utopia, mas, este Reino de Deus é uma realidade. Realidade esta que começa a ser vivenciada aqui e continua na parusia. Somos convidados a procurar esta pérola, somos chamados a sermos discípulos do Reino dos Céus. E como viver a realidade do céu? Servindo e amando, buscando a cada dia fazer a vontade de Deus quer seja em nossas famílias, paróquias, trabalho etc. Onde estejamos devemos acolher e levar este Reino de Deus a tantos que ainda não buscam. Vale a pena seguir a Jesus e ser testemunha da sua Palavra e do seu amor. Que Deus nos abençõe e nos faça entregarmos sempre e estarmos sempre N’Ele.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro