Arquidiocese do Rio de Janeiro

30º 15º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04/07/2020

04 de Julho de 2020

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Com a Solenidade de Pentecostes, encerramos o tempo pascal, o 50º dia depois da Festa da Páscoa, na qual se abre o tempo da Igreja, o tempo da presença do Espírito Santo a conduzir os caminhos do corpo místico de Cristo. Por isso, é simbólico na última missa do Domingo de Pentecostes, quando apagamos o Círio Pascal, que nos acompanhou durante todo o Tempo da Páscoa. Ele é apagado para que a luz de Cristo brilhe na vida de cada cristão no mundo. E isso vai também ser significativo porque ele vai somente ser aceso nos batizados e nas exéquias, ou seja, de nós pedirmos cada vez mais que sejamos aqueles novos cristãos que recebem o batismo e que levem até o fim da vida essa fé que ilumina os povos e brilhe em nossa existência.

Com a Solenidade de Pentecostes também concluímos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Neste ano, por causa da pandemia, fizemos de maneira digital a vigília ecumênica de longa tradição em nossa arquidiocese, iluminados com o lema: “Gentileza gera gentileza!”.

No dia 31 de maio, também encerramos o mês de maio, dedicado a Maria. Estivemos o mês inteiro pedindo a proteção da Virgem Maria, sempre unidos com os párocos das paróquias com títulos marianos para a recitação do terço, e aos sábados, a Oração do Regina Coeli, com a participação de reitores e responsáveis de santuários marianos do Rio, Aparecida, Fátima e da Terra Santa.

No dia 30 de maio, celebramos a memória facultativa de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, padroeira do nosso Seminário Propedêutico. Nesta festa recordamos o momento do Cenáculo, onde Maria e os discípulos reunidos estavam rezando, aguardando o prometido dom do Espírito Santo. Não foi possível celebrar juntos, mas agradecemos sua maternal proteção. Nós nos alegramos com cada seminarista do Propedêutico, que estão unidos a nós, mesmo em suas casas, e pedimos para que sejam futuros apóstolos abertos à ação do Espírito Santo como Maria. Que continuem testemunhando o Ressuscitado e usando as mídias sociais para testemunharem a alegria do serviço ao Evangelho.

A Palavra de Deus que nos acompanhou durante todo esse tempo da Páscoa, com raríssimas exceções, sempre foi o Atos dos Apóstolos, inclusive aos domingos, nos quais nós não tivemos a leitura do Antigo Testamento, e sim do Atos dos Apóstolos e, também, o Evangelho de João.

Depois de todas as suas viagens apostólicas, Paulo vai a Jerusalém, onde ao ser acusado e para ser julgado ele apela para César, e acaba chegando a Roma. Paulo já em Roma, em prisão domiciliar, mas com a liberdade de conversar tanto com os judeus, como também com os outros, que iriam conhecer a Jesus Cristo.

João vai ser o último dos apóstolos que vai morrer. Ele ficou para testemunhar quem é Jesus Cristo e que se fosse para contar tudo, nem os livros do mundo todo dariam. Mas ele chega e diz que ele foi colocado para que se possa crer e aceitar Jesus Cristo.

A revelação, enquanto tal, se conclui com a morte do último apóstolo. Depois disso, justamente, a morte de Paulo, a morte de João e todos os demais acontecimentos é a história quem vai contar os passos seguintes, a tradição da Igreja, iluminada pela ação do Espírito Santo. Ao concluir a leitura dos Atos e, também, do Evangelho de João, nós vemos que é a ação do Espírito Santo que vai conduzir – já estava conduzindo – a história da Igreja no mundo, na sociedade. E olhando e inspirados na Palavra de Deus, nós vemos, meus irmãos e irmãs, que, como João, nós somos chamados a testemunhar quem é Jesus até o fim das nossas vidas. Quem é Jesus Cristo a quem nós seguimos, a quem nós anunciamos. E que não somos diferentes, teremos que passar também pelas cruzes e perseguições como o Senhor passou. Não há discípulo maior que o mestre. E ao mesmo tempo, no entanto, anunciar a salvação de todas as pessoas que tanto necessitam.

Para isso também queremos que os nossos seminaristas do Seminário Propedêutico estejam preparados para essa fidelidade e amor a Jesus Cristo. E é isso que João salienta sempre. O discípulo amado por Jesus, ou seja, sentir-se amado pelo Senhor e, consequentemente, ame ao Senhor, e possa levar também a todos aqueles vocacionados o chamado para a vida sacerdotal. Não só sentir-se amado, mas também amar a Jesus Cristo Nosso Senhor, como também ontem Jesus pedia a São Pedro.

Paulo tinha consciência que, além do testemunho do Senhor em Jerusalém, é necessário que dê testemunho também em Roma. E ali mesmo preso e, depois mais tarde, martirizado, Paulo também dará testemunho de Jesus Cristo. E vai testemunhar aos irmãos judeus que ele está ali por causa da esperança de Israel no Messias, que ele vai anunciar que chegou e, ao mesmo tempo, anunciar às pessoas a salvação em Jesus Cristo.

Essa é nossa inspiração também, porque levados pela ação do Espírito Santo, de um lado nós somos chamados a ver em todos os sinais e acontecimentos a continuar anunciando Jesus Cristo. Quantas e quantas situações nós somos colocados no mundo de hoje, em toda a sociedade, em tantas situações, mas mesmo aí com todas as dificuldades, como Paulo agora em prisão domiciliar, continua anunciando Jesus Cristo, continua falando da sua esperança de Israel, sua esperança e a sua certeza do salvador Jesus Cristo, que está presente e ressuscitado no meio de nós.

Peçamos a Deus que nós façamos a experiência de João, de sermos amados e amarmos a Jesus Cristo, de sermos testemunhas dele, na nossa vida. Sabendo que por mais que escrevamos, todos os livros não comportam. Mas que seja a nossa vida, o nosso modo de ser, a testemunhar em que nós cremos. E ao mesmo tempo, seja lá em qual circunstância que nós formos conduzidos, como Paulo, que nós saibamos continuar levando e anunciando aquele em quem nós cremos e que realmente nós devemos a nossa vida.

Essa é a ação do Espírito Santo na nossa vida hoje e na Igreja, desde sempre. E que nós pedimos que se renove em nós esse dom e essa graça, com as dores e sofrimentos que nós trazemos em nossa vida e que nós passamos, seja sempre o anúncio daqu'Ele que nós cremos e a quem nós anunciamos, Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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07/06/2020 00:00

Com a Solenidade de Pentecostes, encerramos o tempo pascal, o 50º dia depois da Festa da Páscoa, na qual se abre o tempo da Igreja, o tempo da presença do Espírito Santo a conduzir os caminhos do corpo místico de Cristo. Por isso, é simbólico na última missa do Domingo de Pentecostes, quando apagamos o Círio Pascal, que nos acompanhou durante todo o Tempo da Páscoa. Ele é apagado para que a luz de Cristo brilhe na vida de cada cristão no mundo. E isso vai também ser significativo porque ele vai somente ser aceso nos batizados e nas exéquias, ou seja, de nós pedirmos cada vez mais que sejamos aqueles novos cristãos que recebem o batismo e que levem até o fim da vida essa fé que ilumina os povos e brilhe em nossa existência.

Com a Solenidade de Pentecostes também concluímos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Neste ano, por causa da pandemia, fizemos de maneira digital a vigília ecumênica de longa tradição em nossa arquidiocese, iluminados com o lema: “Gentileza gera gentileza!”.

No dia 31 de maio, também encerramos o mês de maio, dedicado a Maria. Estivemos o mês inteiro pedindo a proteção da Virgem Maria, sempre unidos com os párocos das paróquias com títulos marianos para a recitação do terço, e aos sábados, a Oração do Regina Coeli, com a participação de reitores e responsáveis de santuários marianos do Rio, Aparecida, Fátima e da Terra Santa.

No dia 30 de maio, celebramos a memória facultativa de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, padroeira do nosso Seminário Propedêutico. Nesta festa recordamos o momento do Cenáculo, onde Maria e os discípulos reunidos estavam rezando, aguardando o prometido dom do Espírito Santo. Não foi possível celebrar juntos, mas agradecemos sua maternal proteção. Nós nos alegramos com cada seminarista do Propedêutico, que estão unidos a nós, mesmo em suas casas, e pedimos para que sejam futuros apóstolos abertos à ação do Espírito Santo como Maria. Que continuem testemunhando o Ressuscitado e usando as mídias sociais para testemunharem a alegria do serviço ao Evangelho.

A Palavra de Deus que nos acompanhou durante todo esse tempo da Páscoa, com raríssimas exceções, sempre foi o Atos dos Apóstolos, inclusive aos domingos, nos quais nós não tivemos a leitura do Antigo Testamento, e sim do Atos dos Apóstolos e, também, o Evangelho de João.

Depois de todas as suas viagens apostólicas, Paulo vai a Jerusalém, onde ao ser acusado e para ser julgado ele apela para César, e acaba chegando a Roma. Paulo já em Roma, em prisão domiciliar, mas com a liberdade de conversar tanto com os judeus, como também com os outros, que iriam conhecer a Jesus Cristo.

João vai ser o último dos apóstolos que vai morrer. Ele ficou para testemunhar quem é Jesus Cristo e que se fosse para contar tudo, nem os livros do mundo todo dariam. Mas ele chega e diz que ele foi colocado para que se possa crer e aceitar Jesus Cristo.

A revelação, enquanto tal, se conclui com a morte do último apóstolo. Depois disso, justamente, a morte de Paulo, a morte de João e todos os demais acontecimentos é a história quem vai contar os passos seguintes, a tradição da Igreja, iluminada pela ação do Espírito Santo. Ao concluir a leitura dos Atos e, também, do Evangelho de João, nós vemos que é a ação do Espírito Santo que vai conduzir – já estava conduzindo – a história da Igreja no mundo, na sociedade. E olhando e inspirados na Palavra de Deus, nós vemos, meus irmãos e irmãs, que, como João, nós somos chamados a testemunhar quem é Jesus até o fim das nossas vidas. Quem é Jesus Cristo a quem nós seguimos, a quem nós anunciamos. E que não somos diferentes, teremos que passar também pelas cruzes e perseguições como o Senhor passou. Não há discípulo maior que o mestre. E ao mesmo tempo, no entanto, anunciar a salvação de todas as pessoas que tanto necessitam.

Para isso também queremos que os nossos seminaristas do Seminário Propedêutico estejam preparados para essa fidelidade e amor a Jesus Cristo. E é isso que João salienta sempre. O discípulo amado por Jesus, ou seja, sentir-se amado pelo Senhor e, consequentemente, ame ao Senhor, e possa levar também a todos aqueles vocacionados o chamado para a vida sacerdotal. Não só sentir-se amado, mas também amar a Jesus Cristo Nosso Senhor, como também ontem Jesus pedia a São Pedro.

Paulo tinha consciência que, além do testemunho do Senhor em Jerusalém, é necessário que dê testemunho também em Roma. E ali mesmo preso e, depois mais tarde, martirizado, Paulo também dará testemunho de Jesus Cristo. E vai testemunhar aos irmãos judeus que ele está ali por causa da esperança de Israel no Messias, que ele vai anunciar que chegou e, ao mesmo tempo, anunciar às pessoas a salvação em Jesus Cristo.

Essa é nossa inspiração também, porque levados pela ação do Espírito Santo, de um lado nós somos chamados a ver em todos os sinais e acontecimentos a continuar anunciando Jesus Cristo. Quantas e quantas situações nós somos colocados no mundo de hoje, em toda a sociedade, em tantas situações, mas mesmo aí com todas as dificuldades, como Paulo agora em prisão domiciliar, continua anunciando Jesus Cristo, continua falando da sua esperança de Israel, sua esperança e a sua certeza do salvador Jesus Cristo, que está presente e ressuscitado no meio de nós.

Peçamos a Deus que nós façamos a experiência de João, de sermos amados e amarmos a Jesus Cristo, de sermos testemunhas dele, na nossa vida. Sabendo que por mais que escrevamos, todos os livros não comportam. Mas que seja a nossa vida, o nosso modo de ser, a testemunhar em que nós cremos. E ao mesmo tempo, seja lá em qual circunstância que nós formos conduzidos, como Paulo, que nós saibamos continuar levando e anunciando aquele em quem nós cremos e que realmente nós devemos a nossa vida.

Essa é a ação do Espírito Santo na nossa vida hoje e na Igreja, desde sempre. E que nós pedimos que se renove em nós esse dom e essa graça, com as dores e sofrimentos que nós trazemos em nossa vida e que nós passamos, seja sempre o anúncio daqu'Ele que nós cremos e a quem nós anunciamos, Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



Cardeal Orani João Tempesta
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Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro