Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Dia dos Avós

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Dia dos Avós

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Dia dos Avós 0

19/07/2020 00:00

No dia 26 de julho, a Igreja celebra Sant'Ana e São Joaquim, que, segundo a tradição cristã, são os pais de Maria, a mãe de Jesus. Santana é também padroeira secundária da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. São Joaquim e Santana exercem singular importância na história da salvação: deram à luz Maria que viria a se tornar o tabernáculo vivo de Deus feito homem. Foi o ensino deles que a levou a corresponder à ação do Espírito Santo e, assim, acolher o pedido de Deus com fé. Foi o ensinamento e o exemplo de seus pais que Maria Santíssima deve ter seguido, e com esse exemplo também ensinou Seu filho Jesus. Foi essa fé que a colocou na coragem para assumir, mais tarde, a cruz que Seu filho carregou.

Sant'Ana foi homenageada desde os primeiros tempos do cristianismo. Igrejas foram dedicadas em sua honra, e os padres, especialmente das Igrejas orientais, exaltavam a sua santidade de vida. Por sua vez, também São Joaquim tem devoção comprovada desde o século VI, e é venerado em diversos países.

Na iconografia cristã, o casal é frequentemente retratado com Maria e segurando um livro das Escrituras, ensinando sua filha as Sagradas Escrituras. Por isso, neste dia a Igreja recorda a importante e até mesmo fundamental missão que os avós exercem no seio das famílias. É a tradição, cultura, civilização que os sábios transmitem aos mais novos. Quando perdemos esse elo, a realidade do mundo perde também suas raízes.

O Papa emérito, Bento XVI, na mensagem do Ângelus do dia 26 de julho de 2009, já recordava que "nas famílias os avós são muitas vezes testemunhas dos valores fundamentais da vida". Bento XVI recordou ainda que "o papel educativo dos avós é sempre muito importante" e torna-se ainda mais quanto, por várias razões, os pais não conseguem dedicar um tempo adequado para seus filhos. E ainda: "confio à proteção de Santa Ana e São Joaquim todos os avós do mundo".

Sem dúvida, algo muito importante que parece estar faltando na vida das crianças de hoje é o sentido da família, dos valores, das crenças e dos princípios religiosos. Com as mudanças dos tempos e das mentalidades, mesmo as crianças têm começado a questionar a autenticidade de tudo, inclusive as verdade de fé, principalmente pelas rupturas com os valores que deveriam ser transmitidos pela geração anterior.

A globalização, levando à perda das culturas locais, corroeu o sentimento de pertença e de identidade das pessoas e dos grupos sociais, dentre eles, a família. Cria-se um ambiente de instabilidade, em que, por vezes, a verdade e o absoluto passam a ser ameaças ao nosso suposto direito ao livre pensamento e ao império da liberdade absoluta.

Neste contexto, surgem os avós como uma força, um tesouro, e dentro deste quadro também de insegurança, de uma importância vital para a felicidade e para o bem estar da família.

Muitas vezes, as antigas tradições e memórias da família podem ser compartilhadas e transferidas para as novas gerações, certamente pela presença acolhedora dos avós. Um relacionamento amoroso entre avós e crianças ajuda a cultivar a confiança e uma autoimagem positiva para a geração mais jovem. Como não lembrar a figura da avó ou do avô que ensina o neto ou a neta as orações, as tradições familiares e religiosas, recordando passagens significativas da vida de Jesus.

Os avós compartilham a sua fé, o que os pais, devido à configuração econômica de hoje, pela correria da vida, muitas vezes, não conseguem mais ter tempo para formar os filhos.

Os avós trazem o sentido da continuidade e da estabilidade numa sociedade na qual os jovens convivem cotidianamente com o descartável e  a falta de compromisso e de palavra.

Nos países europeus, pesquisas revelam que a maioria dos avós gastam mais da metade de seu tempo livre com os netos. Muitas crianças passam mais tempo com os avós do que com os próprios pais. Ora, isso revela como hoje a presença viva dos avós na educação dos netos tem bastante vulto e ganha especial significado sociológico. No Brasil, onde o envelhecimento da população caminha a passos largos, o quadro não será diferente.

Uma segunda reflexão que fazemos neste Dia dos Avós são as questões do respeito aos idosos e, principalmente, as suas acolhidas no ambiente familiar. Os filhos devem propor às gerações mais novas uma atitude de sincero respeito pelos mais velhos. Assim, constrói-se um ambiente propício à acolhida e ao carinho, e desperta nos jovens sentimentos de bondade e de atenção em relação aos idosos.

O Papa São João Paulo II, dirigindo-se aos idosos na audiência do dia 23 de março de 1984, disse: "Não seja pego pela atração da solidão interior. Apesar da complexidade de seus problemas, as forças gradualmente a enfraquecer, e apesar das insuficiências das organizações sociais, os atrasos da legislação oficial, incompreensões de uma sociedade egoísta, você não está e você não deve se sentir à margem da vida da Igreja, como elemento passivo em um mundo em movimento excessivo, mas sujeito ativo de uma espiritualidade fecunda dentro da existência humana. Você ainda tem uma missão a cumprir e uma contribuição a dar".

Ainda do magistério de João Paulo II destacamos a sua fala aos participantes do Fórum Internacional sobre o Envelhecimento, em 1980: "As pessoas mais velhas, por sua sabedoria e experiência, fruto de uma vida, entram numa fase de extraordinária graça, abrindo-lhes novas oportunidades de oração e de união com Deus. Novas virtudes espirituais são concedidas que os disponham a pô-los a serviço dos outros, tornando sua vida uma oferta ao Senhor e fervoroso doador de vida".

Assim, portanto desejamos celebrar este dia dedicado aos avós e avôs de nossa arquidiocese, abraçando-os afetuosamente e os encorajando em manter viva na mentalidade de seus netos os valores do Evangelho e as mais vivas tradições de nossa fé católica. Que todos possam estar mobilizados no acolhimento dos idosos, seja no seio na família, seja no meio eclesial. Que Sant'Ana e São Joaquim sejam intercessores de todos os avós para que estes cumpram com vigor e com graça de Deus a sua fundamental missão junto aos jovens e a seus parentes.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



 
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19/07/2020 00:00

No dia 26 de julho, a Igreja celebra Sant'Ana e São Joaquim, que, segundo a tradição cristã, são os pais de Maria, a mãe de Jesus. Santana é também padroeira secundária da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. São Joaquim e Santana exercem singular importância na história da salvação: deram à luz Maria que viria a se tornar o tabernáculo vivo de Deus feito homem. Foi o ensino deles que a levou a corresponder à ação do Espírito Santo e, assim, acolher o pedido de Deus com fé. Foi o ensinamento e o exemplo de seus pais que Maria Santíssima deve ter seguido, e com esse exemplo também ensinou Seu filho Jesus. Foi essa fé que a colocou na coragem para assumir, mais tarde, a cruz que Seu filho carregou.

Sant'Ana foi homenageada desde os primeiros tempos do cristianismo. Igrejas foram dedicadas em sua honra, e os padres, especialmente das Igrejas orientais, exaltavam a sua santidade de vida. Por sua vez, também São Joaquim tem devoção comprovada desde o século VI, e é venerado em diversos países.

Na iconografia cristã, o casal é frequentemente retratado com Maria e segurando um livro das Escrituras, ensinando sua filha as Sagradas Escrituras. Por isso, neste dia a Igreja recorda a importante e até mesmo fundamental missão que os avós exercem no seio das famílias. É a tradição, cultura, civilização que os sábios transmitem aos mais novos. Quando perdemos esse elo, a realidade do mundo perde também suas raízes.

O Papa emérito, Bento XVI, na mensagem do Ângelus do dia 26 de julho de 2009, já recordava que "nas famílias os avós são muitas vezes testemunhas dos valores fundamentais da vida". Bento XVI recordou ainda que "o papel educativo dos avós é sempre muito importante" e torna-se ainda mais quanto, por várias razões, os pais não conseguem dedicar um tempo adequado para seus filhos. E ainda: "confio à proteção de Santa Ana e São Joaquim todos os avós do mundo".

Sem dúvida, algo muito importante que parece estar faltando na vida das crianças de hoje é o sentido da família, dos valores, das crenças e dos princípios religiosos. Com as mudanças dos tempos e das mentalidades, mesmo as crianças têm começado a questionar a autenticidade de tudo, inclusive as verdade de fé, principalmente pelas rupturas com os valores que deveriam ser transmitidos pela geração anterior.

A globalização, levando à perda das culturas locais, corroeu o sentimento de pertença e de identidade das pessoas e dos grupos sociais, dentre eles, a família. Cria-se um ambiente de instabilidade, em que, por vezes, a verdade e o absoluto passam a ser ameaças ao nosso suposto direito ao livre pensamento e ao império da liberdade absoluta.

Neste contexto, surgem os avós como uma força, um tesouro, e dentro deste quadro também de insegurança, de uma importância vital para a felicidade e para o bem estar da família.

Muitas vezes, as antigas tradições e memórias da família podem ser compartilhadas e transferidas para as novas gerações, certamente pela presença acolhedora dos avós. Um relacionamento amoroso entre avós e crianças ajuda a cultivar a confiança e uma autoimagem positiva para a geração mais jovem. Como não lembrar a figura da avó ou do avô que ensina o neto ou a neta as orações, as tradições familiares e religiosas, recordando passagens significativas da vida de Jesus.

Os avós compartilham a sua fé, o que os pais, devido à configuração econômica de hoje, pela correria da vida, muitas vezes, não conseguem mais ter tempo para formar os filhos.

Os avós trazem o sentido da continuidade e da estabilidade numa sociedade na qual os jovens convivem cotidianamente com o descartável e  a falta de compromisso e de palavra.

Nos países europeus, pesquisas revelam que a maioria dos avós gastam mais da metade de seu tempo livre com os netos. Muitas crianças passam mais tempo com os avós do que com os próprios pais. Ora, isso revela como hoje a presença viva dos avós na educação dos netos tem bastante vulto e ganha especial significado sociológico. No Brasil, onde o envelhecimento da população caminha a passos largos, o quadro não será diferente.

Uma segunda reflexão que fazemos neste Dia dos Avós são as questões do respeito aos idosos e, principalmente, as suas acolhidas no ambiente familiar. Os filhos devem propor às gerações mais novas uma atitude de sincero respeito pelos mais velhos. Assim, constrói-se um ambiente propício à acolhida e ao carinho, e desperta nos jovens sentimentos de bondade e de atenção em relação aos idosos.

O Papa São João Paulo II, dirigindo-se aos idosos na audiência do dia 23 de março de 1984, disse: "Não seja pego pela atração da solidão interior. Apesar da complexidade de seus problemas, as forças gradualmente a enfraquecer, e apesar das insuficiências das organizações sociais, os atrasos da legislação oficial, incompreensões de uma sociedade egoísta, você não está e você não deve se sentir à margem da vida da Igreja, como elemento passivo em um mundo em movimento excessivo, mas sujeito ativo de uma espiritualidade fecunda dentro da existência humana. Você ainda tem uma missão a cumprir e uma contribuição a dar".

Ainda do magistério de João Paulo II destacamos a sua fala aos participantes do Fórum Internacional sobre o Envelhecimento, em 1980: "As pessoas mais velhas, por sua sabedoria e experiência, fruto de uma vida, entram numa fase de extraordinária graça, abrindo-lhes novas oportunidades de oração e de união com Deus. Novas virtudes espirituais são concedidas que os disponham a pô-los a serviço dos outros, tornando sua vida uma oferta ao Senhor e fervoroso doador de vida".

Assim, portanto desejamos celebrar este dia dedicado aos avós e avôs de nossa arquidiocese, abraçando-os afetuosamente e os encorajando em manter viva na mentalidade de seus netos os valores do Evangelho e as mais vivas tradições de nossa fé católica. Que todos possam estar mobilizados no acolhimento dos idosos, seja no seio na família, seja no meio eclesial. Que Sant'Ana e São Joaquim sejam intercessores de todos os avós para que estes cumpram com vigor e com graça de Deus a sua fundamental missão junto aos jovens e a seus parentes.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



 
Cardeal Orani João Tempesta
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Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro