Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04/07/2020

04 de Julho de 2020

Glória à Trindade

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Glória à Trindade 0

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No domingo passado, com a solenidade de Pentecostes, concluímos o Tempo Pascal. Mas a celebração da Páscoa continua presente em nosso meio a cada Eucaristia que celebramos, pois, este mistério é o centro de nossa vida de fé. O Senhor Jesus, Verbo que se fez carne, rosto humano de Deus, veio morar no meio de nós, deu a vida por todos nós, ressuscitando ao terceiro dia, está vivo no meio de nós. Hoje está à direita do Pai, donde há de ir para julgar vivos e mortos e temos seu Espírito que está no meio de nós.

O mistério Pascal permanece no meio de nós! Quando retiramos o Círio Pascal do altar e o colocamos no batistério, simbolizamos que esta luz de Cristo permanece iluminando e produzindo a vida nova em meio aos homens. Essa presença no meio de nós é também uma grande responsabilidade, já que somos chamados a ser continuadores da ação de Cristo, que passou pelo mundo fazendo o bem, em meio aos homens.

Na segunda-feira passada, retomamos o Tempo Comum. Continuamos a sequência das 34 semanas para celebrar a totalidade do mistério de Cristo em seus variados aspectos. Na próxima quinta celebraremos a festa de Corpus Christi, que devido às atuais circunstâncias será celebrada sem a presença do povo, mas sempre com o devido fervor e reverência ao Santíssimo Sacramento. Tantos dons e tantas graças que somos chamados a viver, a aprofundar e a cada vez mais crescer na fé.

Neste Domingo, celebramos o ápice da Revelação. Vamos celebrar o mistério de Deus que se revela a si mesmo, na solenidade da Santíssima Trindade. Deus que se revela a Moisés da Sarça Ardente como Aquele que É e Cristo que, no Novo Testamento, revela o rosto do Pai e nos envia o seu Espírito, mostrando a realidade de um só Deus e três pessoas distintas. Grande mistério que escapa e supera a capacidade da inteligência humana marcada pela observação das coisas no espaço e no tempo. Um Deus único, mas que é comunhão de Pessoas! Aceitamos este mistério como dom de fé, como grande realidade que nos foi confiada. A palavra humana pode só balbuciar coisas em relação à grandeza do que celebramos sobre o mistério de Deus. Vamos celebrar o mistério desse Deus de quem fomos criados à Imagem e Semelhança, Deus único e Trinitário. Nossa humanidade está inserida, com Cristo, no meio da Trindade. Cristo é o Único Mediador que une os homens a Deus e Deus aos homens.

Nossa vida está escondida com Cristo em Deus, como nos recorda São Paulo. Existe em nosso coração este desejo de comunhão e de unidade porque fomos criados à Imagem e Semelhança de Deus que é Comunhão. Seja da forma que for que estejamos celebrando a Liturgia neste final de semana, que estejamos aprofundando essa realidade da nossa imersão no mistério de Deus e a importância de nossa fé Trinitária. Peçamos o dom da fé e o dom de podermos acolher o mistério de Deus que nos foi revelado.

A Liturgia desta solenidade nos manifesta este Deus que é Único e Trindade de Pessoas. Na carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 13,11-13), segunda leitura deste domingo, Paulo manifesta claramente a existência de três pessoas distintas no mistério de um só Deus: “irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.” São Paulo é explícito em anunciar que a presença da Graça em nossas vidas se dá de maneira Trinitária! Deus que foi revelado como único no Antigo Trino no Novo Testamento, segue manifestando a grandeza deste mistério através da vida da Igreja orante. Por isso, a solenidade deste grande mistério é um grande momento dentro da nossa liturgia.

Na Leitura do Evangelho deste final de semana, (Jo 3,16-18), assim lemos: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.” O Envio do Filho pelo Pai por meio do Espírito é o que vai ser manifesto na proclamação deste Evangelho, para que assim tenhamos vida e vida em abundância.

Na primeira leitura da missa deste domingo (Êx 34,4b-6.8-9), Deus se revela a Moises no Monte Sinai: Naqueles dias: Moisés levantou-se, quando ainda era noite, e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe havia mandado, levando consigo as duas tábuas de pedra. Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés, e este invocou o nome do Senhor. Enquanto o Senhor passava diante dele, Moisés gritou: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão 9e, prostrado por terra, disse: “Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua”. Deus é próximo ao seu povo, caminha conosco. Essa grande realidade é manifesta no Antigo testamento e que vai ser aprofundada no Novo e na vida da Igreja.

Portanto, a palavra deste Domingo nos convida a olhar cada vez mais para este Mistério da Trindade e pedirmos o dom da fé, e pedir também mais ao Senhor que nos conceda a consciência de que somos criados à Imagem e Semelhança deste Deus que é Trindade. Cultivemos a unidade e a fraternidade em meio a este mundo, partilhando a Luz que vem do Senhor. Que possamos anunciar este amor de Deus que é próximo das pessoas. Que sejamos sinais de esperança em meio ao mundo, pois Deus caminha conosco.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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Glória à Trindade

07/06/2020 09:26

No domingo passado, com a solenidade de Pentecostes, concluímos o Tempo Pascal. Mas a celebração da Páscoa continua presente em nosso meio a cada Eucaristia que celebramos, pois, este mistério é o centro de nossa vida de fé. O Senhor Jesus, Verbo que se fez carne, rosto humano de Deus, veio morar no meio de nós, deu a vida por todos nós, ressuscitando ao terceiro dia, está vivo no meio de nós. Hoje está à direita do Pai, donde há de ir para julgar vivos e mortos e temos seu Espírito que está no meio de nós.

O mistério Pascal permanece no meio de nós! Quando retiramos o Círio Pascal do altar e o colocamos no batistério, simbolizamos que esta luz de Cristo permanece iluminando e produzindo a vida nova em meio aos homens. Essa presença no meio de nós é também uma grande responsabilidade, já que somos chamados a ser continuadores da ação de Cristo, que passou pelo mundo fazendo o bem, em meio aos homens.

Na segunda-feira passada, retomamos o Tempo Comum. Continuamos a sequência das 34 semanas para celebrar a totalidade do mistério de Cristo em seus variados aspectos. Na próxima quinta celebraremos a festa de Corpus Christi, que devido às atuais circunstâncias será celebrada sem a presença do povo, mas sempre com o devido fervor e reverência ao Santíssimo Sacramento. Tantos dons e tantas graças que somos chamados a viver, a aprofundar e a cada vez mais crescer na fé.

Neste Domingo, celebramos o ápice da Revelação. Vamos celebrar o mistério de Deus que se revela a si mesmo, na solenidade da Santíssima Trindade. Deus que se revela a Moisés da Sarça Ardente como Aquele que É e Cristo que, no Novo Testamento, revela o rosto do Pai e nos envia o seu Espírito, mostrando a realidade de um só Deus e três pessoas distintas. Grande mistério que escapa e supera a capacidade da inteligência humana marcada pela observação das coisas no espaço e no tempo. Um Deus único, mas que é comunhão de Pessoas! Aceitamos este mistério como dom de fé, como grande realidade que nos foi confiada. A palavra humana pode só balbuciar coisas em relação à grandeza do que celebramos sobre o mistério de Deus. Vamos celebrar o mistério desse Deus de quem fomos criados à Imagem e Semelhança, Deus único e Trinitário. Nossa humanidade está inserida, com Cristo, no meio da Trindade. Cristo é o Único Mediador que une os homens a Deus e Deus aos homens.

Nossa vida está escondida com Cristo em Deus, como nos recorda São Paulo. Existe em nosso coração este desejo de comunhão e de unidade porque fomos criados à Imagem e Semelhança de Deus que é Comunhão. Seja da forma que for que estejamos celebrando a Liturgia neste final de semana, que estejamos aprofundando essa realidade da nossa imersão no mistério de Deus e a importância de nossa fé Trinitária. Peçamos o dom da fé e o dom de podermos acolher o mistério de Deus que nos foi revelado.

A Liturgia desta solenidade nos manifesta este Deus que é Único e Trindade de Pessoas. Na carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 13,11-13), segunda leitura deste domingo, Paulo manifesta claramente a existência de três pessoas distintas no mistério de um só Deus: “irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.” São Paulo é explícito em anunciar que a presença da Graça em nossas vidas se dá de maneira Trinitária! Deus que foi revelado como único no Antigo Trino no Novo Testamento, segue manifestando a grandeza deste mistério através da vida da Igreja orante. Por isso, a solenidade deste grande mistério é um grande momento dentro da nossa liturgia.

Na Leitura do Evangelho deste final de semana, (Jo 3,16-18), assim lemos: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.” O Envio do Filho pelo Pai por meio do Espírito é o que vai ser manifesto na proclamação deste Evangelho, para que assim tenhamos vida e vida em abundância.

Na primeira leitura da missa deste domingo (Êx 34,4b-6.8-9), Deus se revela a Moises no Monte Sinai: Naqueles dias: Moisés levantou-se, quando ainda era noite, e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe havia mandado, levando consigo as duas tábuas de pedra. Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés, e este invocou o nome do Senhor. Enquanto o Senhor passava diante dele, Moisés gritou: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão 9e, prostrado por terra, disse: “Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua”. Deus é próximo ao seu povo, caminha conosco. Essa grande realidade é manifesta no Antigo testamento e que vai ser aprofundada no Novo e na vida da Igreja.

Portanto, a palavra deste Domingo nos convida a olhar cada vez mais para este Mistério da Trindade e pedirmos o dom da fé, e pedir também mais ao Senhor que nos conceda a consciência de que somos criados à Imagem e Semelhança deste Deus que é Trindade. Cultivemos a unidade e a fraternidade em meio a este mundo, partilhando a Luz que vem do Senhor. Que possamos anunciar este amor de Deus que é próximo das pessoas. Que sejamos sinais de esperança em meio ao mundo, pois Deus caminha conosco.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



Cardeal Orani João Tempesta
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Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro