Arquidiocese do Rio de Janeiro

24º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM (26/07/2020)

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17º DOMINGO DO TEMPO COMUM (26/07/2020) 0

26/07/2020 01:14

1ª Leitura: 1Rs 3,5.7-12
Sl 118
2ª Leitura: Rm 8,28-30
Evangelho: Mt 13,44-52
 
Ó Deus, sois o amparo dos em que vós esperam
 
Neste dia festivo somos reunidos na Igreja, casa de Deus, a fim de manifestarmos ao mundo aquilo o que nos tornamos no dia do nosso batismo: “pedras vivas” (cf. 1Pd 2,5) do edifício espiritual que é a Igreja. Ao retornarmos, paulatinamente, para as nossas celebrações presenciais, cantamos com o salmista:“Que alegria quando ouvi que me disseram vamos à casa do Senhor” (Sl 121[122],1). Os que ainda não podem estar em nossas celebrações presenciais, devido à triste pandemia que vivemos, não devem se sentir excluídos desta comunhão. Afinal, somos a Igreja do Senhor e, mesmo fisicamente separados, estamos espiritualmente sempre unidos.

Nossa reflexão deste domingo poderia começar pela oração coleta da Missa: “Ó Deus, sois o amparo dos em que vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam.” Sem o auxílio de Deus, ninguém é santo, nem forte. Ao reconhecermos isso, pedimos ao Senhor que redobre de amor para conosco a fim de que, conduzidos por Ele, usemos de tal modo os “bens que passam” que possamos abraçar “os bens que não passam”.

A partir desta oração coleta, podemos compreender melhor o sentido da liturgia da Palavra. Na primeira leitura, Salomão pede a Deus um “coração que escuta” para poder governar o povo de Deus. O rei não pediu nada para si. Ele não gastou sua oração pedindo um “bem que passa”, transitória, mas pediu algo imperecível: a sabedoria. Por isso, o seu pedido agradou a Deus. Salomão é como o salmista, que escolheu por sua herança “observar a palavra do Senhor” (Sl 118[119],57). Essa visão para além dos bens desse mundo é a que nos é apresentada pelo Evangelho de hoje.
Hoje terminamos de fazer a leitura das sete parábolas a respeito do Reino que Jesus conta para a multidão que está às margens do mar da Galileia. Ouvimos hoje a parábola do tesouro escondido no campo, da pérola descoberta pelo mercador e da rede lançada ao mar. Nas duas primeiras parábolas, a atenção do leitor se volta para a atitude das personagens que encontram a pérola e o tesouro. Essas, tomadas de alegria pela descoberta de um tão grande tesouro, correm, vendem tudo o que possuem e compram a pérola e o campo onde estava o tesouro. É uma tomada de atitude que Jesus exige de seus ouvintes. O Reino dos Céus é esse tesouro e essa pérola. Estamos diante do grande tesouro. Isso alegra o nosso coração? Isso nos diz algo? Estamos dispostos a vender tudo para abraçar o Reino?

A parábola da rede lançada ao mar é muito semelhante à do trigo e do joio. A separação entre bons e maus posta para o fim dos tempos coloca um freio naqueles que querem se arvorar em juízes na comunidade cristã. A parábola nos mostra que este é o tempo da paciência de Deus, onde Ele está esperando que os homens se convertam. O juízo pertence ao próprio Deus e se dará no fim dos tempos. Por outro lado, falar dessa separação faz com que cada um tome consciência de que tipo de peixe tem sido. Porque o juízo virá e não podemos brincar com Deus, uma vez que Ele não brinca conosco. A sua misericórdia não exclui o dever que nós temos de procurar uma vida de conversão, a fim de sermos realmente “bons peixes” recolhidos “no cesto” do seu Reino.

Mateus conclui com a imagem do “mestre da Lei” que se torna discípulo do Reino. Aquele que se tornou discípulo de Cristo, tendo sido outrora um mestre da Lei, pode tirar agora do seu tesouro coisas novas e velhas, porque não perdeu o que possuía, mas o tesouro ganhou uma riqueza nova, uma vez que Cristo leva as promessas da Antiga Aliança à seu pleno cumprimento.

Depois de toda essa riqueza, recebemos ainda a pérola preciosa e o tesouro escondido dessa segunda leitura. O grande Apóstolo dos gentios nos diz: “Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação”. Creiamos nessa Palavra. É a Palavra de Deus para nós hoje. Essa Palavra Deus a inspirou num coração profundamente provado pela angústia e pelo sofrimento. Paulo nos diz na 2Cor 7,5 “(...) fomos afligidos de todas as maneiras; fora de nós, lutas; dentro de nós, temores.” Paulo é um homem forjado no sofrimento mas, mesmo assim, afirma com convicção: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus”. Essa certeza enche o coração do Apóstolo e, por isso, ele afirma: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus”.

Às vezes, em momentos de tribulação é difícil crer que os sofrimentos também possam contribuir para o nosso bem, mas contribuem. Em meio à tribulação, experimentamos o amor de Deus que nos sustenta, que nos dá forças para seguir em frente. Hoje, como Salomão, peçamos a Deus a graça de um “coração que escuta”. Que acolhendo em nós sua Palavra, tenhamos a força necessária para seguir em frente, certos de que o Senhor reserva para nós uma grande recompensa no seu Reino.

De modo particular, nos recordemos hoje de nossos avós, tanto os vivos quanto os falecidos. Que os que estão em casa não se sintam abandonados, mas sejam sempre acolhidos e cuidados pelos seus familiares. Nos lembremos daqueles que sentem solidão, que não visitados em muitos lares espalhados pelo mundo. Que o Senhor seja o consolo e o conforto de cada um.




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17º DOMINGO DO TEMPO COMUM (26/07/2020)

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1ª Leitura: 1Rs 3,5.7-12
Sl 118
2ª Leitura: Rm 8,28-30
Evangelho: Mt 13,44-52
 
Ó Deus, sois o amparo dos em que vós esperam
 
Neste dia festivo somos reunidos na Igreja, casa de Deus, a fim de manifestarmos ao mundo aquilo o que nos tornamos no dia do nosso batismo: “pedras vivas” (cf. 1Pd 2,5) do edifício espiritual que é a Igreja. Ao retornarmos, paulatinamente, para as nossas celebrações presenciais, cantamos com o salmista:“Que alegria quando ouvi que me disseram vamos à casa do Senhor” (Sl 121[122],1). Os que ainda não podem estar em nossas celebrações presenciais, devido à triste pandemia que vivemos, não devem se sentir excluídos desta comunhão. Afinal, somos a Igreja do Senhor e, mesmo fisicamente separados, estamos espiritualmente sempre unidos.

Nossa reflexão deste domingo poderia começar pela oração coleta da Missa: “Ó Deus, sois o amparo dos em que vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam.” Sem o auxílio de Deus, ninguém é santo, nem forte. Ao reconhecermos isso, pedimos ao Senhor que redobre de amor para conosco a fim de que, conduzidos por Ele, usemos de tal modo os “bens que passam” que possamos abraçar “os bens que não passam”.

A partir desta oração coleta, podemos compreender melhor o sentido da liturgia da Palavra. Na primeira leitura, Salomão pede a Deus um “coração que escuta” para poder governar o povo de Deus. O rei não pediu nada para si. Ele não gastou sua oração pedindo um “bem que passa”, transitória, mas pediu algo imperecível: a sabedoria. Por isso, o seu pedido agradou a Deus. Salomão é como o salmista, que escolheu por sua herança “observar a palavra do Senhor” (Sl 118[119],57). Essa visão para além dos bens desse mundo é a que nos é apresentada pelo Evangelho de hoje.
Hoje terminamos de fazer a leitura das sete parábolas a respeito do Reino que Jesus conta para a multidão que está às margens do mar da Galileia. Ouvimos hoje a parábola do tesouro escondido no campo, da pérola descoberta pelo mercador e da rede lançada ao mar. Nas duas primeiras parábolas, a atenção do leitor se volta para a atitude das personagens que encontram a pérola e o tesouro. Essas, tomadas de alegria pela descoberta de um tão grande tesouro, correm, vendem tudo o que possuem e compram a pérola e o campo onde estava o tesouro. É uma tomada de atitude que Jesus exige de seus ouvintes. O Reino dos Céus é esse tesouro e essa pérola. Estamos diante do grande tesouro. Isso alegra o nosso coração? Isso nos diz algo? Estamos dispostos a vender tudo para abraçar o Reino?

A parábola da rede lançada ao mar é muito semelhante à do trigo e do joio. A separação entre bons e maus posta para o fim dos tempos coloca um freio naqueles que querem se arvorar em juízes na comunidade cristã. A parábola nos mostra que este é o tempo da paciência de Deus, onde Ele está esperando que os homens se convertam. O juízo pertence ao próprio Deus e se dará no fim dos tempos. Por outro lado, falar dessa separação faz com que cada um tome consciência de que tipo de peixe tem sido. Porque o juízo virá e não podemos brincar com Deus, uma vez que Ele não brinca conosco. A sua misericórdia não exclui o dever que nós temos de procurar uma vida de conversão, a fim de sermos realmente “bons peixes” recolhidos “no cesto” do seu Reino.

Mateus conclui com a imagem do “mestre da Lei” que se torna discípulo do Reino. Aquele que se tornou discípulo de Cristo, tendo sido outrora um mestre da Lei, pode tirar agora do seu tesouro coisas novas e velhas, porque não perdeu o que possuía, mas o tesouro ganhou uma riqueza nova, uma vez que Cristo leva as promessas da Antiga Aliança à seu pleno cumprimento.

Depois de toda essa riqueza, recebemos ainda a pérola preciosa e o tesouro escondido dessa segunda leitura. O grande Apóstolo dos gentios nos diz: “Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação”. Creiamos nessa Palavra. É a Palavra de Deus para nós hoje. Essa Palavra Deus a inspirou num coração profundamente provado pela angústia e pelo sofrimento. Paulo nos diz na 2Cor 7,5 “(...) fomos afligidos de todas as maneiras; fora de nós, lutas; dentro de nós, temores.” Paulo é um homem forjado no sofrimento mas, mesmo assim, afirma com convicção: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus”. Essa certeza enche o coração do Apóstolo e, por isso, ele afirma: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus”.

Às vezes, em momentos de tribulação é difícil crer que os sofrimentos também possam contribuir para o nosso bem, mas contribuem. Em meio à tribulação, experimentamos o amor de Deus que nos sustenta, que nos dá forças para seguir em frente. Hoje, como Salomão, peçamos a Deus a graça de um “coração que escuta”. Que acolhendo em nós sua Palavra, tenhamos a força necessária para seguir em frente, certos de que o Senhor reserva para nós uma grande recompensa no seu Reino.

De modo particular, nos recordemos hoje de nossos avós, tanto os vivos quanto os falecidos. Que os que estão em casa não se sintam abandonados, mas sejam sempre acolhidos e cuidados pelos seus familiares. Nos lembremos daqueles que sentem solidão, que não visitados em muitos lares espalhados pelo mundo. Que o Senhor seja o consolo e o conforto de cada um.