Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Reflexões sobre a catequese

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O Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, em 25 de junho de 2020, tornou público o novo Diretório para a Catequese. Na apresentação, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, arcebispo Dom Rino (Salvatore) Fisichella, assim se manifestou: “Na era digital, 20 anos podem ser comparados, sem exageros, a pelo menos meio século”.

Considerar o que está surgindo
O documento nasceu da necessidade de levar em consideração “com grande realismo o novo que está surgindo, com a tentativa de propor uma leitura que envolvesse a catequese”. É por essa razão que o Diretório apresenta “não apenas os problemas inerentes à cultura digital, mas também sugere caminhos a serem tomados para que a catequese se torne uma proposta que encontre o interlocutor capaz de compreendê-la e ver sua adequação com seu próprio mundo”.

Recordar os Sínodos: “Viver cada vez mais a dimensão sinodal faz com que não esqueçamos os últimos Sínodos que a Igreja viveu", explicou Fisichella. O presidente do Dicastério mencionou em particular o Sínodo sobre a Nova Evangelização e transmissão da fé de 2012, com a consequente Exortação Apostólica do Papa Francisco “Evangelii gaudium” e o 25º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica, que diz respeito diretamente à competência do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

Conversão pastoral: “A evangelização ocupa o primeiro lugar na vida da Igreja e no ensinamento diário do Papa Francisco”, observou o prelado: “Portanto, a catequese deve estar intimamente ligada à obra de evangelização e não pode ser separada dela. Ela precisa assumir em si mesma as próprias características da evangelização, sem cair na tentação de se tornar um substitutivo para ela ou de querer impor-lhe suas próprias premissas pedagógicas”. A partir disso podemos ver o primado do “primeiro anúncio” e o vínculo entre a evangelização e o catecumenato, “como experiência do perdão oferecido e da nova vida de comunhão com Deus”. De conformidade com D. Fisichella, “é urgente realizar uma ‘conversão pastoral’ a fim de liberar a catequese de certos laços que a impedem de ser eficaz”. O primeiro ponto pode ser identificado no esquema escolar, segundo o qual a catequese de Iniciação Cristã é vivida no paradigma da escola. O segundo é a mentalidade com a qual a catequese é feita a fim de receber um sacramento. Um terceiro é a instrumentalização do sacramento por causa da pastoral. Desse modo os tempos do Sacramento da Confirmação são estabelecidos pela estratégia pastoral para não perder o pequeno rebanho de jovens que não abandonou a paróquia e não pelo significado que o sacramento possui em si mesmo na economia da vida cristã". https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-06/fisichella-novo-diretorio-catequese.html, último acesso em 27 de junho de 2020.

A catequese e a ação evangelizadora sempre estiveram no cerne da missão da Igreja. Todo batizado é chamado a ser discípulo missionário de Jesus Cristo e anunciar a boa nova do Evangelho a todas as pessoas que a queiram ouvir. O querigma que é o anúncio de Jesus Cristo é apresentá-lo para aquele que será batizado.

Por isso, o caminho catecumenal tem três fases: aquela que nos prepara para o Batismo, que na maioria das vezes são os pais e padrinhos que participam. A catequese da primeira Eucaristia, em que é apresentada a missão e vida pública de Jesus e Catequese da Crisma, que apresenta as verdades de fé da Igreja e os demais sacramentos instituídos por Jesus.

No caminho catecumenal são transmitidas, sobretudo, as bases da fé, desde a criação do mundo por Deus até a revelação de seu Filho Jesus Cristo. É transmitido o desígnio providencial de Deus, que escolheu assumir a forma humana para nos transmitir o seu amor. Deus ao se revelar quis se manifestar pessoalmente aos homens. Foi um ato da bondade de Deus se revelar aos homens, e dessa maneira deu a possiblidade dos homens participarem da sua natureza.

A catequese deve ser mistagógica, ou seja, adentrar nos mistérios de Cristo e da Igreja e de tudo que os envolve. Aprofundar os sacramentos em sua essência e observar juntos que os sacramentos são um sinal de amor deixado por Deus para nós. Explanar, sobretudo, na catequese batismal que os sacramentos, principalmente o Batismo, são a porta de entrada dos sacramentos (ianua Sacramentorum) da entrada na Igreja e um sinal de reconciliação e aliança com Deus.

A transmissão da revelação se dá por meio do Espírito Santo. Foi por meio dele que Deus revelou o seu Filho Jesus e é por meio do mesmo Espírito Santo que a Igreja revela a “verdade” da revelação transmitida por Jesus. Essa revelação começou com Deus, revelando o seu Filho Jesus, que ao mesmo tempo revela, no Espírito Santo, o amor do Pai, passou pelos apóstolos e segue até os dias de hoje, graças a ação do mesmo Espírito. Por isso o Evangelho continua vivo e atuante, e conseguimos pôr em prática aquilo que nele está escrito.

A evangelização deve fazer parte da nossa vida enquanto cristãos; devemos levar adiante as palavras do Evangelho, praticá-las no dia a dia. Assim como Jesus enviou os apóstolos dizendo: “Ide por todo mundo e a todos pregai o Evangelho”, Ele diz isso hoje também a todos batizados e batizadas: não deixar o Evangelho morrer, mas atrair novos fiéis para a Igreja por meio da Palavra e da experiência de vida. Manter viva a tradição evangélica e os ensinamentos de Jesus.

Que os nossos catequizandos possam ser os futuros catequistas e anunciadores do Evangelho, que eles levem adiante a missão dada por Jesus. Seremos “felizes” a cada vez que o Senhor nos der a alegria de perceber a sua ação no coração que se converte. Ir atrás sempre da “ovelha perdida” e ficarmos felizes ao cuidar das suas feridas, e fazendo com que ela novamente faça parte do rebanho. O processo de conversão é permanente, sempre a cada dia devemos pedir a Deus que nos dê o dom da fé, de sempre acreditar em sua Palavra. A adesão a Jesus Cristo deve se consolidar a cada dia.

A catequese está no cerne da missão evangelizadora da Igreja. Por meio dela é que a Igreja faz o primeiro anúncio aos catecúmenos que receberão o batismo, e na Igreja a catequese permanece durante toda a vida de fé da pessoa, partindo do batismo até a vida adulta. Uma catequese bem-feita permanece enraizada na pessoa até a sua vida adulta, e ela transmite isso às demais pessoas de sua família, de sua comunidade, do seu trabalho.
A catequese é um elemento fundamental da iniciação cristã; ela está estritamente ligada ao Sacramento do Batismo, que é o sacramento da fé, e por meio dele o cristão expressa a sua fé pela primeira vez publicamente, sendo inserido na Igreja. O Sacramento do Batismo é a porta de entrada nos sacramentos e na Igreja. A catequese está presente desde o Batismo até a vida adulta de cada fiel. E cabe àquele que recebeu o primeiro anúncio levar aquilo que ele recebeu adiante, não guardar jamais para si mesmo. Aquele que recebeu a formação catequética pode vir a ser no futuro um catequista e evangelizar novas pessoas para que a catequese seja um processo contínuo de recepção e de entrega.

A catequese tem a finalidade de nos colocar em comunhão com Jesus Cristo, pois nos colocamos na intimidade com Ele, conhecendo com mais afinco o mistério escondido, seus ensinamentos, palavras e ações, e a comunhão de intimidade que ele mantém com o Pai. A finalidade por excelência da catequese é professar a Fé na Santíssima Trindade que é o Pai, Filho e o Espírito Santo. O processo catecumenal só será completo quando eu professar a Fé em Jesus Cristo e por meio da minha fé n’Ele, fruto de um encontro pessoal com a sua Pessoa, professar a fé no Pai e no Espírito Santo.

A catequese nos ensina a participar da vida comunitária junto com os demais membros da comunidade, formando assim uma comunidade de fé. Aqueles que já são batizados acolhem aqueles novos membros que chegam. Por isso no Sábado Santo, na celebração da Vigília Pascal são sempre acolhidos novos fiéis que após um caminho catecumenal recebem os Sacramentos do Batismo, da Crisma e da Eucaristia, e são convidados a fazer parte daquela comunidade de fé. A comunidade paroquial é uma comunhão de fiéis, que juntos professam a mesma fé em Deus.

A Palavra de Deus deve estar no cerne da catequese em todas as suas etapas, pois a Palavra de Deus tem um lugar primordial na vida da Igreja. É uma tradição oral que recebemos através dos profetas, de Jesus e dos apóstolos e que depois por meio do Magistério da Igreja a temos escrita.
Portanto, a transmissão do Evangelho que se dá por meio da catequese é um anúncio de salvação. A palavra que salva e que dá vida e que transforma a pessoa. Muitas vezes a pessoa se encontrava perdida e desamparada, e sem acreditar na salvação, mas o anúncio evangélico que fazemos a essa pessoa por meio da catequese pode indubitavelmente salvá-la. O anúncio da Palavra de Deus é para todos e aqueles que a ouvem e acreditam que por meio dela podem alcançar a salvação.

Por isso faz parte da vida do catequista ser um “anunciador da Palavra”, propagando a transmissão do Evangelho da vida em cada canto que essa Palavra for anunciada, fazendo com que ela chegue a mais pessoas. Cooperam para que a “salvação” dada por Deus por meio da Palavra chegue a mais pessoas.

Cabe aos pastores da Igreja serem os transmissores da Palavra de Deus por excelência. São os sucessores dos apóstolos, e os sacerdotes à frente de suas paróquias os catequistas por excelência. Os diáconos que têm o ministério da Palavra são instruídos a levar essa “Palavra da Salvação” aos doentes e marginalizados. Essa é a missão da Igreja desde a sua origem, levar adiante a Palavra de Deus a todos os cantos e fazer com que o nome de Jesus seja conhecido por todos.

Portanto, muita coragem e empenho a todos os catequistas e aqueles que trabalham com a Palavra de Deus, para que esta Palavra tenha o poder de chegar a mais pessoas. E que a catequese seja sempre o cerne da ação evangelizadora da Igreja, desde o batismo até a vida adulta das pessoas.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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O Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, em 25 de junho de 2020, tornou público o novo Diretório para a Catequese. Na apresentação, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, arcebispo Dom Rino (Salvatore) Fisichella, assim se manifestou: “Na era digital, 20 anos podem ser comparados, sem exageros, a pelo menos meio século”.

Considerar o que está surgindo
O documento nasceu da necessidade de levar em consideração “com grande realismo o novo que está surgindo, com a tentativa de propor uma leitura que envolvesse a catequese”. É por essa razão que o Diretório apresenta “não apenas os problemas inerentes à cultura digital, mas também sugere caminhos a serem tomados para que a catequese se torne uma proposta que encontre o interlocutor capaz de compreendê-la e ver sua adequação com seu próprio mundo”.

Recordar os Sínodos: “Viver cada vez mais a dimensão sinodal faz com que não esqueçamos os últimos Sínodos que a Igreja viveu", explicou Fisichella. O presidente do Dicastério mencionou em particular o Sínodo sobre a Nova Evangelização e transmissão da fé de 2012, com a consequente Exortação Apostólica do Papa Francisco “Evangelii gaudium” e o 25º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica, que diz respeito diretamente à competência do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

Conversão pastoral: “A evangelização ocupa o primeiro lugar na vida da Igreja e no ensinamento diário do Papa Francisco”, observou o prelado: “Portanto, a catequese deve estar intimamente ligada à obra de evangelização e não pode ser separada dela. Ela precisa assumir em si mesma as próprias características da evangelização, sem cair na tentação de se tornar um substitutivo para ela ou de querer impor-lhe suas próprias premissas pedagógicas”. A partir disso podemos ver o primado do “primeiro anúncio” e o vínculo entre a evangelização e o catecumenato, “como experiência do perdão oferecido e da nova vida de comunhão com Deus”. De conformidade com D. Fisichella, “é urgente realizar uma ‘conversão pastoral’ a fim de liberar a catequese de certos laços que a impedem de ser eficaz”. O primeiro ponto pode ser identificado no esquema escolar, segundo o qual a catequese de Iniciação Cristã é vivida no paradigma da escola. O segundo é a mentalidade com a qual a catequese é feita a fim de receber um sacramento. Um terceiro é a instrumentalização do sacramento por causa da pastoral. Desse modo os tempos do Sacramento da Confirmação são estabelecidos pela estratégia pastoral para não perder o pequeno rebanho de jovens que não abandonou a paróquia e não pelo significado que o sacramento possui em si mesmo na economia da vida cristã". https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-06/fisichella-novo-diretorio-catequese.html, último acesso em 27 de junho de 2020.

A catequese e a ação evangelizadora sempre estiveram no cerne da missão da Igreja. Todo batizado é chamado a ser discípulo missionário de Jesus Cristo e anunciar a boa nova do Evangelho a todas as pessoas que a queiram ouvir. O querigma que é o anúncio de Jesus Cristo é apresentá-lo para aquele que será batizado.

Por isso, o caminho catecumenal tem três fases: aquela que nos prepara para o Batismo, que na maioria das vezes são os pais e padrinhos que participam. A catequese da primeira Eucaristia, em que é apresentada a missão e vida pública de Jesus e Catequese da Crisma, que apresenta as verdades de fé da Igreja e os demais sacramentos instituídos por Jesus.

No caminho catecumenal são transmitidas, sobretudo, as bases da fé, desde a criação do mundo por Deus até a revelação de seu Filho Jesus Cristo. É transmitido o desígnio providencial de Deus, que escolheu assumir a forma humana para nos transmitir o seu amor. Deus ao se revelar quis se manifestar pessoalmente aos homens. Foi um ato da bondade de Deus se revelar aos homens, e dessa maneira deu a possiblidade dos homens participarem da sua natureza.

A catequese deve ser mistagógica, ou seja, adentrar nos mistérios de Cristo e da Igreja e de tudo que os envolve. Aprofundar os sacramentos em sua essência e observar juntos que os sacramentos são um sinal de amor deixado por Deus para nós. Explanar, sobretudo, na catequese batismal que os sacramentos, principalmente o Batismo, são a porta de entrada dos sacramentos (ianua Sacramentorum) da entrada na Igreja e um sinal de reconciliação e aliança com Deus.

A transmissão da revelação se dá por meio do Espírito Santo. Foi por meio dele que Deus revelou o seu Filho Jesus e é por meio do mesmo Espírito Santo que a Igreja revela a “verdade” da revelação transmitida por Jesus. Essa revelação começou com Deus, revelando o seu Filho Jesus, que ao mesmo tempo revela, no Espírito Santo, o amor do Pai, passou pelos apóstolos e segue até os dias de hoje, graças a ação do mesmo Espírito. Por isso o Evangelho continua vivo e atuante, e conseguimos pôr em prática aquilo que nele está escrito.

A evangelização deve fazer parte da nossa vida enquanto cristãos; devemos levar adiante as palavras do Evangelho, praticá-las no dia a dia. Assim como Jesus enviou os apóstolos dizendo: “Ide por todo mundo e a todos pregai o Evangelho”, Ele diz isso hoje também a todos batizados e batizadas: não deixar o Evangelho morrer, mas atrair novos fiéis para a Igreja por meio da Palavra e da experiência de vida. Manter viva a tradição evangélica e os ensinamentos de Jesus.

Que os nossos catequizandos possam ser os futuros catequistas e anunciadores do Evangelho, que eles levem adiante a missão dada por Jesus. Seremos “felizes” a cada vez que o Senhor nos der a alegria de perceber a sua ação no coração que se converte. Ir atrás sempre da “ovelha perdida” e ficarmos felizes ao cuidar das suas feridas, e fazendo com que ela novamente faça parte do rebanho. O processo de conversão é permanente, sempre a cada dia devemos pedir a Deus que nos dê o dom da fé, de sempre acreditar em sua Palavra. A adesão a Jesus Cristo deve se consolidar a cada dia.

A catequese está no cerne da missão evangelizadora da Igreja. Por meio dela é que a Igreja faz o primeiro anúncio aos catecúmenos que receberão o batismo, e na Igreja a catequese permanece durante toda a vida de fé da pessoa, partindo do batismo até a vida adulta. Uma catequese bem-feita permanece enraizada na pessoa até a sua vida adulta, e ela transmite isso às demais pessoas de sua família, de sua comunidade, do seu trabalho.
A catequese é um elemento fundamental da iniciação cristã; ela está estritamente ligada ao Sacramento do Batismo, que é o sacramento da fé, e por meio dele o cristão expressa a sua fé pela primeira vez publicamente, sendo inserido na Igreja. O Sacramento do Batismo é a porta de entrada nos sacramentos e na Igreja. A catequese está presente desde o Batismo até a vida adulta de cada fiel. E cabe àquele que recebeu o primeiro anúncio levar aquilo que ele recebeu adiante, não guardar jamais para si mesmo. Aquele que recebeu a formação catequética pode vir a ser no futuro um catequista e evangelizar novas pessoas para que a catequese seja um processo contínuo de recepção e de entrega.

A catequese tem a finalidade de nos colocar em comunhão com Jesus Cristo, pois nos colocamos na intimidade com Ele, conhecendo com mais afinco o mistério escondido, seus ensinamentos, palavras e ações, e a comunhão de intimidade que ele mantém com o Pai. A finalidade por excelência da catequese é professar a Fé na Santíssima Trindade que é o Pai, Filho e o Espírito Santo. O processo catecumenal só será completo quando eu professar a Fé em Jesus Cristo e por meio da minha fé n’Ele, fruto de um encontro pessoal com a sua Pessoa, professar a fé no Pai e no Espírito Santo.

A catequese nos ensina a participar da vida comunitária junto com os demais membros da comunidade, formando assim uma comunidade de fé. Aqueles que já são batizados acolhem aqueles novos membros que chegam. Por isso no Sábado Santo, na celebração da Vigília Pascal são sempre acolhidos novos fiéis que após um caminho catecumenal recebem os Sacramentos do Batismo, da Crisma e da Eucaristia, e são convidados a fazer parte daquela comunidade de fé. A comunidade paroquial é uma comunhão de fiéis, que juntos professam a mesma fé em Deus.

A Palavra de Deus deve estar no cerne da catequese em todas as suas etapas, pois a Palavra de Deus tem um lugar primordial na vida da Igreja. É uma tradição oral que recebemos através dos profetas, de Jesus e dos apóstolos e que depois por meio do Magistério da Igreja a temos escrita.
Portanto, a transmissão do Evangelho que se dá por meio da catequese é um anúncio de salvação. A palavra que salva e que dá vida e que transforma a pessoa. Muitas vezes a pessoa se encontrava perdida e desamparada, e sem acreditar na salvação, mas o anúncio evangélico que fazemos a essa pessoa por meio da catequese pode indubitavelmente salvá-la. O anúncio da Palavra de Deus é para todos e aqueles que a ouvem e acreditam que por meio dela podem alcançar a salvação.

Por isso faz parte da vida do catequista ser um “anunciador da Palavra”, propagando a transmissão do Evangelho da vida em cada canto que essa Palavra for anunciada, fazendo com que ela chegue a mais pessoas. Cooperam para que a “salvação” dada por Deus por meio da Palavra chegue a mais pessoas.

Cabe aos pastores da Igreja serem os transmissores da Palavra de Deus por excelência. São os sucessores dos apóstolos, e os sacerdotes à frente de suas paróquias os catequistas por excelência. Os diáconos que têm o ministério da Palavra são instruídos a levar essa “Palavra da Salvação” aos doentes e marginalizados. Essa é a missão da Igreja desde a sua origem, levar adiante a Palavra de Deus a todos os cantos e fazer com que o nome de Jesus seja conhecido por todos.

Portanto, muita coragem e empenho a todos os catequistas e aqueles que trabalham com a Palavra de Deus, para que esta Palavra tenha o poder de chegar a mais pessoas. E que a catequese seja sempre o cerne da ação evangelizadora da Igreja, desde o batismo até a vida adulta das pessoas.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro