Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/06/2020

06 de Junho de 2020

Homilia - Quinto Domingo da Páscoa

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06 de Junho de 2020

Homilia - Quinto Domingo da Páscoa

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Homilia - Quinto Domingo da Páscoa 0

10/05/2020 00:00

Quinto Domingo da Páscoa
10 de maio de 2020

At 6,1-7
Sl 32
1Pd 2,4-9
Jo 14,1-2

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

Este tempo da Páscoa do Senhor que estamos vivendo, no dizer de Santo Atanásio, deve ser celebrando como se fosse “um único grande Domingo” , no qual mantemos acesa em nosso coração a chama da alegria pascal, tal qual permanece aceso em nossas Igrejas o círio pascal, abençoado na noite da Grande Vigília, sinal do Cristo Ressuscitado, luz do mundo, que permanece para sempre conosco.

Sobretudo nestes tempos difíceis que estamos vivendo, a alegria que brota da Ressurreição do Senhor deve ser nossa fonte de ânimo e de força para seguirmos em frente, na certeza de que Ele está conosco, pois como afirma o Salmo deste quinto Domingo da Páscoa: “ O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria” (cf. Sl 32,18-19). Nestes tempos de penúria, o Senhor nos alimenta, nos alimenta com sua Palavra, nos alimenta com sua graça, nos enche do seu Espírito e consola a quantos esperam ardentemente poder voltar às suas comunidades para recebê-lo também, de novo, nas espécies eucarísticas.

Neste tempo da Páscoa, acompanhamos a leitura dos Atos dos Apóstolos. Neste livro, São Lucas nos mostra como a Igreja nascente, a partir do Mistério da Páscoa e do seu coroamento no grande dia de Pentecostes, se expandiu, guiada pelo Espírito Santo.

No trecho lido hoje nos é narrada a instituição dos “sete diáconos”, embora Atos dos Apóstolos não use esta nomenclatura. Lucas fala da eleição de sete homens de boa fama, repletos do Espírito Santo e de sabedoria, que passam a participar do múnus dos apóstolos, servindo primeiro às mesas e, depois, pregando com ardor o Evangelho de Cristo, como pode ser visto mais adiante, pelo menos com relação a Estêvão e Filipe.

O trecho lido hoje termina dizendo: ...a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé (cf. At 6,7). A Palavra do Senhor se espalhava e o número dos discípulos crescia, porque o Ressuscitado estava agindo, na força do seu Espírito, através dos seus apóstolos. É o mistério da Igreja que cresce e se expande, conforme o Senhor havia prometido em Mt 13,31-32: um grão de mostarda que, ao ser lançado na terra, se torna uma grande árvore, e nela os pássaros vem se abrigar.

Na segunda leitura o apóstolo Pedro chama a Igreja de “edifício espiritual”. Mas todo edifício deve ter uma base, um alicerce. Este alicerce deve ser firme, para que o edifício se sustente. O edifício espiritual da Igreja tem um fundamento: Cristo. Ele é a pedra angular. Foi rejeitado, foi morto, foi crucificado... Contudo, morrendo, destruiu a morte. Ressuscitou dos mortos e está vivo para sempre e tornou-se a pedra angular que dá sustento a todo o edifício da Igreja. Sem ele, ficaríamos reduzidos a escombros. A Igreja se mantem de pé, firme, justamente porque Cristo é o seu fundamento.
O evangelho constitui o centro de toda a liturgia da Palavra. Hoje ouvimos uma parte de Jo 14, mais precisamente os vv. 1-12, o início dos “discursos de adeus” de Jesus. O trecho que nos é proposto hoje começa com uma palavra de consolação de Jesus aos seus discípulos: “Não se perturbe o vosso coração”. Diante da chegada da sua “hora”, ou seja, do mistério da sua paixão, Jesus quer mostrar aos discípulos a importância de se manter firme na fé e de crer que a sua morte não terá a última palavra, afinal a morte não tem mais a última palavra. Cristo fala que vai, mas vai preparar um lugar para os seus. Ele voltará, e levará consigo os que são dele. Junto com sua partida, Cristo anuncia também sua vinda gloriosa.

O v. 4 introduz o tema do caminho: “...para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. Tomé vai tomar a palavra, para perguntar a Jesus sobre este tal “caminho” e isso dará ocasião a Jesus de se apresentar como “o caminho”, “a verdade” e “a vida” (v.6). Este versículo constitui como que o centro de todo o trecho evangélico proclamado neste domingo: não há acesso ao Pai, senão por meio do Filho, que abriu-nos esse mesmo acesso.

Nos versículos seguintes (7-11) Jesus se apresenta como “sacramento primordial do Pai”, no sentido de quem o vê, tem acesso ao Pai que é invisível. Neste trecho é Filipe quem toma a palavra. Ele quer que Jesus lhe mostre o Pai. Jesus vai afirmar que o Pai pode ser visto nele, porque ele está no Pai e o Pai está nele. Os discípulos devem crer por causa das obras, dos sinais que Jesus realiza, afinal eles têm em vista confirmar a sua Palavra.
Cristo é o “sacramento primordial”, ou seja, quem o vê, verdadeiramente vê o Pai, porque Ele e o Pai são um. De Cristo, sacramento primordial e radical, brotam os outros sacramentos, que nos fazem participar nos diversos momentos da nossa existência do Mistério Pascal do mesmo Cristo. Assim como, olhando para o Cristo, os discípulos podiam ter acesso ao Pai, que é invisível, do mesmo modo, olhando, contemplando os sacramentos e recebendo-os, recebemos o próprio Cristo, participamos do mistério da Sua Páscoa, até que ele venha.

O trecho do evangelho deste domingo termina com um chamado à fé: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. A Igreja segue realizando ainda no mundo de hoje grandes sinais. Isso acontece como realização desse dito de Jesus. Ele foi para o Pai e voltará no fim dos tempos, mas Ele nunca deixou de “estar no meio de nós”. Coisas grandes a Igreja realiza, porque em seu meio está aquele que é grandioso, o superexaltado (Fl 2,6-11), Cristo Ressuscitado, vivo e glorioso, que age na Igreja e por meio da Igreja, que é nossa Mãe. E por ser hoje o dia das mães, não nos esqueçamos de elevar a Deus nossas preces por elas, tanto as vivas quanto as que já partiram. Que o Senhor as abençoe rica e abundantemente.

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Quinto Domingo da Páscoa
10 de maio de 2020

At 6,1-7
Sl 32
1Pd 2,4-9
Jo 14,1-2

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

Este tempo da Páscoa do Senhor que estamos vivendo, no dizer de Santo Atanásio, deve ser celebrando como se fosse “um único grande Domingo” , no qual mantemos acesa em nosso coração a chama da alegria pascal, tal qual permanece aceso em nossas Igrejas o círio pascal, abençoado na noite da Grande Vigília, sinal do Cristo Ressuscitado, luz do mundo, que permanece para sempre conosco.

Sobretudo nestes tempos difíceis que estamos vivendo, a alegria que brota da Ressurreição do Senhor deve ser nossa fonte de ânimo e de força para seguirmos em frente, na certeza de que Ele está conosco, pois como afirma o Salmo deste quinto Domingo da Páscoa: “ O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria” (cf. Sl 32,18-19). Nestes tempos de penúria, o Senhor nos alimenta, nos alimenta com sua Palavra, nos alimenta com sua graça, nos enche do seu Espírito e consola a quantos esperam ardentemente poder voltar às suas comunidades para recebê-lo também, de novo, nas espécies eucarísticas.

Neste tempo da Páscoa, acompanhamos a leitura dos Atos dos Apóstolos. Neste livro, São Lucas nos mostra como a Igreja nascente, a partir do Mistério da Páscoa e do seu coroamento no grande dia de Pentecostes, se expandiu, guiada pelo Espírito Santo.

No trecho lido hoje nos é narrada a instituição dos “sete diáconos”, embora Atos dos Apóstolos não use esta nomenclatura. Lucas fala da eleição de sete homens de boa fama, repletos do Espírito Santo e de sabedoria, que passam a participar do múnus dos apóstolos, servindo primeiro às mesas e, depois, pregando com ardor o Evangelho de Cristo, como pode ser visto mais adiante, pelo menos com relação a Estêvão e Filipe.

O trecho lido hoje termina dizendo: ...a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé (cf. At 6,7). A Palavra do Senhor se espalhava e o número dos discípulos crescia, porque o Ressuscitado estava agindo, na força do seu Espírito, através dos seus apóstolos. É o mistério da Igreja que cresce e se expande, conforme o Senhor havia prometido em Mt 13,31-32: um grão de mostarda que, ao ser lançado na terra, se torna uma grande árvore, e nela os pássaros vem se abrigar.

Na segunda leitura o apóstolo Pedro chama a Igreja de “edifício espiritual”. Mas todo edifício deve ter uma base, um alicerce. Este alicerce deve ser firme, para que o edifício se sustente. O edifício espiritual da Igreja tem um fundamento: Cristo. Ele é a pedra angular. Foi rejeitado, foi morto, foi crucificado... Contudo, morrendo, destruiu a morte. Ressuscitou dos mortos e está vivo para sempre e tornou-se a pedra angular que dá sustento a todo o edifício da Igreja. Sem ele, ficaríamos reduzidos a escombros. A Igreja se mantem de pé, firme, justamente porque Cristo é o seu fundamento.
O evangelho constitui o centro de toda a liturgia da Palavra. Hoje ouvimos uma parte de Jo 14, mais precisamente os vv. 1-12, o início dos “discursos de adeus” de Jesus. O trecho que nos é proposto hoje começa com uma palavra de consolação de Jesus aos seus discípulos: “Não se perturbe o vosso coração”. Diante da chegada da sua “hora”, ou seja, do mistério da sua paixão, Jesus quer mostrar aos discípulos a importância de se manter firme na fé e de crer que a sua morte não terá a última palavra, afinal a morte não tem mais a última palavra. Cristo fala que vai, mas vai preparar um lugar para os seus. Ele voltará, e levará consigo os que são dele. Junto com sua partida, Cristo anuncia também sua vinda gloriosa.

O v. 4 introduz o tema do caminho: “...para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. Tomé vai tomar a palavra, para perguntar a Jesus sobre este tal “caminho” e isso dará ocasião a Jesus de se apresentar como “o caminho”, “a verdade” e “a vida” (v.6). Este versículo constitui como que o centro de todo o trecho evangélico proclamado neste domingo: não há acesso ao Pai, senão por meio do Filho, que abriu-nos esse mesmo acesso.

Nos versículos seguintes (7-11) Jesus se apresenta como “sacramento primordial do Pai”, no sentido de quem o vê, tem acesso ao Pai que é invisível. Neste trecho é Filipe quem toma a palavra. Ele quer que Jesus lhe mostre o Pai. Jesus vai afirmar que o Pai pode ser visto nele, porque ele está no Pai e o Pai está nele. Os discípulos devem crer por causa das obras, dos sinais que Jesus realiza, afinal eles têm em vista confirmar a sua Palavra.
Cristo é o “sacramento primordial”, ou seja, quem o vê, verdadeiramente vê o Pai, porque Ele e o Pai são um. De Cristo, sacramento primordial e radical, brotam os outros sacramentos, que nos fazem participar nos diversos momentos da nossa existência do Mistério Pascal do mesmo Cristo. Assim como, olhando para o Cristo, os discípulos podiam ter acesso ao Pai, que é invisível, do mesmo modo, olhando, contemplando os sacramentos e recebendo-os, recebemos o próprio Cristo, participamos do mistério da Sua Páscoa, até que ele venha.

O trecho do evangelho deste domingo termina com um chamado à fé: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. A Igreja segue realizando ainda no mundo de hoje grandes sinais. Isso acontece como realização desse dito de Jesus. Ele foi para o Pai e voltará no fim dos tempos, mas Ele nunca deixou de “estar no meio de nós”. Coisas grandes a Igreja realiza, porque em seu meio está aquele que é grandioso, o superexaltado (Fl 2,6-11), Cristo Ressuscitado, vivo e glorioso, que age na Igreja e por meio da Igreja, que é nossa Mãe. E por ser hoje o dia das mães, não nos esqueçamos de elevar a Deus nossas preces por elas, tanto as vivas quanto as que já partiram. Que o Senhor as abençoe rica e abundantemente.