Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

‘Para toda vida a esperança tem um nome: Jesus Cristo’

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06 de Agosto de 2020

‘Para toda vida a esperança tem um nome: Jesus Cristo’

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05/07/2020 00:00

‘Para toda vida a esperança tem um nome: Jesus Cristo’ 0

05/07/2020 00:00

Homilia do Cardeal Orani João Tempesta, na noite do dia 1º de julho, na celebração eucarística que presidiu na Paróquia São José, na Lagoa, por ocasião do evento “Para cada Vida”.

O Redentor é o altar do mundo. Os ventos que sopram hoje no Rio de Janeiro, em particular, no Corcovado, que nos obrigou a transferência de local para a realização do evento “Para cada Vida”, nos faz recordar o que Papa Francisco disse no momento extraordinário de oração pelo fim da pandemia do coronavírus, que ocorreu na Praça de São Pedro, no dia 27 de março, quando o barco dos discípulos foi surpreendido com uma tempestade inesperada. Toda essa situação incomum de “fortes ventos” representa o momento difícil e doloroso que vivemos. Com esse evento, a CNBB, a Cáritas e o secretariado-geral das Nações Unidas nos faz pensar na presença do Senhor em nossa História.

Diante da nossa fragilidade e vulnerabilidade nos tempos atuais, é importante descobrirmos um momento propício para responder a essa pergunta, buscando o autêntico sentido da existência; reorientando a nossa vida pessoal, familiar e social; repensando nossas atitudes de cooperação e comunhão entre os povos, superando as diferenças e valorizando o bem que supõe viver como família das nações e não somente países fechados em sua geografia e história para salvaguardar os interesses particulares.

Por mais que se fechem as fronteiras, a pandemia percorre toda Terra. Por isso, pedimos a Deus pelo descanso eterno daqueles que partiram no mundo inteiro. É uma reeducação ao sentido mais profundo e amplo de como viver a fraternidade a partir do amor, do cuidado uns para com os outros, da importância de que toda pessoa é digna de atenção, afeto e preocupação, independentemente de sua raça, condição social ou convicções pessoais.

O Papa Francisco, na oração que fez no último mês de maio, refere-se a esse momento e pede: “Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados de uma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho”.

Na oração que o Papa Francisco faz, colocamos a intenção de todos os que choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, foram sepultados de uma maneira que fere a alma, com a distância, com a dificuldade de aproximação. Como convém neste momento, mas que marca a nossa Humanidade.

Como disse o Apóstolo São Paulo na Carta aos Romanos, nada pode nos separar do amor de Cristo. Somos convidados a descobrir em Cristo a saída para os momentos mais obscuros, direção e segurança para os novos desafios, criatividade para servir aos demais e consolo para saber que Deus não nos abandona na dor, porém vem ao nosso encontro e compartilha dos nossos sofrimentos.

A morte não é a última palavra, Cristo nos ensina que a vida vence a morte. Assim como Ele venceu com a Ressurreição, estes nossos irmãos que já se encontram diante de Deus um dia ressurgirão, pois a vitória de Jesus é, também a nossa. Nascemos para viver, e a morte é a porta para a vida eterna!

O Senhor nos ensina que celebrar a vida destes nossos irmãos que estão vivos na eternidade do amor de Deus deve nos ajudar a questionar como peregrinamos neste mundo, ou seja, diante de inúmeras coisas sem importância desprendemos tanta preocupação, enquanto as mais fundamentais deixamos para o "amanhã". Recordar aos que se foram deve nos conduzir à revisão da ordem de nossa existência, pois sofremos ou geramos sofrimento pelo urgente e nos distraímos do importante.

O Papa Francisco, em outra oração que fez também no mês de maio, lembrou da situação daqueles que ficam, e assim rezou: “Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz”.

Já passamos seis meses de pandemia, e queremos iniciar o novo semestre com esperança e paz. Aqui no Rio de Janeiro, nós tivemos a oportunidade de 28 matrizes religiosas divulgarem uma carta de esperança e paz, lembrando que é possível, no diálogo, na fraternidade, vivermos na esperança.
O Papa continua sua oração, pedindo a Maria: “Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança. Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando as próprias vidas para salvar outras vidas. Acompanhai as suas fadigas heroicas e dai-lhes força, bondade e saúde”.

Ainda, mais um pedido do Papa: “Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica”.

O Santo Evangelho que ouvimos nos apresenta o Coração de Jesus Cristo não somente como refúgio e descanso, mas como realidade fundamental para que o homem encontre a verdadeira paz e felicidade. Viver na paz deste Coração nos mostra que todo ser humano é um fim e nunca um meio.
Quando reconhecemos o ser humano como nosso próximo e podendo assim chamá-lo de "irmão" é condição indispensável para viver a nossa própria humanidade e testemunho do quanto é possível a felicidade nesta vida, à medida do coração manso e humilde do Salvador do gênero humano, a partir da partilha, concórdia e respeito.

Queremos assim, diante de Jesus, o Cristo Redentor, que está presente no meio de nós, fazer um compromisso de aproximar a nossa vida ao Seu amor, que é a força do nosso presente e do futuro. Um amor que foi para todos, que escutou e serviu a todos, hoje, nos conclama à construção da civilização do amor no lugar do medo e do individualismo, do egoísmo e da falta de liberdade.

Não estamos sozinhos; acolhamos a visita de Cristo nos caminhos inimagináveis de nossa vida. Talvez quando chegamos ao limite pessoal, no momento das lágrimas, nos aparentes fracassos, seja qual for o momento, eis que o Senhor bate à porta para ser a nossa esperança e o caminho da paz.

Para nós que vivemos no Rio de Janeiro esse momento de dor e de chagas, recordamos o Papa São João Paulo II, na visita que fez no Cristo Redentor, há 40 anos, no mês de julho de 1980, quando assim se expressou: “Que este momento de encontro e de encantamento perdure em nossos corações e em nossa memória, e se torne para todos fonte de paz e de graça: ricos e pobres, fracos e poderosos e, de modo especial, para os ‘mais pequeninos’ que sofrem no corpo ou na alma. Com o valioso auxílio da Mãe de nossa confiança, Nossa Senhora Aparecida”, cuja capela está na base do monumento”.

A todos nós das diversas religiões, cristãs ou não cristãs, mesmo para aqueles que não creem, devemos ter a certeza que este momento deve brotar a esperança e a confiança. Repetindo o que disse São João Paulo II, que este momento de encontro, de encantamento, perdure em nossos corações e que ilumine todo o nosso semestre que estamos começando.

Permitamo-nos amar pelo amor de Jesus que sempre gera vida, pois quando somos amados por Ele a nossa vida renasce e para toda vida a esperança tem um nome: Jesus Cristo.

Amém!




 
 
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‘Para toda vida a esperança tem um nome: Jesus Cristo’

05/07/2020 00:00

Homilia do Cardeal Orani João Tempesta, na noite do dia 1º de julho, na celebração eucarística que presidiu na Paróquia São José, na Lagoa, por ocasião do evento “Para cada Vida”.

O Redentor é o altar do mundo. Os ventos que sopram hoje no Rio de Janeiro, em particular, no Corcovado, que nos obrigou a transferência de local para a realização do evento “Para cada Vida”, nos faz recordar o que Papa Francisco disse no momento extraordinário de oração pelo fim da pandemia do coronavírus, que ocorreu na Praça de São Pedro, no dia 27 de março, quando o barco dos discípulos foi surpreendido com uma tempestade inesperada. Toda essa situação incomum de “fortes ventos” representa o momento difícil e doloroso que vivemos. Com esse evento, a CNBB, a Cáritas e o secretariado-geral das Nações Unidas nos faz pensar na presença do Senhor em nossa História.

Diante da nossa fragilidade e vulnerabilidade nos tempos atuais, é importante descobrirmos um momento propício para responder a essa pergunta, buscando o autêntico sentido da existência; reorientando a nossa vida pessoal, familiar e social; repensando nossas atitudes de cooperação e comunhão entre os povos, superando as diferenças e valorizando o bem que supõe viver como família das nações e não somente países fechados em sua geografia e história para salvaguardar os interesses particulares.

Por mais que se fechem as fronteiras, a pandemia percorre toda Terra. Por isso, pedimos a Deus pelo descanso eterno daqueles que partiram no mundo inteiro. É uma reeducação ao sentido mais profundo e amplo de como viver a fraternidade a partir do amor, do cuidado uns para com os outros, da importância de que toda pessoa é digna de atenção, afeto e preocupação, independentemente de sua raça, condição social ou convicções pessoais.

O Papa Francisco, na oração que fez no último mês de maio, refere-se a esse momento e pede: “Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados de uma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho”.

Na oração que o Papa Francisco faz, colocamos a intenção de todos os que choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, foram sepultados de uma maneira que fere a alma, com a distância, com a dificuldade de aproximação. Como convém neste momento, mas que marca a nossa Humanidade.

Como disse o Apóstolo São Paulo na Carta aos Romanos, nada pode nos separar do amor de Cristo. Somos convidados a descobrir em Cristo a saída para os momentos mais obscuros, direção e segurança para os novos desafios, criatividade para servir aos demais e consolo para saber que Deus não nos abandona na dor, porém vem ao nosso encontro e compartilha dos nossos sofrimentos.

A morte não é a última palavra, Cristo nos ensina que a vida vence a morte. Assim como Ele venceu com a Ressurreição, estes nossos irmãos que já se encontram diante de Deus um dia ressurgirão, pois a vitória de Jesus é, também a nossa. Nascemos para viver, e a morte é a porta para a vida eterna!

O Senhor nos ensina que celebrar a vida destes nossos irmãos que estão vivos na eternidade do amor de Deus deve nos ajudar a questionar como peregrinamos neste mundo, ou seja, diante de inúmeras coisas sem importância desprendemos tanta preocupação, enquanto as mais fundamentais deixamos para o "amanhã". Recordar aos que se foram deve nos conduzir à revisão da ordem de nossa existência, pois sofremos ou geramos sofrimento pelo urgente e nos distraímos do importante.

O Papa Francisco, em outra oração que fez também no mês de maio, lembrou da situação daqueles que ficam, e assim rezou: “Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz”.

Já passamos seis meses de pandemia, e queremos iniciar o novo semestre com esperança e paz. Aqui no Rio de Janeiro, nós tivemos a oportunidade de 28 matrizes religiosas divulgarem uma carta de esperança e paz, lembrando que é possível, no diálogo, na fraternidade, vivermos na esperança.
O Papa continua sua oração, pedindo a Maria: “Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança. Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando as próprias vidas para salvar outras vidas. Acompanhai as suas fadigas heroicas e dai-lhes força, bondade e saúde”.

Ainda, mais um pedido do Papa: “Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica”.

O Santo Evangelho que ouvimos nos apresenta o Coração de Jesus Cristo não somente como refúgio e descanso, mas como realidade fundamental para que o homem encontre a verdadeira paz e felicidade. Viver na paz deste Coração nos mostra que todo ser humano é um fim e nunca um meio.
Quando reconhecemos o ser humano como nosso próximo e podendo assim chamá-lo de "irmão" é condição indispensável para viver a nossa própria humanidade e testemunho do quanto é possível a felicidade nesta vida, à medida do coração manso e humilde do Salvador do gênero humano, a partir da partilha, concórdia e respeito.

Queremos assim, diante de Jesus, o Cristo Redentor, que está presente no meio de nós, fazer um compromisso de aproximar a nossa vida ao Seu amor, que é a força do nosso presente e do futuro. Um amor que foi para todos, que escutou e serviu a todos, hoje, nos conclama à construção da civilização do amor no lugar do medo e do individualismo, do egoísmo e da falta de liberdade.

Não estamos sozinhos; acolhamos a visita de Cristo nos caminhos inimagináveis de nossa vida. Talvez quando chegamos ao limite pessoal, no momento das lágrimas, nos aparentes fracassos, seja qual for o momento, eis que o Senhor bate à porta para ser a nossa esperança e o caminho da paz.

Para nós que vivemos no Rio de Janeiro esse momento de dor e de chagas, recordamos o Papa São João Paulo II, na visita que fez no Cristo Redentor, há 40 anos, no mês de julho de 1980, quando assim se expressou: “Que este momento de encontro e de encantamento perdure em nossos corações e em nossa memória, e se torne para todos fonte de paz e de graça: ricos e pobres, fracos e poderosos e, de modo especial, para os ‘mais pequeninos’ que sofrem no corpo ou na alma. Com o valioso auxílio da Mãe de nossa confiança, Nossa Senhora Aparecida”, cuja capela está na base do monumento”.

A todos nós das diversas religiões, cristãs ou não cristãs, mesmo para aqueles que não creem, devemos ter a certeza que este momento deve brotar a esperança e a confiança. Repetindo o que disse São João Paulo II, que este momento de encontro, de encantamento, perdure em nossos corações e que ilumine todo o nosso semestre que estamos começando.

Permitamo-nos amar pelo amor de Jesus que sempre gera vida, pois quando somos amados por Ele a nossa vida renasce e para toda vida a esperança tem um nome: Jesus Cristo.

Amém!




 
 
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro