Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/06/2020

06 de Junho de 2020

Eterna é a sua misericórdia

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Eterna é a sua misericórdia

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Eterna é a sua misericórdia 0

19/04/2020 00:00

O segundo Domingo da Páscoa é chamado de domingo in albis, expressão latina que significa 'em branco', pois era costume na Igreja antiga que os cristãos que foram batizados na noite da Vigília Pascal se apresentassem nesta celebração dominical usando vestes brancas, representando a regeneração do pecado original e a vida nova que receberam. Ele é também chamado de Domingo da Misericórdia, conforme festa instituída pelo Papa São João Paulo II, cuja realidade tem sido bastante destacada pelo magistério Pontifício. Basta lembra os escritos de João Paulo II, de Bento XVI, de Francisco, quem inclusive proclamou o Ano da Misericórdia (2015/2016). Há uma necessidade de que esta realidade seja recordada e proclamada em meio aos homens no dia de hoje. Deus não nos trata como merecem nossas faltas, mas nos trata a partir daquilo que Ele é: Amor, Misericórdia e Bondade. Somos pecadores e infiéis, mas amados pelo Senhor que tem misericórdia de nós. 

Nesta semana, iniciaríamos a Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida, mas que por ocasião da atual pandemia foi transferida para os dias 12 a 20 de agosto, se tudo ocorrer como o esperado. Aproveitemos a ocasião para dirigir a Deus uma prece especial por todos os nossos pastores.

A Palavra de Deus neste domingo vai nos anunciando as consequências concretas da Páscoa na vida daqueles que abraçam a fé no Ressuscitado. A primeira leitura (At 2,42-47), descreve a vida das primeiras comunidades cristãs, enfatizando o fato de que eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna na fração do pão e nas orações. Perseverança, escuta e comunhão: três realidades que marcam a vida da Igreja nascente, assim como a unidade de vida, a unidade da fé que se manifestava na unidade da vida em comunidade: Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum. Na descrição detalhada das primeiras comunidades vemos que a vida nova trazida por Cristo através da graça da conversão faz nova a maneira de estar no mundo: aquele que abraça a fé no Ressuscitado e adentra seu mistério por meio do Batismo torna-se agora membro de um corpo, que tem Cristo como cabeça. Numa época onde a mentalidade individualista tenta a todo custo ocupar nossa maneira de ser e de pensar, a fé cristã nos recorda a grandeza da vida em comunidade. Quem crê nunca está só. Mesmo em momentos de afastamento social como o que estamos vivendo, os católicos demonstram o dom da partilha que vai ao encontro dos necessitados.

O salmo de resposta (Sl 117,2-4.13-15.22-24) vem dar ênfase ao grande destaque deste domingo: o salmo exalta a misericórdia de Deus. Com o refrão que se repete (eterna é a sua misericórdia!), realidades diferentes da vida humana exaltam a misericórdia de Deus, mostrando que esta é infinita e é dirigida a todos. Como uma gota d’água que cai no oceano, assim são nossos pecados ante o “oceano” da misericórdia de Deus.

A segunda leitura (1Pd 1,3-9) vem também exaltando a presença e o valor da misericórdia de Deus em meio aos homens: Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus. Pedro dirige esta carta a cristãos que se encontravam em um mundo hostil, onde sofriam por sua condição de cristãos. O apóstolo vai desenvolvendo o início de sua carta, mostrando os motivos que os cristãos têm para sentirem-se consolados e para perseverar na fé. Assim como eles, hoje também nós vivemos globalmente situações de luta e aflição em nossas vidas. A certeza da misericórdia e fortaleza que a fé nos traz deve continuar a ser também para nós motivo de esperança que nos sustenta nesses tempos de sofrimento e instabilidade.

No Evangelho deste domingo (Jo 20,19-31) o relato nos narra acontecimentos dos primeiros domingos da ressurreição e o encontro com o Ressuscitado, primeiro com os dez discípulos que estavam trancados e escondidos por medo da ameaça dos judeus e, no domingo seguinte, com os 11. O Evangelho vai nos mostrando o ciclo semanal da comunidade que se reúne, e nesta assembleia (onde dois ou mais se reúnem em meu nome... eu estou no meio deles) fazem memória da presença do Senhor. Neste contexto, o Senhor aparece concedendo a todos eles o dom da paz: A paz esteja convosco, ao mesmo tempo em que lhes mostra as marcas da paixão (o ressuscitado é o mesmo crucificado): Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. O Evangelho mostra que a presença do Senhor transforma o medo dos apóstolos em alegria. O Senhor sopra sobre eles o seu Espírito (tudo renasce e se refaz) e lhes dá o poder de perdoar os pecados. Num segundo momento, o Evangelho vai nos apresentar outro fato: a figura de Tomé que, por não estar junto da comunidade quando da primeira vez, não se encontra com o Senhor e duvida do que lhe tinha sido relatado. Novamente, no primeiro dia da semana (domingo), da semana seguinte, o Senhor volta a se fazer presente em meio à comunidade dos apóstolos, agora com Tomé presente, e cura a falta de fé de Tomé, propondo que ele toque nas chagas do Ressuscitado. Tomé, encontrando-se com as chagas do Ressuscitado, tem curadas as suas chagas da falta de fé. Cristo não repreende a atitude de Tomé, mas de cara lhe oferece, em um gesto de misericórdia, a oportunidade de restaurar a sua fé. Eterna é a misericórdia do Senhor! Tomé acolhe essa misericórdia e faz a sua profissão de fé: 'Meu Senhor e meu Deus!'

Os discípulos se alegram pela presença do Senhor em seu meio: essa deve ser a nossa realidade constante em meio a tantas provas, pois o Senhor Ressuscitado venceu o mal e a morte. Que o Senhor restaure a nossa falta de fé, principalmente em todas as vezes em que parece que Deus está ausente ou que nos abandonou. Que o Senhor nos esconda em suas chagas de misericórdia. Que todas as vezes que encontrarmos com o Senhor, seja na Palavra, seja na Eucaristia, seja na reunião da comunidade, seja nas circunstâncias onde ele se manifesta, renovemos nossa profissão de fé, assim como Tomé: 'Meu Senhor e meu Deus!'. Assim como as primeiras comunidades: “Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas”. Que nosso testemunho de fé humilde e sincera possa atrair muitas pessoas ao encontro com as maravilhas de Deus.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro


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O segundo Domingo da Páscoa é chamado de domingo in albis, expressão latina que significa 'em branco', pois era costume na Igreja antiga que os cristãos que foram batizados na noite da Vigília Pascal se apresentassem nesta celebração dominical usando vestes brancas, representando a regeneração do pecado original e a vida nova que receberam. Ele é também chamado de Domingo da Misericórdia, conforme festa instituída pelo Papa São João Paulo II, cuja realidade tem sido bastante destacada pelo magistério Pontifício. Basta lembra os escritos de João Paulo II, de Bento XVI, de Francisco, quem inclusive proclamou o Ano da Misericórdia (2015/2016). Há uma necessidade de que esta realidade seja recordada e proclamada em meio aos homens no dia de hoje. Deus não nos trata como merecem nossas faltas, mas nos trata a partir daquilo que Ele é: Amor, Misericórdia e Bondade. Somos pecadores e infiéis, mas amados pelo Senhor que tem misericórdia de nós. 

Nesta semana, iniciaríamos a Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida, mas que por ocasião da atual pandemia foi transferida para os dias 12 a 20 de agosto, se tudo ocorrer como o esperado. Aproveitemos a ocasião para dirigir a Deus uma prece especial por todos os nossos pastores.

A Palavra de Deus neste domingo vai nos anunciando as consequências concretas da Páscoa na vida daqueles que abraçam a fé no Ressuscitado. A primeira leitura (At 2,42-47), descreve a vida das primeiras comunidades cristãs, enfatizando o fato de que eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna na fração do pão e nas orações. Perseverança, escuta e comunhão: três realidades que marcam a vida da Igreja nascente, assim como a unidade de vida, a unidade da fé que se manifestava na unidade da vida em comunidade: Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum. Na descrição detalhada das primeiras comunidades vemos que a vida nova trazida por Cristo através da graça da conversão faz nova a maneira de estar no mundo: aquele que abraça a fé no Ressuscitado e adentra seu mistério por meio do Batismo torna-se agora membro de um corpo, que tem Cristo como cabeça. Numa época onde a mentalidade individualista tenta a todo custo ocupar nossa maneira de ser e de pensar, a fé cristã nos recorda a grandeza da vida em comunidade. Quem crê nunca está só. Mesmo em momentos de afastamento social como o que estamos vivendo, os católicos demonstram o dom da partilha que vai ao encontro dos necessitados.

O salmo de resposta (Sl 117,2-4.13-15.22-24) vem dar ênfase ao grande destaque deste domingo: o salmo exalta a misericórdia de Deus. Com o refrão que se repete (eterna é a sua misericórdia!), realidades diferentes da vida humana exaltam a misericórdia de Deus, mostrando que esta é infinita e é dirigida a todos. Como uma gota d’água que cai no oceano, assim são nossos pecados ante o “oceano” da misericórdia de Deus.

A segunda leitura (1Pd 1,3-9) vem também exaltando a presença e o valor da misericórdia de Deus em meio aos homens: Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus. Pedro dirige esta carta a cristãos que se encontravam em um mundo hostil, onde sofriam por sua condição de cristãos. O apóstolo vai desenvolvendo o início de sua carta, mostrando os motivos que os cristãos têm para sentirem-se consolados e para perseverar na fé. Assim como eles, hoje também nós vivemos globalmente situações de luta e aflição em nossas vidas. A certeza da misericórdia e fortaleza que a fé nos traz deve continuar a ser também para nós motivo de esperança que nos sustenta nesses tempos de sofrimento e instabilidade.

No Evangelho deste domingo (Jo 20,19-31) o relato nos narra acontecimentos dos primeiros domingos da ressurreição e o encontro com o Ressuscitado, primeiro com os dez discípulos que estavam trancados e escondidos por medo da ameaça dos judeus e, no domingo seguinte, com os 11. O Evangelho vai nos mostrando o ciclo semanal da comunidade que se reúne, e nesta assembleia (onde dois ou mais se reúnem em meu nome... eu estou no meio deles) fazem memória da presença do Senhor. Neste contexto, o Senhor aparece concedendo a todos eles o dom da paz: A paz esteja convosco, ao mesmo tempo em que lhes mostra as marcas da paixão (o ressuscitado é o mesmo crucificado): Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. O Evangelho mostra que a presença do Senhor transforma o medo dos apóstolos em alegria. O Senhor sopra sobre eles o seu Espírito (tudo renasce e se refaz) e lhes dá o poder de perdoar os pecados. Num segundo momento, o Evangelho vai nos apresentar outro fato: a figura de Tomé que, por não estar junto da comunidade quando da primeira vez, não se encontra com o Senhor e duvida do que lhe tinha sido relatado. Novamente, no primeiro dia da semana (domingo), da semana seguinte, o Senhor volta a se fazer presente em meio à comunidade dos apóstolos, agora com Tomé presente, e cura a falta de fé de Tomé, propondo que ele toque nas chagas do Ressuscitado. Tomé, encontrando-se com as chagas do Ressuscitado, tem curadas as suas chagas da falta de fé. Cristo não repreende a atitude de Tomé, mas de cara lhe oferece, em um gesto de misericórdia, a oportunidade de restaurar a sua fé. Eterna é a misericórdia do Senhor! Tomé acolhe essa misericórdia e faz a sua profissão de fé: 'Meu Senhor e meu Deus!'

Os discípulos se alegram pela presença do Senhor em seu meio: essa deve ser a nossa realidade constante em meio a tantas provas, pois o Senhor Ressuscitado venceu o mal e a morte. Que o Senhor restaure a nossa falta de fé, principalmente em todas as vezes em que parece que Deus está ausente ou que nos abandonou. Que o Senhor nos esconda em suas chagas de misericórdia. Que todas as vezes que encontrarmos com o Senhor, seja na Palavra, seja na Eucaristia, seja na reunião da comunidade, seja nas circunstâncias onde ele se manifesta, renovemos nossa profissão de fé, assim como Tomé: 'Meu Senhor e meu Deus!'. Assim como as primeiras comunidades: “Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas”. Que nosso testemunho de fé humilde e sincera possa atrair muitas pessoas ao encontro com as maravilhas de Deus.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro


Cardeal Orani João Tempesta
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Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro