Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Semear a Boa Semente

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Semear a Boa Semente 0

12/07/2020 15:59

Vivemos o 15º domingo do tempo comum. Neste domingo, a Palavra do Senhor vai ter como centro a proclamação da parábola do Semeador onde teremos a oportunidade de contemplar a Palavra de Deus que é semeada, acolhida, dá frutos ou é rejeitada. Mas veremos que é impossível estar indiferente a esta Palavra: ela sempre exige ação, resposta ante ela, pois a Palavra que estamos falando é uma Palavra Viva.

A semente da Palavra deve encontrar uma terra boa onde possa germinar e florir. Mas uma pergunta sempre se apresenta diante de nós: se a Palavra é sempre boa, por que esta não é unanimemente acolhida? Por que existem aqueles que não a acolhem? Por que alguns a acolhem e vivem bem e outras a acolhem e não vivem bem? A resposta vai estar na diversidade de corações que acolhem esta Palavra quem em si é boa, a resposta vai estar no tipo de acolhida que é dada a esta Palavra de Salvação.

Este domingo que estamos vivenciando deve ser um domingo de clamar ao Senhor e suplicar que Ele faça de nós uma terra boa, para acolhermos a Palavra de Deus dignamente e assim, renovados pela Palavra, sejamos homens e mulheres novos para formar uma nova sociedade. Que a cada dia sejamos mais Cristo e que pela ação da Graça Ele seja cada vez mais gerado em nós.

A Liturgia deste domingo começa nos apresentando, na primeira leitura, uma passagem do profeta Isaías (Is 55,10-11) onde é apresentada a força e a eficácia da Palavra de Deus que sempre produz frutos é sempre eficaz e que não se pode ficar indiferente ante ela: Isto diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

Em Isaías temos então a apresentação desta grande novidade: a Palavra do Senhor é viva e eficaz, ela sempre produz fruto, fazendo renovar a vida do ser humano e a vida do mundo. Esta convicção deve sustentar nossa caminhada na fé: a Palavra eficaz do Senhor nos recorda sua presença e faz viva no meio de nós sua presença e sua providência, seu constante cuidado para conosco.

Em resposta a esta Palavra proclamada, o salmo de resposta (Sal 64) assim vai dizer: A semente caiu em terra boa e deu fruto. Usando imagens simples e acessíveis à compreensão, usando imagens agrícolas descrevendo a preparação da terra até que ela produza frutos, esta oração mostra o povo que faz uma comparação muito bonita: assim como funciona o ciclo de preparar a terra, semear e colher, que dá sustento à vida do corpo, é o processo de acolhida da Palavra de Deus, viva e eficaz.

Temos então o Evangelho (Mt 13,1-23) onde Jesus vai contar a Parábola do Semeador, explica o porquê de falar em parábolas, querendo assim facilitar a compreensão de um povo que havia se tornado um povo de coração duro e confia aos discípulos a explicação da parábola. Por que alguns escutam a Palavra, a acolhem e outros não? Ao explicar a parábola, Jesus vai apresentando as situações que havia utilizado como comparação anteriormente: o coração duro onde a Palavra não entra, a vida superficial onde se acolhe com alegria de momento, mas que a inconstância impede de permanecer, a vida mergulhada em preocupações e a vida que acolhe e em que cada um dá frutos segundo sua capacidade.

Estes momentos apresentados por Jesus podem indicar a disposição constante de nossas vidas, ou seja, nossas atitudes diárias ante as questões que nos são apresentadas ou podem representar também diferentes momentos de nossas vidas, onde em ocasiões teremos os corações fechados, outras vezes estaremos dispostos a acolher o que o Senhor nos traz, situação esta que deveria ser a constante de nossas vidas e que nesta celebração pedimos ao Senhor: que mesmo em meio a tantas circunstâncias que nos fazem desviar o olhar daquilo que é o essencial, que possamos ter o coração e a vida dispostos às maravilhas que o Senhor deseja realizar em nós.

É interessante notar também a maneira que Jesus explica o frutificar ao final a parábola: A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”. Todos dão frutos, mas os frutos não são iguais em quantidade. Cada um dá aquilo que pode e um não é melhor do que o outro porque deu mais frutos em número. O que importa é que cada um dê generosamente aquilo que pode dar. Cada um tem sua história, seu processo e seus caminho, caminhos estes que só Deus sabe quais são. Por isso, o que importa é estar inteiramente disponíveis ao que o Senhor quer e pede de nós.

Na segunda leitura, tirada da Carta de S Paulo aos Romanos (Rm 8,18-23), o apóstolo vai expressar o desejo existente na vida do ser humano e da criação de que os planos de Deus, que trazem o melhor para a vida do mundo, se realizem. Em meio a tantas situações de luta e desafio, permanece em nós o desejo de que o bem prevaleça e vença. Essa é a esperança que não decepciona e que deve nos sustentar a casa dia.

O Semeador sempre semeia abundantemente. Sempre temos a oportunidade viva de experimentar o cuidado e a presença de Deus em nossas vidas. Que sejamos a terra boa. Que não desanimemos de ir adiante mesmo que muitas vezes, marcados por nossas limitações e pecados, de acolher as maravilhas que o Senhor nos tem preparado. Que assim como Maria, que guardava todas as coisas meditando-as em seu coração, que Ela nos eduque neste caminho de acolhida da Palavra de Deus. Que Deus abençoe e guarde a todos!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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Semear a Boa Semente

12/07/2020 15:59

Vivemos o 15º domingo do tempo comum. Neste domingo, a Palavra do Senhor vai ter como centro a proclamação da parábola do Semeador onde teremos a oportunidade de contemplar a Palavra de Deus que é semeada, acolhida, dá frutos ou é rejeitada. Mas veremos que é impossível estar indiferente a esta Palavra: ela sempre exige ação, resposta ante ela, pois a Palavra que estamos falando é uma Palavra Viva.

A semente da Palavra deve encontrar uma terra boa onde possa germinar e florir. Mas uma pergunta sempre se apresenta diante de nós: se a Palavra é sempre boa, por que esta não é unanimemente acolhida? Por que existem aqueles que não a acolhem? Por que alguns a acolhem e vivem bem e outras a acolhem e não vivem bem? A resposta vai estar na diversidade de corações que acolhem esta Palavra quem em si é boa, a resposta vai estar no tipo de acolhida que é dada a esta Palavra de Salvação.

Este domingo que estamos vivenciando deve ser um domingo de clamar ao Senhor e suplicar que Ele faça de nós uma terra boa, para acolhermos a Palavra de Deus dignamente e assim, renovados pela Palavra, sejamos homens e mulheres novos para formar uma nova sociedade. Que a cada dia sejamos mais Cristo e que pela ação da Graça Ele seja cada vez mais gerado em nós.

A Liturgia deste domingo começa nos apresentando, na primeira leitura, uma passagem do profeta Isaías (Is 55,10-11) onde é apresentada a força e a eficácia da Palavra de Deus que sempre produz frutos é sempre eficaz e que não se pode ficar indiferente ante ela: Isto diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

Em Isaías temos então a apresentação desta grande novidade: a Palavra do Senhor é viva e eficaz, ela sempre produz fruto, fazendo renovar a vida do ser humano e a vida do mundo. Esta convicção deve sustentar nossa caminhada na fé: a Palavra eficaz do Senhor nos recorda sua presença e faz viva no meio de nós sua presença e sua providência, seu constante cuidado para conosco.

Em resposta a esta Palavra proclamada, o salmo de resposta (Sal 64) assim vai dizer: A semente caiu em terra boa e deu fruto. Usando imagens simples e acessíveis à compreensão, usando imagens agrícolas descrevendo a preparação da terra até que ela produza frutos, esta oração mostra o povo que faz uma comparação muito bonita: assim como funciona o ciclo de preparar a terra, semear e colher, que dá sustento à vida do corpo, é o processo de acolhida da Palavra de Deus, viva e eficaz.

Temos então o Evangelho (Mt 13,1-23) onde Jesus vai contar a Parábola do Semeador, explica o porquê de falar em parábolas, querendo assim facilitar a compreensão de um povo que havia se tornado um povo de coração duro e confia aos discípulos a explicação da parábola. Por que alguns escutam a Palavra, a acolhem e outros não? Ao explicar a parábola, Jesus vai apresentando as situações que havia utilizado como comparação anteriormente: o coração duro onde a Palavra não entra, a vida superficial onde se acolhe com alegria de momento, mas que a inconstância impede de permanecer, a vida mergulhada em preocupações e a vida que acolhe e em que cada um dá frutos segundo sua capacidade.

Estes momentos apresentados por Jesus podem indicar a disposição constante de nossas vidas, ou seja, nossas atitudes diárias ante as questões que nos são apresentadas ou podem representar também diferentes momentos de nossas vidas, onde em ocasiões teremos os corações fechados, outras vezes estaremos dispostos a acolher o que o Senhor nos traz, situação esta que deveria ser a constante de nossas vidas e que nesta celebração pedimos ao Senhor: que mesmo em meio a tantas circunstâncias que nos fazem desviar o olhar daquilo que é o essencial, que possamos ter o coração e a vida dispostos às maravilhas que o Senhor deseja realizar em nós.

É interessante notar também a maneira que Jesus explica o frutificar ao final a parábola: A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”. Todos dão frutos, mas os frutos não são iguais em quantidade. Cada um dá aquilo que pode e um não é melhor do que o outro porque deu mais frutos em número. O que importa é que cada um dê generosamente aquilo que pode dar. Cada um tem sua história, seu processo e seus caminho, caminhos estes que só Deus sabe quais são. Por isso, o que importa é estar inteiramente disponíveis ao que o Senhor quer e pede de nós.

Na segunda leitura, tirada da Carta de S Paulo aos Romanos (Rm 8,18-23), o apóstolo vai expressar o desejo existente na vida do ser humano e da criação de que os planos de Deus, que trazem o melhor para a vida do mundo, se realizem. Em meio a tantas situações de luta e desafio, permanece em nós o desejo de que o bem prevaleça e vença. Essa é a esperança que não decepciona e que deve nos sustentar a casa dia.

O Semeador sempre semeia abundantemente. Sempre temos a oportunidade viva de experimentar o cuidado e a presença de Deus em nossas vidas. Que sejamos a terra boa. Que não desanimemos de ir adiante mesmo que muitas vezes, marcados por nossas limitações e pecados, de acolher as maravilhas que o Senhor nos tem preparado. Que assim como Maria, que guardava todas as coisas meditando-as em seu coração, que Ela nos eduque neste caminho de acolhida da Palavra de Deus. Que Deus abençoe e guarde a todos!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



Cardeal Orani João Tempesta
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Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro